16 de mar. de 2019

A lei de Lampedusa no império da mentira


Com a retomada da democracia no país, descobrimos, na esteira das decisões que se sucederam, que os ares de liberdade eram engodo, falso cenário a esconder a verdade silenciosa e subterrânea sobre o novo Brasil que surgia.

Giuseppe Tomasi de Lampedusa, o palermitano autor de "O Leopardo", que virou filme de Visconti, com Burt Lancaster, Alain Delon e Claudia Cardinale, é o pai de enunciado que melhor define os embustes usados nos chamados processos de democratização.

No Il Guepardo, o príncipe Falconeri, ao declarar que vai compor as tropas contra o sistema, justifica a sua decisão e define os objetivos da sublevação: "Algo deve mudar, para que tudo continue como está". 


Este pequeno excerto entrou para o universo da política hodierna como "La legge di Lampedusa". É a lei que move governos e parlamentos - e aqui neste nosso rincão, tem sido o fundamento garantidor do status quo de um dos sistemas republicanos mais corruptos do mundo.

A nossa Constituinte foi uma farsa - um golpe branco. Ao invés de uma assembleia nacional formada por pessoas do povo e específica para tal fim, o então presidente Sarney, por decreto, estabeleceu que os parlamentares federais (deputados e senadores), eleitos em 1986, comporiam plenário uno, para elaborar a nova Cartas Magna.

Não tivemos o povo na lavra. Partidos políticos enxertaram na nova Constituição as suas propostas adredes à sua ideologia e, depois de quase dois anos, vimos a consolidação do golpe. Ao não submeter a nova Carta a um referendo - o aceite ou não pela população -, promulgou-se a tal, sob o argumento da desnecessidade, pois estávamos saindo da ditadura. Mais do que nunca e justamente por isso, a consulta aos brasileiros se fazia indispensável.

Outubro de 1988, dia 5. Festa. O Brasil, que, em 1985, havia saído da ditadura militar, entrava agora na ditadura partidária. Amarrado pelos partidos, o Executivo não governa e passa a ser um agente a serviço dos interesses do Parlamento. É o famoso toma lá, dá cá. Soma-se a ambos o Judiciário, contumaz agressor de uma Constituição da qual deveria ser o guardião. Assim, são três poderes que, ao invés de do povo, pelo povo e para o povo, estão a serviço de seus próprios interesses e nos de outrem.

Reforma da previdência, política, tributária, pacto federativo etc. Todos falam em mudanças, em reformas. Retórica, apenas isso. Não querem mudar nada. Ou alguém acredita que, nesta tal reforma previdenciária, por exemplo, deputados e senadores votarão para que as suas polpudas aposentadorias sejam reduzidas ao teto máximo de R$5 mil, pagos aos da planície? Amigos e amigas, os tais jamais irão mudar aquilo que os beneficia.

Lei de Lampedusa. Nunca se esqueçam dela.

P.S. - Como dizia antigo deputado federal mineiro, José Bonifácio: "Aqui no Congresso tem de tudo. Tem ladrão, tem honesto, canalha, gente séria… Só não tem bobo".

15 de mar. de 2019

"Não sois máquina; homem é o que sois"


Há duas palavras que, por estupidez, ignorância, negligência, prevaricação e irresponsabilidade, abolimos do nosso dicionário - e ambas indispensáveis (vitais) para o nosso "convívio" familiar: LIMITE e NÃO.

Limite, do latim "limes", era um conceito simples: indicava o caminho que marcava os confins dos terrenos agrícolas e, depois, todos os tipos de fronteiras. E a regra era simples: não ultrapasse.

Abolimos o limite e o agente limitador, o não, aquele advérbio preferido pelo Criador, quando, via Moisés, cravou em pedra um decálogo regulador das ações humanas, no dia a dia: não roubarás; não matarás; não levantarás falso testemunho; não fornicarás etc.

Os meus pais jogaram duro comigo, mas os pais de hoje são "complacentes". "Paizão legal", "Mamãezinha querida", bajulações interesseiras dos filhotes e condescendência intencional de pais que, abstendo-se do dever de educar os seus mocinhos e moçoilas, aquiescem a tudo, deixando à margem os moldes da decência, da moral e dos bons costumes. Não estão criando homens e mulheres, mas tão só buscadores de bens materiais ou simbólicos. Criando seres vazios.

