23 de out. de 2014

As causas de Bordoni x Marconi: a quem interessar possa!

Há leitores que questionam a minha postura crítica em relação a Marconi Perillo. De aliado passei a algoz. Senti que volta e meia será preciso repetir o episódio causal da nossa briga, para que todos entendam o que realmente aconteceu.

Fui dos primeiros a me ombrear com ele, em 1998. Ao fazer opção, o fiz pela amizade e por crer que ali realmente estava se abrindo um novo caminho para a prática política em Goiás. Esse mesmo sentimento que tiveram vários outros companheiros, inaugurando o que acreditávamos ser verdadeiramente o tempo novo. 

Entrei na guerra de corpo e alma. E assinei a minha entrada. Fui o único a colocar no ar, no programa de rádio, a minha vinheta com o meu nome, me identificando com o candidato e com os propósitos dele. 

Acreditei no candidato

Nerso, a arma devastadora de 98
Ano de 1998. Foi gravando o programa do candidato a senador Fernando Cunha, ao comentar sobre a composição da chapa peemedebista – Íris para o governo, Maguito para o Senado e Dona Íris suplente de Maguito –,  que criei a figura da “turma da panelinha”, que o Renato Monteiro e o Leo, da Verbo, materializaram na TV com o talento do Nerso da Capitinga.  Íris tinha 72%, Marconi 6. Viramos e ganhamos a eleição.

A tal panelinha foi a arma decisiva. Ela traduziu para o popular a ambição do adversário. Ela simbolizava o controle da política nas mãos de poucos.  Íris já havia sinalizado para esse pecado, quando ele próprio disputou o Senado, colocando o irmão Otoniel na suplência. 

Vencemos em 98, fomos bi em 2002. Eu não convivia com o governador. Não trabalhei no seu primeiro governo. No segundo, escrevia discursos para ele. Foi por pouco tempo. Depois disso eu só o via na época das campanhas. Eu vivia mais por conta de me defender dos processos que havia conseguido contra mim, por comprar brigas dele,  que nunca perguntou se eu precisava de advogado ou de ajuda para pagar algum.

Na primeira campanha, o meu pega havia sido contra Francisco Agra, o Lilo, ex-prefeito de Itapaci, que havia acusado Marconi de ter desviado verbas da Educação destinadas à cidade dele. Se tornaram inimigos mortais. Ma non tropo. Nessa última vitória, Marconi recebeu Lilo e o pai, prefeito atual de Itapaci, com sorrisos e muitas fotos em palácio.

Nessa campanha fui processado por dois procuradores da República. Eu fui hostil na lida com eles. Foi a ambos que pedi desculpas quando fui à CPMI e publicamente, pela imprensa.

Em 2006, terceira vitória, com Marconi para o Senado e Alcides Rodrigues governador. A quarta foi em 2010. Terminada esta campanha, Marconi ainda me devia 90 mil reais. Incumbiu o seu “faz tudo” Lúcio Gouthier de resolver a pendência. 

Causas do rompimento


Em abril de 2011, Lúcio me telefona e pede o número da conta bancária. Passei o da minha filha, que cuidava de pagar as minhas contas, cuidava de mim. Eu já não dirigia mais, por conta do Parkinson.  
Fui pago em duas parcelas de 45 mil. Depósito feito e o Lúcio ligava informando que estava na conta. Nunca tivemos a preocupação de conferir no extrato geral a autoria do depósito. Se Lúcio ligou informando é porque ele os fez.

Só ficamos sabendo que os depósitos haviam sido feitos por Alberto & Pantoja e Adécio & Rafael (45 mil cada) quando estourou o Cachoeiragate. Eu estava na Bahia, no Polígono das Secas, fazendo uma reportagem, quando minha filha me liga contando que fora citada nacionalmente, por conta disso.

Eu estava em Poções, na Bahia, quando fui localizado por um repórter do Estadão. Ele queria saber sobre os pagamentos. 

Contei que havia feito a campanha do PSDB, que aquele dinheiro se referia ao que me era devido e que jamais havia ouvido falar nos tais depositantes, pois era ao Lúcio que o número da conta havia sido passado e que achava ter sido ele o autor dos pagamentos.

Não citei o nome de Marconi, mas a campanha do PSDB. O repórter liga no Palácio. O assessor que o atendeu, ao invés de responder que assuntos de campanha são com o partido, que se ligasse para o PSDB, preferiu emitir uma nota oficial refutando afirmações que eu não tinha feito e chamando-me de irresponsável, leviano e mentiroso. E o que é o pior: eles mesmos colocaram o governador na dança. Eu não havia falado em Marconi, mas em PSDB. O jornal havia falado no governador, não eu.

