16 de jul. de 2026

MALVINAS: QUANDO A PAIXÃO ENCONTRA A REGRA DO JOGO

A vitória da Argentina sobre a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo, foi histórica. Mas a comemoração pode custar caro.

Jogadores assentaram a faixa no gramado
Após o jogo, os jogadores exibiram uma faixa com a frase: "As Malvinas são da Argentina". A mensagem reflete um sentimento amplamente compartilhado no país desde a guerra de 1982, mas entra em conflito com o regulamento da Fifa, que proíbe manifestações de caráter político durante a competição.

A entidade poderá advertir, multar ou aplicar outras sanções disciplinares previstas em seu código.

A questão não é saber quem tem razão na disputa pelas ilhas. Essa é uma controvérsia diplomática que já atravessa gerações.

O ponto é outro: quando um torneio estabelece regras, elas valem para todos. Se a Fifa pune manifestações políticas de qualquer natureza, a coerência exige que aplique o regulamento independentemente do país envolvido.

No futebol, a paixão pode não ter limites. O regulamento, sim.


NARRATIVAS, FATOS E A OBRIGAÇÃO DE LEMBRAR

Ouvi atentamente a entrevista concedida por Cairo Batista ao jornalista Cláudio Lima. Como toda entrevista política, ela trouxe desabafos, acusações, interpretações e uma narrativa sobre o momento vivido pelo grupo político que governou Catalão nas últimas décadas.

Cairo sustenta que existe um movimento para enfraquecer e até "sepultar politicamente" o ex-prefeito Adib Elias. É uma versão dos acontecimentos e, como tal, merece ser registrada.

Mas o jornalismo tem uma obrigação diferente da política. A política vive de narrativas. O jornalismo vive da cronologia dos fatos.

Por isso, antes de aceitar qualquer interpretação, é preciso lembrar como essa história começou.

Até meados do ano passado, Adib Elias defendia publicamente a reeleição do deputado estadual Jamil Calife. Gravou vídeos, participou de eventos e manifestou apoio ao parlamentar, eleito pelo grupo político que ele próprio liderava.

Naturalmente, prefeitos, vereadores e lideranças assumiram esse compromisso. O prefeito Velomar Rios, assim como a maioria da base na Câmara Municipal, caminhava nessa direção.

Posteriormente, Adib decidiu disputar exatamente essa vaga. Não discuto o direito de ser candidato. Esse direito é legítimo e pertence a qualquer cidadão. A questão política é outra: a mudança de estratégia ocorreu sem que o grupo fosse previamente reunido para rediscutir o projeto construído até então.

Parte das lideranças manteve o compromisso anteriormente assumido com Jamil Calife. A partir daí surgiu o conflito que hoje produz versões tão diferentes sobre os mesmos fatos. Depois vieram as exonerações, as declarações públicas, as acusações de perseguição política e os desabafos que todos acompanhamos.

Cada lado tem sua leitura. É natural que tenha. O que não pode acontecer é permitir que a narrativa apague a sequência dos acontecimentos.

Não escrevo estas linhas para defender este ou aquele. Tenho amizade e respeito por muitas das pessoas envolvidas nessa história, inclusive por Adib Elias, com quem trabalhei durante anos e a quem sempre disse, pessoalmente, aquilo que pensava, concordando ou discordando.

Continuarei fazendo exatamente isso. O papel do jornalista não é fabricar heróis nem escolher culpados. É organizar os fatos para que o leitor forme seu próprio julgamento.

Na política, as narrativas procuram definir onde a história começa. No jornalismo, a história começa onde os fatos começaram. E fatos, felizmente, têm memória.