1 de abr. de 2019

SOS - Orquestras jovens de Goiás pedem socorro!

Aqui o início da Orquestra Jovem de Itumbiara.
Ao fundo, o maestro Emanuel Ferreira e Professores

A segunda deveria começar com coisas boas, mas as tais andam escassas por esta terra brasilis. Aqui na pátria pequi, pasmem, estão desativando a Rede de Orquestras Jovens de Goiás. Isso não pode acontecer, mas, infelizmente, se comete este  inaceitável contrassenso. Lamentável.
Tendo a cidade de Itumbiara como núcleo pioneiro, este fantástico projeto começou a ser implantado em agosto de 2017, tornando-se referência para outros onze, sediados em Anápolis, Aparecida de Goiânia, Bela Vista, Caldas Novas, Catalão, Goiânia/Noroeste, Guapó, Jaraguá, Pirenópolis, Palmeiras de Goiás e Trindade.

Para quem não o conhece e pergunta o que é: este maravilhoso projeto da Rede, de forma gratuita, cuida da qualificação e capacitação  de crianças e jovens, com idade entre 8 e 18 anos, no campo da música. Aprendem a tocar os instrumentos musicais, cedidos pelo Governo do Estado, que também paga os regentes e professores, responsáveis pelo resultado final.  

Conversei com alguns prefeitos, todos empenhados em atender, dentro do que podem, as demandas de suas unidades, cedendo espaço físico, pessoal e material de limpeza, pagando contas de água e energia. Todos estão preocupados e vão apelar ao Governo para que mantenha as células vivas.

Não ser vê por aí nada similar a esta criação do maestro Eliseu Ferreira, que, utilizando a rede do ITEGO - escolas estaduais de educação profissional - promove o ensino profissionalizante de cada instrumento que compõe uma orquestra, formando músicos da puberdade à adolescência, além, também, da prática de Canto Coral. É a música adotando os meninos, ao invés das drogas ou da marginalidade.

Para que possam medir o tamanho e o alcance desta ópera fantástica, atualmente, trabalham na Rede cerca de 120 professores, ensinando música, na teoria e na prática, a 1 mil e 100 alunos, dos quais se exige apenas a faixa etária estabelecida (8 a 18 anos) e o comprovante de matrícula no ensino regular.

Infelizmente, este projeto está sendo desmontado gradativamente. Houve choro e tristeza quando, há dois meses, foram desativadas as orquestras de Bela Vista e Itumbiara. Indignação. E esta se fez maior, ainda, pois as de Jaraguá e Pirenópolis seguiram o mesmo caminho.

Inconformado, fui buscar respostas e explicações. Afinal, não se fecha escolas. Pelo contrário, quanto mais as tivermos, melhor. De acordo com as organizações sociais que administram os núcleos orquestrais, faltam recursos para a continuidade dos projetos e, assim, a desativação  da Rede de Orquestras Jovens de Goiás será inevitável. 

Será, sim, inaceitável. Fica, de público, um apelo ao governador, para que impeça esse desastre. Todos sabemos das dificuldades financeiras herdadas do antecessor, mas o Estado pode e deve buscar soluções - e por que não uma parceria público-privada? Faça-o por favor, em nome da arte, mas, acima de tudo, em nome das crianças e adolescentes. 

A orquestra do governo, in casu, não pode desafinar. Que sejam salvas as orquestras, antes que se fechem as cortinas e termine de vez o espetáculo. 


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Segue vídeo  que gostaríamos que todos os assistissem. Orquestras Jovens de Goiás, mais que ensinar, é construir. 

Aqui, os alunos do professor Júlio Luz, no COTEC de Caldas Novas. executam Ode à Alegria - a Sinfonia Número 9, de Beethoven. CLIQUEM NO LINK.

Orquestra Jovens Caldas Novas

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P.S. - Lobato dizia que "um país se faz com homens e livros". A alma se faz com amor e música.

31 de mar. de 2019

1969, o ano em que descobri Goiás

O centro de Goiânia visto da Praça Universitária, 1969
Goiânia, 1969. A cidade tinha 300 mil habitantes e qualidade de vida. Íris Rezende era o prefeito. Ruas limpas. Nas calçadas, havia um cesto de lixo a cada 20 metros. Ai de quem jogasse papel ou qualquer coisa na rua. Os próprios goianienses fiscalizavam. Íris cultivou em cada um o "eu amo Goiânia". 

Vindo de São Paulo, cheguei à cidade um pouco antes de o General-presidente Artur da Costa e Silva editar, em 26 de fevereiro, o Ato Institucional 07. O chamado AI-7 suspendia as eleições para governador e prefeito. 

Goiânia eis-me aqui. A minha meta primeira era trabalhar na Rádio Brasil Central. Eu a ouvia diariamente. Eram possantes as suas ondas curtas e tropical, de alcance mundial. E com fé em Deus e transpirando ansiedade, lá fui eu para a Vila Nova, onde ficavam os seus estúdios. Coração batendo ao ritmo da nervosa expectativa e da emoção. 