A jornalista Fabiana Pulcineli me localizou em Vitória das Conquista, Bahia, e me contou detalhes da nota, aos quais respondi, através do programa que ela tem na CBN. Eu disse que os extratos telefônicos comprovariam as ligações feitas por ele a mim.  

O palácio emitiu outra nota, se enrolando mais na história: disse que eu havia ligado para o Lúcio e pedido empregos para as minhas filhas. Ora, se eu era amigo do governador, falava com ele a hora que queria, porque iria pedir a um subalterno para pedir empregos?    

O extrato comprova as ligações feitas por Lúcio a mim.  As gravações da polícia federal mostram Cachoeira falando do depósito feito em meu nome, o Wladimir Garcez ("assessor" de Cachoeira) falando em pegar número com Lúcio.

Usando certos jornais, os áulicos palacianos tentaram me destruir, moral e socialmente. Nenhum jornalista desses veículos me ligou para ouvir o meu lado.

Falso e farsante

Marconi foi à CPMI e disse ser eu "figura controversa", que havia pagado a mim 33 mil, conforme nota anexa, blablablá. Mentiu. Na tal nota sequer meu nome consta. Fui eu à CPMI e o desmenti, desafiei a todos que viessem para um cara a cara, olho no olho, mas correram. No ínterim da perlenga, fui tomando conhecimento de coisas feitas por Marconi e das quais eu não sabia. Eu só o encontrava nas campanhas. 

Ele me processou, mas não ao SERPES, que também havia sido pago por Alberto & Pantoja.  Foi por conta disso que brigamos. Fiz trabalho limpo e fui pago com dinheiro sujo. Ele mentiu, traiu, foi desleal.

Usa jagunçosnet para me atacar com os seus blogs, quando não recorre a bêbados e tão suspeitos quanto ele para me caluniar. De 1998 a 2010, eu era “o cara”, o bom, o melhor do rádio. Depois do episódio, passei a ser o que não valho nada, sem credibilidade, leviano, mentiroso. 

As pessoas de bem e do bem me conhecem. Sou jornalista, radialista, bacharel em Direito e com especialização em Ciência Política. A mim foram conferidos, por lei, os títulos de Cidadão Goiano e Goianiense. Sou, também, titular da Academia Goianiense de Letras, cadeira 33. Ah, e também sou Comendador (Ordem do Mérito Anhanguera).

Nunca fui chamado de ladrão, de corrupto, suspeito de “mamar” em aditivos, e nem estou sendo investigado por conta de cobrar propinas, por formar Caixa 2, por tomar dinheiro da Delta, por tomar dinheiro de dono de cartório, por ligações com jogos ilegais e jogo do bicho etc..  

EIS A VERDADE DOS FATOS

Incluamos no roteiro da reportagem o dado confirmado pelo extrato:

No dia 12 de abril de 2011, Carlos Cachoeira liga para Vladmir Garcez pedindo os números de contas bancárias, para que fossem feitos alguns depósitos.

Wladmir diz a Cachoeira que vai pegar os números com o Lúcio e que depois repassa para ele. 

Wladmir liga para o Lúcio, pedindo os números das contas onde queria que fossem feitos depósitos. Lúcio lhe disse que era a mim que deveria pagar, mas que não tinha o número de minha conta bancária. Foi quando ele ligou da casa dele (3215-xxxx) para o meu celular (8421-xxxx) perguntando em que conta deveria ser feito o depósito. Eu lhe disse que na de minha filha Bruna, e lhe passei o banco, a agência e a conta.

Dois dias depois, Cachoeira liga para o Wladmir informando que "o do Bordoni já foi feito. Agora precisa me passar os demais".

O extrato telefônico mostra as quatro vezes em que Lúcio tentou falar comigo no dia 12/04/2011, só conseguindo na última chamada. Destacados em amarelo aparecem o nome e o telefone dele (3215-....), a data, o meu nome e o número do meu telefone (8421-7045).  Era o documento que faltava e eu havia pedido à CPMI para que o obtivesse, dada a demora pela via  judicial.  


A reportagem do SBT já havia antecipado a confirmação da origem do depósito. Vale repeti-la mais uma vez.   


CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA SOBRE O PAGAMENTO.


DETALHE: O juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 7ª Vara Cível, desentranhou do processo essas duas provas que eu tinha: o extrato telefônico comprovando as 04 ligações de Lúcio para mim e o DVD com a reportagem do SBT mostrando como Cachoeira depositou o dinheiro em minha conta. Optou por ficar com a versão de que o governador e seu assessor Lúcio Fiúza não tiveram nada com isso. 


