21 de jul. de 2026

REAL TIME: CAIADO APARECE À FRENTE DE LULA

A nova rodada da pesquisa Real Time Big Data trouxe um dado que certamente será explorado no debate político dos próximos dias: Ronaldo Caiado apareceu numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno da eleição presidencial.

O ex-governador de Goiás alcançou 44% das intenções de voto, contra 43% de Lula. A diferença de apenas um ponto percentual mantém os dois em empate técnico, já que está dentro da margem de erro da pesquisa. Ainda assim, o movimento dos números chama a atenção.

No levantamento anterior, divulgado em junho, ambos apareciam com 43%. Agora, Lula permanece no mesmo patamar, enquanto Caiado cresce um ponto e assume a dianteira numérica. Não é uma vantagem estatisticamente consolidada, mas é um sinal político que merece registro.

O instituto também simulou outros confrontos de segundo turno. Contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece com vantagem numérica, mas também em empate técnico. Já diante de Romeu Zema e Renan Santos, o presidente venceria com maior folga.

Há outro aspecto interessante. No primeiro turno, Caiado ainda aparece distante dos líderes da disputa. Entretanto, quando o cenário passa para um confronto direto com Lula, demonstra capacidade de agregar votos de diferentes segmentos do eleitorado. É justamente essa transferência de apoios que faz do segundo turno um jogo completamente diferente do primeiro.

É cedo para transformar pesquisas em previsões. Convenções partidárias, formação de alianças, escolha de candidatos a vice, campanha eleitoral e debates ainda poderão alterar significativamente o quadro.

Mas toda pesquisa deixa um recado. E o desta terça-feira é claro: entre todos os nomes testados pela Real Time Big Data, Ronaldo Caiado foi o único a aparecer numericamente à frente de Lula em um cenário de segundo turno, ainda que dentro da margem de erro. Em política, às vezes um ponto percentual vale muito mais pelo simbolismo do que pela matemática.

20 de jul. de 2026

AS MULHERES JÁ GANHARAM A 1ª ELEIÇÃO

 As convenções partidárias começaram nesta semana. Até o dia 5 de agosto, conheceremos oficialmente os candidatos que disputarão a Presidência da República, os governos estaduais, o Senado, a Câmara dos Deputados e as Assembleias Legislativas.

Antes mesmo de a campanha ganhar as ruas, uma eleição já está decidida: a da composição do eleitorado.

O Brasil chega a 2026 com 158.740.000 eleitores. Desse total, 83.877.126 são mulheres, representando 52,84% do eleitorado nacional. Os homens somam 74.044.065.

A diferença não é pequena. É suficiente para lembrar que nenhuma candidatura pode ignorar o voto feminino. Mais do que um segmento do eleitorado, as mulheres constituem a maioria dele.

Outro aspecto interessante é a concentração regional dos votos. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná reúnem 83.268.916 eleitores, ou 52,45% de todos os brasileiros aptos a votar. Em outras palavras, pouco mais da metade do eleitorado nacional está concentrada em apenas cinco estados.

Esses números ajudam a explicar por que as campanhas presidenciais dedicam tanto tempo, recursos e estratégias a esses grandes colégios eleitorais.

Mas volto ao dado que mais desperta curiosidade. Se, por hipótese, e apenas por hipótese, as mulheres resolvessem votar de forma uniforme, teriam força suficiente para decidir qualquer eleição nacional. É claro que isso jamais acontecerá. As eleitoras pensam de maneiras diferentes, pertencem a diversas correntes políticas e representam toda a pluralidade da sociedade brasileira.

Ainda assim, a estatística permite uma brincadeira. Com esse contingente de votos, elas poderiam transformar o Brasil numa versão eleitoral de Themyscira, a lendária Ilha Paraíso da Mulher-Maravilha. Não lhes falta maioria. Falta apenas combinar o voto entre dezenas de milhões de pessoas, tarefa impossível numa democracia saudável.

A realidade é muito melhor. Homens e mulheres pensam, divergem, concordam, mudam de opinião e escolhem livremente seus representantes. É justamente dessa diversidade que nasce a legitimidade das urnas.

Mas convém aos candidatos não esquecerem um detalhe: quem pretende governar o Brasil precisa, antes de tudo, convencer quem já representa a maioria do eleitorado.



18 de jul. de 2026

MÓVEIS DEMAIS, ESPAÇO PEQUENO

 Li com atenção a análise da jornalista Cileide Alves sobre a disputa pelas duas vagas ao Senado. Concordo com sua leitura.A base governista vive uma situação rara na política: tem mais candidatos competitivos do que vagas disponíveis.

São quatro nomes disputando apenas duas cadeiras. Na teoria, pertencem ao mesmo grupo. Na prática, disputam o mesmo eleitor. É uma convivência delicada. Todos precisam caminhar juntos sem esquecer que apenas dois chegarão ao Senado.

Penso numa comparação simples. É como uma casa que ficou pequena para tantos móveis de boa qualidade. O problema não está nos móveis. Está no espaço disponível.

Na política acontece o mesmo. Nenhum dos pré-candidatos entrou para apenas participar. Todos acreditam reunir condições para vencer. Todos possuem apoios, história e expectativas.

