23 de mai. de 2015

Governador do Rio usa arma biológica contra índios

Este é o Lago Frei Leandro que, em 1575, fazia parte do reduto
dos tamoios. A foto é de Marc Ferrez (1890)

Um pouquinho de coisas da História. Voltemos ao passado, a 1575, ano em que Antônio Salema assumiu o governo da Capitania do Rio de Janeiro e parte sul do Brasil. Português natural de Alcácer do Sal, tal Salema era um jurista formado em Coimbra e se destacava pela arrogância, prepotência e pelo ódio mortal que nutria pelos nossos indígenas.  

Tão logo assumiu, tomando ciência das leis então vigentes, eis que descobre uma editada pela Metrópole e que lhe deu meios para consolidar as suas ambições. A referida lei isentava de impostos, por dez anos, quem erguesse engenhos de cana de açúcar no Brasil. 

Ali no Rio só havia um, construído em 1573, de propriedade do  governador antecessor, Cristóvão de Barros, o dono de Magé e, à época, Provedor da Fazenda Real. Um só engenho fazia do dono o poderoso maior, o que aumentou ainda mais as suas ambições. 

Só que havia um porém: as terras boas, com água em abundância (Lagoa, Leblon, Jardim Botânico) estavam ocupadas pelos tamoios, já incomodados pela agitação e desejosos de atacar as cariocas (em tupi, carioca = casa do homem branco). Pensavam em “jantar” os brancos, mas, na verdade, acabaram sendo “almoçados” por eles. 

Salema, simplesmente, decidiu extingui-los do mapa para erguer, no lugar de suas aldeias, o seu engenho (cuja história posterior é uma novela). Como o governo não dispunha de numeroso exército, os coronéis fizeram anunciar a Salema as suas deficiências em armas e gente. O governador os dispensou. Disse não precisar de seus jagunços para desocupar a área.  
Astuta e criminosamente, o tal senhor mandou que se recolhesse as roupas das pessoas doentes de varíola e que fossem jogadas nas matas adjacentes. Os índios as pegaram, as vestiram, contraíram a doença e morreram.  

Era o Brasil, nos idos de 1575, já vivendo experiências com armas bacteriológicas. Obra de um português, Antônio Salema, que de burro não tinha nada. Apenas o seu (mau) caráter era moldado por uma das “regras de ouro” da maioria dos maus políticos: o fim justifica os meios. 

22 de mai. de 2015

A revolta da vacina


Deixa eu voltar ao papo sobre o Oswaldo Cruz. A última batalha dele foi contra a varíola. Ela assolava a velha cidade do Rio. Doença muito contagiosa, matava ou deixava cicatrizes. Por conta disso, o nosso médico sanitarista decidiu que a vacina teria que ser obrigatória. Questão de vida ou morte. 

Assim, candidatos a cargos ou funções públicas, pessoas que pretendiam se casar, viajar e até se matricular em escolas, só o conseguiriam com o atestado de vacina. Os militares também foram obrigados. Idem todas as crianças com menos de seis meses. 

Aí entra em cena aquele povinho que gosta de agitar e tumultuar as coisas. Logo estava de boca em boca que a tal vacina ou matava ou aleijava. Ou seja, os males causados pele varíola eram atribuídos ao remédio. O mínimo de mal que a vacina causaria era deixar a pessoa com “cara de bezerro”. 

Congressistas usavam a tribuna para atacar o médico, para inventar coisas. Chegou-se ao absurdo de dizer que a vacina era feita com o sangue dos ratos comprados. 

Fizeram um inferno e o pau quebrou. A maioria da população não aceitava a exigência e se rebelou. Foi a chamada Revolta da Vacina. Oswaldo Cruz não cedeu. Aguentou firme. Enfrentou e endureceu o jogo. Como os que eram vacinados não apresentaram as reações alardeadas, aos poucos os revoltosos foram cedendo, até que se entregaram de vez.

Hoje, a preocupação é a de que a varíola, a exemplo do que já se dá com o dengue e a febre amarela, volte a nos atormentar.  O culpado do que aí está todo mundo sabe: o tal do Fernando Collor, que acabou com a SUCAM.    