Trabalhar é preciso, viver não é preciso. Parafraseando o general romano Pompeu, eis o mandamento único dos caçadores de bens materiais que, na conjugação permanente de um único verbo - TER -, ignoram o verbo da existência, da razão de estarmos aqui: SER.

Eu sou, tu és, ele é… Preferem o eu tenho, tudo tens, ele tem… Na busca dessa posse, desse ter mais e mais, despejam os seus filhos diante das tevês e breguetes eletrônicos condicionantes e/ou alienantes, antes ou depois de os despejar nas escolas, transferindo aos professores a responsabilidade negligenciada em casa.

Pobres mestres, quase sempre por eles agredidos verbal e, muitas das vezes fisicamente, quando não pelos pais dos tais, assim que os seus queridinhos, preguiçosos, relapsos, que nada estudam e nada sabem, levam nota mínima nas provas que não dão conta de fazer.

A educação, que busca formar homens e mulheres para o exercício da cidadania e dos ricos valores que os dignificam, perde, hoje, para a cultura do consumismo e da busca do prazer individual e imediato. O resultado é desastroso: exército de cabeças ocas, geração sem ideias

A modernidade e o progresso somados aos preceitos da família tradicional podem, sim, resultar num conjunto harmônico com liberdade e responsabilidade. Depende da determinação, da perseverança, do querer de todos (a casa sobre a rocha).

Sem limites e sem nãos, sem a bússola de verdadeiros pais, são filhos do ócio, dos vídeos, dos sites de conteúdos perigosos - desvios de conduta, pedofilia, racismo, intolerância, violência etc., quando não adotados pelas drogas.

Busco em "Tempos Modernos", de Chaplin, a pertinente máxima "não sois máquina: homem é o que sois". O universo da tecnologia está mecanizando sentimentos, robotizando a família e aniquilando almas. Para essas, não há prótese.

P.S. - A instituição família está respirando por aparelhos. É preciso salvá-la. E, também, trazer de volta a tolerância, ressuscitar o perdão e o mais importante dos sentimentos: o amor, a verdadeira fagulha divina.

14 de mar. de 2019

Por 6 a 5, STF condena a Lava Jato à morte

A indignação nas redes sociais

6 a 5. Mataram a Lava Jato. Os bandidos da política estão exultantes, com certeza. Os crimes comuns ligados a Caixa 2 (corrupção e lavagem de dinheiro, entre eles) serão julgados, a partir de agora, pela Justiça Eleitoral - TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral), nos Estados.

Como nem lá e nem nos estaduais há estrutura e pessoal para fazer tudo dentro do que manda o processo penal, para a efetiva aplicação da lei, não nos assustemos com os resultados. Afinal, se nem o tribunal maior dá conta de resolver simples pendências (é uma fábrica de liminares, onde acusados conseguem "alvará temporário de impunidade"), imaginemos como ficarão as coisas cá embaixo.

A sessão desta quinta-feira, 14, do Supremo Tribunal Federal, veio mostrar, mais uma vez, que aquela Corte, tida como guardiã da nossa Constituição, é a primeira a violentá-la - exceptuemos alguns de seus membros, em alguns momentos.

A Justiça Eleitoral não tem estrutura para trabalho de tal calibre. Desaparelhada e falha. Barroso conhece a casa. É o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral e, portanto, melhor do que ninguém, sabe o que diz:

"As estatísticas de condenação pela Justiça Eleitoral são pífias. Nós vamos transferir para essa estrutura inexistente a competência para enfrentar a criminalidade institucionalizada no Brasil, quando esteja associada a delitos eleitorais. Penso que não seja uma transformação para melhor". :

E conclui: "Quando uma das coisas que estão dando certo no Brasil, neste momento em que tanta coisa anda errada… vem o Supremo e muda, e passa para uma justiça (eleitoral), que não tem nenhuma expertise no tratamento de questões penais e menos ainda no enfrentamento criminal da corrupção".

As redes sociais mostram a indignação de um País contra o seu Judiciário. Perde força e respeito um poder que pune os seus juízes corruptos com aposentadoria compulsória e salário integral. Prêmio vitalício por ser desonesto.

Até quando?

13 de mar. de 2019

"No meio do caminho tem uma pedra..."

