18 de mai. de 2019
Tirem a internet do ar
O Brasil não é ingovernável. Falta governo. Falta política, sobra politicalha. Há um duelo asnático entre governo e parlamento - culpa do primeiro, que não sabe "parlar", e do segundo, que só "parla" com a mão na grana do balcão, onde mercadejam os seus votos.
Por discordar dessa conduta prostibular, o presidente tem colecionado "nãos". Só que já esteve lá e, ainda que no baixo clero, assistiu às danças do bolero "Toma lá, dá cá". Não se vê, alhures, rameiragem tão exigente e voraz quanto à do Castelo do Duplo Penico. Como ali não se aceita "mão-de-vaca" e nem se deita por cortesia, o nada cortês capitão continua do outro lado da rua.
Não bastasse, o que pediu sem pagar pode até sair, mas não com o seu DNA e, sim, com o da "tranquibérnica" Casa. Traduzindo: todas as propostas do Governo serão copiadas in totum e, com adições e subtrações, apresentadas via substitutivos, com o Legislativo usurpando as prerrogativas do presidente, "governando" em seu lugar.
Enquanto isso, barco à deriva, o Executivo nada executa. Governa via Twitter, cópia moderna do que fazia o bipolar Jânio Quadros, com os seus famosos bilhetinhos, e também mania de Getúlio Vargas, o populista que não gostava de povo.
Há uma saída para o presidente trabalhar e os seus rebentos deixarem de ser incômodos: tirar a internet do ar. Aí, nem só o capitão trabalharia. O Brasil inteiro, também.
P.S. - A emenda que poderia prorrogar o mandato dos atuais prefeitos dificilmente será aprovada. É que há deputados e senadores sonhando em ser candidatos em suas cidades. Na derrota lá, voltariam à dolce vita no Congresso, paga com o suor do brasilino. Coisas do BBB - Big Bordel Brasil. É preciso acabar com a trampolinagem. Todo eleito é obrigado a cumprir mandato. Quer ser candidato a outra coisa, renuncie.
Brasil: as três caras do nosso fracasso
Os três poderes da República têm o dever constitucional e institucional pela estabilidade e desenvolvimento econômico e social da nação. A tripartição de poderes, lavra de Montesquieu, se molda pela independência, mas com harmonia entre eles. Pelo que vemos, não estão fazendo o dever de casa. É a trinca da embófia.
O Judiciário, cuja "caixa preta" já deveria ter sido aberta há muito tempo, tem se revelado prova material de como saquear os cofres públicos, com as suas farras de escandalosas regalias. A recente licitação do STF, para abarrotar a sua despensa com lagostas e vinhos premiados, foi uma cusparada no rosto de cada um de nós. Isso sem falarmos no auxílio para a compra de livros, ternos, gravatas, planos de saúde e odontológicos vitalícios extensivos aos familiares etc. Não diferente se dá nas demais Cortes federais e estaduais. Coisas da corrupção togada.
No Congresso Nacional não é diferente. Da mesma forma que os corvos maculam a casa de Themis, deputados e senadores enlameiam a chamada Casa de Leis. Não diferentes os deputados estaduais e vereadores. Legislam para os seus bolsos. Criam mordomias abusadas e nos mandam a conta - verbas de gabinetes, verbas indenizatórias, passagens aéreas, sem falar nas emendas orçamentárias, mensalão legalizado etc. Odorico Paraguaçu os chamaria de "safadistas militantes", o que seria uma generosidade do prefeito de Sucupira.
No Executivo, temos um capitão reformado a comandar o país, escudado por três filhos problemáticos e inspirado na doutrina de um détraqué. Comanda um governo sem planos e atrelado a uma reforma previdenciária que o imobiliza. Falta ao presidente um plano B. O país parou. Querer culpar a imprensa é estratégia pífia, coisa de maus governantes. É preciso parar de cultivar essa ridícula teoria da conspiração.
Faltam aos senhores e senhoras dos três poderes compromisso público, esforço dos pilares da República para que tenhamos um Brasil melhor. A responsabilidade não é exclusiva do capitão. Que seja dado um basta à gastança e ao envio da conta para ele pagar. A responsabilidade do nosso desenvolvimento é de todos. Que deixem de ser perdulários, que parem de se enricar à custa do suor do povo. Trabalhar mais e não roubar.