Subi as escadas. Recebeu-me Gonçalves Lima, redator e plantão esportivo da Equipe ABC, comandada por Baltazar de Castro. O "Gonça" foi o meu primeiro amigo. Cheguei sem emprego e sem nada. Ele me deu cama e comida e isso não há dinheiro que pague. Creio que estará lendo essas linhas. Receba por elas, meu amigo, mais uma vez, a minha eterna gratidão. 

Como não conheciam o meu trabalho, foi com ele, e também com o saudoso e grande amigo Caetano Beghelli, que apresentei alguns programas esportivos. Sempre otimista, estava certo de que ali ficaria. Alegria efêmera. "Você é muito bom, Bordoni, mas não tenho verba para contratá-lo. Sinto muito"- disse-me Baltazar, outra alma boníssima e que muito fez por Goiás.

O não foi um baque. No futebol, diríamos que joguei bem, mas não fui convocado. Frustrei-me por não realizar o meu "sonho RBC", mas o Gonça me convenceu a ficar, que persistisse, pois outras chances viriam. E tal se deu. Foi ele quem me indicou ao Draulas Vaz. Começava ali o meu amor por Goiás.  
Draulas Vaz

Draulas comandava as áreas de esportes dos Diários Associados: a Equipe 1.320, na Rádio Clube (hoje, Sagres 730), a programação esportiva da TV Goiânia (hoje, Goyá/Record) e a editoria de esportes da Folha de Goiaz.

A Folha foi o primeiro jornal goiano a usar a impressão fria (offset), aposentando os tipos gráficos ainda em uso, à época, pelo O Popular.  Luiz de Carvalho, editor-chefe. Na redação, Altamir Vieira (chefe de reportagem), Raul de Assis, José Domingos de Brito, Sebastião Campos, David Araújo et alii. O amigo Wilson Silvestre, com quem também trabalhei no Diário da Manhã, chefiava a diagramação.

José de Oliveira dirigia a Rádio Clube. Eu produzia os programas de esportes - A Bola é Nossa, às 11h30, e A Bola Continua Conosco, às 18h30. José Calazans, hoje na RBC, dividia comigo a apresentação. Na verdade, eu fazia de tudo. Narrava, comentava, fazia reportagens.   

A Equipe 1.320 era um time de primeira. Habib Issa, Jadir Santos, Calazans e Manoel de Oliveira eram os narradores. Além do Draulas, tínhamos os comentaristas Carlos Alberto Sáfadi (fomos juntos para a Folha de S.Paulo), Amir Sabag e Nei Fernandes (Nei que fora técnico campeão com o Goiânia, em 1968, timaço com os fantásticos Chico, Silvinho e Tuíra no meio de campo). 

Os nossos repórteres eram Levy de Assis, Edson Costa, Ezer de Mello e o então iniciante e hoje consagrado comentarista, Evandro Gomes, que, à época, também trabalhava na Casa Carajá, vendendo materiais de caça e pesca. O professor Reid Duarte cuidava do nosso plantão esportivo.


Levi de Assis
TV Goiânia, emissora da Rede Tupi. Iniciei ali o meu aprendizado em televisão. Passei a apresentar "O 4 é Bom de Bola". Lia as notícias e o Draulas as comentava. Os Diários Associados ficavam na Avenida Goiás, entre a 1 a 2, onde hoje temos uma agência da Caixa Federal. 

Bem em frente ao prédio havia um recuo acentuado da calçada - a chamada Pracinha dos Diários, de onde eu transmitia lutas de boxe, promovidas pelo Hugo Nakamura, e, também o "telecatch" - as lutas livres da TV Excelsior do Rio, trazidas para cá por Luiz Ricci, nosso diretor comercial. O público se acotovelava. Havia crianças demais.  Todos queiram ver os famosos Ted Boy Marino, Fantomas, Gran Caruso, Homem Montanha, Índio, La Múmia, Moretto, Tigre Paraguaio e mais duas dezenas de lutadores.

Alberto Poli era o nosso diretor artístico. Foi ótima a minha escola. Graças às lições do Luiz Carlos Santos, o Lulu, mais tarde diretor comercial da TV Goyá e Record, e do Gregório Camargo, câmeras de primeira grandeza, eu aprendi a lidar com essa caixinha cheia de fios e telas. 

Com tais mestres, em julho, usando um link de fabricação caseira (saudade de José Carneiro Pimenta), transmitimos jogos de futebol, futebol de salão, voleibol, basquete e provas de atletismo e natação, nos XX Jogos Universitários Brasileiros, sediados em Goiânia. Também fizemos ao vivo, em 12 de julho, a inauguração da Praça Universitária. Tempo em que César Sebba era a nossa estrela maior na bola-ao-cesto e que teve lugar merecido na seleção nacional. 


1969, ano em que o Vila, com 26 pontos, foi campeão. CRAC o vice, com 25 pontos e seu centroavante Toninho Índio o artilheiro, com 14 gols. Goiás, o terceiro. Atlético, o sexto e o meu Goiânia, campeão do ano anterior, em sétimo. 
   