P. S. - Na época da revolta, a febre amarela matou um goiano ilustre. Trata-se de Antônio Amaro da Silva Canedo, o Senador Canedo, que representou o Estado de Goiás na Primeira República, a chamada República Velha. 

Prendam Collor, o "pai" da nova febre amarela



Ano de 1903, Rio de Janeiro, a Capital da República. De maravilhosa, ainda, a cidade não tinha nada. Era fedida, pestilenta. Chamavam-na, isto sim, de túmulo de estrangeiros, tantas eram as doenças contagiosas que ali proliferavam, castigando os seus habitantes e quem a visitava.   

Tal imagem não era nada boa para a nossa cidade sede do Governo, centro de negócios e alvo das atenções dos investidores estrangeiros. Era preciso dar um jeito urgente naquela tétrica situação. Foi quando o presidente Rodrigues Alves convidou o sanitarista Oswaldo Cruz para comandar o que seria hoje o nosso Ministério de Saúde. 

Formado aqui, mas graduado no Exterior, o nosso doutor arregaçou as mangas e, em menos de uma semana, já tinha um plano de combate ao inimigo imediato: a febre amarela. Esta é uma doença causada por um vírus que ataca o fígado e é transmitida ao homem por mosquitos, como o aedes aegypti. Amarela porque deixa as pessoas amareladas.

O nosso herói começou por identificar os doentes e acabar com os focos da doença. Para isso, estruturou a campanha em moldes militares, dividindo a cidade em 10 distritos sanitários, cada qual chefiado por um delegado de saúde. Além da polícia sanitária, formou brigadas de mata-mosquitos que, uniformizadas, tinham o poder de entrar nas casas. Foi uma verdadeira operação de guerra.

Em tal época não tínhamos, ainda, emissoras de rádio e TV. Os jornais, ao invés de auxiliá-lo, pelo contrário, preferiram atacar a sua reputação com duras críticas e maliciosas gozações. Pasmem, amigos. Na própria faculdade de medicina os nossos “sábios doutores” achavam uma maluquice de Osvaldo Cruz atribuir a um mosquito a transmissão da febre amarela. Acreditava-se que a maioria das doenças era provocada pelo contato com roupas, suor, sangue e outras secreções dos doentes. 

Todo mundo quebrou a cara. A campanha surtiu efeito e os casos foram diminuindo, até desaparecerem. Cruz pediu ao presidente que mantivesse nos quadros da saúde todo o pessoal dos distritos e das brigadas sanitárias, com a missão de inspecionar a existência de fontes causadoras de focos. 

Dessas brigadas resultou a nossa SUCAM, infelizmente extinta pelo inconsequente presidente Fernando Collor, que transferiu a responsabilidade para os municípios, mas não os recursos e nem os funcionários já qualificados para a tarefa.

É preciso descobrir uma saída jurídica de molde a processar tal irresponsável e botá-lo na cadeia. A febre amarela, a exemplo do dengue, está de volta e matando. Prendam este filaucioso. A culpa é dele.  

21 de mai. de 2015

Embarque & Embates

Mais um texto brilhante da poetisa, contista e psicóloga Marisa (A)Penas, exclusivamente para você. 


1º dia do ano de 2015. Aboletada, não tão confortável como gostaria, pois o espaço é pequeno no nível que viajo, decolo contente nas asas da TAM, rumo à minha GYN. O possessivo fica por conta da particularidade sempre à frente. Degusto Goiânia ao meu modo, no prazer de fazer parte dela.
Experiências no saguão.

A figura estranha de um jovem. Observo calada, e discreta, claro!... Todavia, os pensamentos se agitam. Uma questão me chega: O quê levaria alguém a transformar os cabelos em grosseiros cipós? Isso mesmo!... Cipós ásperos para a visão, com aparência de sujeira. Cordas grotescas onde a água não penetra. Um dia foram fios de cabelos.

Tento arquitetar razões. Acha bonito?... É gosto. Quer chamar atenção? Conseguiu. Detesta pente e xampu? Parece que sim. Concluindo meu arquivo: onde água não atua, falta higiene.

Agora me atrai a agitação duma criança insistindo em virar mala, pois se joga no espaço destinado ao despacho de bagagens.