O desafio de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela será preservar a unidade do grupo sem sufocar as legítimas ambições de cada um. As pesquisas mostram que ninguém. O maior adversário da base, neste momento, talvez não esteja do outro lado. Ele está dentro de casa.

A CHAVE QUE ABRE A PORTA DA DIGNIDADE

 

Entre tantas obras que um governo pode realizar, poucas têm um alcance social tão profundo quanto a construção de moradias. Asfalto é importante. Praças são importantes. Pontes também. Mas poucas iniciativas mudam tanto a vida de uma família quanto a entrega da casa própria.

Nesta semana, o prefeito Velomar Rios entregou 12 moradias no Bairro Boulanger. Para quem observa apenas os números, pode parecer uma ação modesta. Afinal, são apenas doze casas. Mas a política pública não deve ser medida apenas pela quantidade. Deve ser avaliada pelo impacto que produz na vida das pessoas.

Cada chave entregue representa o fim de uma longa espera. Significa deixar para trás o aluguel, a insegurança ou a moradia precária. Significa oferecer aos filhos um endereço definitivo, um ambiente mais seguro e um patrimônio que permanecerá para as próximas gerações.

Não por acaso, a Constituição Federal trata a moradia como um direito social, ao lado da saúde, da educação, do trabalho e da assistência. Um lar é muito mais que um imóvel. É o espaço onde a família se reúne, onde as crianças crescem, onde se constroem sonhos e se fortalecem os laços afetivos.

Ao cumprir um compromisso assumido anteriormente e concluir a entrega dessas moradias, Velomar faz mais do que finalizar uma obra. Reafirma que políticas públicas devem existir para melhorar a vida das pessoas.

Que outras famílias também possam viver esse momento. Porque investir em habitação não é apenas construir casas. É construir dignidade, cidadania e esperança.

16 de jul. de 2026

MALVINAS: QUANDO A PAIXÃO ENCONTRA A REGRA DO JOGO

A vitória da Argentina sobre a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo, foi histórica. Mas a comemoração pode custar caro.

Jogadores assentaram a faixa no gramado
Após o jogo, os jogadores exibiram uma faixa com a frase: "As Malvinas são da Argentina". A mensagem reflete um sentimento amplamente compartilhado no país desde a guerra de 1982, mas entra em conflito com o regulamento da Fifa, que proíbe manifestações de caráter político durante a competição.

A entidade poderá advertir, multar ou aplicar outras sanções disciplinares previstas em seu código.

A questão não é saber quem tem razão na disputa pelas ilhas. Essa é uma controvérsia diplomática que já atravessa gerações.

O ponto é outro: quando um torneio estabelece regras, elas valem para todos. Se a Fifa pune manifestações políticas de qualquer natureza, a coerência exige que aplique o regulamento independentemente do país envolvido.

No futebol, a paixão pode não ter limites. O regulamento, sim.


NARRATIVAS, FATOS E A OBRIGAÇÃO DE LEMBRAR

Ouvi atentamente a entrevista concedida por Cairo Batista ao jornalista Cláudio Lima. Como toda entrevista política, ela trouxe desabafos, acusações, interpretações e uma narrativa sobre o momento vivido pelo grupo político que governou Catalão nas últimas décadas.

Cairo sustenta que existe um movimento para enfraquecer e até "sepultar politicamente" o ex-prefeito Adib Elias. É uma versão dos acontecimentos e, como tal, merece ser registrada.

Mas o jornalismo tem uma obrigação diferente da política. A política vive de narrativas. O jornalismo vive da cronologia dos fatos.

Por isso, antes de aceitar qualquer interpretação, é preciso lembrar como essa história começou.

Até meados do ano passado, Adib Elias defendia publicamente a reeleição do deputado estadual Jamil Calife. Gravou vídeos, participou de eventos e manifestou apoio ao parlamentar, eleito pelo grupo político que ele próprio liderava.

Naturalmente, prefeitos, vereadores e lideranças assumiram esse compromisso. O prefeito Velomar Rios, assim como a maioria da base na Câmara Municipal, caminhava nessa direção.

Posteriormente, Adib decidiu disputar exatamente essa vaga. Não discuto o direito de ser candidato. Esse direito é legítimo e pertence a qualquer cidadão. A questão política é outra: a mudança de estratégia ocorreu sem que o grupo fosse previamente reunido para rediscutir o projeto construído até então.

Parte das lideranças manteve o compromisso anteriormente assumido com Jamil Calife. A partir daí surgiu o conflito que hoje produz versões tão diferentes sobre os mesmos fatos. Depois vieram as exonerações, as declarações públicas, as acusações de perseguição política e os desabafos que todos acompanhamos.

Cada lado tem sua leitura. É natural que tenha. O que não pode acontecer é permitir que a narrativa apague a sequência dos acontecimentos.

Não escrevo estas linhas para defender este ou aquele. Tenho amizade e respeito por muitas das pessoas envolvidas nessa história, inclusive por Adib Elias, com quem trabalhei durante anos e a quem sempre disse, pessoalmente, aquilo que pensava, concordando ou discordando.

Continuarei fazendo exatamente isso. O papel do jornalista não é fabricar heróis nem escolher culpados. É organizar os fatos para que o leitor forme seu próprio julgamento.

Na política, as narrativas procuram definir onde a história começa. No jornalismo, a história começa onde os fatos começaram. E fatos, felizmente, têm memória.