Não sem razão parte do povo pede que os militares entrem para fazer a limpeza. Como consertar um país em que o presidente de nada entenda, o Congresso se faça clube da corrupção e o Judiciário, que deveria fazer cumprir as leis e a Constituição, se mostra tão ou mais corrupto que os demais?
O Brasil vai mal. Faltam comando, politica de governo, planos alternativos para que tenhamos crescimento com desenvolvimento. Mas a responsabilidade, repito, não é exclusiva do presidente. A pátria não é um, são todos - já o disse Ruy.
Que sejam trazidas de volta a ética, a honra, a moral e os bons costumes. Que invistamos mais em educação, pois só um povo instruído saberá escolher melhor aqueles que deverão representá-los, acabando de vez com, ou pelo menos reduzindo em muito, a corrupção institucionalizada que controla o país. Óbvio que há gente boa neste universo de bandalheiras, mas, para a nossa tristeza, temos mais joio do que trigo nestas searas.
P.S. - Aplauso ao presidente pela anunciada intenção de pegar a multa de R$2,5 bilhões, paga pela Petrobras, em um acordo firmado nos Estados Unidos, e destiná-la ao Ministério da Educação. Ele também mudou o discurso: trocou a definição dos estudantes manifestantes de "idiotas úteis" por "maioria de boa fé" infiltrada por conhecidos oportunistas do movimento Lula Livre. Fez bem.
17 de mai. de 2019
As marchas e contramarchas do capitão
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| Flávio Bolsonaro, o filho número 01, é problema para o papai presidente (foto: El País) |
Num país decente, sério, ele estaria com a razão. O parlamento existe para fiscalizar e aprovar leis, mas o nosso, historicamente, é gigolô do Executivo. Aqui, para mudar isso pelo voto, com a péssima educação que oferecemos aos brasilinos, sendo otimista, creio que daqui a uns mil anos. A curto prazo, só com um golpe. Fechar tudo, começar de novo. Enquanto não forem mudadas as regras do jogo vigente, se entender com os tais senhores e senhoras é necessário.
Quanto ao plágio a Lula, pega mal esse discurso roto de que "investigam os meus filhos só para me atingir". Luiz Inácio dizia o mesmo em relação aos seus pimpolhos.
Papai Jair, que se elegeu com o discurso contra a corrupção e de caça aos ladrões do dinheiro público, deveria, como genitor do 01 e como presidente do País, usar a irretorquível postura dos probos, dos íntegros e dos que bons exemplos devem dar: que se apure tudo e que se cobre as responsabilidades. Não será passando a mão na cabeça, ou servindo de escudo de intocabilidade ao primogênito, que irá isentá-lo de culpa.
Não existe essa de perseguição à trupe, pelo Ministério Público, a quem o presidente acusa de uso político das atribuições. Quer dizer que o MP só "presta" quando investiga e denuncia inimigos e "contra nós, é sacanagem"? Não é por aí, capitão.
Caso o filhão tenha trambicado, via Queiroz, com salários de servidores; se comprou R$9 milhões em imóveis, investimentos incompatíveis com o que recebia como deputado estadual, no Rio, provados os ilícitos, que seja responsabilizado. Não será o joguinho do papai, de usar rede de robôs para atacar dissonantes, que irá mudar imputações.
A resposta dos probos, dos que falam em honra não só da boca para fora, é única: apurem-se as denúncias e que se decida, pelo alegado e provado, se há ou não responsabilidades a serem imputadas. Essa tangente de "investigar meu filho para me atingir" é saída (hilária) que já tem dono: um certo Lula nada livre.
Provado que Flávio deve, que ele pague, capitão. Ao papai, que se proclama austero, caberia dizer, in casu, que "não foi isso que ensinei a ele, lá em casa".
P. S. - Cabe a Bolsonaro, ao governador Caiado e aos demais: governar é cuidar dos interesses do Estado e dos seus cidadãos; não é ficar colocando culpa em antecessores ineptos ou prevaricadores e, sim, corrigir os seus malfeitos. O povo sabe quem é quem. Usando um exemplo do próprio governador de Goiás, que é ortopedista: atende-se ao paciente atropelado, ao invés de se preocupar com a marca do veículo e com a culpa do motorista atropelador. Que ele, Bolsonaro e os demais cuidem dos seus pacientes.
