13 de jul. de 2026

NÃO FALTA ELEITOR. FALTA CANDIDATO

O dado mais importante da pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira: há demanda para a terceira via. Faltam nomes. Em outras palavras, a demanda existe, mas a oferta política ainda não apareceu.

A análise dos números revela três movimentos simultâneos: 1º) - 36% preferem um candidato apoiado por Lula; 2º) - 32% preferem um candidato apoiado por Bolsonaro; 3º) - 27% gostariam de alguém que não fosse ligado nem a um nem a outro. É o maior percentual da série histórica.

Esse dado, por si só, já é relevante. Mas o mais interessante vem depois. Quando esses mesmos eleitores são colocados diante dos nomes disponíveis, menos da metade deles vota, de fato, em candidatos identificados com uma terceira via. Uma parcela acaba migrando para Lula ou Flávio Bolsonaro, enquanto outra prefere votar em branco, anular ou permanecer indecisa. É daí que vem a frase conclusiva da pesquisa: tem demanda, mas não tem oferta.

Politicamente, isso significa que existe um espaço eleitoral que ninguém conseguiu ocupar de maneira convincente. Não basta o eleitor dizer que deseja uma alternativa. É preciso que apareça alguém capaz de reunir algumas características ao mesmo tempo, como ser conhecido nacionalmente, transmitir capacidade de governar, diferenciar-se da polarização e convencer esse eleitor de que seu voto não será "desperdiçado".

Até agora, segundo a pesquisa, nenhum dos nomes apresentados conseguiu fazer isso. Os candidatos alternativos permanecem em um dígito nas intenções de voto, apesar do crescimento do desejo por uma alternativa.

Esta é, sem dúvida, uma situação curiosa. Quase três em cada dez eleitores dizem querer fugir da polarização entre lulismo e bolsonarismo. É um contingente suficiente para levar qualquer candidato competitivo ao segundo turno. Mas esse eleitor olha para a vitrine, não encontra quem o represente e acaba voltando aos polos tradicionais ou desistindo do voto útil. A demanda existe. O produto ainda não apareceu.

Essa talvez seja a principal mensagem da pesquisa: o centro político não morreu; ele continua procurando um intérprete. A dúvida é se ainda haverá tempo para que alguém ocupe esse espaço, antes que a lógica da polarização volte a prevalecer na campanha.


QUANDO O DINHEIRO PERDE O SOBRENOME








Há coisas que o Brasil insiste em normalizar, mas que jamais deveriam ser consideradas normais. Uma delas é a distribuição de bilhões de reais do Orçamento sem que o cidadão saiba quem, de fato, indicou o destino do dinheiro.

O novo relatório da Transparência Brasil mostra que R$1,3 bilhão em emendas de comissão da Câmara, em 2025, foi registrado em nome de lideranças partidárias, ocultando os parlamentares responsáveis pelas indicações.

PP, União Brasil, PL, Republicanos, Avante, Solidariedade e Podemos aparecem no levantamento. Em 2026, o PT também passou a figurar nesse modelo, segundo a entidade. Ou seja, o problema não tem ideologia. Tem falta de transparência.

Dinheiro público precisa ter CPF político. O contribuinte tem o direito de saber quem destinou cada centavo, para onde foi e por quê. Quando o autor desaparece, desaparece também a responsabilidade.

A Constituição consagrou o princípio da publicidade dos atos da administração. O que permanece escondido dificilmente pode ser fiscalizado.

O Supremo Tribunal Federal já exigiu maior transparência nas emendas parlamentares em diversas decisões. Talvez tenha chegado a hora de enfrentar definitivamente esse novo modelo, porque o orçamento público não pode continuar sendo um jogo de sombras.

Emendas com as atas indisponíveis e com indicações irrastreáveis, diz o relatório. Absurdo. Quando a ata desaparece e a autoria some, a transparência entra em férias. Com o detalhe: o problema não é apenas o dinheiro. É o anonimato de quem manda no dinheiro dos outros, no dinheiro dos outros.