15 de jul. de 2026

HASTA LA VISTA, BABY

A noite vai ser pequena na Recoleta. Em Mendoza, Rosário, Córdoba e Buenos Aires também.

A Argentina mostrou como se faz; talvez devesse mandar a receita ao Brasil: garra, perseverança e determinação. Seguiu o velho ditado bordoniano: a vitória pertence aos que não desistem. Assim, Messi e seus companheiros chegam, mais uma vez, à final de uma Copa do Mundo.

E o destino reservou um velho reencontro da História. Do outro lado estará a Espanha, a antiga metrópole que, durante séculos, fez navegar para além-mar as riquezas das bandas platinas. Ouro, prata e poder. Cortés, Cortés, Cortés. Cortesia? Não. Domínio.

O início parecia sorrir para os ingleses. Faltou apenas o badalar do Big Ben. Gordon abriu o placar e fez a felicidade do time de Charles III. Durou pouco. Efêmera. A Inglaterra recolheu os remos e ficou à deriva no mar da impotência.

Era apenas o prenúncio do naufrágio. Enzo Fernández e Lautaro Martínez viraram o jogo e levaram a Albiceleste à decisão. Restou à turma de Harry Kane despejar um Tâmisa de lágrimas. Hello, Trafalgar Square. A festa, desta vez, ficou para a terra de San Martín.

Goodbye, England. Hola, final. (LCB)

ELE


 

QUAEST: LULA FAVORITO, MAS ELEIÇÃO CONTINUA ABERTA

 A nova pesquisa Genial/Quaest traz um dado importante: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a liderança em todos os cenários simulados de segundo turno.

Contra Flávio Bolsonaro, vence por 45% a 37%. Contra Ronaldo Caiado, 45% a 36%. Contra Romeu Zema, 45% a 35%. Contra Renan Santos, 45% a 33%.

Mais do que os números absolutos, chama atenção a estabilidade. Mesmo após semanas de forte desgaste político e econômico, Lula preservou sua vantagem.

Para a oposição, o desafio permanece o mesmo: encontrar um candidato capaz de ampliar seu eleitorado além do núcleo já consolidado. Até aqui, nenhum conseguiu.

Mas a pesquisa também mostra que a eleição está longe de decidida. Brancos, nulos e indecisos continuam representando um contingente expressivo, suficiente para alterar o cenário até outubro.

Pesquisa registra fotografia. Não escreve o roteiro do filme.


QUANDO A HISTÓRIA ENTRA EM CAMPO

 A Argentina volta a campo nesta quarta-feira diante da Inglaterra carregando o favoritismo de quem sonha com mais um título mundial. Mas, ao lado do bom futebol, reaparecem também velhas desconfianças.

Nas redes sociais e em parte da imprensa internacional, adversários reclamam de arbitragens e questionam um suposto ambiente favorável aos argentinos. Nada disso, até aqui, constitui prova de qualquer irregularidade. Ainda assim, basta o surgimento das suspeitas para que a memória do futebol faça o restante.

É impossível não lembrar da Copa de 1978, realizada sob a ditadura militar argentina, a mais sangrenta da história do país, resultando em cerca de 30.000 desaparecidos, incluindo mulheres, crianças e pessoas jogadas ao mar. 

A Copa foi uma providencial (para eles) cortina de fumaça. Vencê-la seria fundamental para os generais. Aquele histórico 6 a 0 sobre o Peru, resultado que eliminou o Brasil, permanece cercado por dúvidas até hoje. Documentários, depoimentos e investigações mantêm vivo um capítulo que jamais foi totalmente esclarecido.

Também volta à lembrança o célebre gol da "Mão de Deus", marcado por Maradona contra a Inglaterra em 1986. Ou, na Copa de 90, nas oitavas de final, contra o Brasil, quando o massagista dos argentinos, Miguel di Lorenzo, ofereceu uma garrafa de água ao lateral-esquerdo brasileiro Branco. “Água batizada". Após beber, Branco começou a sentir tontura e sonolência em campo. A Argentina venceu o jogo por 1 × 0 com um gol de Caniggia, após jogada de Maradona. Todo por la cumparsita

O futebol sobrevive da paixão, mas também da confiança. Quando a bola divide espaço com a suspeita, quem perde não é apenas um adversário. Perde a própria Copa do Mundo.

Fico a perguntar: mas e o futebol de Messi, seria armação também?

Não. Messi não precisa de favores. Seu futebol basta. É justamente por isso que o mundo espera que, se a Argentina levantar mais uma taça, ela seja erguida apenas pelo brilho do camisa 10 e de seus companheiros. O futebol agradece quando o campeão deixa como herança apenas gols, dribles e boas lembranças, nunca suspeitas. 


GOIÁS NO TOPO DO MUNDO... PELA INTELIGÊNCIA

 Enquanto muita gente ainda associa Goiás apenas ao agronegócio e à mineração, um grupo de estudantes acaba de mostrar ao planeta outra grande vocação do Estado: a capacidade de produzir ciência, tecnologia e inovação.

A equipe Geek, do Sesi Canaã, de Goiânia, conquistou o Champion Award, principal prêmio do First LEGO League Asia Pacific Open Championship, disputado em Sydney, na Austrália. Como se não bastasse, levou também o Robot Performance Award, destinado ao robô de melhor desempenho técnico da competição.