16 de mai. de 2019
Capitão, um país se faz com homens e livros
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| Capitão infeliz, quando fala. Não poucos manifestantes são seus eleitores. Defender a educação é dever de todos. E dele, principalmente. |
O livre pensar permite a todos - progressistas, reacionários, conservadores etc. - a verbalização de satisfações e insatisfações. Na democracia, o "penso, logo existo", de Descartes, é o "penso e falo", com o direito de opinar, discordar. Aqui na terra brasilis, impedir esse direito inalienável, determinado pela nossa Constituição, é atentar contra as liberdades democráticas.
É verdade que, infelizmente e o capitão tem razão, existem, nas nossas universidades, alguns espiroquetas que se servem da cátedra para cultuar doutrinas. São imbecis ilustrados a aproveitar-se das cabeças abertas de adolescentes para cultivar tendências, ao invés de estimulá-los ao conhecimento de todas visões do mundo e, depois, que cada qual faça escolhas por livre arbítrio, jamais por indevida e irresponsável indução. Mas não por isso se fecha cursos e nem se corta verbas de universidades. Que se bote para fora os que manipulam conhecimentos.
É preciso lembrar ao capitão que, por falta da filosofia nas escolas que frequentou, é que ele não consegue verbalizar pensamentos. Filosofia exige leitura, nos enriquece de informações, viabiliza a fluência de ideias e a construção de farto vocabulário. Aprendi com a minha mãe, que muito me exigiu nos livros, que, quem não lê, não escreve e não fala.
A formação militar do capitão lhe tomou essa preciosidade. Foi escolado no "sim, senhor", sem o direito de discordar de ordens, de opinar sobre nada. Ocorre que o Brasil não é um quartel. É um país onde todos têm o direito de pensamento e de escolha, tanto que a maioria, usando o inalienável livre pensar e o livre escolher, o elegeu presidente.
Esse mesmo livre pensar que experimentou a esquerda (que se revelou cleptomaníaca) e decidiu bani-la.
Esquerda que, aliás, provocou o terrível e criminoso "apagão" nas mesmas universidades, com o corte de R$9 bilhões e meio de recursos, gerando greves e protestos e fazendo desabar o mentiroso slogan "dilmático" de "Pátria educadora".
Esquerda que, por oportunismo e sem público, quis pegar carona nos protestos de ontem, mas sem moral e legitimidade alguma, em prejuízo à seriedade dos eventos.
Enxotada a esquerda, a direita não pode repetir o erro. Um governo que fecha escolas, que as esvazia de recursos, só pode contribuir para a imbecilização do seu povo. Repito: o Brasil não é um quartel e as suas escolas devem formar cidadãos e não tropas de paus-mandados.
Caro capitão, já o dizia Lobato, "um país se faz com homens e livros".
P.S. - Fechar cursos de filosofia, se deixando guiar por um astrólogo que se autoproclama filósofo (aquele que "ama o Brasil", mas mora nos Estados Unidos), só pode trazer prejuízos à imagem e à já pobre história do nosso capitão presidente.
8 de mai. de 2019
O pacto federativo dos governadores é ópera bufa
Pífia a carta dos governadores ao presidente Bolsonaro e de efeito placebo para a "construção" de um novo pacto federativo. O que os governantes estaduais querem é aumentar os repasses de impostos, insolventes que estão e, sejamos justos, arrochados pelos elevados custos dos poderes legislativo e judiciário.
O Brasil precisa de uma reforma redutiva da carga fiscal que nos esfola e de, paralelamente, promover a inversão da pirâmide da repartição da receita, com os municípios guindados ao topo. Hoje, em média, a União fica com cerca de 55% da receita tributária, passando 27% aos Estados, cabendo 18% aos municípios.
A ordem desses números tem que ser invertida. Afinal de contas, o Brasil em que vivemos é a cidade onde moramos, é o nosso bairro, é a nossa rua. Ali devem estar os benefícios fundamentais, casos do saneamento básico, moradia, transporte, saúde, educação maternal/fundamental, urbanização (pavimentação, iluminação pública, coleta de lixo, abertura de ruas, construção de viadutos, avenidas etc), e, por isso, devem ser destinados a eles cerca de 60% do bolo tributário.
