Flávio Bolsonaro conseguiu uma façanha política: perdeu a eleição e, em seguida, começou a perder também a batalha pela própria imagem.
A primeira pesquisa Quaest depois das eleições é um verdadeiro banho de água fria nas pretensões do senador. Nada menos que 62% dos brasileiros consideram errada sua decisão de deixar o país. Outros 60% reprovam sua postura diante da derrota eleitoral.
E há um dado ainda mais indigesto: 56% acreditam que ele foi para os Estados Unidos para fugir da Justiça. Não significa que tenha fugido, mas revela como a população interpreta sua atitude.
Flávio tentou transformar a derrota em resistência, a viagem em proteção e a contestação das urnas em bandeira política. Parece ter conseguido o contrário: ampliou a desconfiança.
O mais significativo é que a reprovação não se limita à esquerda. A direita não bolsonarista também está dividida. Isso significa que o sobrenome Bolsonaro já não assegura unanimidade nem mesmo no campo conservador.
Há uma diferença monumental entre liderar uma oposição democrática e tentar deslegitimar uma eleição porque o resultado desagradou. O Brasil precisa de oposição. Forte, responsável, fiscalizadora. Não precisa de políticos que confundam a própria vontade com a vontade popular.
Flávio tem todo o direito de discordar, protestar e fazer oposição. Mas não pode esperar que a sociedade confunda inconformismo com liderança. As urnas lhe disseram não. Agora, a pesquisa mostra que boa parte dos brasileiros também desaprova a maneira como ele recebeu esse não.
Em política, perder uma eleição é normal. Perder a credibilidade pode custar muito mais caro.

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