O ataque a tiros na escola estadual Raul Brasil,
em Suzano, deixou 10 mortos e 10 feridos

Suzano, São Paulo. Tiros em uma escola, uma dezena de mortos, autores se suicidam. Não tão comum aqui, ainda não se sabe o que teria levado duas pessoas a tal conduta. A verdade é que temos hoje, no Brasil e no mundo, a crescente cultura da violência, da arrogância, da prepotência, males que têm como ingrediente o mais abjeto dos fatores sociais negativos: a intolerância.

E ela se alastra, arraiga e ganha contornos mais nefastos com a idiotia dos que vestem fantasias ideológicas e desfilam, em blocos renitentes, as mais estúpidas versões de suas aversões, como se senhores da razão fossem. Aceitam os que comungam de suas ideias e ódios, desprezando, agredindo e extirpando do contexto que pretendem impor, as vozes dissonantes.

Vivemos em uma sociedade consumista, imoral e avançada, movida pela ambição, e que, infelizmente, com a perigosa catequização da mídia, descarta as virtudes - apud Maquiavel - e, voraz, tudo faz pela busca da fortuna . Modo finis est licitus - ensinava o malévolo florentino o seu pragmático brocardo: o fim justifica os meios.

Vivemos em uma sociedade atrelada ao visor de celulares e submissa ao brilho da tela dos televisores, inserindo em seus cotidianos o desfile de condutas degradantes, onde preponderam a dilapidação dos bons costumes, a idolatria da violência e a banalização da vida.

Filmes carregados de armas carregadas de balas nas mãos de crianças e adolescentes carregados de inconsequência. Ou de pancadarias e de estímulo a elas. Pais espancando filhos e vice-versa. Maridos agredindo esposas e, sempre, o ciúme e uma garrafa entre eles.

Games violentos frequentam as salas das casas, onde, sem a medida do limite, são construídos meninos arrogantes, de caracteres deformados, que se dão ao desrespeito às regras sociais, indo do culto prazeroso ao vandalismo à cultura do bullying nas escolas. Livres e soltos, aprendem a cultivar as diferenças e a rejeitar as igualdades. Filhos da plutocracia, acham que tudo podem.

Na outra mão da vida, estão os hipossuficientes, os filhos paridos pela desigualdade social, aqueles que só são lembrados em anos eleitorais e, depois, esquecidos pelas autoridades, que fecham os olhos ou as janelas de seus carros, nos sinais de trânsito.

Estigmatizados pela cor, pela raça, ficam à margem, excluídos do contexto dos verbos ser e ter, num mundo onde não são, apenas estão, e nada têm, a não ser sonhos com as coisas bonitas, o conforto e a vida digna. Na impossibilidade, armas, o tomar pela força.

Nesse mundo permeado por injustiças e impunidades, em que pelejam fortes e fracos, ricos e pobres, a paz é discurso. A violência, oxigênio. No meio do caminho de ambos, uma pedra. Crack.

P.S. - E o nosso capitão-presidente acha que disseminar o porte de armas é solução para a violência.

12 de mar. de 2019

Circo MEC: muitas palhaçadas e poucos palhaços

 

Ricardo Vélez Rodríguez, colombiano naturalizado brasileiro, ministro da Educação, trapalhão que é, balança na corda bamba. Primeiro, pelas medidas adotadas e depois mandadas para o lixo, tão disparatadas que eram - uma delas, do Hino Nacional de canto obrigatório e filmado e que o slogan de Bolsonaro fosse lido.
Segundo, porque quem o colocou lá foi o então amigo e ideólogo Olavo de Carvalho, que seria o "pai" da história do hino e que, descontente com o recuo, teria pedido a sua cabeça ao presidente.

Melhor Vélez já ir se acostumando com a ideia da provável exoneração. O padrinho, que é "eminência parda" do Governo, também teria indicado para o cargo o atual secretário de alfabetização do Ministério, Carlos Nadalin. O novo afilhado é conhecido por defender  a adoção do ensino domiciliar e ser dono de conhecido e frequentado site na internet, "Como Educar seus Filhos".

Lamentavelmente, este governo começa sem priorizar e fortalecer a sua  pasta mais importante: a Educação. Há muito que a solapam, que a deformam, que a negociam. Prevalece a regra máxima de regimes totalitários: nada de conhecimento ao povo. Quando mais desinformado e vazio for o cidadão, mas fácil de se submeter ao domínio dos senhores instalados.

Há muito que está tudo errado. Nos países de maior desenvolvimento, o segundo grau é profissionalizante. Aqui, as faculdades particulares e seus vestibulares fictícios estão formando mão-de-obra. São verdadeiras fábricas de diplomas a enriquecer a chamada "máfia do ensino".