Aos Estados, serão suficientes 25%, para cuidar da infraestrutura (malhas viária e ferroviária, geração de energia), do ensino secundário e segurança pública. À União, a quem não compete construir nada, mas preservar incólumes os poderes, o Estado de direito e, via Congresso, estabelecer diretrizes, políticas setoriais e legislar sobre medidas de interesse nacional etc, ficariam os 15%, inclusive para o custeio de uma máquina mais enxuta.
Precisamos de um pacto federativo que cuide das células (os municípios) para que o corpo (o país) não padeça. A carta hoje entregue ao presidente nada resolve, nada corrige. Contém paliativos para aliviar perdas, criar fundos e outros blablablás. O povo continuará trabalhando 5 meses e um dia, anualmente, só para pagar impostos, sem ter a contrapartida em serviços públicos efetivos e de qualidade.
Permaneceremos, tributariamente, esfolados de verdade, enquanto eles vão continuar fazendo de conta que nos governam. Há muito que usam a Lei de Lampedusa, aquela de fazer mudanças e mais mudanças, para que as coisas continuem as mesmas.
P.S. - Sabem quando teremos isso consertado? A curto prazo, só com um golpe perpetrado pelo povo, fechando tudo e começando do zero, acabando com a orgia dos poderes e colocando ordem na casa. Pelo voto, num país onde a educação não existe e o livre pensar é coisa subversiva, só daqui a alguns milênios.
6 de mai. de 2019
Materno Infantil: saudade do bom jornalismo
Interessante. Até dezembro, ninguém apontou, em jornais e tevês, a calamitosa situação do Hospital Materno Infantil de Goiânia. E nem quem acaba de interditá-lo ali esteve antes da mudança de governo. Tivesse estado, teria baixado a interdição; se esteve e não o fez, prevaricou.
O ato tem odores políticos, pois aquilo que se vê nas telinhas e nos jornais não aconteceu de 1° de janeiro para cá. É herança maldita. É o que deveria ter sido registrado, dever óbvio, quando se faz jornalismo com seriedade.
No dia da posse, o governador Caiado lá esteve e outras vezes voltou. Conheceu os estragos e tem se empenhado na busca de soluções, não tão fáceis, dada a situação financeira com que recebeu o governo.
Os fatos estão acima de opiniões calçadas em explícito oportunismo e de críticas com inescondível teor de politiquice. Tivesse recursos disponíveis, o governador que, antes do político, é médico, já teria, com certeza, adotado as providências que o caso requer. E não só ali, também em outras áreas, pois recebeu terra arrasada das mãos de antecessores irresponsáveis.
Querer que ele resolva, em quatro meses, o vintênio de desmontagem do Estado, é subir na tribuna da leviandade.
P.S. - Ao não pagar dezembro, cediça culpa do adversário, errou o governador Caiado. Pagar janeiro e alegar que, no seu governo, não houve atraso de salários é tergiversar. Não existe governo de fulano e meu governo. Há o Governo de Goiás e é ele o devedor. Cabe ao gestor solver pendências. Tivesse seguido o calendário, teria se poupado de tão desnecessário desgaste.
29 de abr. de 2019
Bolsonaro manda Leão mascar chiclete
Cintra, mais do que ninguém, sabe que temos uma das maiores cargas tributárias do mundo, equivalente a mais de 35% do nosso PIB. Que, do rendimento bruto de cada um de nós, 41,37% são para pagar impostos - ou, como mediu o IBPT - Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, trabalhamos 153 dias do ano só para entulhar de dinheiro os cofres públicos.
Com o grave registro: há quase uma década permanecemos lanterninhas no ranking das 30 nações mais desenvolvidas, economicamente, no retorno dos impostos pagos pela população. O Brasil continua oferecendo péssima contrapartida aos contribuintes no que diz respeito à qualidade de ensino, aos serviços de saúde, segurança, saneamento básico, bem atrás dos nossos vizinhos Uruguai e Argentina.
E Cintra quer aumentar a carga. E quem é ele para criar tributos, logo ele, o maior defensor, quando deputado federal, do imposto único? Criar tais ônus não é da competência da Secretaria da Receita. E depende de aprovação pelo Congresso e Maia assegura que sequer aumentos serão aprovados pela Câmara. Com o detalhe: O voraz secretário é subordinado ao Ministério da Fazenda, onde Paulo Guedes seria a voz para falar em criar ou aumentar impostos. Detalhe aditivo: na maioria dos casos listados por Cintra, haveria bitributação.
