Há alguma coisa profundamente errada com a humanidade. Nunca tivemos tanto conhecimento, tanta tecnologia, tantos recursos para melhorar a vida. Paradoxalmente, nunca pareceu tão difícil praticar o mais elementar dos sentimentos: o amor ao próximo.
O mundo evoluiu nas máquinas, mas parece ter regredido nos sentimentos. Encurtamos distâncias, mas ampliamos abismos. Aprendemos a conversar com inteligências artificiais, mas estamos desaprendendo a dialogar com os nossos semelhantes.
A corrupção desafia a ética, a mentira disputa espaço com a verdade e a intolerância transforma diferenças em inimigos. O preconceito, a xenofobia, o racismo e a discriminação encontram terreno fértil numa sociedade que parece ter perdido a capacidade de respeitar.
E há algo ainda mais assustador: a banalização da crueldade. Pessoas comemoram tragédias, justificam guerras, aplaudem perseguições e desejam o sofrimento de quem pensa diferente, como se a divergência política, religiosa ou ideológica fosse motivo suficiente para negar ao outro a condição de ser humano.
Estamos formando gerações extraordinariamente preparadas para dominar tecnologias, mas nem sempre educadas para compreender a solidariedade, a compaixão e a fraternidade.
Precisamos resgatar valores que não deveriam envelhecer: honestidade, respeito, responsabilidade, justiça, tolerância e dignidade. Valores que começam no berço, amadurecem na escola e precisam ser cultivados diariamente na convivência social.
Não basta exigir ética dos governantes enquanto toleramos pequenas desonestidades no cotidiano. Não adianta condenar a violência das guerras, enquanto cultivamos guerras particulares nas famílias, nas ruas e nas redes sociais.
Precisamos de menos arrogância e mais humildade. Menos ódio e mais compreensão. Menos indiferença e mais solidariedade. Menos preocupação em vencer discussões e mais disposição para construir a paz. Sim, porque, se continuarmos avançando em tudo, menos na capacidade de amar, poderemos conquistar outros planetas sem sequer merecer aquele em que vivemos.

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