Zuenir Ventura diz, em livro, que 1968 foi o ano que não terminou. 1969 não foi um ano qualquer. Os militares, que haviam tomado o poder, em 1964, endureciam o jogo. E o arrocho foi muito maior a partir de 31 de agosto, após o afastamento do presidente Costa e Silva, seriamente adoentado. Com o vazio do cargo, assume o comando do país uma junta governativa formada pelos ministros do Exército (Lira Tavares), Marinha (Augusto Rademaker) e Aeronáutica (Mário Souza Mello) - um trio, verdadeiramente, parada dura. 

18 de setembro, após os movimentos de esquerda terem sequestrado o embaixador estadunidense no Brasil, Charles Elbrick, a Junta, em repressão total aos opositores ao regime, cria a rigorosa Lei de Segurança Nacional. Em 15 de outubro, edita o Ato Institucional 16, reabrindo o Congresso Nacional e promulgando, dois dias depois, uma nova Constituição.


Nesse ínterim, Goiânia vivia a efervescência dos movimentos estudantis, que fizeram da Praça Universitária o seu centro de resistência. Embora nunca tenha insuflado qualquer ação antagônica, o prefeito Íris Rezende preocupava os militares com o seu carisma e liderança. Às sextas, ele ia à TV e pedia aos goianienses participação nos seus mutirões. Milhares acorriam aos seus chamados. 

Ante o prenúncio da volta das eleições diretas para os governos estaduais, em 1970, o "homem dos mutirões" estava em campanha aberta para governador. "Bom pra 70" era o seu slogan. Sonho abortado. Em 20 de outubro, dois dias antes de inaugurar o Parque Mutirama e a quatro dias do aniversário da Capital, Íris Rezende é cassado. A cidade chorou. 

Nomeado prefeito de Goiânia, Leonino Caiado começa por mandar perdoar multas e correções monetárias de contribuintes inadimplentes e, também, da salgada taxa de pavimentação asfáltica que os goianienses tinham que pagar a bancos privados, que haviam financiado as obras. 

24 de outubro. Goiânia faz aniversário. No dia seguinte, o general Emílio Garrastazu é guindado à Presidência da República. Dez dias depois, Carlos Marighella, líder da Aliança Libertadora Nacional, é morto a tiros por agentes do DOPS, em São Paulo. O ano termina com uma nota de alegria. Em 19 de novembro, Pelé marcava o seu milésimo gol, na vitória do Santos sobre o Vasco da Gama, por 2 a 1, no Maracanã. 


Ledes Gonçalves
Nessa época, eu também apresentava com Ribeiro Júnior, Folha de Goiaz na TV, telejornal que, durante bom tempo, teve a comandá-lo, na bancada, os queridos amigos Ledes Gonçalvez e Glória Drummond. Só falávamos amenidades. Não havia matérias sonoras, só filmes negativos mudos. O único ditador em que podíamos bater, sem medo da censura ou da polícia, era Nicolae Ceausescu, o terror da Romênia e inspirador de Hitler.

Apesar de todos os medos e apreensões, Goiânia, em 1969, era uma cidade maravilhosa, bem cuidada, mais gente do que carros, gostosa para se viver. Ventos, sol e flores e onde a primavera tinha doze meses.     

P.S. - Aplauso. O presidente Jair Bolsonaro desiste de transferir embaixada brasileira para Jerusalém e, no lugar, abre um escritório para promoção do comércio, investimento, tecnologia e inovação. Em compensação, insiste em quebrar tradição diplomática e visitará o Muro das Lamentações com Netanyahu. Que depois não lamente se perder o forte mercado árabe, um dos maiores importadores de produtos brasileiros, acentuadamente bem maior do que Israel.

30 de mar. de 2019

Que Bolshalom também seja Bolsalam


Bolsonaro viaja para Israel
O presidente Jair Bolsonaro, quando embarcava,
neste sábado, para Israel (Foto: Alan Santos/PR)
O presidente Bolsonaro tem o Brasil para "consertar". Deveria começar a fazê-lo, ao invés de bater asas e pousar em apoios indevidos a interesses alienígenas. Tivesse aprofundado o seu conhecimento histórico, não seguiria a imposição de vontades do seu ídolo Trump e jamais apoiaria a estúpida intenção de se fazer de Jerusalém a capital de Israel. Berço de três religiões - judaísmo, cristianismo e islamismo -,  a velha cidade é patrimônio do mundo - é uma cidade de todos. Que a capital israelense continue sendo Tel-Aviv.

É preciso que tenhamos uma política internacional pautada na legislação e acordos vigentes, com submissão às resoluções da Organização das Nações Unidas. O presidente, ao seguir Trump neste apoio, apenas reforça o matiz servil a ele imputado, em sua primeira estada na Casa Branca. 

É preciso colocar os interesses do Brasil acima de tudo - aliás, este é o lema dele, na campanha e, agora, no governo. Que cumpra, pois, o slogan e pondere o que é bom para o seu país, para o seu povo. Passar caol no menorá judeu pode nos custar a perda de bilhões de dólares árabes. O Oriente Médio é um dos maiores importadores de produtos brasileiros. 