O resultado impressiona. O robô desenvolvido pelos estudantes executou com 100% de aproveitamento todas as missões que dependiam exclusivamente dele. Em uma das rodadas, a equipe completou toda a mesa; nas demais, perdeu apenas 15 pontos em uma tarefa compartilhada com outra equipe. Um desempenho que chamou a atenção dos jurados pela precisão, estratégia e preparo.

Há outro detalhe que merece aplausos: o projeto nasceu da parceria entre o SESI e pesquisadores da Universidade Federal de Goiás. É a prova de que, quando escola, universidade e ciência trabalham juntas, o resultado pode colocar o Brasil — e Goiás — no lugar mais alto do pódio mundial.

Parabéns aos estudantes, aos professores, aos pesquisadores e às famílias. O futuro não chega por acaso. Ele é construído por jovens como esses.

A MAIOR VIAGEM É SEMPRE A DE VOLTA PARA CASA

Há histórias que não envelhecem. Apenas mudam de cenário. É por isso que A Odisseia, de Homero, continua viva quase três mil anos depois de ter sido escrita. Agora, ganha uma nova versão pelas mãos de Christopher Nolan, um diretor que gosta de transformar grandes narrativas em experiências cinematográficas.

Depois da vitória na Guerra de Troia, Odisseu imagina que a parte mais difícil já passou. Descobre, porém, que vencer uma guerra pode ser mais fácil do que voltar para casa. Durante dez anos, enfrenta tempestades, monstros, sereias, feiticeiras, deuses contrariados e as próprias fraquezas. Poseidon tenta impedir seu retorno. Penélope espera. Telêmaco cresce sem o pai. E a esperança resiste.

A beleza dessa epopeia nunca esteve apenas nas aventuras. Ela está no significado da viagem. A verdadeira odisseia é a vida de cada um de nós. Todos enfrentamos mares revoltos, decisões difíceis, perdas, tentações e obstáculos que parecem intransponíveis. E seguimos em frente porque existe uma Ítaca nos esperando: nossa família, nossos sonhos, nossa paz.

Christopher Nolan reúne um elenco impressionante e toda a tecnologia do cinema moderno. Mas o coração da história continua sendo o mesmo contado por Homero: o homem que descobre que nenhuma conquista vale mais do que encontrar novamente o caminho de casa.

Talvez seja essa a razão de A Odisseia permanecer atual. Mudam os navios, mudam os mares, mudam os deuses. O que nunca muda é a eterna busca do ser humano por um lugar onde possa, finalmente, descansar o coração.

Em cartaz em todos os cinemas do Brasil, nesta quinta-feira. Aqui, na sala 3 do Cinemais, no Catalão Shopping, com sessões às 17h e às 20h30. Imperdível. 

14 de jul. de 2026

ESPANHA 2, FRANÇA 0: LE JOUR DE GLOIRE... C'EST FINI

Oyarzabal comemora o pênalti marcado: 1 x 0

A Espanha está na final da Copa do Mundo. Agora espera o vencedor de Argentina e Inglaterra. A França de Mbappé terá de se contentar com a disputa do terceiro lugar.

Que Edith Piaf cante para os franceses: Non, je ne regrette rien. Não, eu não me arrependo de nada.

E não há mesmo do que se arrepender. A França fez uma grande campanha, confirmou a força do seu futebol e caiu diante de uma seleção que, nesta noite, foi simplesmente melhor. Não existe vergonha numa derrota assim. Vergonha seria faltar coragem para lutar. E isso os franceses nunca deixaram de fazer.

A Espanha foi intensa, disciplinada e impecável na marcação. Fechou os espaços, neutralizou o talento de Mbappé e fez por merecer a classificação. Oyarzabal, de pênalti, e Pedro Porro marcaram os gols que colocam La Roja na decisão do Mundial.

Agora, os espanhóis aguardam o vencedor da outra semifinal, entre Argentina e Inglaterra, marcada para esta quarta-feira (15). A grande decisão será no domingo (19), no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Aos espanhóis, ¡hasta la vista!

Aos franceses, au revoir.


Pai e filho em crime eleitoral

 “O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”, escreveu Bolsonaro.

“Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual eu confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”, concluiu o ex-presidente.

Flávio Bolsonaro leu isso. O Ministério Público eleitoral vê aí, “palavras mágicas”, em claro pedido de voto. É propaganda eleitoral antecipada, proibida por lei, mas não causa impedimento à sua candidatura, mas há multa bem pesada, de 5 a 25 mil ao responsável pela divulgação e ao beneficiário, caso ele tenha conhecimento. Como o infrator é o próprio beneficiário, resta saber se haverá multa em dobro.


Mas o ex-presidente Jair Bolsonaro pode descansar sossegado. O caso em nada vai interferir na sua prisão domiciliar. Pelo menos é o que se ouve pelas bandas do STF.



DOIS ASES SEM CORINGA


 Duas cartas e uma polêmica: Por que a de Lula pôde ser divulgada e a de Bolsonaro não?

CazéTV: CASIMIRO É A CARA; OS DONOS SÃO OUTROS

 Para muita gente, a CazéTV pertence ao influenciador Casimiro Miguel. Não exatamente. Casimiro é o principal apresentador, o rosto e a voz do canal, mas a operação é controlada pela empresa LiveMode, responsável pela marca, pelos direitos de transmissão e pela gestão do negócio.

