20 de jul. de 2026

AS MULHERES JÁ GANHARAM A 1ª ELEIÇÃO

 As convenções partidárias começaram nesta semana. Até o dia 5 de agosto, conheceremos oficialmente os candidatos que disputarão a Presidência da República, os governos estaduais, o Senado, a Câmara dos Deputados e as Assembleias Legislativas.

Antes mesmo de a campanha ganhar as ruas, uma eleição já está decidida: a da composição do eleitorado.

O Brasil chega a 2026 com 158.740.000 eleitores. Desse total, 83.877.126 são mulheres, representando 52,84% do eleitorado nacional. Os homens somam 74.044.065.

A diferença não é pequena. É suficiente para lembrar que nenhuma candidatura pode ignorar o voto feminino. Mais do que um segmento do eleitorado, as mulheres constituem a maioria dele.

Outro aspecto interessante é a concentração regional dos votos. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná reúnem 83.268.916 eleitores, ou 52,45% de todos os brasileiros aptos a votar. Em outras palavras, pouco mais da metade do eleitorado nacional está concentrada em apenas cinco estados.

Esses números ajudam a explicar por que as campanhas presidenciais dedicam tanto tempo, recursos e estratégias a esses grandes colégios eleitorais.

Mas volto ao dado que mais desperta curiosidade. Se, por hipótese, e apenas por hipótese, as mulheres resolvessem votar de forma uniforme, teriam força suficiente para decidir qualquer eleição nacional. É claro que isso jamais acontecerá. As eleitoras pensam de maneiras diferentes, pertencem a diversas correntes políticas e representam toda a pluralidade da sociedade brasileira.

Ainda assim, a estatística permite uma brincadeira. Com esse contingente de votos, elas poderiam transformar o Brasil numa versão eleitoral de Themyscira, a lendária Ilha Paraíso da Mulher-Maravilha. Não lhes falta maioria. Falta apenas combinar o voto entre dezenas de milhões de pessoas, tarefa impossível numa democracia saudável.

A realidade é muito melhor. Homens e mulheres pensam, divergem, concordam, mudam de opinião e escolhem livremente seus representantes. É justamente dessa diversidade que nasce a legitimidade das urnas.

Mas convém aos candidatos não esquecerem um detalhe: quem pretende governar o Brasil precisa, antes de tudo, convencer quem já representa a maioria do eleitorado.