Elas estão por todos os cantos. E na internet, com o farsesco Ensino À Distância (EAD). Os nossos jovens pagam cursos e levam os diplomas, mas são poucos os que têm conteúdo para exercerem as suas profissões. Há diplomados demais e empregos de menos.

Mesmo os profissionais mais bem qualificados estão tendo dificuldades para entrar no mercado de trabalho, prova de que estamos formando bacharéis, mestres e doutores para o desemprego. Enquanto que, no mundo, a taxa de desocupação desse grupo gira em torno de 2%, aqui no Brasil, a média é de 25%. Os números estão aí, resultado de pesquisa do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Precisamos de ministro e Ministério de Educação cumprindo o seu desiderato. Não podemos mais conviver com o flagelo de 2,8 milhões de crianças e adolescentes, de 4 a 17 anos, fora das escolas. Inaceitável que apenas 9% dos estudantes que terminam o segundo grau saibam alguma coisa de Matemática.

O nosso sistema educacional, deformado pela irresponsabilidade dos governos e pela corrupção, tornou-se tão perverso a ponto de empurrar três em cada 10 brasileiros para o analfabetismo funcional. Até quando?

Que o nosso presidente saiba que a Educação é um dos pilares da sociedade e que, por isso, não deve ficar como moeda de troca ou para atender veleidades e vaidades de presunçosos ou de falsos ilustrados.

Abaixo as "schools picks" (escolas picaretas). Precisamos de escolas e de ensino de verdade e de estabelecer limites para as autorizações a mancheia de cursos para as fabriquetas de diplomas que prejudicam o nosso país. É preciso mudar tudo, agora e já.            
P.S. - Üm país se faz com homens e livros". (Monteiro Lobato)

11 de mar. de 2019


A matemática Mandrake dos barões de Arurana

Lendo Katherine Alexandria e Larissa Quixabeira, em O Popular: "Onde foi parar o dinheiro da Celg?". 

Li e reli as explicações dos perdulários que a venderam. Gastos em estradas (a mais cara delas, a GO-070, consumiu 62 milhões e está cheia de buracos) e em três maiores obras da área de saúde (R$45 milhões 541 mil, do total de R$85 milhões e 100 mil. Detalhe: nenhuma delas funcionando, etc..

Li as defesas de ambos nesta boa matéria. Argumentos pífios. Exibir 60 ofícios sobre obras e seus custos não é prova material para justificar tais gastos. Mas, ainda que haja constatação de alguma verdade alegada, chama a atenção apenas um item da - se é que podemos assim chamar - prestação de contas. E é para este único ponto que chamamos a atenção e o contribuinte quer saber: o custo de obras sem descrições específicas: R$ 205 milhões.


Pasmem. Custo de obras sem descrição específica? R$ 205 milhões gastos sabe-sabe-se lá com o quê! Explicações são necessárias e urgentes. Contra qualquer silêncio, reverberando, há a pergunta que insiste em não calar: where is the money? Où est l'argent? Donde está el dinero? Ou, popularescamente falando, cadê a grana?  
Resumindo: com a "venda" da Celg para a italiana Enel, Goiás recebeu, na época (2017), R$ 1 bilhão 104 milhões. Pelos números apresentados da gastança, os antecessores de Caiado gastaram R$ 1 bilhão 143 milhões - R$ 39 milhões acima do dinheiro recebido.



P.S. - Na mesma edição do Pop, li entrevista do ex-governador Maguito Vilela, onde critica o atual governo estadual. Quer ver obras. Interessante lembrar de que, quando o tal senhor governou Goiás, ele só conseguiu ter caixa porque vendeu a usina de Cachoeira Dourada. Bom lembrar que também é de sua lavra outro ato lesivo aos goianos: a federalização do BEG, Banco do Estado de Goiás - processo iniciado por ele e materializado pelo seu sucessor. Ambos alegam exigência de FHC. Sempre os outros. Mal de maus políticos. Assumir culpas faz parte da hombridade.

Peripécias manoelinas no "quintal" da ditadura


Manoel de Oliveira, em 1969
Ano de 1969. Anápolis, sexta-feira, 28 de fevereiro, inauguração dos refletores do Estádio Jonas Duarte. 
Em campo, Anápolis, o famoso Galo da Comarca, e Flamengo, que trouxe como grande atração o idolatrado Manoel Francisco dos Santos, o tal Mané Garrincha. 