A LiveMode foi fundada pelos empresários Edgar Diniz e Sérgio Lopes, dois profissionais com longa experiência no mercado esportivo. Eles criaram o antigo Esporte Interativo e, anos depois, desenvolveram um novo modelo de negócios que reúne negociação de direitos esportivos, produção de transmissões e distribuição de conteúdo digital.

Hoje, a LiveMode tem investidores de peso. Entre os acionistas estão o próprio Casimiro, atletas como Cristiano Ronaldo e fundos de investimento ligados à XP e à gestora americana General Atlantic. A holding do grupo está sediada nas Ilhas Cayman, enquanto a operação atua em vários países.

Foi essa estrutura empresarial que permitiu à CazéTV conquistar direitos de transmissão da Copa do Mundo, do Campeonato Brasileiro e de outras grandes competições, transformando o canal em um dos maiores fenômenos do streaming esportivo. Em outras palavras, Casimiro é a imagem da CazéTV, mas quem conduz os negócios por trás das câmeras é a LiveMode, empresa que revolucionou a forma de negociar e transmitir eventos esportivos no Brasil.

VELOMAR 2026, SEIS MESES DE POTÊNCIA EM OBRAS

Os primeiros seis meses de 2026 mostram uma marca clara da administração do prefeito Velomar Rios: a opção por investir em infraestrutura como eixo do desenvolvimento de Catalão. Das ruas da cidade às estradas rurais, da água tratada à saúde pública, da habitação à educação e à mobilidade urbana, o município vive um dos períodos mais intensos de execução de obras dos últimos anos.

Na área urbana, o ritmo é acelerado. No Bairro Flamboyant, inaugurada a Escola Municipal Maria Semíramis Veiga Rodrigues. Depois de uma espera de 15 anos, Cidade Jardim, Conquista, Ayrton Senna, Laranjeiras e Harmonia passam a fazer parte de um novo desenho urbano. Ruas refeitas, pavimentadas, interligando bairros, oferecendo conforto, segurança e qualidade de vida aos seus moradores.  

Além de atender esses bairros e urbanizar a Marginal L-2, via de acesso à GO-330,  novas frentes foram instaladas para a execução de um amplo programa de recapeamento asfáltico. Começando por nove bairros situados além da BR-050, as obras deverão alcançar 30 comunidades até o final do ano, com a aplicação de  recursos próprios da Prefeitura. É uma resposta concreta a uma das principais demandas da população: ruas melhores, mais segurança e mais qualidade de vida.

Outro destaque importantíssimo é o saneamento básico. Juntamente com o superintendente da SAE, Rogério Pires, o prefeito Velomar Rios determinou e acompanhou pessoalmente a correção de antigo problema na rede coletora de esgotos na região Norte, atendendo a uma reivindicação histórica dos moradores dos bairros Cidade Jardim, Ayrton Senna, Harmonia, Conquista e Laranjeiras. A intervenção põe fim a transtornos que se arrastavam havia anos. Além de melhorar a infraestrutura urbana, é uma obra que representa mais saúde, dignidade e qualidade de vida para milhares de famílias.

Mas os investimentos não param por aí. O programa Água Sem Falta está executando o Linhão da Água Tratada, uma nova adutora que representa uma das maiores obras estruturantes da história da SAE. O empreendimento levará mais segurança e eficiência ao abastecimento de água para mais de 15 mil famílias, especialmente nos bairros localizados além da BR-050. Paralelamente, a expansão da rede de esgoto para o Setor Aeroporto e bairros vizinhos beneficiará cerca de 1.900 residências, substituindo fossas sépticas por um sistema moderno de coleta e tratamento, com ganhos diretos para a saúde pública, o meio ambiente e a qualidade de vida da população.

A política habitacional também voltou ao centro das ações do prefeito. Além da conclusão de 36 moradias populares e do início de outras 28 unidades, a Prefeitura já adquiriu uma área de nove alqueires destinada à implantação de um novo bairro residencial, sinalizando planejamento para atender ao crescimento de Catalão nos próximos anos.

No campo, os investimentos seguem o mesmo ritmo. O Programa Mata-Burro Potência já contabiliza 472 mata-burros construídos ou reformados e 82 pontes recuperadas ou erguidas, fortalecendo o transporte da produção agrícola e melhorando a vida de quem mora na zona rural. Em Pires Belo e Santo Antônio do Rio Verde, novos equipamentos, melhorias na infraestrutura e diversas ações sociais reforçam a atenção dada aos dois distritos.

Entre as obras de maior impacto econômico está a entrega da Rodovia Sebastião de Pádua. Mais do que uma nova via, ela representa um corredor estratégico para a logística das empresas, das mineradoras e do transporte pesado, reduzindo gargalos históricos e preparando Catalão para um novo ciclo de crescimento.

Na saúde, a inauguração da Unidade Básica de Saúde da Família Márcia Fayad Campos amplia significativamente a capacidade de atendimento da rede municipal, oferecendo novos serviços especializados para milhares de moradores da região do Jardim Primavera.