Esse, para mim, é o verdadeiro escândalo. Não é se a emenda foi para um hospital, uma ponte ou uma praça. É que, numa democracia, o dinheiro público não pode ser órfão de autoria. Quem indicar deve assinar. Quem assina responde. Essa é a essência da responsabilidade pública.

Até quando?


O DINHEIRO SAIU. E AS METAS?

O Tribunal de Contas da União trouxe um alerta importante ao analisar as contas do governo federal de 2025. Segundo o TCU, o Plano Plurianual ficou abaixo do desempenho esperado no cumprimento das metas. Apenas metade dos objetivos previstos foi integralmente alcançada.

A maior preocupação apareceu justamente em duas áreas prioritárias. Na Saúde, somente 16,7% dos objetivos específicos atingiram as metas estabelecidas. No Novo PAC, apenas 23,1% das entregas previstas foram totalmente cumpridas.

O próprio Tribunal registra que programas que receberam bilhões de reais apresentaram resultados inferiores ao esperado.

Também aponta diversas causas para isso: atraso na aprovação do orçamento, dificuldades operacionais, limitações de estados e municípios, processos licitatórios complexos e dependência crescente das emendas parlamentares.

O dinheiro público não deve ser medido apenas pelo valor gasto. O cidadão espera resultados, porque orçamento aprovado não significa obra concluída e nem recurso empenhado representa atendimento realizado.

No fim, a pergunta continua simples: Quanto foi gasto? E, principalmente, quanto foi entregue?


DA CARTA À QUARENTENA POLÍTICA

 

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro representa mais um capítulo de uma disputa que deixou de ser apenas jurídica para produzir efeitos políticos imediatos. A medida atinge diretamente o principal elo entre Bolsonaro e o ambiente externo, justamente num momento em que o país entra na reta decisiva da campanha presidencial.

O fundamento da decisão é conhecido. Segundo Moraes, Flávio teria utilizado o direito de visita para obter uma carta escrita pelo pai e divulgá-la nas redes sociais, o que, na interpretação do ministro, configuraria uma forma indireta de descumprimento da proibição imposta ao ex-presidente de utilizar plataformas digitais, inclusive por intermédio de terceiros.

Curiosamente, uma estratégia que parecia destinada a manter Jair Bolsonaro presente no noticiário acabou produzindo o efeito inverso: ampliou o rigor das restrições e reduziu ainda mais os canais pelos quais suas manifestações podem chegar ao público.

A política ensina, repetidas vezes, que forma e conteúdo caminham juntos. Às vezes, a mensagem importa menos do que o meio utilizado para transmiti-la e, neste caso, foi justamente o caminho escolhido para divulgar uma carta que acabou se transformando no centro da controvérsia.

O mérito das decisões judiciais continuará sendo discutido por advogados, tribunais e analistas. O fato objetivo, porém, é inequívoco: a carta gerou uma reação do Supremo, endureceu as restrições impostas ao ex-presidente e alterou, pelo menos por ora, a dinâmica política da família Bolsonaro em pleno período pré-eleitoral.


O ACASO, A GENIALIDADE E A CAMISA 10

Hoje, vestir a camisa 10 é um privilégio reservado aos craques. Mas nem sempre foi assim. A história dessa mística começou por um acaso na Copa do Mundo de 1958.

A Confederação Brasileira de Desportos (CBD) esqueceu de enviar à FIFA a numeração dos jogadores da Seleção Brasileira. Coube à entidade distribuir os números aleatoriamente. O jovem Pelé, então com apenas 17 anos, recebeu a camisa 10.
O restante da história o mundo conhece. O brilho do Rei do Futebol transformou um número comum em símbolo de genialidade, criatividade e liderança dentro de campo.
Depois vieram outros grandes artistas, como Diego Maradona e Zico, que reforçaram a lenda. E Messi. A camisa 10 deixou de ser apenas um número para representar o jogador capaz de decidir partidas, criar jogadas inesperadas e comandar a equipe.
Hoje, dizer que alguém é um "camisa 10" já não é apenas uma referência ao futebol. Tornou-se um elogio a quem faz a diferença, lidera, inspira e se destaca em qualquer atividade. Tudo isso porque, um dia, um garoto chamado Pelé vestiu, por acaso, uma camisa que mudaria para sempre a história do esporte.