Os números, em 10 de fevereiro deste 2019, atestam isso. Exportamos para eles produtos vários, num total de US$ 1 bilhão 749 milhões, e importamos US$ 811 milhões, com um saldo positivo de US$ 938 milhões na nossa balança comercial. Com Israel é o contrário: exportamos US$ 57 milhões e importamos três vezes mais: US$ 184 milhões - um déficit de US$ 127 milhões. Perder o mercado árabe será construir o nosso próprio muro de lamentações. 

O Sr. Bolsonaro precisa deixar de ouvir o seu (a)trapalhão ministro de Relações Exteriores. Inábil, politicamente, e, ababelado, revelando-se ignoto em política econômica internacional, o Sr. Ernesto Araújo já causou apreensão por seu discurso contra a China, apregoando que ela pode comprar, sim, os nossos produtos, mas não a nossa alma.

Alma eles não a querem, todos sabemos - mas Araújo não titubeia, quando prega que devemos dá-la de presente a Trump. A verdade é que, paralelamente à sua cultura xenófoba, há uma ruidosa sinofobia instalada no nosso chanceler. Rejeita a China por ser ela um Estado comunista.

Curiosamente, cabe, como lição ao nosso chefe do Itamaraty, o brocardo de um velho chinês, Deng Xiaoping, quando em defesa da abertura dos negócios do seu país para o capitalismo: "Não interessa se o gato é branco ou preto. O que importa é que ele mate o rato". 

Dinheiro não tem ideologia. Sejam dólares, rublos, ienes, remimbis, o importante é que comprem do Brasil. Podemos ser, de fato, o celeiro do mundo. Basta que tenhamos política econômica interna forte, com apoio ao setor produtivo, a desoneração dos custos etc., para que, com preços competitivos, conquistemos o mundo. 

Que o presidente Bolsonaro não judaíze as suas ações, ainda que seja seu desejo pessoal. O Brasil está acima das suas vontades. Em Jerusalém, vá sozinho ao Muro das Lamentações. Esqueça o Araújo e deixe Benjamim Netanyahu em casa. Ir com ele é, praticamente, romper com os árabes, o que vai ser bom para Israel, mas muito, muito mesmo, ruim para nós. O que queremos são bons negócios e muita paz (shalom) com os israelitas e muita paz (salam) com os ismaelitas. Isso é o que importa e que assim seja.
      
P.S. - Araújo, ao afirmar ser o nazismo de esquerda, expõe o seu despreparo para comandar o Itamaraty. O nacional-socialismo (nazismo) sempre foi um movimento de extrema direita. Rejeita a democracia, a igualdade das pessoas e, totalitário, promove a segregação racial e étnica etc. Na verdade, regimes totalitários são cânceres, sejam de direita ou esquerda. É preferível a democracia, ainda que com imperfeições. Nela, o povo tira quando quer, muda quando cansa. 

29 de mar. de 2019

A balada dos revoltosos e o telefone indiscreto


Goiânia, dias primeiros de março, 1986. Eu trabalhava na Rádio Jornal de Goiás, último andar do edifício do Cine Capri. Apresentava a manhã política, a competentíssima jornalista Deja Moura, da TV Goyá, era a minha repórter. Um telefone, uma agenda telefônica e estamos no ar. 

Antenados, acompanhando o programa, os políticos sabiam que o telefone chamando, entre 7 e 8 horas, só poderia ser o Bordoni querendo saber alguma coisa. A pauta consistia em informações levantadas por mim, repercussão de destaques nos jornais do dia e, também, entrevistas agendadas previamente.

Certa tarde, na Assembleia Legislativa, a bancada do PMDB estava descontente com Iris Rezende, que havia deixado o governo para ser ministro de Sarney. Senti que a ruptura era iminente. Acusavam Íris de se achar dono do partido. A nau dos insatisfeitos era capitaneada pelo senador Mauro Borges, marginalizado pela ala irista, detentora do controle da legenda.  

Ninguém dos "revoltosos" queria falar. Bagres ensaboados. Única exceção era o deputado Maranhão Japiassu, da ala conjurada e que acabara de chegar de Brasília, onde estivera com Mauro, no Senado, para tratar de projeto de construção de ponte sobre o Rio Tocantins. 

Combinei de falarmos sobre a obra, de coisas da política e que ligaria para ele na manhã seguinte, por volta de 7h20, 7h30 da manhã. E o fiz, discagem direta no ar.

- Bom dia, deputado. Bordoni falando. Tudo bem?

- Tudo bem, Bordoni. Antes da gente falar da ponte, deixa eu te contar uma coisa, mas, por favor, ninguém mais pode ficar sabendo. Vai ser uma bomba. 

Nem pude dizer que já estávamos no ar. Ele logo emendou o explosivo segredo:

- Eu, o Moisés Abraão, o Mauro Borges, o Aparecido de Paula, o Tarzan de Castro e o Manoel Motta vamos cair fora do PMDB. Vamos todos para o PDC e lançar o Mauro Borges candidato a governador.

O segredo da conjuração deixava de existir. Foi, realmente, uma bomba. O palácio tremeu. Os alicerces do partido foram sacudidos. Os revoltosos estavam preparando um anúncio alvoroço, para solapar de vez o PMDB. 

