14 de jul. de 2026
DOIS ASES SEM CORINGA
Duas cartas e uma polêmica: Por que a de Lula pôde ser divulgada e a de Bolsonaro não?
CazéTV: CASIMIRO É A CARA; OS DONOS SÃO OUTROS
Para muita gente, a CazéTV pertence ao influenciador Casimiro Miguel. Não exatamente. Casimiro é o principal apresentador, o rosto e a voz do canal, mas a operação é controlada pela empresa LiveMode, responsável pela marca, pelos direitos de transmissão e pela gestão do negócio.
Hoje, a LiveMode tem investidores de peso. Entre os acionistas estão o próprio Casimiro, atletas como Cristiano Ronaldo e fundos de investimento ligados à XP e à gestora americana General Atlantic. A holding do grupo está sediada nas Ilhas Cayman, enquanto a operação atua em vários países.
Foi essa estrutura empresarial que permitiu à CazéTV conquistar direitos de transmissão da Copa do Mundo, do Campeonato Brasileiro e de outras grandes competições, transformando o canal em um dos maiores fenômenos do streaming esportivo. Em outras palavras, Casimiro é a imagem da CazéTV, mas quem conduz os negócios por trás das câmeras é a LiveMode, empresa que revolucionou a forma de negociar e transmitir eventos esportivos no Brasil.
VELOMAR 2026, SEIS MESES DE POTÊNCIA EM OBRAS
Na área urbana, o ritmo é acelerado. Foram autorizadas novas frentes de pavimentação no Bairro Conquista e na Marginal L-2, com acesso à GO-330. Ao mesmo tempo, teve início um amplo programa de recapeamento asfáltico, que começou por nove bairros e deverá alcançar 30 comunidades até o final do ano, com recursos próprios da Prefeitura. É uma resposta concreta a uma das principais demandas da população: ruas melhores, mais segurança e mais qualidade de vida.
Outro destaque é o saneamento básico. A implantação do Linhão de Água Tratada representa uma das maiores obras estruturantes da SAE, levando abastecimento mais eficiente para mais de 15 mil famílias, especialmente nos bairros situados além da BR-050. Paralelamente, a expansão da rede de esgoto para o Setor Aeroporto e bairros vizinhos beneficiará cerca de 1.900 residências, substituindo fossas por um sistema moderno e reforçando a proteção da saúde pública.
A política habitacional também voltou ao centro das ações do governo. Além da conclusão de 36 moradias populares e do início de outras 28 unidades, a Prefeitura já adquiriu uma área de nove alqueires destinada à implantação de um novo bairro residencial, sinalizando planejamento para atender ao crescimento de Catalão nos próximos anos.
No campo, os investimentos seguem o mesmo ritmo. O Programa Mata-Burro Potência já contabiliza 472 mata-burros construídos ou reformados e 82 pontes recuperadas ou erguidas, fortalecendo o transporte da produção agrícola e melhorando a vida de quem mora na zona rural. Em Santo Antônio do Rio Verde, novos equipamentos, melhorias na infraestrutura e diversas ações sociais reforçam a atenção dada ao distrito.
Entre as obras de maior impacto econômico está a entrega da Rodovia Sebastião de Pádua. Mais do que uma nova via, ela representa um corredor estratégico para a logística das empresas, das mineradoras e do transporte pesado, reduzindo gargalos históricos e preparando Catalão para um novo ciclo de crescimento.
Na saúde, a inauguração da Unidade Básica de Saúde da Família Márcia Fayad Campos amplia significativamente a capacidade de atendimento da rede municipal, oferecendo novos serviços especializados para milhares de moradores da região do Jardim Primavera.
Ainda é cedo para um balanço definitivo de governo. Seis meses representam apenas uma parte da caminhada. Mas já permitem uma constatação objetiva: a administração Velomar Rios escolheu fazer da infraestrutura sua principal vitrine. São obras que não aparecem apenas em placas ou discursos; aparecem no asfalto, na água que chega às torneiras, nas pontes, nas estradas, nas casas populares e nas unidades de saúde.
Em Catalão, 2026 começou com um canteiro de obras espalhado por praticamente todas as áreas da administração. E, se o ritmo for mantido no segundo semestre, dificilmente alguém poderá dizer que faltou trabalho nas ruas da cidade. Afinal, obra pública é a linguagem mais visível de um governo e, até aqui, é justamente nela que Velomar tem procurado escrever a sua história.