12 de jul. de 2026

Outra carta, a mesma pergunta

 

A segunda carta de Jair Bolsonaro em apoio à candidatura presidencial de Flávio acabou produzindo um efeito político inesperado. Em vez de apenas reforçar o nome do senador, abriu espaço para um questionamento explorado imediatamente por Ronaldo Caiado.

Para o ex-governador de Goiás, quando um candidato precisa recorrer novamente ao pai para provar que está preparado para governar o País, transmite uma imagem de fragilidade. "É uma eleição para presidente da República. Cada um tem que mostrar sua capacidade", resumiu Caiado.

É claro que Bolsonaro continua sendo o maior patrimônio eleitoral de Flávio. Ser apoiado pelo ex-presidente rende votos, mobiliza a militância e ajuda a manter unido o eleitorado bolsonarista.

Mas a política também tem suas sutilezas. Quanto mais um candidato depende do prestígio de outro para se afirmar, mais os adversários insistirão na tese de que lhe falta protagonismo próprio.

A carta pretendia fortalecer Flávio. Acabou reacendendo uma pergunta que certamente voltará durante toda a campanha: onde termina a força do apoio de Bolsonaro e começa a liderança do próprio candidato?

Flávio e a carta de “papai”: embate jurídico

 


Na política, nem sempre o fato mais importante é o que aconteceu, mas a interpretação que nasce dele.

A divulgação, por Flávio Bolsonaro, de uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro abriu uma nova frente de debate. A decisão do ministro Alexandre de Moraes proíbe Bolsonaro de utilizar redes sociais direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros. A dúvida é se a leitura pública da carta caracteriza ou não o descumprimento dessa determinação.

Juristas divergem. Há quem entenda que Flávio atuou como porta-voz do pai e que isso pode justificar uma revisão da prisão domiciliar. Outros sustentam que a divulgação foi iniciativa exclusiva do senador e que a medida judicial não teria sido violada.

No campo político, as interpretações também se multiplicam. Uns enxergam uma estratégia de enfrentamento ao Supremo. Outros veem uma tentativa de mudar o foco do noticiário. Por enquanto, tudo isso permanece no terreno das hipóteses.

Os fatos são poucos. As interpretações são muitas. E, em política, como na matemática, o desafio é não esquecer que dois mais dois continuam sendo quatro.


Uma Copa do Mundo para mais gente

 

A Fifa mal estreou a Copa do Mundo com 48 seleções e já admite discutir um novo aumento: 64 países na edição de 2030. A proposta divide opiniões. Há quem veja um avanço para o futebol mundial. Outros acreditam que o torneio corre o risco de perder parte da sua exclusividade.

O argumento de Gianni Infantino faz sentido. O futebol cresceu em todos os continentes. Seleções africanas, asiáticas e da Concacaf deixaram de ser meras figurantes. Nesta Copa, mostraram organização, competitividade e provaram que a diferença para as potências diminuiu bastante.

Dar oportunidade a mais países também significa estimular investimentos nas categorias de base, na formação de atletas e na infraestrutura esportiva. Quando um povo acredita que pode chegar ao Mundial, trabalha para transformar esse sonho em realidade.

Por outro lado, a Copa do Mundo sempre foi especial justamente porque era difícil chegar até ela. Classificar-se representava uma conquista extraordinária. Se a porta ficar larga demais, será que o prêmio continuará tendo o mesmo valor?

A Fifa terá de encontrar esse equilíbrio. O Mundial precisa ser cada vez mais universal, mas sem perder a qualidade técnica, a emoção e o prestígio que o transformaram na maior competição esportiva do planeta.

No fim das contas, a pergunta é simples: queremos uma Copa apenas dos melhores ou uma Copa verdadeiramente do mundo? Talvez exista um caminho capaz de unir as duas coisas.