Naquele mesmo dia, na Assembleia, durante a sessão, colegas jornalistas pegaram o telefone do balcão da imprensa e chamaram o Japiassu:

- Deputado, ligação para o senhor. É o Bordoni.

- Manda esse f... d... p... para a p... q... p...

Francisco Maranhão Japiassu, maranhense de Carolina, de saudosa memória, foi um dos bravos defensores da criação do Estado do Tocantins. Pequeno no tamanho, grande em dignidade e generosidade. Com respeito, o reverencio e à sua história.

P.S. - Os brasileiros em situação de pobreza somam 54,8 milhões. Há outros 15,3 milhões em pobreza extrema. O desemprego atinge 13,1 milhões de pessoas. A nossa economia vai mal, o dólar dispara, as reformas não acontecem, os políticos mentem e idem os juízes. Os tartufos de todos os poderes querem nos fazer de palhaços. E estão conseguindo. Faz tempo. 

28 de mar. de 2019

Os soldados mecânicos e os exércitos da intolerância


A meteorologia política prevê instabilidade, com fortes pancadas para todos os lados. Tempo nublado, céu encoberto. Nuvens negras e risco de tempestades. Ventos fortes de insensatez em todos os quadrantes. Temperatura em elevação. A mínima de hoje: deputado estadual paulista quer que universidades façam exame toxicológico em candidatos, barrando dependentes e ex-dependentes de drogas. A máxima: Ciro Gomes chama Bolsonaro de "imbecil" e "semianalfabeto".

O tempo instável preocupa, mas comecemos pela temperatura. Na mínima, o máximo é a flatulência mental do deputado, tal Gil Diniz (PSL-SP). Não sabe (ou finge que não) que dependência química é doença, mas insiste em querer barrar o ingresso de dependentes e de ex-dependentes nas universidades públicas de São Paulo. Haja parvoíce. O cidadão, vítima das drogas, está saindo do fundo do poço, quer ser alguém na vida e se vê impedido de ingressar numa faculdade, porque um tapirus terrestris (anta, no popular) quer lei para impedi-lo! Que me perdoem as antas, pela analogia.

Na máxima, Ciro Gomes, acometido por sabe-se lá o que, tamanhas e tantas as suas estultices, parte para o ataque ao presidente, trazendo o debate sobre o país e os paisanos ao rés do chão. Com a sua cultura de notas de rodapé de livros de Economia, com certeza não gostaria de que o tratassem como o Rolando Lero do Cariri. Comporta-se como o próprio.

As estupidezes não são exclusividade de ambos. As patrulhas ideológicas de esquerda e de direita nada ficam a lhes dever. Tais confrarias se servem de robôs programados, transpirando rejeição a todos os que não comungam as suas ideias, para o massacre aos antípodas. O episódio de quarta-feira, tendo a dublê de repórter e modelo, Ana Hickmann, como personagem principal, é exemplo recente dessa cultura de intolerância que prolifera Brasil afora.

Ana se viu diante de Bolsonaro. Ela e o marido. Foto no Instagram. Legenda: "Hoje eu tive a honra de conhecer o meu presidente". Sentimento de uma cidadã em um Estado democrático de direito. 

A patrulha da esquerda (a da direita não é em nada melhor) esmerou na jactância comum aos que se acham donos da verdade e acima da razão: chamaram-na, até, de "Barbie Fascista". Ao contrário deles, ela deu o troco com classe: "Eu não tenho partido, eu tenho o Brasil".

A virulência  dos extremos incendeia as guerrilhas digitais, aprofundam a intolerância e asfixiam o contraditório, por meio de linchamentos e agressões virtuais. A esquerda agride Hickmann, a direita vê em cada não bolsonarista um comunista indesejável etc.. Nem querem saber - e têm raiva de quem sabe - que a democracia é permeada pela pluralidade de ideias e pela liberdade de expressão, pensamento e crença; que é do conjunto de pensamentos diferentes que se busca alcançar a maioria em torno da construção de uma sociedade mais justa, mais igualitária.

Haters (do inglês, "os que odeiam" ou "promovem o ódio"), à direita e à esquerda, são máquinas de destruição, linchadores virtuais dos que pensam e agem diferentes. Insanos. A unanimidade é utopia. E burra. Pensamento único é ditadura e o politicamente correto é coisa de anímicos, pois onde há alma, há sentimentos e eles nunca são iguais. Os que querem o respeito por seus amores aos Lulas, que também se dêem ao respeito aos que se aprazem com os Bolsonaros, com outros nomes, outros amores, outras paixões.

Querem patrulhar alguém? Simples. Olhem-se no espelho. E façam-se melhores.

P.S. - O Ibama exonerou José Olímpio Augusto Morelli, que, em 2012, multou o hoje presidente Jair Bolsonaro em 10 mil, por pescar em área protegida. Após o flagra, o então deputado infrator discursou contra a ação de Morelli e até apresentou projeto para desarmar os fiscais do órgão ambiental. A bronca mesmo não foi por conta do valor, mas da foto tirada por Morelli, prova da invasão e, depois, viralizada nas redes sociais.


