15 de jul. de 2026

QUANDO A HISTÓRIA ENTRA EM CAMPO

 A Argentina volta a campo nesta quarta-feira diante da Inglaterra carregando o favoritismo de quem sonha com mais um título mundial. Mas, ao lado do bom futebol, reaparecem também velhas desconfianças.

Nas redes sociais e em parte da imprensa internacional, adversários reclamam de arbitragens e questionam um suposto ambiente favorável aos argentinos. Nada disso, até aqui, constitui prova de qualquer irregularidade. Ainda assim, basta o surgimento das suspeitas para que a memória do futebol faça o restante.

É impossível não lembrar da Copa de 1978, realizada sob a ditadura militar argentina, a mais sangrenta da história do país, resultando em cerca de 30.000 desaparecidos, incluindo mulheres, crianças e pessoas jogadas ao mar. 

A Copa foi uma providencial (para eles) cortina de fumaça. Vencê-la seria fundamental para os generais. Aquele histórico 6 a 0 sobre o Peru, resultado que eliminou o Brasil, permanece cercado por dúvidas até hoje. Documentários, depoimentos e investigações mantêm vivo um capítulo que jamais foi totalmente esclarecido.

Também volta à lembrança o célebre gol da "Mão de Deus", marcado por Maradona contra a Inglaterra em 1986. Ou, na Copa de 90, nas oitavas de final, contra o Brasil, quando o massagista dos argentinos, Miguel di Lorenzo, ofereceu uma garrafa de água ao lateral-esquerdo brasileiro Branco. “Água batizada". Após beber, Branco começou a sentir tontura e sonolência em campo. A Argentina venceu o jogo por 1 × 0 com um gol de Caniggia, após jogada de Maradona. Todo por la cumparsita

O futebol sobrevive da paixão, mas também da confiança. Quando a bola divide espaço com a suspeita, quem perde não é apenas um adversário. Perde a própria Copa do Mundo.

Fico a perguntar: mas e o futebol de Messi, seria armação também?

Não. Messi não precisa de favores. Seu futebol basta. É justamente por isso que o mundo espera que, se a Argentina levantar mais uma taça, ela seja erguida apenas pelo brilho do camisa 10 e de seus companheiros. O futebol agradece quando o campeão deixa como herança apenas gols, dribles e boas lembranças, nunca suspeitas. 


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