Estávamos lá. Equipe 1320, Rádio Clube (hoje Sagres 730). O anapolino (e grande "basqueteiro") Habib Issa narrando, Carlos Alberto Sáfadi comentando e eu na reportagem de campo. O Mengo perdeu: 1 a 0.

O inusitado da noite ficou por conta do amigo Manoel de Oliveira, um dos nossos narradores. Morando em Anápolis, ele comandava programa de esportes na histórica Rádio Santana. Grande Mané!

Na época, os militares estavam no poder. Forte reduto do MDB, onde os irmãos Santillo (chamados, à época, de Irmãos Coragem) comandavam a resistência, a cidade era tida pelo regime como campo de fácil exploração por elementos subversivos, interessados na perturbação da ordem. De molde que o pessoal do SNI - Serviço Nacional de Informações não saía dali.

Foi nesse clima e para a festa no estádio que chegam para um grande show dois artistas famosos de então: Joelma e Nelson Ned. No afã de "furar" as emissoras concorrentes, Mané foi ao hotel e levou ambos aos estúdios. Comemorava: entrevista exclusiva.

Chegaram à rádio por volta das 19h10min. Estava no ar A Voz do Brasil, o que impedia a materialização do "furo". Mas Mané não se viu impedido. Agitado que só, mandou o operador tirar a cadeia nacional do ar e pôs-se a bater papo com os cantores. Cerca de 20 minutos depois, duas viaturas estacionam na porta, quatro "guarda roupas" desceram e deram voz de prisão aos quatro (o operador de som, coitado, foi levado também).

Ao sair da cadeia nacional, Mané entrou na cadeia da Polícia Federal e ali ficou até entardecer do dia seguinte. Joelma e Nelson Ned com ele. Saíram mais cedo. Ambos queriam matá-lo. Resultado: não houve show (nem o de Garrincha, que já estava com problemas no joelho).

Em 1973, estava eu no Aeroporto de Congonhas e me encontro com Nelson Ned. O lembrei do fato. Rimos muito. Perguntei a ele como havia conseguido ser solto primeiro que o Mané.

- "Eu era o menor problema", disse ele. Literalmente.


P.S. - No final daquele ano, Henrique Santillo foi eleito prefeito de Anápolis. Em 1973, o seu sucessor, João Batista Júnior, do MDB e eleito pelo voto, foi cassado pela ditadura no dia 26 de agosto. No dia seguinte, por abrigar base aérea da FAB, a cidade foi declarada área de segurança nacional. Dois dias depois, assumiu a administração da cidade, como interventor, o engenheiro Irapuan Costa Júnior, que, depois, governou Goiás de 1975 a 1979.

"Homines sunt ejusdem farinae"


O procurador Diogo Castor, da força-tarefa da Lava Jato, denuncia a manobra no STF para tentar transferir investigações de corrupção para a Justiça Eleitoral. A tranquibérnia está sendo gestada na Segunda Turma, que programou, para a próxima quarta-feira, o julgamento para a materialização da embófia.

“Como no Brasil todo político corrupto pede propina a pretexto de uso em campanhas políticas, se o entendimento da turma do abafa sobressair, praticamente todas as investigações da Lava Jato sairiam da Justiça Federal e iriam para Justiça Eleitoral, isto incluindo complexas apurações de crimes de lavagem de dinheiro transnacional, corrupção e pertencimento à organização criminosa”, diz Castor, em artigo exclusivo para O Antagonista.

Encurtando a conversa: todos os casos relacionados à Operação Lava Jato, em que haja a alegação de que a grana suja de propinas e caixa 2 seria definida como dinheiro de campanha eleitoral, caberá à Justiça Eleitoral investigar todos os crimes federais relacionados.

A chamada "turma do abafa" se sustenta no art. 78, IV, do Código de Processo Penal, cujo texto diz que, havendo conexão entre um crime comum de competência da Justiça federal e estadual e um crime de competência da Justiça Eleitoral, esta última deve exercer força atrativa e julgar tudo.

Os ilustres togados da Segunda Turma do STF (que é o guardião da Constituição) querem que uma lei ordinária (Código de Processo Penal) prepondere sobre o texto constitucional, modificando-o, e, na esteira da insubordinação, pretendem ignorar julgados do Superior Tribunal de Justiça a quem cabe decidir sobre conflitos de competência jurisdicional, afastando a força atrativa e determinando a separação dos feitos. É isto que, mais uma vez, estará em julgamento na próxima quarta-feira, 13.