A BANALIZAÇÃO DO ESCÂNDALO
Fernando Gabeira escreveu uma observação que merece reflexão. Segundo ele, o Brasil parece viver cercado de escândalos que raramente produzem as consequências políticas e institucionais que seriam esperadas em outras democracias. A cada semana surge uma nova investigação, uma nova operação policial, uma nova denúncia. O espanto dura pouco. Logo outro fato ocupa as manchetes, e o anterior desaparece sem deixar a impressão de que algo realmente mudou.
Talvez esse seja o maior risco para uma sociedade: não o escândalo em si, mas a capacidade de acostumar-se com ele. Quando a exceção vira rotina, a indignação perde força. O extraordinário passa a ser tratado como cotidiano.
O mesmo ocorre com a violência. Em muitas cidades brasileiras, comunidades inteiras convivem há anos com o domínio do tráfico ou de milícias. São territórios onde o Estado disputa espaço com organizações criminosas, e essa convivência forçada vai sendo incorporada ao dia a dia, como se fosse parte inevitável da paisagem urbana.
No futebol, costumávamos dizer que a seleção brasileira jogava com alegria, criatividade e alma. Hoje, muitos afirmam que ela perdeu essa identidade. Talvez a comparação seja apenas simbólica. Mas ela desperta uma pergunta incômoda: se até o futebol parece ter perdido parte da sua essência, não estaremos também correndo o risco de perder, como sociedade, a capacidade de distinguir o inaceitável do aceitável?
Meu saudoso avô Luigi costumava dizer, com sua ironia italiana, que "o jogo do bicho deu origem ao crime organizado". Era uma provocação. Os tempos mudaram, as organizações criminosas tornaram-se muito mais sofisticadas e o desafio do Estado é incomparavelmente maior. Mas a lembrança permanece atual porque nos leva a outra reflexão: uma democracia só se fortalece quando suas instituições conseguem impedir que o crime, em qualquer de suas formas, capture espaços de poder e influência.
O problema não é apenas haver escândalos. Democracias convivem com eles. O verdadeiro perigo começa quando deixamos de nos escandalizar.
FÁBRICA DE ARMAS: SUL-COREANOS CHEGAM COM 77 MI
O Governo de Goiás firmou um Memorando de Entendimento com a empresa sul-coreana K-Tech (foto), dando início às negociações para a implantação de uma indústria de armas de fogo de baixo calibre e munições no Estado.
O projeto prevê investimento total de R$ 77 milhões, dividido em duas etapas: R$ 26 milhões na fase inicial e outros R$ 51 milhões na expansão da unidade. A cidade que receberá a fábrica ainda será escolhida.
De acordo com o governador Daniel Vilela, Goiás foi selecionado pela empresa por oferecer segurança jurídica e um ambiente favorável aos investimentos. A K-Tech informou que pretende priorizar a contratação de trabalhadores e fornecedores locais.
Representantes da empresa e da Associação Comercial e Industrial Brasil-Coreia afirmaram que o objetivo é transformar Goiás em um polo de produção e distribuição para os mercados da América do Sul e da América do Norte. Além do setor de defesa, a empresa também sinalizou interesse em futuras parcerias nas áreas de saúde, medicamentos e cosméticos.
13 de jul. de 2026
NÃO FALTA ELEITOR. FALTA CANDIDATO
A análise dos números revela três movimentos simultâneos: 1º) - 36% preferem um candidato apoiado por Lula; 2º) - 32% preferem um candidato apoiado por Bolsonaro; 3º) - 27% gostariam de alguém que não fosse ligado nem a um nem a outro. É o maior percentual da série histórica.
Esse dado, por si só, já é relevante. Mas o mais interessante vem depois. Quando esses mesmos eleitores são colocados diante dos nomes disponíveis, menos da metade deles vota, de fato, em candidatos identificados com uma terceira via. Uma parcela acaba migrando para Lula ou Flávio Bolsonaro, enquanto outra prefere votar em branco, anular ou permanecer indecisa. É daí que vem a frase conclusiva da pesquisa: tem demanda, mas não tem oferta.