27 de mar. de 2014

Glória não é Glorinha


Glória Brito Miranda Ribeiro. Esta Glória aí não é Glória Edwiges Miranda Coelho, a Glorinha, secretária particular do governador Perillo. São xarás, são parentes, são do Tocantins. E só. Glorinha, muito discreta, não tem fotos na mídia. É muito na dela. A ela peço desculpas, pois a quase homonímia me levou a erro, pelo qual me penitencio e renovo, como renovarei sempre, as minhas escusas    

Parecia que os homonímicos preponderavam no Palácio das Esmeraldas, o que permitiu à minha "fonte" armar duas situações difíceis para mim.  Me fez errar em relação à Glória e, também, no caso das "duas Elianes", quando se tratava da mesma Eliane Gonçalves Pinheiro, amiga de Cachoeira. Era a que tinha o famoso radinho e assessorava o governador. Foi chamada a depor na CPMI, mas optou pelo silêncio. 

Esta é a Eliane que assessorava Marconi


Pois bem. Esta Eliane aí da foto, ao lado do advogado dela, o Luiz  (grande profissional) - especula-se que será candidata a deputado -  tem a ver, sim, com a sorridente Eliane Pinheiro (foto abaixo), que mostrei como sendo outra, mas que, na verdade, se tratava da mesma. 


Eliane II é a mesma Eliane I
Já a Glória Brito Miranda Ribeiro é homônima da Glorinha, secretária particular do governador Marconi Perillo.  A diferença é que esta tem a mais no nome o Edwiges, que ela não usa e nem gosta. São parentes, também aparentadas de Marcelo Miranda, ex-governador do Tocantins.


Fica esclarecida a pergunta que fiz ao governador. O dinheiro da outra Glória é problema da outra Glória. Mui humildemente, me penitencio, pedindo milhões de escusas à Glorinha pelo dissabor da confusão. 

8 de out. de 2013

Barbarella, futebol e memórias. Ripa na xulipa!

Jane Fonda, em Barbarella

Rádio esportivo goiano. Saudade dos bons e velhos tempos. Idos de 1969.  Jane Fonda era a musa do cinema. Acabava de estrelar Barbarella. O filme começa com ela, flutuando em ambiente de gravidade zero, se despindo do traje de astronauta, restando quase desnuda. (VEJA AQUI)

O Campeonato Goiano começava quente. Introduzi o termo “Goianão”, mania nossa de São Paulo  de colocar as coisas no superlativo. Criei, também, Verdão/ Verdinho, Tigrão/Tigrinho and others. No noticiário dos clubes, adotei o uso dos hinos de cada um. O Goiás não tinha o dele – só mais tarde, no início da era do Serra Dourada, é que o presidente Iberê Monteiro o encomendou a Marcos e Paulo Sérgio Valle, compositores de primeiro time nacional – são os autores da maravilhosa “Viola Enluarada”.

Salve a Sant`Anna das Antas


Anápolis: desfile dos novos modelos Chevrolet  ano 70

A cidade de Anápolis veio com tudo – eram os tempos de Paulo Choco, do Ipiranga, e de Nelson Parrilla, do Galo (Anápolis). Parrilla que foi o artilheiro do campeonato em 65 e 66 – e lembremos que o Anápolis foi o campeão goiano de 1965. Completando a força da Manchester na disputa, eis a rubra Anapolina, também  chamada de “Xata” com “X”, mas nada a ver com a embarcação homônima.

Soube, pelo autor da denominação, que a tal nasceu da marca de tampa de vaso sanitário. A Anapolina ia jogar em Ceres. Numa das paradas, usando o banheiro, Jamil Caixe, que era diretor do time, gravou a curiosa marca do assento do vaso: Xacta. E saiu de lá dizendo que a Rubra ia ser “Xacta”, aprontando contra o Ceres, lá no Vale do São Patrício.

Se materializou o vaticínio, não sei. Mas Xacta logo virou “Xata”, porque os jornais começaram a escrever ”Chata” com “ch”, desvirtuando o cognome, e Jamil mandou corrigir: “O nosso `Xata `é com x``”. Alegaram que estava errado, que “Xata” era embarcação fluvial etc.. O beduíno, meu amigo, simplesmente respondeu: “É Xata com x`. Até nisso ela é chata”.

Recuerdos de la Cataluña


Catalão/GO

Mas a sensação da época era o CRAC, de Catalão. Pedrinho Goulart, diretor de futebol. Nelson Gama, o goleiro. Tinha tal de Toninho Índio (que foi o artilheiro daquele ano, com 14 gols) e um centroavante chamado Cláudio, que só não faziam chover.

