12 de jul. de 2026

A guerra chegou a Catalão

Efeito das "Trumpalhadas".

A guerra parece distante quando a vemos pela televisão. Mas ela não respeita fronteiras. O que Vladimir Putin faz na Ucrânia e o conflito bancado por Trump e Netanyahu, envolvendo Israel, Irã e outros atores no Oriente Médio, espalham insegurança pelo mundo. Países que nada têm a ver com essas decisões acabam pagando a conta. O Brasil é um deles. Goiás também. Catalão igualmente.

Uma das vítimas dessa realidade é a Mosaic. O enxofre, matéria-prima indispensável à produção de fertilizantes e que importamos de lá,  principalmente, tornou-se escasso e caríssimo. Antes dos conflitos, a tonelada custava entre 100 e 300 dólares. Hoje, com a instabilidade na região e os reflexos sobre as rotas de abastecimento, chega à faixa de 1.200 dólares. O "S" do fertilizante foi derrotado pelo peso do outro "$": o símbolo do dinheiro.

As consequências chegaram ao nosso quintal. Araxá e Patrocínio encerram atividades. A misturadora do DIMIC, em Catalão, fecha as portas. E o processo de desativação de unidades em Catalão e Ouvidor ameaça cerca de 1.800 empregos diretos e indiretos. Quando uma fábrica fecha, não perdem apenas os trabalhadores. Perdem as famílias, o comércio, os prestadores de serviço e toda a comunidade.

Gosto de usar este espaço para falar de esperança, de conquistas e de sorrisos. Hoje, infelizmente, ele é ocupado pelas lágrimas, porque a guerra, mesmo travada a milhares de quilômetros de distância, acaba encontrando um caminho para vir bater à nossa porta.