Politicamente, isso significa que existe um espaço eleitoral que ninguém conseguiu ocupar de maneira convincente. Não basta o eleitor dizer que deseja uma alternativa. É preciso que apareça alguém capaz de reunir algumas características ao mesmo tempo, como ser conhecido nacionalmente, transmitir capacidade de governar, diferenciar-se da polarização e convencer esse eleitor de que seu voto não será "desperdiçado".
Até agora, segundo a pesquisa, nenhum dos nomes apresentados conseguiu fazer isso. Os candidatos alternativos permanecem em um dígito nas intenções de voto, apesar do crescimento do desejo por uma alternativa.
Esta é, sem dúvida, uma situação curiosa. Quase três em cada dez eleitores dizem querer fugir da polarização entre lulismo e bolsonarismo. É um contingente suficiente para levar qualquer candidato competitivo ao segundo turno. Mas esse eleitor olha para a vitrine, não encontra quem o represente e acaba voltando aos polos tradicionais ou desistindo do voto útil. A demanda existe. O produto ainda não apareceu.
Essa talvez seja a principal mensagem da pesquisa: o centro político não morreu; ele continua procurando um intérprete. A dúvida é se ainda haverá tempo para que alguém ocupe esse espaço, antes que a lógica da polarização volte a prevalecer na campanha.
QUANDO O DINHEIRO PERDE O SOBRENOME
Há coisas que o Brasil insiste em normalizar, mas que jamais deveriam ser consideradas normais. Uma delas é a distribuição de bilhões de reais do Orçamento sem que o cidadão saiba quem, de fato, indicou o destino do dinheiro.
O novo relatório da Transparência Brasil mostra que R$1,3 bilhão em emendas de comissão da Câmara, em 2025, foi registrado em nome de lideranças partidárias, ocultando os parlamentares responsáveis pelas indicações.
PP, União Brasil, PL, Republicanos, Avante, Solidariedade e Podemos aparecem no levantamento. Em 2026, o PT também passou a figurar nesse modelo, segundo a entidade. Ou seja, o problema não tem ideologia. Tem falta de transparência.
Dinheiro público precisa ter CPF político. O contribuinte tem o direito de saber quem destinou cada centavo, para onde foi e por quê. Quando o autor desaparece, desaparece também a responsabilidade.
A Constituição consagrou o princípio da publicidade dos atos da administração. O que permanece escondido dificilmente pode ser fiscalizado.
O Supremo Tribunal Federal já exigiu maior transparência nas emendas parlamentares em diversas decisões. Talvez tenha chegado a hora de enfrentar definitivamente esse novo modelo, porque o orçamento público não pode continuar sendo um jogo de sombras.
Emendas com as atas indisponíveis e com indicações irrastreáveis, diz o relatório. Absurdo. Quando a ata desaparece e a autoria some, a transparência entra em férias. Com o detalhe: o problema não é apenas o dinheiro. É o anonimato de quem manda no dinheiro dos outros, no dinheiro dos outros.
Esse, para mim, é o verdadeiro escândalo. Não é se a emenda foi para um hospital, uma ponte ou uma praça. É que, numa democracia, o dinheiro público não pode ser órfão de autoria. Quem indicar deve assinar. Quem assina responde. Essa é a essência da responsabilidade pública.
Até quando?
O DINHEIRO SAIU. E AS METAS?
O Tribunal de Contas da União trouxe um alerta importante ao analisar as contas do governo federal de 2025. Segundo o TCU, o Plano Plurianual ficou abaixo do desempenho esperado no cumprimento das metas. Apenas metade dos objetivos previstos foi integralmente alcançada.
A maior preocupação apareceu justamente em duas áreas prioritárias. Na Saúde, somente 16,7% dos objetivos específicos atingiram as metas estabelecidas. No Novo PAC, apenas 23,1% das entregas previstas foram totalmente cumpridas.
O próprio Tribunal registra que programas que receberam bilhões de reais apresentaram resultados inferiores ao esperado.
Também aponta diversas causas para isso: atraso na aprovação do orçamento, dificuldades operacionais, limitações de estados e municípios, processos licitatórios complexos e dependência crescente das emendas parlamentares.
O dinheiro público não deve ser medido apenas pelo valor gasto. O cidadão espera resultados, porque orçamento aprovado não significa obra concluída e nem recurso empenhado representa atendimento realizado.