A mãe, sem nenhum pulso educacional – sou perita nesta observação –, expele palavras num som de gata no cio: “Fulaninho, não pode...”. Óbvio que o pirralho continua o movimento, até que um funcionário intervenha interrompendo a cena ridícula, retirando o “mala” pelo braço. E a mãe, miando: “Tá vendo, Fulaninho?”... 

Nestas ocasiões, me pergunto por onde andam os bons costumes, as orientações de respeito à convivência. Algumas gerações, das quais faço parte, se primaram na distribuição de moedas valiosas para o uso comportamental de não perturbar aos outros com atitudes desagradáveis.

Arrematando a “Babel Aeroportuária” no saguão de embarque, um representante do sexo masculino fala ao celular à moda de locutor esportivo narrando jogo, ou seja, gritando. O mais bizarro é o assunto numa linguagem tosca. Poluição sonora sufocante!... Será que ele imagina o incômodo provocado? Todos têm o direito de se comunicar, da forma que bem desejarem,  desde que não atropelem aos que estejam por perto.

Questão de ordem. Aliás, o lema de nosso “lábaro cívico” é bem desconsiderado. Verdade entristecedora. Vivemos num país sem ordem, a partir da cúpula onde inexistem leis para seus crimes. Sem a devida ordem, o progresso passa longe. A farra é antiga e já se fez tradicional, para meu desgosto. 

Voltando ao meu quadrado, voei pelos registros mnemônicos ouvindo minha mãe que foi amorosa mas severa deixando legados nos exemplos e nos ensinamentos verbalizados.

Gostava de nos advertir: “Tenham cuidado com o que fazem, onde vão. Prestem atenção nos seus passos, para não servirem às críticas”. Acolhi como sabedoria no uso da discrição, no respeito aos limites, na consideração da presença do outro.

Aprecio o progresso, louvo a tecnologia, respeito os direitos, aprendo com a diversidade humana, considero justo o usufruto da liberdade. Muitos aspectos destes tempos modernos me encantam.

Todavia, me vejo agredida pelo comportamento generalizado, incentivado pela mídia, onde cada um elimina a presença das outras pessoas, como se o Universo estivesse a serviço da centralização do umbigo de cada sujeito, desconsiderando tudo mais.

Muito já se disse  acerca deste aspecto. Um imediatismo sustentado pelo hedonismo granítico que beira o instintual, um materialismo bárbaro onde tudo é venalmente avaliado para dar a proporção indiscutível do “mais eu” e, um dos piores efeitos, na minha percepção, é o atropelamento inconsequente da educação básica de ocupar apenas o próprio lugar, não invadindo a seara alheia.

Uma transgressão da lei física que enuncia “dois corpos não ocupam o mesmo espaço, ao mesmo tempo”. A lógica seria: se o outro está lá, não posso estar,  simultaneamente. É preciso aguardar a vez. 

Nada disso!... Sai da frente, porque cheguei com minha grosseria, meu celular barulhento, furando fila, impondo hábitos, etc...
Um horror!
Despachei minha bagagem como se faz dentro das normas. Segui calmamente para a sala de embarque. Por lá as confusões seriam outras.
Tenho a consciência tranquila de não azucrinar quem está por perto. Vou executando a minha parte e me divertindo com tamanhas alterações. É o meu país...

Marisa (a)Penas

5 de abr. de 2015

CASO CELG: Marconi, com M de mentira



"Marconi diz que não dá para comparar acordos da Celg. O acordo do ano passado era boato. Não posso falar de algo que não aconteceu”. Palavras do governador Marconi Perillo a O Popular, em 22 de dezembro de 201, quinta-feira.

Afirmação incisiva:

“o acordo era boato”.

E acentua, para que não pairem dúvidas:

“Não posso falar de algo que não aconteceu”.

Traduzindo: Alcides Rodrigues e Jorcelino Braga são mentirosos, enganadores, levianos. Inventaram um acordo que nunca aconteceu.

Palavras de: MARCONI PERILLO, governador do Estado de Goiás.

Mas ele disse mais, como mostra a manchete de página da matéria:

“Jamais  recusei o acordo do ano passado”.

Não havia como recusar o que não existia. O acordo que acabara de firmar, sim, este vale. E não é com Lula, é com Dilma, que é da área.

Marconi disse o quê? Que o acordo foi boato.

