18 de jul. de 2026

MÓVEIS DEMAIS, ESPAÇO PEQUENO

 Li com atenção a análise da jornalista Cileide Alves sobre a disputa pelas duas vagas ao Senado. Concordo com sua leitura.A base governista vive uma situação rara na política: tem mais candidatos competitivos do que vagas disponíveis.

São quatro nomes disputando apenas duas cadeiras. Na teoria, pertencem ao mesmo grupo. Na prática, disputam o mesmo eleitor. É uma convivência delicada. Todos precisam caminhar juntos sem esquecer que apenas dois chegarão ao Senado.

Penso numa comparação simples. É como uma casa que ficou pequena para tantos móveis de boa qualidade. O problema não está nos móveis. Está no espaço disponível.

Na política acontece o mesmo. Nenhum dos pré-candidatos entrou para apenas participar. Todos acreditam reunir condições para vencer. Todos possuem apoios, história e expectativas.

O desafio de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela será preservar a unidade do grupo sem sufocar as legítimas ambições de cada um. As pesquisas mostram que ninguém. O maior adversário da base, neste momento, talvez não esteja do outro lado. Ele está dentro de casa.

A CHAVE QUE ABRE A PORTA DA DIGNIDADE

 

Entre tantas obras que um governo pode realizar, poucas têm um alcance social tão profundo quanto a construção de moradias. Asfalto é importante. Praças são importantes. Pontes também. Mas poucas iniciativas mudam tanto a vida de uma família quanto a entrega da casa própria.

Nesta semana, o prefeito Velomar Rios entregou 12 moradias no Bairro Boulanger. Para quem observa apenas os números, pode parecer uma ação modesta. Afinal, são apenas doze casas. Mas a política pública não deve ser medida apenas pela quantidade. Deve ser avaliada pelo impacto que produz na vida das pessoas.

Cada chave entregue representa o fim de uma longa espera. Significa deixar para trás o aluguel, a insegurança ou a moradia precária. Significa oferecer aos filhos um endereço definitivo, um ambiente mais seguro e um patrimônio que permanecerá para as próximas gerações.

Não por acaso, a Constituição Federal trata a moradia como um direito social, ao lado da saúde, da educação, do trabalho e da assistência. Um lar é muito mais que um imóvel. É o espaço onde a família se reúne, onde as crianças crescem, onde se constroem sonhos e se fortalecem os laços afetivos.

Ao cumprir um compromisso assumido anteriormente e concluir a entrega dessas moradias, Velomar faz mais do que finalizar uma obra. Reafirma que políticas públicas devem existir para melhorar a vida das pessoas.

Que outras famílias também possam viver esse momento. Porque investir em habitação não é apenas construir casas. É construir dignidade, cidadania e esperança.

16 de jul. de 2026

MALVINAS: QUANDO A PAIXÃO ENCONTRA A REGRA DO JOGO

A vitória da Argentina sobre a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo, foi histórica. Mas a comemoração pode custar caro.

Jogadores assentaram a faixa no gramado
Após o jogo, os jogadores exibiram uma faixa com a frase: "As Malvinas são da Argentina". A mensagem reflete um sentimento amplamente compartilhado no país desde a guerra de 1982, mas entra em conflito com o regulamento da Fifa, que proíbe manifestações de caráter político durante a competição.

A entidade poderá advertir, multar ou aplicar outras sanções disciplinares previstas em seu código.

A questão não é saber quem tem razão na disputa pelas ilhas. Essa é uma controvérsia diplomática que já atravessa gerações.

O ponto é outro: quando um torneio estabelece regras, elas valem para todos. Se a Fifa pune manifestações políticas de qualquer natureza, a coerência exige que aplique o regulamento independentemente do país envolvido.

No futebol, a paixão pode não ter limites. O regulamento, sim.


NARRATIVAS, FATOS E A OBRIGAÇÃO DE LEMBRAR

Ouvi atentamente a entrevista concedida por Cairo Batista ao jornalista Cláudio Lima. Como toda entrevista política, ela trouxe desabafos, acusações, interpretações e uma narrativa sobre o momento vivido pelo grupo político que governou Catalão nas últimas décadas.