Maio está chegando. O dia 25, por lei resultante de projeto do deputado federal goiano Sandro Mabel, hoje presidente da Federação de Indústrias do Estado de Goiás, foi oficializado como Dia Nacional de Respeito ao Contribuinte. Vamos convidar o cacicão da Receita para a "festa".
P.S. - Precisamos é reduzir, dentre outros, o ICMS sobre combustíveis, energia e telefonia, taxados acima de 25%, alíquota pertinente a produtos supérfluos. Se esses três componentes do nosso cotidiano forem supérfluos...
28 de abr. de 2019
Trambiques e uso eleitoral inviabilizam a UEG
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| Câmpus central da UEG, Anápolis (Foto: Mantovani Fernandes) |
Em malversação de recursos públicos - e aqui não estamos falando dos gordos desvios de recursos do PRONATEC -, tais badecos promoveram a banalização do ensino superior, já tão combalido e rebaixado à condição de escola profissionalizante (pertinente apenas ao segundo grau).
Enquanto a Universidade de São Paulo, a conceituadíssima USP, tem apenas 12 câmpus, num Estado com 44 milhões de habitantes e 645 municípios, a UEG tem, num Estado com 246 municípios e 7 milhões de habitantes, nada mais nada menos, que 41, sendo 16 deles com apenas um ou dois cursos e com custos de direção iguais aos maiores.
Reitores, fazendo média política e usando a instituição para fins eleitorais e em benefício de governantes, criaram câmpus nas regiões de interesse, conquistando apoios de prefeitos e das respectivas populações e de municípios adjacentes. Explícita caça aos votos, com a falsa expansão da universidade.
A comunidade acadêmica pode até reagir às mudanças, mas elas são necessárias. O número de cursos não pode continuar esse cardápio de pizzaria. E o campi também tem que ser reduzido, com os câmpus de poucos cursos transformados em pólos dependentes dos maiores. E que os prefeitos entendam que os cursos não serão fechados. Apenas a UEG deixará de arcar com custos mais elevados que a estrutura exige. Mudar para corrigir e melhorar.
A UEG é dos goianos e não pode mais ser instrumento de ambições eleitorais.
P.S. - Ampla e ótima matéria sobre a UEG está na edição deste domingo, de O Popular. É preciso repensar a universidade goiana. Há 10 cursos que já não abrem mais vagas e outros de demanda mínima. Racionalizar é preciso. A estrutura é cara e é o cidadão goiano quem paga a conta.
A insegurança de Bolsonaro e o inimigo imaginário
Na capa de VEJA deste fim de semana, montagem fotográfica mostra um Mourão Tsé-Tung, com o texto dizendo que a ala radical bolsonarista vê o vice como aliado à esquerda. Título: "O inimigo imaginário". Subtítulo: "Por que Bolsonaro está convencido de que Mourão conspira contra o governo".
O braço delirante (para não dizer outra coisa) de bolsomaníacos (acabei dizendo uma delas), na esteira da astrologia de Olavo de Carvalho, crê que o vice quer "puxar o tapete" chefe. Mourão já deu a resposta, curta e grossa: "Se ele (Bolsonaro) não me quer, é só dizer. Pego as minhas coisas e vou embora ".
O presidente está tropeçando na própria falta de confiança. Não conseguiu, ainda, vestir a roupa do cargo. Com os seus filhos tagarelas, ele continua no palanque. Continua o Jair da facada. Inseguro, sabe que a diferença entre ele e o Mourão é que este se comporta como vice-presidente de todos os brasileiros, enquanto o Sr. Jair insiste em ser presidente apenas dos que pensam como ele e aplaudem a sua postura. Prefere dividir o Brasil em "nós" e em "contra nós", quando a maioria dos brasileiros torce, pede e espera pelos seus acertos.
Mourão é, sim, inimigo produto da imaginação dos áulicos. Sabe se comunicar e sabe o que diz, o que não é a praia do titular. Sabe dizer o que o "chefe" não consegue (dificuldade em expor ideias e problemas sérios de dicção, por exemplo). Há, no vice, lucidez e equilíbrio. Tem o que o outro não tem. Residiria aí o temor.
Mourão não é aliado da esquerda. Ele respeita pensamentos e tendências diferentes, sem restrições aos divergentes, em nome da pluralidade inerente à democracia. Aos agentes da insanidade ele já disse que não tem apego ao cargo. Se o "dono" pedir, ele volta para casa.