Os trechos de ofício que publiquei foram extraídos de um relatório elaborado por Simão Cirineu Dias, secretario de Fazenda de Goiás, detalhando o acordo feito por Alcides e Braga com o Tesouro Nacional. Este documento eu o obtive de fonte ligada ao Ministério de Fazenda.

E ele prova o quê? Que o acordo não foi boato. Prova que, se celebrado o pacto, as finanças goianas estariam nos trinques, com o ajuste fiscal cumprido, a dívida da Celg acertada, sem que o Estado precisasse prescindir do controle acionário dela e ela podendo reajustar a sua tarifa congelada desde 2006.

Ou seja, o relatório desmente de forma cabal o governador. O acordo existiu. Está lá no ofício 1352, de 1º de setembro de 2011. E o Sr. Marconi, três meses depois, afirma a O Popular, que tudo é boato, que não pode falar de algo que não aconteceu.   

Aconteceu e salvaria as finanças e a Celg. No documento, Cirineu informa que “a dívida da empresa, até junho de 2010, era da ordem de 5 bilhões 460 milhões, dos quais 2,9 bilhões já vencidos”.

Cirineu conta que “o governo, como acionista majoritário, buscou autorização de empréstimo no valor de 3, 728 bilhões que, somados ao aporte de capital da Eletrobras e a liberação dos recursos bloqueados pela inadimplência possibilitariam a recuperação da saúde financeira .da empresa”.

Ele conta ainda que as dificuldades financeiras da empresa provocaram atraso no recolhimento dos tributos estaduais. O ICMS vencido em dezembro de 2010 acumulava o montante de R$ 922.424.828,76, em valores nominais”.




E arranca as máscara da farsa do governador: “Com a liberação do empréstimo de 3 bi 728 milhões, a Celg D quitaria as suas dívidas e ainda as dívidas do ICMS com a receita estadual, tornando-se adimplente...”.

Diz que, “caso esses recursos tivessem ingressado no Tesouro estadual, o estado terias cumprido o programa, uma vez que o resultado primário teria sido alcançado”.

O secretário de Fazenda dele disse que o acordo era altamente positivo para Goiás. E lamenta ele não ter sido realizado, “terem os esforços sido em vão, deixando o Tesouro estadual sem receber a dívida do ICMS, no exercício de 2010˜.

O governador Marconi Perillo transformou tais esforços em vão. Ele simplesmente jogou a negociação na lata do lixo e fez uma outra em que aumenta a dívida de Goiás e ainda dá as Celg de presente à Eletrobras.

– O que Marconi havia dito mesmo? Que o acordo era boato.

  Disse também que não podia falar de algo que não aconteceu.

  De algo o quê?

– De algo que não aconteceu.

Pois bem. No dia 09 de dezembro de 2010, a sua equipe de transição encaminhou um documento ao governo federal pleiteando a anulação da operação, e, como se Alcides Rodrigues e Jorcelino Braga tivessem feito trambiques no ajuste, também pede a “responsabilização de todos os envolvidos”.

Como queriam punição para quem estava salvando o Estado e, principalmente, a Celg, o que se deveria pedir, agora, em relação aos senhores implicados?

Como pode um governante que se via crível, confiável, dar uma guinada moral de 180 graus, transformando-se na antítese dos valores exigidos para se confiar destinos da res publica?

O seu grau de mendacidade medido aqui o faz compatível com a república da contravenção que estava se instalando silenciosamente em Goiás.

Afirmar ser boato o que sabia ser verdadeiro;

Afirmar não poder discorrer sobre o que não existe, sendo sabedor em minúcias da existência do negado, é cometer crime contra a fé pública e atentar contra a honra e a dignidade dos signatários do pacto ao qual ele nega, leviana e irresponsavelmente, a existência.

Entendo caber procedimento judicial contra Sua Excelência. Da sua conduta resultou a entrega, de graça, de uma das empresas estratégicas do Estado que, a preço de mercado, valeria consideráveis bilhões de dólares.




12 de fev. de 2015

São José do Rio Preto, como eu amo você!