Cairo sustenta que existe um movimento para enfraquecer e até "sepultar politicamente" o ex-prefeito Adib Elias. É uma versão dos acontecimentos e, como tal, merece ser registrada.

Mas o jornalismo tem uma obrigação diferente da política. A política vive de narrativas. O jornalismo vive da cronologia dos fatos.

Por isso, antes de aceitar qualquer interpretação, é preciso lembrar como essa história começou.

Até meados do ano passado, Adib Elias defendia publicamente a reeleição do deputado estadual Jamil Calife. Gravou vídeos, participou de eventos e manifestou apoio ao parlamentar, eleito pelo grupo político que ele próprio liderava.

Naturalmente, prefeitos, vereadores e lideranças assumiram esse compromisso. O prefeito Velomar Rios, assim como a maioria da base na Câmara Municipal, caminhava nessa direção.

Posteriormente, Adib decidiu disputar exatamente essa vaga. Não discuto o direito de ser candidato. Esse direito é legítimo e pertence a qualquer cidadão. A questão política é outra: a mudança de estratégia ocorreu sem que o grupo fosse previamente reunido para rediscutir o projeto construído até então.

Parte das lideranças manteve o compromisso anteriormente assumido com Jamil Calife. A partir daí surgiu o conflito que hoje produz versões tão diferentes sobre os mesmos fatos. Depois vieram as exonerações, as declarações públicas, as acusações de perseguição política e os desabafos que todos acompanhamos.

Cada lado tem sua leitura. É natural que tenha. O que não pode acontecer é permitir que a narrativa apague a sequência dos acontecimentos.

Não escrevo estas linhas para defender este ou aquele. Tenho amizade e respeito por muitas das pessoas envolvidas nessa história, inclusive por Adib Elias, com quem trabalhei durante anos e a quem sempre disse, pessoalmente, aquilo que pensava, concordando ou discordando.

Continuarei fazendo exatamente isso. O papel do jornalista não é fabricar heróis nem escolher culpados. É organizar os fatos para que o leitor forme seu próprio julgamento.

Na política, as narrativas procuram definir onde a história começa. No jornalismo, a história começa onde os fatos começaram. E fatos, felizmente, têm memória.


15 de jul. de 2026

HASTA LA VISTA, BABY

A noite vai ser pequena na Recoleta. Em Mendoza, Rosário, Córdoba e Buenos Aires também.

A Argentina mostrou como se faz; talvez devesse mandar a receita ao Brasil: garra, perseverança e determinação. Seguiu o velho ditado bordoniano: a vitória pertence aos que não desistem. Assim, Messi e seus companheiros chegam, mais uma vez, à final de uma Copa do Mundo.

E o destino reservou um velho reencontro da História. Do outro lado estará a Espanha, a antiga metrópole que, durante séculos, fez navegar para além-mar as riquezas das bandas platinas. Ouro, prata e poder. Cortés, Cortés, Cortés. Cortesia? Não. Domínio.

O início parecia sorrir para os ingleses. Faltou apenas o badalar do Big Ben. Gordon abriu o placar e fez a felicidade do time de Charles III. Durou pouco. Efêmera. A Inglaterra recolheu os remos e ficou à deriva no mar da impotência.

Era apenas o prenúncio do naufrágio. Enzo Fernández e Lautaro Martínez viraram o jogo e levaram a Albiceleste à decisão. Restou à turma de Harry Kane despejar um Tâmisa de lágrimas. Hello, Trafalgar Square. A festa, desta vez, ficou para a terra de San Martín.

Goodbye, England. Hola, final. (LCB)

ELE


 

QUAEST: LULA FAVORITO, MAS ELEIÇÃO CONTINUA ABERTA

 A nova pesquisa Genial/Quaest traz um dado importante: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a liderança em todos os cenários simulados de segundo turno.

Contra Flávio Bolsonaro, vence por 45% a 37%. Contra Ronaldo Caiado, 45% a 36%. Contra Romeu Zema, 45% a 35%. Contra Renan Santos, 45% a 33%.

Mais do que os números absolutos, chama atenção a estabilidade. Mesmo após semanas de forte desgaste político e econômico, Lula preservou sua vantagem.