Ainda é cedo para um balanço definitivo de governo. Seis meses representam apenas uma parte da caminhada. Mas já permitem uma constatação objetiva: a administração Velomar Rios escolheu fazer da infraestrutura sua principal vitrine. São obras que não aparecem apenas em placas ou discursos; aparecem no asfalto, na água que chega às torneiras, nas pontes, nas estradas, nas casas populares e nas unidades de saúde.

Em Catalão, 2026 começou com um canteiro de obras espalhado por praticamente todas as áreas da administração. E, se o ritmo for mantido no segundo semestre, dificilmente alguém poderá dizer que faltou trabalho nas ruas da cidade. Afinal, obra pública é a linguagem mais visível de um governo e, até aqui, é justamente nela que Velomar tem procurado escrever a sua história. 

A BANALIZAÇÃO DO ESCÂNDALO

Fernando Gabeira escreveu uma observação que merece reflexão. Segundo ele, o Brasil parece viver cercado de escândalos que raramente produzem as consequências políticas e institucionais que seriam esperadas em outras democracias. A cada semana surge uma nova investigação, uma nova operação policial, uma nova denúncia. O espanto dura pouco. Logo outro fato ocupa as manchetes, e o anterior desaparece sem deixar a impressão de que algo realmente mudou.

Talvez esse seja o maior risco para uma sociedade: não o escândalo em si, mas a capacidade de acostumar-se com ele. Quando a exceção vira rotina, a indignação perde força. O extraordinário passa a ser tratado como cotidiano.

O mesmo ocorre com a violência. Em muitas cidades brasileiras, comunidades inteiras convivem há anos com o domínio do tráfico ou de milícias. São territórios onde o Estado disputa espaço com organizações criminosas, e essa convivência forçada vai sendo incorporada ao dia a dia, como se fosse parte inevitável da paisagem urbana.

No futebol, costumávamos dizer que a seleção brasileira jogava com alegria, criatividade e alma. Hoje, muitos afirmam que ela perdeu essa identidade. Talvez a comparação seja apenas simbólica. Mas ela desperta uma pergunta incômoda: se até o futebol parece ter perdido parte da sua essência, não estaremos também correndo o risco de perder, como sociedade, a capacidade de distinguir o inaceitável do aceitável?

Meu saudoso avô Luigi costumava dizer, com sua ironia italiana, que "o jogo do bicho deu origem ao crime organizado". Era uma provocação. Os tempos mudaram, as organizações criminosas tornaram-se muito mais sofisticadas e o desafio do Estado é incomparavelmente maior. Mas a lembrança permanece atual porque nos leva a outra reflexão: uma democracia só se fortalece quando suas instituições conseguem impedir que o crime, em qualquer de suas formas, capture espaços de poder e influência.

O problema não é apenas haver escândalos. Democracias convivem com eles. O verdadeiro perigo começa quando deixamos de nos escandalizar.

 

FÁBRICA DE ARMAS: SUL-COREANOS CHEGAM COM 77 MI

O Governo de Goiás firmou um Memorando de Entendimento com a empresa sul-coreana K-Tech (foto), dando início às negociações para a implantação de uma indústria de armas de fogo de baixo calibre e munições no Estado. 

O projeto prevê investimento total de R$ 77 milhões, dividido em duas etapas: R$ 26 milhões na fase inicial e outros R$ 51 milhões na expansão da unidade. A cidade que receberá a fábrica ainda será escolhida.

De acordo com o governador Daniel Vilela, Goiás foi selecionado pela empresa por oferecer segurança jurídica e um ambiente favorável aos investimentos. A K-Tech informou que pretende priorizar a contratação de trabalhadores e fornecedores locais.

Representantes da empresa e da Associação Comercial e Industrial Brasil-Coreia afirmaram que o objetivo é transformar Goiás em um polo de produção e distribuição para os mercados da América do Sul e da América do Norte. Além do setor de defesa, a empresa também sinalizou interesse em futuras parcerias nas áreas de saúde, medicamentos e cosméticos.


13 de jul. de 2026

NÃO FALTA ELEITOR. FALTA CANDIDATO

O dado mais importante da pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira: há demanda para a terceira via. Faltam nomes. Em outras palavras, a demanda existe, mas a oferta política ainda não apareceu.

A análise dos números revela três movimentos simultâneos: 1º) - 36% preferem um candidato apoiado por Lula; 2º) - 32% preferem um candidato apoiado por Bolsonaro; 3º) - 27% gostariam de alguém que não fosse ligado nem a um nem a outro. É o maior percentual da série histórica.

Esse dado, por si só, já é relevante. Mas o mais interessante vem depois. Quando esses mesmos eleitores são colocados diante dos nomes disponíveis, menos da metade deles vota, de fato, em candidatos identificados com uma terceira via. Uma parcela acaba migrando para Lula ou Flávio Bolsonaro, enquanto outra prefere votar em branco, anular ou permanecer indecisa. É daí que vem a frase conclusiva da pesquisa: tem demanda, mas não tem oferta.

Politicamente, isso significa que existe um espaço eleitoral que ninguém conseguiu ocupar de maneira convincente. Não basta o eleitor dizer que deseja uma alternativa. É preciso que apareça alguém capaz de reunir algumas características ao mesmo tempo, como ser conhecido nacionalmente, transmitir capacidade de governar, diferenciar-se da polarização e convencer esse eleitor de que seu voto não será "desperdiçado".