Bolsonaro pescava na Estação Ecológica Tamoios, em
Angra, área onde a presença humana é proibida

27 de mar. de 2019

A rainha da Inglaterra e os homens de vida fácil


Este filme de confronto entre poderes eu o assisti em 1964. Instituições abaladas levam ao enquadramento à ordem, pela via da intervenção. Estamos caminhando sobre o fio da navalha. Acredito que só haverá saída dos quartéis se os antípodas não se assumirem adultos e dispostos ao entendimento. Há, sim, perigo de ruptura. 

O primeiro golpe "nocauteante" foi dado na noite desta terça-feira, quando, atirando no lixo o seu Regimento Interno, a Câmara dos Deputados aprovou, em apenas uma hora, em duas votações, uma emenda constitucional que tira o poder do presidente sobre o Orçamento. A tramóia legalizada engessa parcela maior do orçamento e torna obrigatório o pagamento de despesa, hoje passível de adiamento, bem como das emendas orçamentárias das bancadas estaduais. O efeito disso: o governo perde o comando sobre o orçamento e, como disse a deputada Janaína Paschoal (PSL-SP), a armação transforma o presidente em "rainha da Inglaterra".

Foi um recado dos deputados, in$ati$sfeito$ com a decisão do presidente de não negociar com os partidos. Os líderes da maioria das siglas decidiram colocar o governo contra a parede. Feitiço contra o feiticeiro. Em 2015, o então deputado Jair Bolsonaro e o seu filho e também deputado federal, Eduardo Bolsonaro, subscreveram esta mesma PEC, com o objetivo de emparedar Dilma.

Em síntese, com a emenda aprovada (o Senado ainda vai votá-la, mas apoia a coisa), a maquininha de remarcação de preços passaria a ser abolida, pois a venda de votos pró-governo, em troca de emendas liberadas, dispensaria o balcão, deixando o Executivo sem moeda para negociar - moeda criada na dinastia de FHC, que a usou para comprar, em vergonhoso escândalo, a aprovação da PEC da reeleição. 

Ao constitucionalizar a obrigatoriedade de resgatar as emendas parlamentares ao orçamento, a Câmara, simplesmente, fará do presidente candidato ao impedimento, em caso de não cumprimento do dispositivo. Será crime de responsabilidade, passível de cassação. Parece que, depois da chamada redemocratização, a simpatia da República pelos vices está virando amor.

P.S. - Apresentar proposta de CPI da Lava Toga ferindo, sabidamente, o Regimento Interno do Senado e a própria Constituição Federal, é, demagogicamente, jogar para a torcida. O autor fica bem com a galera e o presidente da Casa, cumprindo o ordenamento legal, é quem ganha a fama de bandido. Amigos, já disse conhecido deputado mineiro, ali no Congresso há de tudo: honestos, bandidos, ladrões, probos, decentes, indecentes. Só não há bobos. Os bobos somos nós.

26 de mar. de 2019

O filme de Bolsonaro e a ópera tragicômica de Lula


O presidente Bolsonaro e Michelle foram
assistir ao filme "Superação, o milagre da fé".
O sol nasce e as mãos e bocas que trafegam em quatro ou duas rodas atiram raios raivosos com pitadas fortes de intolerância. Parece que todos acordaram com hálitos de ódio. Precisam aprender a cuidar da assepsia oral, pois as mães alheias não merecem os títulos nada nobres anunciados por canejos ambulantes.

Na vinda para o trabalho, assustadores os olhares fulminantes e ensurdecedoras as buzinas dos que querem ser donos das ruas, como se o da frente fosse o culpado pelo rotineiro stop and go em que se transformou o trânsito maluco desta - infelizmente - cidade grande. Aqui nesta Goiânia, há mais carros do que gente e eles são mais educados do que os seus condutores.

Mudando o dial, acesso as minhas fontes em Brasília. Há fartura de crises de todos os tamanhos, produtos da megalomania extremada do clã do presidente. Arrumar confusão é com eles mesmos, uma espécie de quarteto fantástico às avessas. Passaram a tarde distribuindo bordoadas verbais.

Mais calmo estava o patriarca, depois que, de mãos dadas com a sua Michelle, foi ao cinema, pela manhã. Deveria fazê-lo diariamente, melhor do que ir aos tuítes confundir espinafre de caçarolinha com espingarda de caçar rolinha. Seria de bom alvitre se pudesse arrumar um tempinho para governar o Brasil.

O Centrão já avisa que a reforma, nos termos insistidos, não passa. E vai além: a PEC da Previdência, lavrada pelo governo Temer, será devolvida à ópera. Entendem os centristas que ela é mais palatável.

O ministro Paulo Guedes, que iria à Câmara falar com os deputados, pisou no freio e manteve-se na garagem da cautela. Ainda que se alardeie ter a PEC 67% dos deputados em apoio, o governo sabe que a sua reforma não passa sem que o presidente (ou preposto) compareça ao balcão de negócios. Óbvio ululante. Sendo mais da metade da Casa pró-pacote, por que então não o aprovam?