Para a oposição, o desafio permanece o mesmo: encontrar um candidato capaz de ampliar seu eleitorado além do núcleo já consolidado. Até aqui, nenhum conseguiu.

Mas a pesquisa também mostra que a eleição está longe de decidida. Brancos, nulos e indecisos continuam representando um contingente expressivo, suficiente para alterar o cenário até outubro.

Pesquisa registra fotografia. Não escreve o roteiro do filme.


QUANDO A HISTÓRIA ENTRA EM CAMPO

 A Argentina volta a campo nesta quarta-feira diante da Inglaterra carregando o favoritismo de quem sonha com mais um título mundial. Mas, ao lado do bom futebol, reaparecem também velhas desconfianças.

Nas redes sociais e em parte da imprensa internacional, adversários reclamam de arbitragens e questionam um suposto ambiente favorável aos argentinos. Nada disso, até aqui, constitui prova de qualquer irregularidade. Ainda assim, basta o surgimento das suspeitas para que a memória do futebol faça o restante.

É impossível não lembrar da Copa de 1978, realizada sob a ditadura militar argentina, a mais sangrenta da história do país, resultando em cerca de 30.000 desaparecidos, incluindo mulheres, crianças e pessoas jogadas ao mar. 

A Copa foi uma providencial (para eles) cortina de fumaça. Vencê-la seria fundamental para os generais. Aquele histórico 6 a 0 sobre o Peru, resultado que eliminou o Brasil, permanece cercado por dúvidas até hoje. Documentários, depoimentos e investigações mantêm vivo um capítulo que jamais foi totalmente esclarecido.

Também volta à lembrança o célebre gol da "Mão de Deus", marcado por Maradona contra a Inglaterra em 1986. Ou, na Copa de 90, nas oitavas de final, contra o Brasil, quando o massagista dos argentinos, Miguel di Lorenzo, ofereceu uma garrafa de água ao lateral-esquerdo brasileiro Branco. “Água batizada". Após beber, Branco começou a sentir tontura e sonolência em campo. A Argentina venceu o jogo por 1 × 0 com um gol de Caniggia, após jogada de Maradona. Todo por la cumparsita

O futebol sobrevive da paixão, mas também da confiança. Quando a bola divide espaço com a suspeita, quem perde não é apenas um adversário. Perde a própria Copa do Mundo.

Fico a perguntar: mas e o futebol de Messi, seria armação também?

Não. Messi não precisa de favores. Seu futebol basta. É justamente por isso que o mundo espera que, se a Argentina levantar mais uma taça, ela seja erguida apenas pelo brilho do camisa 10 e de seus companheiros. O futebol agradece quando o campeão deixa como herança apenas gols, dribles e boas lembranças, nunca suspeitas. 


GOIÁS NO TOPO DO MUNDO... PELA INTELIGÊNCIA

 Enquanto muita gente ainda associa Goiás apenas ao agronegócio e à mineração, um grupo de estudantes acaba de mostrar ao planeta outra grande vocação do Estado: a capacidade de produzir ciência, tecnologia e inovação.

A equipe Geek, do Sesi Canaã, de Goiânia, conquistou o Champion Award, principal prêmio do First LEGO League Asia Pacific Open Championship, disputado em Sydney, na Austrália. Como se não bastasse, levou também o Robot Performance Award, destinado ao robô de melhor desempenho técnico da competição.

O resultado impressiona. O robô desenvolvido pelos estudantes executou com 100% de aproveitamento todas as missões que dependiam exclusivamente dele. Em uma das rodadas, a equipe completou toda a mesa; nas demais, perdeu apenas 15 pontos em uma tarefa compartilhada com outra equipe. Um desempenho que chamou a atenção dos jurados pela precisão, estratégia e preparo.

Há outro detalhe que merece aplausos: o projeto nasceu da parceria entre o SESI e pesquisadores da Universidade Federal de Goiás. É a prova de que, quando escola, universidade e ciência trabalham juntas, o resultado pode colocar o Brasil — e Goiás — no lugar mais alto do pódio mundial.

Parabéns aos estudantes, aos professores, aos pesquisadores e às famílias. O futuro não chega por acaso. Ele é construído por jovens como esses.