Mário Luiz
Adib Munis em trabalho
externo ao vivo

Mário Luiz,
baita
comentarista,
grande
caráter.
Mário Alves de Mendonça. Abaixo, o estádio que levava o seu nome

O estádio ficava na Vila Santa Cruz,
em frente à minha casa

A demolição do estádio em 1994. É uma história triste.
Só podia ter políticos no meio


As reminiscências dos tempos de rádio afloram toda vez que aciono o dial para ouvir alguma coisa. Nada é melhor do que o rádio, onde a imaginação nos leva a passear, sempre com coisas boas e final feliz.

Dias atrás falei aqui de momentos de São José do Rio Preto, onde, ainda criança, cantava no Clube da Cirandinha, comandado pelo meu futuro mestre Adib Muanis. Era um programa da PRB-8, Rádio Preto, cujo auditório lotava nas manhãs de domingo para ver quem ia para o trono. Fui várias vezes, não tantas quanto Carlos Gardim, menino que venceu o concurso que dava direito a gravar um disco de verdade – na época, em 78rpm.

Está aí uma boa pauta para os jornais e telejornais da cidade. Por onde andaria Carlos Gardim? O que faz?  Vamos reconstruir a história desse  programa . Contar a história de Adib, de Mário Longhi, com o seu violão elétrico a nos  acompanhar com o seu regional, do Tarugo, o baterista. 

A história do rádio em Rio Preto é rica, muito rica. Chamava a atenção a existências de famílias inteiras no circuito. Na família Toledo só tinha “feras”, dentre elas o Roberto, hoje Bob Toledo, e o Marinaldo, gente boa que só.

Comecei ali, nos anos 60, na Difusora. Adib Muanis comandava. Eu fazia locução na madrugada,  auxiliando o titular do programa, Virgílio de Marco Britto, que viveu aqui em Goiás.  Durante o dia, fazia rádio-escuta, coletando notícias nacionais e internacionais para os noticiosos (apresentados por Nelson Luiz) e para os programas esportivos.

Tínhamos um timaço nessa área -  já contei aqui que o Gil Gomes era um dos nossos narradores. Daquela turma, o mais solícito  era o Hitler Fett. Foi repórter, narrador, comentarista. Nunca teve problemas com o nome. E nem deveria ter. Não é o nome que faz a pessoa, mas o contrário.  É um cara fora de série.

Vivi novamente bons tempos quando fui para a Rádio Independência. Aquilo era uma academia do rádio. Zacharias Fernandes do Valle, Petrônio de Ávilla, Celso Martinelli, Sérgio Carvalho, Jose de Alencar, Nelson Antônio, Vislei Bossan, o verdadeiro nome de  Mário Luiz, um de nossos comentaristas. Só tínhamos “feras”, além do Mário, casos do  Hitler Fett, do grande Alberto Cecconi e do “paizão” Alexandre Macedo.  

Isso  sem contar as boas do José Guerreiro, que veio de Presidente Prudente e torcedor apaixonado pela Prudentina. Como ao América chamávamos de “Diabo rubro”, o Guerreiro bolou um programa de humor no esporte. A “Engraxataria do Diabolino”.

Voltarei ao assunto. Vou tentar rever essa turma. Boas lembranças temos dos nossos bons tempos na querida São José do Rio Preto. Vai valer a pena trazer tudo isso de volta.

 
Este é Alberto Cecconi,
também dono de jornal

Alexandre Macedo, de terno branco,
durante discurso de Jânio Quadros,
então presidente da República

Roberto "Bob" Toledo

23 de out. de 2014

As causas de Bordoni x Marconi: a quem interessar possa!

Há leitores que questionam a minha postura crítica em relação a Marconi Perillo. De aliado passei a algoz. Senti que volta e meia será preciso repetir o episódio causal da nossa briga, para que todos entendam o que realmente aconteceu.

Fui dos primeiros a me ombrear com ele, em 1998. Ao fazer opção, o fiz pela amizade e por crer que ali realmente estava se abrindo um novo caminho para a prática política em Goiás. Esse mesmo sentimento que tiveram vários outros companheiros, inaugurando o que acreditávamos ser verdadeiramente o tempo novo. 

Entrei na guerra de corpo e alma. E assinei a minha entrada. Fui o único a colocar no ar, no programa de rádio, a minha vinheta com o meu nome, me identificando com o candidato e com os propósitos dele. 