Jogar na Catalunha goiana era o mesmo que pegar touro a unha, como diz a marchinha de Carnaval. Primeiro, porque o estádio era (e ainda é) uma arapuca. A galera em cima do campo e em permanente ebulição. Aplausos para o CRAC, vaias para o adversário, elogios à mãe do juiz e à mãe do comentarista que disse estar certa a marcação da arbitragem. Na época, a cidade ainda tinha fama de Trezoitão.

Chatanooga Choo Choo

Lembro-me da primeira vez que lá estive, em 69, para transmitir Vila Nova e CRAC. O Draulas  Vaz, chefe da Equipe 1.320 (hoje, 730) iria de carro no domingo, pela manhã, juntamente com o Jadir Santos, ótimo narrador, irmão do Jurandir. 
 
A estação de Catalão

Fui no sábado, de trem. Eu e o saudoso Nunes Macedo, da Rádio Brasil Central. Vivi em trens, em São Paulo, quando os havia. Lá, a bitola era larga, o trem balançava menos. O daqui, bitola estreita. No vagão restaurante, as mesas tinham  locais para que copos e garrafas fossem colocados, sem que derramassem ao sacolejar.

Para comer, era uma ginástica só. Passamos a noite jogando baralho. Ninguém conseguia dormir. Não havia vagão-dormitório, só o de poltronas-leito. Sei que saímos de Goiânia por volta de nove da noite e chegamos a Catalão já na aurora dominical.


Trem de ferro. Os carcamanos que administraram este país acabaram com ele. No Brasil inteiro. Catalão tem, ainda, o patrimônio histórico dos velhos tempos: a sua estação. E também as têm as demais cidades à margem da ferrovia.

Trens de carga passam por ali. Já não mais existem gentes nas janelas dos vagões, parecendo um desfilar de retratos  de pessoas, numa composição em que a vida imita a arte. Já não há sorrisos em chegadas e nem lágrimas em despedidas. E nem beijos fugazes. Os descalabros dos governos “mataram” as pessoas nos trens. Mataram as nossas ferrovias. Alguém foi preso?

Tempinho bom



Voltemos ao pé-na-bola. CRAC  e Vila, Estádio Genervino da Fonseca. Estávamos no dia 8 de março de 1969, um domingo. Placar final: 1 a 1. A coisa era por pontos corridos.

Voltaram a jogar e a repetir o placar no dia 3 de agosto, no Estádio Olímpico. decidindo o campeonato. 1 a 1. Vila Campeão. Somou 26 pontos, contra 25 do Leão do Sudeste. A Anapolina ficou na lanterna.

Ano de 1969, 10 clubes disputavam o Goianão. E eu me fiz torcedor do Goiânia, que tinha Chico, Silvinho e Tuíra e foi o campeão de 1968. Nei Fernandes, depois comentarista com quem tive a satisfação de trabalhar, era o seu treinador. 
Que saudade daquele tempo, quando Goiânia tinha 300 mil habitantes e ótima qualidade de vida. Quando era grande cidade e não esta cidade grande habitada mais por carros do que por pessoas.

P. S. - Assassinatos das ferrovias. Governantes que fazem isto só podem merecer cadeia, prisão perpétua. 













29 de dez. de 2012

Memórias: como nasceram a Vila e o Vila Nova


Ano de 1934. A cidade em construção. O ditador regional, Pedro Ludovico Teixeira, cumpria ao pé da letra o propósito do ditador nacional, Getúlio Vargas: erguer nas terras doadas por Andrelino José de Moraes, o último prefeito da Campininha, a nova Capital do Estado e marco inicial da Marcha Para o Oeste – a primeira ação de Estado pela interiorização do desenvolvimento.

Getúlio e Pedro Ludovico, em 1940
 Nenhum tostão seria gasto não tivesse Pedro as suas rusgas com o bispo de Silvânia, respeitável liderança eclesiástica e em gozo de invejável influência política no Estado. Já estava certo de que ali seria a nova Capital goiana. Seria.

Contam que, em dezembro de 1932, portanto há 80 anos, Pedro baixara decreto constituindo uma comissão que, sob a presidência do então bispo de Goiás, Dom Emanuel Gomes de Oliveira, iria escolher o local onde seria edificada a nova cidade-sede do governo. Os trabalhos foram iniciados em 03 de janeiro de 33. Por sugestão de um de seus membros, o Coronel Antônio Pireneus de Souza, alguns técnicos foram designados para promover os levantamentos topográficos, climáticos e hidrológicos nas regiões de Bonfim, hoje Silvânia, Pires do Rio e Campinas, hoje bairro goianiense.  