Que venha logo a Operação Lava Toga. É preciso "estourar" a caixa preta da confraria dos privilegiados. Resta saber quando e quem há de. Conhecedores dos escaninhos do Judiciário garantem haver ali mais corrupção do que a soma de ilegalidades símiles do Executivo e do Legislativo.

"Homines sunt ejusdem farinae". São homens da mesma farinha.

P.S. - A Operação Lava Jato completa cinco anos e apenas 45 dos 426 denunciados estão na cadeia. Entre os engaiolados estão alguns líderes políticos empresários. é esse restante que conta com a trupe do abafadores. Até quando?

9 de mar. de 2019

Avisem ao capitão: é hora de governar




A continuar com arroubos pueris e a permitir que os filhos, já  cognominados "Os Três Patetas", falem pelos cotovelos e, tal como o pai, se achando donos do Brasil, nem Messias poderá salvar o governo do Jair. 

É preciso que alguém diga ao capitão que ele foi eleito presidente da República Federativa do Brasil e não de república de estudantes. 

Importante, também, que o aconselhem a não imitar Trump. A cópia não será boa, pois o original já veio com defeito e não funciona. 

Alguém tem que dizer ao próprio que a Presidência não é cargo, é instituição, e, por isso, tem um ritual a ser cumprido por ele (e pela família, também), onde o decoro é regra pétrea imutável e para cumprimento compulsório.

Passados 60 dias (de trapalhadas) na "Mitolândia", enquanto o presidente "falastra"; enquanto Moro é obrigado a recuar em suas decisões; enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, coloca o país a reboque da questionável Reforma da Previdência; e enquanto a praga da corrupção ataca o laranjal do pomar do Governo, há única auxiliar a trabalhar de fato em prol do Brasil: a ministra Teresa Cristina, da Agricultura.

Ela e os ruralistas têm colocado Guedes e equipe econômica na roda. E não é para menos. Graças ao agronegócio, em maiúsculo primeiro plano, começamos bem este 2019. Dados do Ministério da Economia apontam um superávit de US$3,67 bilhões - exportamos US$16 bilhões e 293 milhões e importamos US$12 bilhões. Os produtos do universo rural continuam sendo a locomotiva do nosso Produto Interno Bruto - PIB. 

É desta seara que o presidente Bolsonaro deve cuidar, começando por erradicar do seu nacionalismo exacerbado este discurso de rejeição a países que têm ideologias díspares da nossa - e a China é a primeira da sua lista negra. 

Paulo Guedes deveria ministrar curso intensivo ao seu chefe e lembrá-lo de que, de acordo com os dados oficiais do primeiro bimestre, os chineses encabeçam o bloco dos cinco maiores compradores dos nossos produtos. Seguem depois, pela ordem, Estados Unidos, Argentina, Países Baixos e Panamá.

Importante alertar JB sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China e a sua influência direta nas nossas exportações. A melhora no ânimo dessa relação sino-estadunidense recomenda que coloquemos a barba de molho e fiquemos de olhos bem abertos. 

Fortalecer os nossos laços com Beijing, trazendo de lá investimentos em indústrias e construção de ferrovias e os abastecendo com os grãos, carne e aço - eis aí a fórmula tão somente mercantil, destituída de matizes político-ideológicos.

Avisem isso ao capitão. Ah, e peçam a ele que tuíte menos e assuma a presidência, coisa que ainda não fez. Torcemos, é claro (e muito), pelos seus acertos. O Brasil precisa e pede isso. Cabe ao presidente ter, também, a vontade de acertar.        

5 de dez. de 2015

Tempos de TV Brasil Central: Fórmula 3 e os "botes" de Cascavel

O argentino Nestor Furlán recebe a bandeirada da vitória no GP do Rio,
sagrando-se campeão da temporada de 1989
Ano de 1989. Campeonato Sul-americano de Fórmula 3, etapa de Cascavel, Paraná. Era um sábado. O meu voo desceu em Foz do Iguaçu. Ali mesmo no aeroporto aluguei o único carro que restava na locadora – um fusca, com aquela faixa preta cruzando o teto (lembrava os fuscas da frota do Bamerindus). Volante duro, resultado de uma batida.