Aguardemos o que dirá @jairbolsonaro.
P. S. - Independente de posição subjetiva do presidente, ele agiu em proteção ao erário: a permanência no ar da propaganda do BB seria gasto infrutífero. Não pelas personagens, nem pela edição, mas pelo conteúdo publicitário que é zero. Ela, simplesmente, não vende o produto. Tanto que só se soube dela, quando foi determinada a sua retirada do ar.
22 de abr. de 2019
Brasil em liquidação. Quem dá mais?
Amigos, o Brasil caminha para uma crise institucional. Os três pilares da República foram solapados pela sordidez das ações dos seus próprios componentes. O amanhã promete ser sombrio.
Os peraltinhas barbados do presidente continuam a publicizar as suas flatulências mentais. O próprio pai copia o vandalismo verbal e, via redes sociais, mobiliza os seus sicários digitais em ataque ao vice-presidente Mourão, já temendo tê-lo como concorrente, em 2022. A calçá-lo contra os fardados está o guru do desastre vigente, Olavo de Carvalho.
O Sr. Bolsonaro, que ainda não assumiu de fato o comando do país, já está pensando na reeleição. É muita pretensão, ambição e irresponsabilidade. Em tempo: Mourão é o único lúcido nessa patacoada da direita, que em nada difere dos atentados à moral e aos bons costumes por conhecidos meliantes de esquerda.
Na esteira do desgoverno, o ministro Guedes, da Economia, esconde os estudos que embasam a reforma a Previdência. No escuro, dificilmente a coisa vai andar. Daí a permanente defesa da tese de que a reforma deve passar por referendo, caso seja aprovada, o que já se desenha como impossível.
Não bastasse o país estar parado e com o custo de vida disparado (basta passar em supermercados e farmácias etc.), na busca de dinheiro a qualquer modo, temos a nos rondar o fantasma da privatização silenciosa de estatais estratégicas.
O ministro Guedes não nega que as vendas ocorrerão. Disse que uma delas, será grande surpresa. Seria a Caixa Econômica Federal, já removida da gestão do FGTS e, consequentemente, sem aportes para bancar a sua carteira habitacional. Além da CEF, estarão no menu de vendas a Petrobras, a BR Distribuidora, a Eletrobrás e os Correios.
Uma observação que se faz necessária. O nosso ministro da Economia é banqueiro e a capitalização das aposentadorias, se passada a reforma, cairá nas mãos dos bancos - um deles o BTG Pactual, fundado pelo próprio e que se beneficiou de reforma previdenciária idêntica à realizada no Chile.
O Brasil vai mal e não se vê lucidez naquele em que 57 milhões de brasileiros acreditaram. Não há transparência e os problemas se avolumam. Como de costume, para os molecotes travessos do clã, a culpa é da imprensa. Pai e filhos falam pelo pódice. Daí coisa boa não sai.
P. S. - O arquivamento da ação contra o Antagonista e a Crusoé não significa fim da censura. Ela continuará enquanto o inquérito permanente não for revogado pelo pretenso dono do STF. Toffoli e Moraes deveriam estar presos, por atentado ao Estado de Direito. .
21 de abr. de 2019
Catanduva, um São Domingos cheio de lembranças
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| Praça da República, onde, em 1968, as músicas do serviço de alto-falantes do Pedro Castilho embalavam as noites dos enamorados |
Dos vereadores e amigos Carlos Machado, Lúcio Cacciari e Venâncio Lima Ferreira. Dos amigos Antônio e César Díspore. Do Antônio Frezarim, do Dr. Roberto Lima e do Dr. Vicente Celso Quáglia, à época diretor da Fafica.
Catanduva da Beth Chimello, da Celina Manzano, das irmãs Braccio, da Yara Bailão e da Sílvia Bochini. Da Lurdinha Fávero e da Hermínia. Do Pedro Nechar, do Mistinho Magoga do Ico Ceneviva pai e filho e do Paulo Brochetto.
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| Matriz de São Domingos, Catanduva |
Catanduva do Loirinho, massagista co Grêmio (pé de vento) e do saudoso Mamita. Do Leitão, do Milton Flores e do Sérgio Buchianeri. Do Eddie Frey, do Pedro Monteleone e do Libânio Paxá. Do grande amigo e saudoso Altino Rossi.
