8 de nov. de 2026

TRÍPLICE FRONTEIRA: QUEM VAI PAGAR A CONTA?


No Paraguai, a filha de um ex-presidente envolvido em escândalos de corrupção aparece ostentando uma camiseta com a inscrição “Tax The Poor” — “Taxem os Pobres”. Uma provocação de extremo mau gosto. Enquanto milhões de compatriotas enfrentam dificuldades, a jovem transforma a desigualdade social em deboche. É o retrato da arrogância de uma elite que parece desconhecer o sofrimento do povo.

Na Argentina, Javier Milei prometeu uma revolução econômica. Conseguiu reduzir a inflação, mas o ajuste cobra um preço social elevado. Empresas fechadas, empregos perdidos, famílias endividadas e uma indústria pressionada. O equilíbrio das contas públicas é indispensável, mas uma economia não pode ser considerada saudável apenas porque os números agradam aos credores. De que adianta salvar as contas e abandonar as pessoas?

E o Brasil? Lula falará à nação. O que anunciará? Responsabilidade fiscal? Corte de gastos? Medidas para recuperar a confiança na economia?

A questão fundamental é saber onde o governo pretende buscar os recursos. Nos privilégios e desperdícios da máquina pública? Nas emendas parlamentares bilionárias, na falta de transparência e nas mordomias dos altos escalões? Ou, mais uma vez, no bolso de quem trabalha, produz e paga impostos?

O Brasil precisa de responsabilidade fiscal, sim. Mas precisa, sobretudo, de responsabilidade social. Não se combate a pobreza castigando os pobres. Nem se constrói prosperidade protegendo privilégios.

Do Paraguai à Argentina, chegando ao Brasil, a lição deveria ser a mesma: o povo não pode continuar pagando pelos erros, excessos e privilégios de quem governa.

Afinal, a camiseta da moçoila paraguaia pode ser apenas uma provocação. Mas, em boa parte da América Latina, o “Tax The Poor” parece ter virado política de Estado.



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