Bonfim possuía os dois maiores internatos católicos, para meninos e meninas. Dom Emanuel havia transferido o seu bispado de Goiás para lá e, com a sua influência, obtivera a obra transformadora da região: a inclusão do município no traçado da Ferrovia Centro-Leste. Nova sede da diocese, centro produtor de grãos beneficiado com a ferrovia conseguida pelo religioso e principal núcleo educacional do Estado também graças à Igreja, quando soube que a comissão técnica presidida pelo bispo havia optado pela escolha de Bonfim, Pedro “empinou” o velho pangaré.

Dizem que o caudilho teria chamado os engenheiros João Argenta e Jerônimo Fleury Curado e também o médico Laudelino Gomes de Almeida, exigindo deles a aprovação da Campininha. O bispo que fosse reclamar com o Papa. Com tais pareceres, Pedro teria arranchado no Catete, na tentativa de convencer Getúlio a apoiar a escolha. De acordo com os relatórios dos técnicos, tanto em Campinas quanto em Silvânia seriam necessários gastos dispendiosos para adequar uma delas à função que lhe caberia. O ditador optou por uma solução bem mais adequada ao seu propósito: ao invés de gastar muito para preparar uma das duas cidades, melhor construir uma nova, ao lado da Campininha, não magoando ao bispo e nem ao amigo e companheiro.

Getúlio lhe teria dado os 40 mil contos de réis e Pedro, pelo Decreto nº 3.359, de 18 de maio de 1933, determinou que a região às margens do Córrego Botafogo, compreendida pelas fazendas denominadas “Criméia”, “Vaca Brava” e “Botafogo”, no então Município de Campinas, fosse escolhida para nela ser edificada a Nova Capital do Estado. Entre outras medidas, enumerava o ato que a transferência se operasse no prazo máximo de dois anos.

5 de junho de 1942, a inauguração

Os trabalhos de preparo do terreno foram iniciados em 27 de maio de 33 e, no dia 24 de outubro do mesmo ano, se deu o lançamento da pedra fundamental, onde hoje se situa o Palácio das Esmeraldas.  Pedro escolheu o 24 de outubro por ter sido nesta data, em 1930, que Getúlio consolidou o golpe que derrubou o presidente Washington Luís, sagrando-se vitoriosa a revolução. Nesta data Pedro, preso, estava sendo levado de Rio Verde para a Cidade de Goiás, quando os revoltosos dominaram as forças legalistas, colocando em liberdade todos os companheiros detidos.

Esta a razão da escolha da data para o lançamento da pedra fundamental e que, depois, se oficializou como a de fundação da cidade, que, na verdade, seria dia 5 de junho de 1942, dia do seu batismo cultural (inauguração).

A bronca do “velho”

Lavrei este enorme preâmbulo só para contar que, durante a construção da cidade, Getúlio aqui esteve para ver de perto o andamento das obras. Gostou de tudo o que viu, menos quando desceu até a região onde hoje se situa o Parque Mutirama. Bem às margens do Botafogo estavam erguidas dezenas de choças de palha, locais onde residiam os trabalhadores trazidos para a empreitada. Eram pedreiros, serventes, carpinteiros, eletricistas, encanadores etc., que ali habitavam com suas mulheres e filhos.

Ranchos de palha para os peões
 Getúlio ficou muito bravo – o próprio Pedro mo disse – exigindo que o interventor providenciasse com a máxima urgência moradias que respeitassem a dignidade de todos. Foi assim que, do outro lado do córrego, surgiu o primeiro conjunto habitacional da cidade. Aos seus moradores, quando alguém lhes perguntava onde viviam, a resposta que davam era a mesma: “Moramos na vila nova”.

Quando os operários calçaram chuteiras para as peladas futebolísticas, logo um dos adversários passou a ser o pessoal lá da vila nova. De referência a vila nova se tornou bairro da Vila Nova e o elenco de operários peladeiros resultou no Operário da Vila Nova e, em 1943, passou a ser somente Vila Nova Futebol Clube, por obra e arte do Coronel Frazão (vide militar fardado na foto histórica do time).


Da bronca de Getúlio nasceram o bairro e o time, mas ninguém faz reverência ao velho ditador, nem mesmo pela ideia de mandar fazer a cidade. Não se declamam loas a ditadores e nem se entoam hinos em louvor.

São fatos e memórias do meu arquivo implacável.