Catanduva, a terra amada da Zola Dian, dos Grandizolli, do Guido Broglia (Farmácia Radar), e do dr. Quelhas e sua Policlínica. Do Bar do Bid, da Panificadora Belém e da Cabana, do Jorge Biazolli. Do Flórida, na Brasil, em frente à Drogasil, o point da cidade.
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| Carnaval 68; 50 mil pessoas agitavam a Rua Brasil |
Na foto da abertura da I Exposição Pecuária e Industrial de Catanduva, vemos Lola Martin; o Sargento Adriano, do Tiro de Guerra; Carmem Sílvia Ribeiro, Rainha da Exposição; o prefeito Borelli; a Miss São Paulo, Mariluce Facci; o vereador Venâncio, presidente da Câmara Municipal; atrás dele, Sílvio Leonardi; Alberto Canonici (pai do grande Walker Blaz) e Edmilson Chiodini. Esta foto foi capa da revista A Feiticeira.
Catanduva, 1968, ano da "morte" dos nossos Catanduva Esporte Clube, o Expressinho, e Botafogo Futebol Clube, o Fantasma da Vila, mas não sem antes vivermos a emoção do último Cata-fogo, em 20 de agosto, no estádio Rufino Rodrigues, em Pindorama. O derby terminou ôxo. Ambos morreram sem poder contar vantagem.
O Catanduva de 1968. Em pé, Luiz Valente, Jair, Neguito, Pompeu, Quarenta e Alexandre. Agachados, Barrinha, Reynaldo, Pachá, Tatá e Serginho. Em 1969, Serginho me procurou em Goiânia e eu o apresentei à diretoria do Vila Nova. Ele foi campeão goiano e a grande sensação da temporada.
Estavam na Terceira Divisão - hoje, seria a A-3 -, mas eram dois bons times. O "Expressinho"(assim denominavam o alvirrubro) se servia do Estádio Sílvio Salles, onde hoje temos o shopping da cidade. O Bota fazia os seus preparativos no Estádio Antônio Stocco, na Vila Rodrigues, daí "Fantasma da Vila".
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| Botafogo1968: Maizena, Chaninha, Zanelatto, Paulo César, Jurandir e Nelson Fubá. Agachados: Ti, Godinho, Leocádio, Bica e Diamante. |
No "Fantasma", eu gostava muito do futebol do Godinho, goleador de primeira. Leocádio, idem. Há dois anos, passeava com o Jota Machado por Higienópolis e eis que encontramos Leo, outra máquina de fazer gols. Maizena, goleiraço, pegava tudo. Também no Bota eu conheci outro ótimo goleiro, Marcos Lazarin, a quem fui reencontrar em Goiânia, lecionando Antropologia na Universidade Federal de Goiás. E tinha também o Chimelinho, que foi estudar Medicina aí na nossa conceituada faculdade.
Catanduva, 1968, novembro, eleições municipais. João Righini, engenheiro do Departamento de Estradas de Rodagem (hoje, Dersa), foi escolhido prefeito, num ano em que o MDB começava a se fortalecer no interior de todo o país. Em Catanduva, Constante Frederico Ceneviva, o Ico, comandava o "Manda Brasa". A Arena era mais forte na cidade e tinha em Orlando Zancaner o seu líder maior na região. Righini venceu. Pedro Nechar, o vice.
Catanduva, um mês depois. Eu me lembro do companheiro Álvaro Costa, da Voz de Catanduva, cuidando de montar o "time" que iria nos representar no programa Cidade x Cidade, do Sílvio Santos, na TV Tupi de São Paulo. O duelo seria com Birigui.
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| Cidade x Cidade. Mariluce Facci, Miss São Paulo 1968, desfila, representando Catanduva |
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| Cidade x Cidade. Sílvio Santos entrevista a Rainha do Carnaval Amália Marangoni. Ao lado o companheiro Álvaro Costa, da Voz de Catanduva |
Fomos derrotados no dia 07 de dezembro, Seis dias depois, 13, a ditadura militar endurece o jogo com a edição do Ato Institucional No. 5, o draconiano AI-5. Era o instrumento que faltava para a ditadura suprimir os direitos políticos de dissidentes e intervir nos Estados e municípios. Vade retro.