No fim, a pergunta continua simples: Quanto foi gasto? E, principalmente, quanto foi entregue?
DA CARTA À QUARENTENA POLÍTICA
A decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro representa mais um capítulo de uma disputa que deixou de ser apenas jurídica para produzir efeitos políticos imediatos. A medida atinge diretamente o principal elo entre Bolsonaro e o ambiente externo, justamente num momento em que o país entra na reta decisiva da campanha presidencial.
O fundamento da decisão é conhecido. Segundo Moraes, Flávio teria utilizado o direito de visita para obter uma carta escrita pelo pai e divulgá-la nas redes sociais, o que, na interpretação do ministro, configuraria uma forma indireta de descumprimento da proibição imposta ao ex-presidente de utilizar plataformas digitais, inclusive por intermédio de terceiros.
Curiosamente, uma estratégia que parecia destinada a manter Jair Bolsonaro presente no noticiário acabou produzindo o efeito inverso: ampliou o rigor das restrições e reduziu ainda mais os canais pelos quais suas manifestações podem chegar ao público.
A política ensina, repetidas vezes, que forma e conteúdo caminham juntos. Às vezes, a mensagem importa menos do que o meio utilizado para transmiti-la e, neste caso, foi justamente o caminho escolhido para divulgar uma carta que acabou se transformando no centro da controvérsia.
O mérito das decisões judiciais continuará sendo discutido por advogados, tribunais e analistas. O fato objetivo, porém, é inequívoco: a carta gerou uma reação do Supremo, endureceu as restrições impostas ao ex-presidente e alterou, pelo menos por ora, a dinâmica política da família Bolsonaro em pleno período pré-eleitoral.
O ACASO, A GENIALIDADE E A CAMISA 10
Hoje, vestir a camisa 10 é um privilégio reservado aos craques. Mas nem sempre foi assim. A história dessa mística começou por um acaso na Copa do Mundo de 1958.
12 de jul. de 2026
Outra carta, a mesma pergunta
A segunda carta de Jair Bolsonaro em apoio à candidatura presidencial de Flávio acabou produzindo um efeito político inesperado. Em vez de apenas reforçar o nome do senador, abriu espaço para um questionamento explorado imediatamente por Ronaldo Caiado.
Para o ex-governador de Goiás, quando um candidato precisa recorrer novamente ao pai para provar que está preparado para governar o País, transmite uma imagem de fragilidade. "É uma eleição para presidente da República. Cada um tem que mostrar sua capacidade", resumiu Caiado.
É claro que Bolsonaro continua sendo o maior patrimônio eleitoral de Flávio. Ser apoiado pelo ex-presidente rende votos, mobiliza a militância e ajuda a manter unido o eleitorado bolsonarista.
Mas a política também tem suas sutilezas. Quanto mais um candidato depende do prestígio de outro para se afirmar, mais os adversários insistirão na tese de que lhe falta protagonismo próprio.
A carta pretendia fortalecer Flávio. Acabou reacendendo uma pergunta que certamente voltará durante toda a campanha: onde termina a força do apoio de Bolsonaro e começa a liderança do próprio candidato?
Flávio e a carta de “papai”: embate jurídico
Na política, nem sempre o fato mais importante é o que aconteceu, mas a interpretação que nasce dele.
A divulgação, por Flávio Bolsonaro, de uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro abriu uma nova frente de debate. A decisão do ministro Alexandre de Moraes proíbe Bolsonaro de utilizar redes sociais direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros. A dúvida é se a leitura pública da carta caracteriza ou não o descumprimento dessa determinação.
Juristas divergem. Há quem entenda que Flávio atuou como porta-voz do pai e que isso pode justificar uma revisão da prisão domiciliar. Outros sustentam que a divulgação foi iniciativa exclusiva do senador e que a medida judicial não teria sido violada.
No campo político, as interpretações também se multiplicam. Uns enxergam uma estratégia de enfrentamento ao Supremo. Outros veem uma tentativa de mudar o foco do noticiário. Por enquanto, tudo isso permanece no terreno das hipóteses.
Os fatos são poucos. As interpretações são muitas. E, em política, como na matemática, o desafio é não esquecer que dois mais dois continuam sendo quatro.