Acreditei no candidato

Nerso, a arma devastadora de 98
Ano de 1998. Foi gravando o programa do candidato a senador Fernando Cunha, ao comentar sobre a composição da chapa peemedebista – Íris para o governo, Maguito para o Senado e Dona Íris suplente de Maguito –,  que criei a figura da “turma da panelinha”, que o Renato Monteiro e o Leo, da Verbo, materializaram na TV com o talento do Nerso da Capitinga.  Íris tinha 72%, Marconi 6. Viramos e ganhamos a eleição.

A tal panelinha foi a arma decisiva. Ela traduziu para o popular a ambição do adversário. Ela simbolizava o controle da política nas mãos de poucos.  Íris já havia sinalizado para esse pecado, quando ele próprio disputou o Senado, colocando o irmão Otoniel na suplência. 

Vencemos em 98, fomos bi em 2002. Eu não convivia com o governador. Não trabalhei no seu primeiro governo. No segundo, escrevia discursos para ele. Foi por pouco tempo. Depois disso eu só o via na época das campanhas. Eu vivia mais por conta de me defender dos processos que havia conseguido contra mim, por comprar brigas dele,  que nunca perguntou se eu precisava de advogado ou de ajuda para pagar algum.

Na primeira campanha, o meu pega havia sido contra Francisco Agra, o Lilo, ex-prefeito de Itapaci, que havia acusado Marconi de ter desviado verbas da Educação destinadas à cidade dele. Se tornaram inimigos mortais. Ma non tropo. Nessa última vitória, Marconi recebeu Lilo e o pai, prefeito atual de Itapaci, com sorrisos e muitas fotos em palácio.

Nessa campanha fui processado por dois procuradores da República. Eu fui hostil na lida com eles. Foi a ambos que pedi desculpas quando fui à CPMI e publicamente, pela imprensa.

Em 2006, terceira vitória, com Marconi para o Senado e Alcides Rodrigues governador. A quarta foi em 2010. Terminada esta campanha, Marconi ainda me devia 90 mil reais. Incumbiu o seu “faz tudo” Lúcio Gouthier de resolver a pendência. 

Causas do rompimento


Em abril de 2011, Lúcio me telefona e pede o número da conta bancária. Passei o da minha filha, que cuidava de pagar as minhas contas, cuidava de mim. Eu já não dirigia mais, por conta do Parkinson.  
Fui pago em duas parcelas de 45 mil. Depósito feito e o Lúcio ligava informando que estava na conta. Nunca tivemos a preocupação de conferir no extrato geral a autoria do depósito. Se Lúcio ligou informando é porque ele os fez.

Só ficamos sabendo que os depósitos haviam sido feitos por Alberto & Pantoja e Adécio & Rafael (45 mil cada) quando estourou o Cachoeiragate. Eu estava na Bahia, no Polígono das Secas, fazendo uma reportagem, quando minha filha me liga contando que fora citada nacionalmente, por conta disso.

Eu estava em Poções, na Bahia, quando fui localizado por um repórter do Estadão. Ele queria saber sobre os pagamentos. 

Contei que havia feito a campanha do PSDB, que aquele dinheiro se referia ao que me era devido e que jamais havia ouvido falar nos tais depositantes, pois era ao Lúcio que o número da conta havia sido passado e que achava ter sido ele o autor dos pagamentos.

Não citei o nome de Marconi, mas a campanha do PSDB. O repórter liga no Palácio. O assessor que o atendeu, ao invés de responder que assuntos de campanha são com o partido, que se ligasse para o PSDB, preferiu emitir uma nota oficial refutando afirmações que eu não tinha feito e chamando-me de irresponsável, leviano e mentiroso. E o que é o pior: eles mesmos colocaram o governador na dança. Eu não havia falado em Marconi, mas em PSDB. O jornal havia falado no governador, não eu.

A jornalista Fabiana Pulcineli me localizou em Vitória das Conquista, Bahia, e me contou detalhes da nota, aos quais respondi, através do programa que ela tem na CBN. Eu disse que os extratos telefônicos comprovariam as ligações feitas por ele a mim.  