Ad conclusam, tragicômica a desastrada a chicana dos advogados lulistas, ao pleitearem, junto ao STJ, que os processos de corrupção e lavagem de dinheiro, que levaram o ex-presidente ao xadrez, sejam, de pronto, revertidos e julgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, foro para tais crimes, segundo entendimento do STF, semana passada.

Ao concordar com o expediente proposto pelos seus gladiadores jurídicos, Lula, que até então se dizia preso político e perseguido pela partidarização do Judiciário, simplesmente assina a confissão de delitos até então negados.

P.S. - Até o momento em que escrevia essas mal-traçadas linhas, nada de CPI da Lava Toga ter sinal verde no Senado. Mais fácil a red light. Por dois motivos: fere o Regimento Interno das Casa (art. 146: "Não se admite CPI sobre matérias pertinentes às atribuições do Poder Judiciário) e, também, a Constituição Federal (art. 71: o Senado só tem poderes para auditar aspectos administrativos do Judiciário, não podendo, jamais, questionar o que ele julga).

25 de mar. de 2019

Sapos, piratas, moleques...

A semana começa com ares de liberdade para Lula, ainda que boa parte do povo Brasil queira ver o ex-sapo barbudo tomando café de canequinha por um bom tempo. Não se trata de mérito da turminha do Lula Livre, mas de filigrana jurídica que permeia as nossas duas maiores Cortes de justiça. 

Pelo balançar das redes sociais, o bloco dos capas pretas que se cuidem no decisum. O STF, antevejo, deve derrubar a sua própria jurisprudência e coibir o início de cumprimento de pena após a segunda instância. De sua vez, o STJ, atendendo à moção da defesa, pode aprovar a redução de pena do ex-presidente. Aí, ao invés da cobra, o sapo vai fumar.


Bolsomaia: o Brasil não pode ficar à mercê de arroubos
e vaidades pueris
Ainda no balançar das redes, os presidentes Jair Bolsonaro, da República, e Rodrigo Maia, da Câmara dos Deputados, voltam aos tempos de adolescência e, tal qual pentelhos incorrigíveis, protagonizam ridículo bate-barba, mostrando aos brasileiros e ao mundo que continuamos minúsculos, em matéria de prática política e, principalmente, de urbanidade. O Brasil merece respeito de suas autoridades e essa molecagem explícita aprofunda ainda mais a nossa decepção e a nossa desconfiança em relação aos que se revelam pseudolíderes.

Na esteira da semana, a boa notícia é a de que a reforma previdenciária começa a ser apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça. A realidade nos mostra que o governo está a reboque dessa sua única proposta - e aí reside o erro do presidente, pois a vida do país carece, imediatamente, de outras ações. A economia está parada, os investimentos externos foram reduzidos, o dólar dispara (está a R$4,00) e o desemprego ultrapassa os 13 milhões de brasileiros.

A reforma da Previdência é necessária? É. Mas há pontos importantes a serem corrigidos, a começar pela idade mínima para se aposentar. Querer comparar a nossa expectativa de vida com a de países da Europa, que também fizeram tal reforma, é cálculo sem base. Aqui, a nossa média é 76 anos. Na Itália, por exemplo, 10 anos a mais.

Mas, o ponto mais importante da reforma: antes de ser promulgada, que a emenda seja submetida a um referendo. A mudança de regras mexe diretamente na vida dos cidadãos e eles devem ser ouvidos. Isso é democracia - na mais completa tradução do termo: governo em que o povo exerce a soberania.

Mobilização popular se faz necessária. Os nossos deputados e senadores, onde a maioria troca voto por benesses do governo, não têm legitimidade para decidir o que é do interesse de todos os brasileiros. O futuro de quem ralou na vida não pode ser mercadoria em balcão de negócios.

P.S. - A Rússia despejou soldados e armamentos em Caracas. Ação preventiva, depois das conversações de Trump com Bolsonaro, sobre possibilidade de intervenção no país vizinho. Há um barril de pólvora na nossa vizinhança.    

23 de mar. de 2019

Embalos de sábado à noite

Os poderes em baixa. Vídeo mostra o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, citado em "molha bolso" com a OAS.


Em Porto Alegre, em praça pública, espetacular queima de bonecos representando os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal.

Avisem ao Maia que o trabalho dignifica o homem

Moro e o Brasil têm pressa. Maia, não. Nenhuma
Ficamos todos atentos apenas aos erros da Corte (quem manda serem gritantes!), que não estamos nos atendo ao que está orbitando em torno do Brasil com urgência - e aqui cabe a atenção devida ao pacote anticrime do ministro Sérgio Moro. Uma ação prioritária para quem governa e deve respostas aos cidadãos não pode ficar ao sabor das dileções de presidente de Câmara de Deputados ou de quem quer que seja. Não porque seja lema do instalado, mas o Brasil está acima de tudo.

A violência campeia, a bandidagem migra país afora, molecotes vítimas das escolas virtuais de violência cometem barbáries contra próprios amigos de colégio, bandidos assaltam, matam, a droga impera e nós estamos presos em casa, pois o Estado tem se mostrado impotente perante o crime. Vivemos na pátria do medo.