A MAIOR VIAGEM É SEMPRE A DE VOLTA PARA CASA

Há histórias que não envelhecem. Apenas mudam de cenário. É por isso que A Odisseia, de Homero, continua viva quase três mil anos depois de ter sido escrita. Agora, ganha uma nova versão pelas mãos de Christopher Nolan, um diretor que gosta de transformar grandes narrativas em experiências cinematográficas.

Depois da vitória na Guerra de Troia, Odisseu imagina que a parte mais difícil já passou. Descobre, porém, que vencer uma guerra pode ser mais fácil do que voltar para casa. Durante dez anos, enfrenta tempestades, monstros, sereias, feiticeiras, deuses contrariados e as próprias fraquezas. Poseidon tenta impedir seu retorno. Penélope espera. Telêmaco cresce sem o pai. E a esperança resiste.

A beleza dessa epopeia nunca esteve apenas nas aventuras. Ela está no significado da viagem. A verdadeira odisseia é a vida de cada um de nós. Todos enfrentamos mares revoltos, decisões difíceis, perdas, tentações e obstáculos que parecem intransponíveis. E seguimos em frente porque existe uma Ítaca nos esperando: nossa família, nossos sonhos, nossa paz.

Christopher Nolan reúne um elenco impressionante e toda a tecnologia do cinema moderno. Mas o coração da história continua sendo o mesmo contado por Homero: o homem que descobre que nenhuma conquista vale mais do que encontrar novamente o caminho de casa.

Talvez seja essa a razão de A Odisseia permanecer atual. Mudam os navios, mudam os mares, mudam os deuses. O que nunca muda é a eterna busca do ser humano por um lugar onde possa, finalmente, descansar o coração.

Em cartaz em todos os cinemas do Brasil, nesta quinta-feira. Aqui, na sala 3 do Cinemais, no Catalão Shopping, com sessões às 17h e às 20h30. Imperdível. 

14 de jul. de 2026

ESPANHA 2, FRANÇA 0: LE JOUR DE GLOIRE... C'EST FINI

Oyarzabal comemora o pênalti marcado: 1 x 0

A Espanha está na final da Copa do Mundo. Agora espera o vencedor de Argentina e Inglaterra. A França de Mbappé terá de se contentar com a disputa do terceiro lugar.

Que Edith Piaf cante para os franceses: Non, je ne regrette rien. Não, eu não me arrependo de nada.

E não há mesmo do que se arrepender. A França fez uma grande campanha, confirmou a força do seu futebol e caiu diante de uma seleção que, nesta noite, foi simplesmente melhor. Não existe vergonha numa derrota assim. Vergonha seria faltar coragem para lutar. E isso os franceses nunca deixaram de fazer.

A Espanha foi intensa, disciplinada e impecável na marcação. Fechou os espaços, neutralizou o talento de Mbappé e fez por merecer a classificação. Oyarzabal, de pênalti, e Pedro Porro marcaram os gols que colocam La Roja na decisão do Mundial.

Agora, os espanhóis aguardam o vencedor da outra semifinal, entre Argentina e Inglaterra, marcada para esta quarta-feira (15). A grande decisão será no domingo (19), no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Aos espanhóis, ¡hasta la vista!

Aos franceses, au revoir.


Pai e filho em crime eleitoral

 “O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”, escreveu Bolsonaro.

“Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual eu confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”, concluiu o ex-presidente.

Flávio Bolsonaro leu isso. O Ministério Público eleitoral vê aí, “palavras mágicas”, em claro pedido de voto. É propaganda eleitoral antecipada, proibida por lei, mas não causa impedimento à sua candidatura, mas há multa bem pesada, de 5 a 25 mil ao responsável pela divulgação e ao beneficiário, caso ele tenha conhecimento. Como o infrator é o próprio beneficiário, resta saber se haverá multa em dobro.


Mas o ex-presidente Jair Bolsonaro pode descansar sossegado. O caso em nada vai interferir na sua prisão domiciliar. Pelo menos é o que se ouve pelas bandas do STF.



DOIS ASES SEM CORINGA


 Duas cartas e uma polêmica: Por que a de Lula pôde ser divulgada e a de Bolsonaro não?