O palácio emitiu outra nota, se enrolando mais na história: disse que eu havia ligado para o Lúcio e pedido empregos para as minhas filhas. Ora, se eu era amigo do governador, falava com ele a hora que queria, porque iria pedir a um subalterno para pedir empregos?    

O extrato comprova as ligações feitas por Lúcio a mim.  As gravações da polícia federal mostram Cachoeira falando do depósito feito em meu nome, o Wladimir Garcez ("assessor" de Cachoeira) falando em pegar número com Lúcio.

Usando certos jornais, os áulicos palacianos tentaram me destruir, moral e socialmente. Nenhum jornalista desses veículos me ligou para ouvir o meu lado.

Falso e farsante

Marconi foi à CPMI e disse ser eu "figura controversa", que havia pagado a mim 33 mil, conforme nota anexa, blablablá. Mentiu. Na tal nota sequer meu nome consta. Fui eu à CPMI e o desmenti, desafiei a todos que viessem para um cara a cara, olho no olho, mas correram. No ínterim da perlenga, fui tomando conhecimento de coisas feitas por Marconi e das quais eu não sabia. Eu só o encontrava nas campanhas. 

Ele me processou, mas não ao SERPES, que também havia sido pago por Alberto & Pantoja.  Foi por conta disso que brigamos. Fiz trabalho limpo e fui pago com dinheiro sujo. Ele mentiu, traiu, foi desleal.

Usa jagunçosnet para me atacar com os seus blogs, quando não recorre a bêbados e tão suspeitos quanto ele para me caluniar. De 1998 a 2010, eu era “o cara”, o bom, o melhor do rádio. Depois do episódio, passei a ser o que não valho nada, sem credibilidade, leviano, mentiroso. 

As pessoas de bem e do bem me conhecem. Sou jornalista, radialista, bacharel em Direito e com especialização em Ciência Política. A mim foram conferidos, por lei, os títulos de Cidadão Goiano e Goianiense. Sou, também, titular da Academia Goianiense de Letras, cadeira 33. Ah, e também sou Comendador (Ordem do Mérito Anhanguera).

Nunca fui chamado de ladrão, de corrupto, suspeito de “mamar” em aditivos, e nem estou sendo investigado por conta de cobrar propinas, por formar Caixa 2, por tomar dinheiro da Delta, por tomar dinheiro de dono de cartório, por ligações com jogos ilegais e jogo do bicho etc..  

EIS A VERDADE DOS FATOS

Incluamos no roteiro da reportagem o dado confirmado pelo extrato:

No dia 12 de abril de 2011, Carlos Cachoeira liga para Vladmir Garcez pedindo os números de contas bancárias, para que fossem feitos alguns depósitos.

Wladmir diz a Cachoeira que vai pegar os números com o Lúcio e que depois repassa para ele. 

Wladmir liga para o Lúcio, pedindo os números das contas onde queria que fossem feitos depósitos. Lúcio lhe disse que era a mim que deveria pagar, mas que não tinha o número de minha conta bancária. Foi quando ele ligou da casa dele (3215-xxxx) para o meu celular (8421-xxxx) perguntando em que conta deveria ser feito o depósito. Eu lhe disse que na de minha filha Bruna, e lhe passei o banco, a agência e a conta.

Dois dias depois, Cachoeira liga para o Wladmir informando que "o do Bordoni já foi feito. Agora precisa me passar os demais".

O extrato telefônico mostra as quatro vezes em que Lúcio tentou falar comigo no dia 12/04/2011, só conseguindo na última chamada. Destacados em amarelo aparecem o nome e o telefone dele (3215-....), a data, o meu nome e o número do meu telefone (8421-7045).  Era o documento que faltava e eu havia pedido à CPMI para que o obtivesse, dada a demora pela via  judicial.  


A reportagem do SBT já havia antecipado a confirmação da origem do depósito. Vale repeti-la mais uma vez.   


CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA SOBRE O PAGAMENTO.


DETALHE: O juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 7ª Vara Cível, desentranhou do processo essas duas provas que eu tinha: o extrato telefônico comprovando as 04 ligações de Lúcio para mim e o DVD com a reportagem do SBT mostrando como Cachoeira depositou o dinheiro em minha conta. Optou por ficar com a versão de que o governador e seu assessor Lúcio Fiúza não tiveram nada com isso.