12 de jul. de 2026

Outra carta, a mesma pergunta

 

A segunda carta de Jair Bolsonaro em apoio à candidatura presidencial de Flávio acabou produzindo um efeito político inesperado. Em vez de apenas reforçar o nome do senador, abriu espaço para um questionamento explorado imediatamente por Ronaldo Caiado.

Para o ex-governador de Goiás, quando um candidato precisa recorrer novamente ao pai para provar que está preparado para governar o País, transmite uma imagem de fragilidade. "É uma eleição para presidente da República. Cada um tem que mostrar sua capacidade", resumiu Caiado.

É claro que Bolsonaro continua sendo o maior patrimônio eleitoral de Flávio. Ser apoiado pelo ex-presidente rende votos, mobiliza a militância e ajuda a manter unido o eleitorado bolsonarista.

Mas a política também tem suas sutilezas. Quanto mais um candidato depende do prestígio de outro para se afirmar, mais os adversários insistirão na tese de que lhe falta protagonismo próprio.

A carta pretendia fortalecer Flávio. Acabou reacendendo uma pergunta que certamente voltará durante toda a campanha: onde termina a força do apoio de Bolsonaro e começa a liderança do próprio candidato?

Flávio e a carta de “papai”: embate jurídico

 


Na política, nem sempre o fato mais importante é o que aconteceu, mas a interpretação que nasce dele.

A divulgação, por Flávio Bolsonaro, de uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro abriu uma nova frente de debate. A decisão do ministro Alexandre de Moraes proíbe Bolsonaro de utilizar redes sociais direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros. A dúvida é se a leitura pública da carta caracteriza ou não o descumprimento dessa determinação.

Juristas divergem. Há quem entenda que Flávio atuou como porta-voz do pai e que isso pode justificar uma revisão da prisão domiciliar. Outros sustentam que a divulgação foi iniciativa exclusiva do senador e que a medida judicial não teria sido violada.

No campo político, as interpretações também se multiplicam. Uns enxergam uma estratégia de enfrentamento ao Supremo. Outros veem uma tentativa de mudar o foco do noticiário. Por enquanto, tudo isso permanece no terreno das hipóteses.

Os fatos são poucos. As interpretações são muitas. E, em política, como na matemática, o desafio é não esquecer que dois mais dois continuam sendo quatro.


Uma Copa do Mundo para mais gente

 

A Fifa mal estreou a Copa do Mundo com 48 seleções e já admite discutir um novo aumento: 64 países na edição de 2030. A proposta divide opiniões. Há quem veja um avanço para o futebol mundial. Outros acreditam que o torneio corre o risco de perder parte da sua exclusividade.

O argumento de Gianni Infantino faz sentido. O futebol cresceu em todos os continentes. Seleções africanas, asiáticas e da Concacaf deixaram de ser meras figurantes. Nesta Copa, mostraram organização, competitividade e provaram que a diferença para as potências diminuiu bastante.

Dar oportunidade a mais países também significa estimular investimentos nas categorias de base, na formação de atletas e na infraestrutura esportiva. Quando um povo acredita que pode chegar ao Mundial, trabalha para transformar esse sonho em realidade.

Por outro lado, a Copa do Mundo sempre foi especial justamente porque era difícil chegar até ela. Classificar-se representava uma conquista extraordinária. Se a porta ficar larga demais, será que o prêmio continuará tendo o mesmo valor?

A Fifa terá de encontrar esse equilíbrio. O Mundial precisa ser cada vez mais universal, mas sem perder a qualidade técnica, a emoção e o prestígio que o transformaram na maior competição esportiva do planeta.

No fim das contas, a pergunta é simples: queremos uma Copa apenas dos melhores ou uma Copa verdadeiramente do mundo? Talvez exista um caminho capaz de unir as duas coisas.

A guerra chegou a Catalão

Efeito das "Trumpalhadas".

A guerra parece distante quando a vemos pela televisão. Mas ela não respeita fronteiras. O que Vladimir Putin faz na Ucrânia e o conflito bancado por Trump e Netanyahu, envolvendo Israel, Irã e outros atores no Oriente Médio, espalham insegurança pelo mundo. Países que nada têm a ver com essas decisões acabam pagando a conta. O Brasil é um deles. Goiás também. Catalão igualmente.

Uma das vítimas dessa realidade é a Mosaic. O enxofre, matéria-prima indispensável à produção de fertilizantes e que importamos de lá,  principalmente, tornou-se escasso e caríssimo. Antes dos conflitos, a tonelada custava entre 100 e 300 dólares. Hoje, com a instabilidade na região e os reflexos sobre as rotas de abastecimento, chega à faixa de 1.200 dólares. O "S" do fertilizante foi derrotado pelo peso do outro "$": o símbolo do dinheiro.

As consequências chegaram ao nosso quintal. Araxá e Patrocínio encerram atividades. A misturadora do DIMIC, em Catalão, fecha as portas. E o processo de desativação de unidades em Catalão e Ouvidor ameaça cerca de 1.800 empregos diretos e indiretos. Quando uma fábrica fecha, não perdem apenas os trabalhadores. Perdem as famílias, o comércio, os prestadores de serviço e toda a comunidade.

Gosto de usar este espaço para falar de esperança, de conquistas e de sorrisos. Hoje, infelizmente, ele é ocupado pelas lágrimas, porque a guerra, mesmo travada a milhares de quilômetros de distância, acaba encontrando um caminho para vir bater à nossa porta.