Moro açoda Maia, porque este também é servidor público e este, ao se sentar sobre o que é de urgência, negligencia e mantém sob risco a incolumidade de quem tem o dever de bem representar. Demora injustificável. Havendo qualquer discrepância no pacote do ministro, que o Parlamento a corrija. Se a lei não é boa, que a melhorem. Estão lá para isso. O que não se aceita é crivo pessoal sobre o que pode ou deve ou não ter caráter de urgência.

É preciso sacudir o Parlamento. O país não pode ficar a reboque de vaidades, veleidades e de apegos ao poder. É obrigação do legislador prover o Estado de dispositivos que lhe permitam cuidar dos interesses dos seus cidadãos. 

Maia deveria ler sobre os maias e aprender que não se pode ter tudo sob controle, pois o mundo não depende só dele. Ah, e que nada é pessoal e que todos devemos fazer o máximo esforço, lutar até à exaustão, pois a causa é de todos. E que devemos ser impecáveis com as nossas próprias palavras, para haver coerência entre o que pensamos e o que dizemos.

Fica a lição. De graça.

P.S. - "A arrogância vem antes da queda". (provérbio alemão) 

A vaquinha eletrônica e o menino travesso



Um internauta muito espirituoso decidiu criar uma "vaquinha" virtual a fim de arrecadar dinheiro para a compra de um videogame para o filho do presidente Jair Bolsonaro e vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PSC). Iniciada nessa sexta-feira (22/3), a campanha já havia arrecadado, até a última atualização, às 16h, R$ 375. A meta é R$ 1 mil.

"Ajudem a reunirmos recursos para comprarmos um Playstation para o Carlos Bolsonaro. Assim, ele ocupa o tempo brincando e para de ficar postando coisas impertinentes nas redes sociais", diz o texto da campanha.

De acordo com o "cowboy", caso a meta seja atingida e Carlos não aceite o "presente", o valor arrecadado será doado à Santa Casa de Misericórdia do Rio. 

A "vaquinha" surge um dia depois de Carlos, que tem 36 anos, causar um novo mal-estar entre o governo de seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, e aliados. Na quinta-feira passada, o vereador publicou resposta do ministro Sérgio Moro à decisão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de deixar a apreciação do pacote anticrime em segundo plano. 

P.S. - Ruim por ser do clã Bolsonaro, mas que Rodrigo Maia merece críticas, não há dúvida. O Brasil precisa da medida, corrigida, melhorada, sei lá, mas precisa. 

O perigo de repetir o passado

Batalha na Guerra do Paraguai: matança encomendada
O capitão precisa tomar cuidado com a mendacidade. Não cai bem, a quem se anunciou espetáculo de grandeza, se revelar, abertas as cortinas da realidade, ópera bufa. Do último domingo a hoje, em meio a alguns importantes acertos - vide o ajuste do Brasil nos mares da OCDE, a sua inclusão na OTAN (Organização do tratado do Atlântico Norte) -, o nosso presidente tem surfado em pantomimas, estultices e ejaculação de lorotas.

A porta aberta aos estadunidenses, ainda que sem reciprocidade, atrai o turismo, mas não só de lá. Canadá, Japão e Austrália também gozarão do "mi casa, su casa", como diriam os irmãos mexicanos, tão duramente maltratados por El Capitán, em sua defesa do muro da vergonha.

Não se tem, ainda, a completa tradução do real conteúdo do "Pacto Donald" firmado com o nosso "presidente de honra" made in USA. O "imbróglio Venezuela", por tática de ambos os estrategos, está sendo tratado como segredo de Estado. Maduro está podre, mas querem derrubá-lo já. Seremos cabo de chicote, pelo que se depreende do servilismo em elevado grau, explícito e constrangedor.

A primeira vez que nos prestamos a tal calhordice se deu quando a Inglaterra financiou a Tríplice Aliança - Brasil, Argentina e Uruguai -, para destruir o Paraguai. Os britânicos, com a sua revolução industrial, abasteciam o ocidente, menos o sul da América, onde o Paraguai, governado por Solano López, era a grande potência econômica.

Como os nossos livros de história são omissos em grande parte dos fatos, contemos que os paraguaios tinham siderurgia, fundições, estaleiros, forte indústria têxtil, ferrovias etc. Abasteciam o Cone Sul. Financiados pelos ingleses, conluiados com argentinos e uruguaios, nós os destruímos. Esse Paraguai que aí está é culpa nossa.

Pauta Venezuela. Será que vamos nos prestar novamente ao papel de instrumento em prol de interesses de terceiros? 


Presidente, resolvamos, primeiro, os nossos problemas, que são muitos. Acelere. O Brasil precisa que o senhor acerte. e tem pressa.

P.S. - O nosso capitão precisa domar os seus pitbulls. O Brasil não é o quintal de condomínio e muito menos game para filhinhos mal educados, que se acham acima de tudo e de todos, só porque papai é presidente. Dê um açaimo a cada.