P.S. - Voltarei com passagens outras desta terra musical do Roscopholes, New Sound e dos Sorcerers. E do nascimento do Grêmio Esportivo Catanduvense, do qual, com muita honra, sou um dos fundadores.
20 de abr. de 2019
A nau dos insensatos
Fakes, exemplos vivos, são os nossos parlamentos. A democracia representativa é uma farsa. O cotidiano nos mostra que os nossos "representantes" não têm compromisso algum com os representados. Às escâncaras, legislam em benefício próprio ou de quem os patrocina. Levianamente, editaram uma Constituição de molde a lhes dar faca e queijo para impor as suas vontades e, mais que isso, meios para a construção de uma ditadura partidária, onde os filiados cre$cem, mas o País e os Estados, não.
Esse estelionato legalizado - emendas orçamentárias, corrupção parida no governo FHC, para comprar a aprovação da emenda da reeleição - materializa o apoio aos atos do governo como moeda de troca. É o balcão de negócios que tanto tem atrasado o avanço das reformas reclamadas por todos nós.
O governo quer cumprir o seu compromisso com o povo, mas, para isso, tem que empanturrar bolsos de parlamentares - aquela graninha gorda para que façam campanhas eleitorais permanentes, com o uso do sagrado dinheiro público. E isso também acontece nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais, Brasil afora. Ninguém está preocupado com o povo ou com governabilidade. Coitado do governante que não consegue comprar votos dessas confrarias.
Dia desses, li nos nossos jornais que deputados da Assembleia Legislativa de Goiás, não afinados com o governo, irão aprovar a emenda constitucional que impõe a execução obrigatória de emendas parlamentares ao Orçamento. Há, inclusive, emenda à emenda aumentando o percentual de recursos a serem tomados do governo, para, só depois, eles apreciarem as mensagens do Executivo. Resumindo: querem, primeiro, cuidar de adubar a reeleição e Goiás e os goianos que esperem.
Argumentam os tais que estão cuidando de levar benefícios para as suas bases eleitorais. Confessus scelus. Deveriam estudar sobre a função que exercem. Aprendam que foram eleitos deputados por Goiás, para legislar pelas causas do Estado, para fiscalizar e investigar, e que o seus compromissos são com todos os goianos e não apenas com as suas chamadas bases eleitorais.
Deputado não leva obras. Pode sugeri-las ao Governo e cobrar por elas, mas não levá-las. Não lhes cabe lidar com recursos. Deputado legisla e fiscaliza e, como poder representativo da população, também tem que ser pilar da governabilidade. Mas, pelo modus operandi, preferem usufruir do mensalão legalizado. Pena.
Li, também, que a indefinição quanto à nomeação de nomes indicados para cargos comissionados estaria tornando maior a insatisfação de vários deputados com o governador Caiado. Eles se sentiriam "levados de barriga", como se houvesse desinteresse do governo no atendimento aos seus pleitos.
Parece-me que estão tomados pela insensatez. É da sabência de todos que, primeiro, o Estado está "quebrado" e, segundo, que os gastos com a folha de pagamentos está acima do limite máximo estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Terceiro, que só com a reforma administrativa será possível reestabelecer os parâmetros legais e se promover contratações. Fazê-las agora, aumentando ainda mais o rombo herdado, seria cometer crime de responsabilidade fiscal. Tanto que os aprovados em concursos para áreas carentes estão com as suas nomeações impedidas.
Exigir ilegalidade administrativa do governador para materializar indicações, mais que insensatez, será atestado de irresponsabilidade e atentado à lei, à moral e aos bons costumes. Alegações ouvidas dão conta de que estariam sendo alvos de ataques adversários, de que não teriam força alguma junto ao novo governo.
Que pensem em Goiás e esqueçam essas coisas da politicalha. Em política séria, tudo é feito à sua hora. Bobagem se preocupar com as viúvas da irresponsabilidade que as amamentou por muito tempo. Elas estão com as bocas secas. Perderam as tetas.
Espera-se que a normalidade administrativa se dê a curto prazo, em todos os níveis, para o desafogo do presidente e dos governadores. Neste status quo, estão comendo o pão que antecessores irresponsáveis amassaram.
P. S. - A fé em Cristo faz renascer esperanças e nos dá força para a construção dos nossos sonhos e ideais. Tenha fé nELE, mas também a tenha em você. Tudo está em suas mãos. Acredite e vença. Feliz Páscoa!
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