Até agora, segundo a pesquisa, nenhum dos nomes apresentados conseguiu fazer isso. Os candidatos alternativos permanecem em um dígito nas intenções de voto, apesar do crescimento do desejo por uma alternativa.

Esta é, sem dúvida, uma situação curiosa. Quase três em cada dez eleitores dizem querer fugir da polarização entre lulismo e bolsonarismo. É um contingente suficiente para levar qualquer candidato competitivo ao segundo turno. Mas esse eleitor olha para a vitrine, não encontra quem o represente e acaba voltando aos polos tradicionais ou desistindo do voto útil. A demanda existe. O produto ainda não apareceu.

Essa talvez seja a principal mensagem da pesquisa: o centro político não morreu; ele continua procurando um intérprete. A dúvida é se ainda haverá tempo para que alguém ocupe esse espaço, antes que a lógica da polarização volte a prevalecer na campanha.


QUANDO O DINHEIRO PERDE O SOBRENOME








Há coisas que o Brasil insiste em normalizar, mas que jamais deveriam ser consideradas normais. Uma delas é a distribuição de bilhões de reais do Orçamento sem que o cidadão saiba quem, de fato, indicou o destino do dinheiro.

O novo relatório da Transparência Brasil mostra que R$1,3 bilhão em emendas de comissão da Câmara, em 2025, foi registrado em nome de lideranças partidárias, ocultando os parlamentares responsáveis pelas indicações.

PP, União Brasil, PL, Republicanos, Avante, Solidariedade e Podemos aparecem no levantamento. Em 2026, o PT também passou a figurar nesse modelo, segundo a entidade. Ou seja, o problema não tem ideologia. Tem falta de transparência.

Dinheiro público precisa ter CPF político. O contribuinte tem o direito de saber quem destinou cada centavo, para onde foi e por quê. Quando o autor desaparece, desaparece também a responsabilidade.

A Constituição consagrou o princípio da publicidade dos atos da administração. O que permanece escondido dificilmente pode ser fiscalizado.

O Supremo Tribunal Federal já exigiu maior transparência nas emendas parlamentares em diversas decisões. Talvez tenha chegado a hora de enfrentar definitivamente esse novo modelo, porque o orçamento público não pode continuar sendo um jogo de sombras.

Emendas com as atas indisponíveis e com indicações irrastreáveis, diz o relatório. Absurdo. Quando a ata desaparece e a autoria some, a transparência entra em férias. Com o detalhe: o problema não é apenas o dinheiro. É o anonimato de quem manda no dinheiro dos outros, no dinheiro dos outros.

Esse, para mim, é o verdadeiro escândalo. Não é se a emenda foi para um hospital, uma ponte ou uma praça. É que, numa democracia, o dinheiro público não pode ser órfão de autoria. Quem indicar deve assinar. Quem assina responde. Essa é a essência da responsabilidade pública.

Até quando?


O DINHEIRO SAIU. E AS METAS?

O Tribunal de Contas da União trouxe um alerta importante ao analisar as contas do governo federal de 2025. Segundo o TCU, o Plano Plurianual ficou abaixo do desempenho esperado no cumprimento das metas. Apenas metade dos objetivos previstos foi integralmente alcançada.

A maior preocupação apareceu justamente em duas áreas prioritárias. Na Saúde, somente 16,7% dos objetivos específicos atingiram as metas estabelecidas. No Novo PAC, apenas 23,1% das entregas previstas foram totalmente cumpridas.

O próprio Tribunal registra que programas que receberam bilhões de reais apresentaram resultados inferiores ao esperado.

Também aponta diversas causas para isso: atraso na aprovação do orçamento, dificuldades operacionais, limitações de estados e municípios, processos licitatórios complexos e dependência crescente das emendas parlamentares.

O dinheiro público não deve ser medido apenas pelo valor gasto. O cidadão espera resultados, porque orçamento aprovado não significa obra concluída e nem recurso empenhado representa atendimento realizado.

No fim, a pergunta continua simples: Quanto foi gasto? E, principalmente, quanto foi entregue?


DA CARTA À QUARENTENA POLÍTICA

 

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro representa mais um capítulo de uma disputa que deixou de ser apenas jurídica para produzir efeitos políticos imediatos. A medida atinge diretamente o principal elo entre Bolsonaro e o ambiente externo, justamente num momento em que o país entra na reta decisiva da campanha presidencial.

O fundamento da decisão é conhecido. Segundo Moraes, Flávio teria utilizado o direito de visita para obter uma carta escrita pelo pai e divulgá-la nas redes sociais, o que, na interpretação do ministro, configuraria uma forma indireta de descumprimento da proibição imposta ao ex-presidente de utilizar plataformas digitais, inclusive por intermédio de terceiros.

Curiosamente, uma estratégia que parecia destinada a manter Jair Bolsonaro presente no noticiário acabou produzindo o efeito inverso: ampliou o rigor das restrições e reduziu ainda mais os canais pelos quais suas manifestações podem chegar ao público.

A política ensina, repetidas vezes, que forma e conteúdo caminham juntos. Às vezes, a mensagem importa menos do que o meio utilizado para transmiti-la e, neste caso, foi justamente o caminho escolhido para divulgar uma carta que acabou se transformando no centro da controvérsia.