A guerra chegou a Catalão

Efeito das "Trumpalhadas".

A guerra parece distante quando a vemos pela televisão. Mas ela não respeita fronteiras. O que Vladimir Putin faz na Ucrânia e o conflito bancado por Trump e Netanyahu, envolvendo Israel, Irã e outros atores no Oriente Médio, espalham insegurança pelo mundo. Países que nada têm a ver com essas decisões acabam pagando a conta. O Brasil é um deles. Goiás também. Catalão igualmente.

Uma das vítimas dessa realidade é a Mosaic. O enxofre, matéria-prima indispensável à produção de fertilizantes e que importamos de lá,  principalmente, tornou-se escasso e caríssimo. Antes dos conflitos, a tonelada custava entre 100 e 300 dólares. Hoje, com a instabilidade na região e os reflexos sobre as rotas de abastecimento, chega à faixa de 1.200 dólares. O "S" do fertilizante foi derrotado pelo peso do outro "$": o símbolo do dinheiro.

As consequências chegaram ao nosso quintal. Araxá e Patrocínio encerram atividades. A misturadora do DIMIC, em Catalão, fecha as portas. E o processo de desativação de unidades em Catalão e Ouvidor ameaça cerca de 1.800 empregos diretos e indiretos. Quando uma fábrica fecha, não perdem apenas os trabalhadores. Perdem as famílias, o comércio, os prestadores de serviço e toda a comunidade.

Gosto de usar este espaço para falar de esperança, de conquistas e de sorrisos. Hoje, infelizmente, ele é ocupado pelas lágrimas, porque a guerra, mesmo travada a milhares de quilômetros de distância, acaba encontrando um caminho para vir bater à nossa porta.

9 de jul. de 2025

Nem raposas, nem galinhas. É hora de povo nas ruas

A economia brasileira tenta dar sinais de vida. O PIB cresceu acima do esperado em 2024, o agronegócio mantém seu vigor e o consumo das famílias ainda sustenta parte da atividade. Mas há um teto sombrio visível sobre esse crescimento — e ele se chama Congresso Nacional.

O Brasil precisa urgentemente de reformas estruturais. Uma reforma tributária ampla e justa, que simplifique impostos e destrave investimentos. Uma reforma administrativa, que reduza privilégios e torne o Estado mais eficiente. E uma reforma política, que diminua a fragmentação partidária e acabe com a indústria das emendas e do toma-lá-dá-cá.

Mas nada disso anda. E o motivo é simples: os responsáveis por mudar o sistema são justamente os que se beneficiam dele.

No Congresso, o jogo é outro. O foco não é o país — é o próprio mandato. Em vez de discutir o Brasil do futuro, discutem-se verbas, cargos, emendas bilionárias e disputas de poder. O sistema premia o clientelismo e penaliza quem ousa desafiar o status quo.

Enquanto isso, o país cresce pouco, com juros altíssimos, inflação resistente, indústria sufocada e serviços públicos que não entregam o básico. O setor produtivo segue engessado. O investidor hesita. E o povo espera.

O Brasil não precisa de mais discursos. Precisa de ação. E para isso, é preciso coragem política — e pressão popular.

Porque não haverá um novo Brasil sem um novo Congresso. E isso começa no voto — mas também na vigilância, na cobrança e na mobilização da sociedade.

Povo que não se mexe se confessa satisfeito. As coisas não podem continuar como estão. É hora de ir às ruas, não por falsos líderes, mas pelo Brasil.


17 de fev. de 2022

"Urbanicídio": a AGM precisa prevenir o interior

 Para que as cidades do interior não cresçam sem planejamento e de forma desordenada, como se dá na Capital, é de vital importância que ações preventivas sejam adotadas imediatamente. 





16 de fev. de 2022

A balada dos urbanicidas

A esperança salvadora é o veto do prefeito Rogério Cruz. Espera-se que prevaleça o bom senso e que o pacote da eutanásia de Goiânia, aprovado pela Câmara Municipal, seja devolvido. Está nas mãos do prefeito evitar este urbanicídio.