O mérito das decisões judiciais continuará sendo discutido por advogados, tribunais e analistas. O fato objetivo, porém, é inequívoco: a carta gerou uma reação do Supremo, endureceu as restrições impostas ao ex-presidente e alterou, pelo menos por ora, a dinâmica política da família Bolsonaro em pleno período pré-eleitoral.


O ACASO, A GENIALIDADE E A CAMISA 10

Hoje, vestir a camisa 10 é um privilégio reservado aos craques. Mas nem sempre foi assim. A história dessa mística começou por um acaso na Copa do Mundo de 1958.

A Confederação Brasileira de Desportos (CBD) esqueceu de enviar à FIFA a numeração dos jogadores da Seleção Brasileira. Coube à entidade distribuir os números aleatoriamente. O jovem Pelé, então com apenas 17 anos, recebeu a camisa 10.
O restante da história o mundo conhece. O brilho do Rei do Futebol transformou um número comum em símbolo de genialidade, criatividade e liderança dentro de campo.
Depois vieram outros grandes artistas, como Diego Maradona e Zico, que reforçaram a lenda. E Messi. A camisa 10 deixou de ser apenas um número para representar o jogador capaz de decidir partidas, criar jogadas inesperadas e comandar a equipe.
Hoje, dizer que alguém é um "camisa 10" já não é apenas uma referência ao futebol. Tornou-se um elogio a quem faz a diferença, lidera, inspira e se destaca em qualquer atividade. Tudo isso porque, um dia, um garoto chamado Pelé vestiu, por acaso, uma camisa que mudaria para sempre a história do esporte.

12 de jul. de 2026

Outra carta, a mesma pergunta

 

A segunda carta de Jair Bolsonaro em apoio à candidatura presidencial de Flávio acabou produzindo um efeito político inesperado. Em vez de apenas reforçar o nome do senador, abriu espaço para um questionamento explorado imediatamente por Ronaldo Caiado.

Para o ex-governador de Goiás, quando um candidato precisa recorrer novamente ao pai para provar que está preparado para governar o País, transmite uma imagem de fragilidade. "É uma eleição para presidente da República. Cada um tem que mostrar sua capacidade", resumiu Caiado.

É claro que Bolsonaro continua sendo o maior patrimônio eleitoral de Flávio. Ser apoiado pelo ex-presidente rende votos, mobiliza a militância e ajuda a manter unido o eleitorado bolsonarista.

Mas a política também tem suas sutilezas. Quanto mais um candidato depende do prestígio de outro para se afirmar, mais os adversários insistirão na tese de que lhe falta protagonismo próprio.

A carta pretendia fortalecer Flávio. Acabou reacendendo uma pergunta que certamente voltará durante toda a campanha: onde termina a força do apoio de Bolsonaro e começa a liderança do próprio candidato?

Flávio e a carta de “papai”: embate jurídico

 


Na política, nem sempre o fato mais importante é o que aconteceu, mas a interpretação que nasce dele.

A divulgação, por Flávio Bolsonaro, de uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro abriu uma nova frente de debate. A decisão do ministro Alexandre de Moraes proíbe Bolsonaro de utilizar redes sociais direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros. A dúvida é se a leitura pública da carta caracteriza ou não o descumprimento dessa determinação.

Juristas divergem. Há quem entenda que Flávio atuou como porta-voz do pai e que isso pode justificar uma revisão da prisão domiciliar. Outros sustentam que a divulgação foi iniciativa exclusiva do senador e que a medida judicial não teria sido violada.

No campo político, as interpretações também se multiplicam. Uns enxergam uma estratégia de enfrentamento ao Supremo. Outros veem uma tentativa de mudar o foco do noticiário. Por enquanto, tudo isso permanece no terreno das hipóteses.

Os fatos são poucos. As interpretações são muitas. E, em política, como na matemática, o desafio é não esquecer que dois mais dois continuam sendo quatro.


Uma Copa do Mundo para mais gente

 

A Fifa mal estreou a Copa do Mundo com 48 seleções e já admite discutir um novo aumento: 64 países na edição de 2030. A proposta divide opiniões. Há quem veja um avanço para o futebol mundial. Outros acreditam que o torneio corre o risco de perder parte da sua exclusividade.

O argumento de Gianni Infantino faz sentido. O futebol cresceu em todos os continentes. Seleções africanas, asiáticas e da Concacaf deixaram de ser meras figurantes. Nesta Copa, mostraram organização, competitividade e provaram que a diferença para as potências diminuiu bastante.

Dar oportunidade a mais países também significa estimular investimentos nas categorias de base, na formação de atletas e na infraestrutura esportiva. Quando um povo acredita que pode chegar ao Mundial, trabalha para transformar esse sonho em realidade.

Por outro lado, a Copa do Mundo sempre foi especial justamente porque era difícil chegar até ela. Classificar-se representava uma conquista extraordinária. Se a porta ficar larga demais, será que o prêmio continuará tendo o mesmo valor?

A Fifa terá de encontrar esse equilíbrio. O Mundial precisa ser cada vez mais universal, mas sem perder a qualidade técnica, a emoção e o prestígio que o transformaram na maior competição esportiva do planeta.

No fim das contas, a pergunta é simples: queremos uma Copa apenas dos melhores ou uma Copa verdadeiramente do mundo? Talvez exista um caminho capaz de unir as duas coisas.