Demorei hora para chegar a Cascavel. Direto para o Hotel Deville.  Malas no quarto e rumei para o autódromo, palco da corrida. Equipes em preparativos. Christian Fittipaldi, aos 18 anos, era a atração – estreava na modalidade, com  o pai Wilsinho comandando o time.

Eu dirigia o jornalismo da TV Brasil Central e era, também, narrador  esportivo – de futebol ao jogo de boliche, passando pelo vôlei, basquete, futsal, automobilismo etc.. Fernando Campos, o meu comentarista, estava ali desde sexta, em companhia da mulher, Marlene. Foram curtir as Cataratas.

Domingo, a prova seria às 13 horas. Chegamos ao autódromo às 10 e fomos pegos no contrapé. Simplesmente, a empresa de telefonia responsável não havia instalado terminais para que pudéssemos fazer a transmissão. Mostrei ao encarregado o pedido feito com um mês de antecedência e aí começou o tal liga pra cá, liga pra lá.

Como a burocracia acabaria tomando o tempo, sugeri a ele que nos cedesse a linha de um dos orelhões ali existentes, o que resolveria, parcialmente, o problema. Falaríamos, mas não teríamos retorno, ou seja, não ouviríamos qualquer chamado dos estúdios.

A linha foi colocada sobre os boxes. Ao meu lado, um pequeno (e barulhento) gerador a diesel da Rádio Belgrano,  de Buenos Aires.  Coloquei o monitor de TV dentro de uma caixa de papelão, escurecendo a tela para poder enxergar a imagem.

Resolvemos o problema do retorno graças ao desprendimento do nosso gerente da TV, Lourenço Tomazetti, com quem eu conversava durante os comerciais e que dava a deixa para as minhas entradas.

Alencar Júnior, nosso grande campeão de Stock-Car, estava na F3 e era um dos destaques da prova, juntamente com outros brasileiros, além de Christian, casos do Leonel Friedrich, Pedro Muffato, César Bocão Pegoraro, dentre outros.

O argentino Nestor Gabriel Forlán venceu a prova – e foi o campeão da temporada, com 57 pontos, seguido por Leonel Friedrich, com 54.

Que domingo aquele! Um calor de 40 graus, fumaça do gerador dos argentinos a incomodar, sentamos sobre a laje com as pernas cruzadas que, duas horas depois, não mais queriam se descruzar. Nos ajudou no trabalho o enviado especial de O Popular, Donizete Araújo,  trazendo as informações dos bastidores.


A transmissão foi perfeita, ainda que com os problemas que enfrentamos. Registro aqui estas memórias em reverência aos talentos dos meus companheiros de trabalho. Em especial, Fernando Campos, “doutor” em automobilismo; Lourenço Tomazetti, com quem participei da realização de grandes eventos, e à equipe técnica da TBC. Temos ali grandes profissionais, infelizmente não valorizados pelos badamecos políticos que passam pelo comando do ex-CERNE, hoje Agência Brasil Central, sem nenhum compromisso com a casa.

21 de nov. de 2015

Braga Sobrinho, Jaime Câmara e o homem na Lua

Armstrong, o primeiro pé na Lua
TV Goiânia, julho de 1969. O prédio da Embratel, na 2, ainda estava em construção. Não tínhamos imagens ao vivo das emissoras de TV de São Paulo e Rio, que geravam para o Brasil. O homem ia descer na lua e nós só veríamos depois.
Para não ser tão depois, Francisco Braga Sobrinho, dos Diários Associados, e Jaime Câmara, fizeram um pacto (a briga do Canal 4/Associados) e 2/Câmara era braba): o 4 geraria e o 2 formaria cadeia. Um avião traria as fitas de Brasília, com as imagens da Apollo 11 e áudio da NASA, e, assim, veríamos com atraso, mas no mesmo dia, a chegada do homem ao único satélite natural da Terra.
Braga Sobrinho escalou Luiz de Carvalho, editor-chefe da Folha de Goiaz, para narrar o evento e pediu a mim que o auxiliasse. E lá fomos, como se fosse ao vivo, pois eram imagens inéditas para nós.
Em dado momento, Braga pediu ao master (controle geral) que inserisse, periodicamente, uma sobreposição suave da imagem do Curumim (foto abaixo - o índio que simbolizava a Rede Tupi) durante a transmissão. Seu Jaime ficou muito bravo e deu o troco além medida. Alugou um avião e mandou buscar outras fitas, em Brasília, gravadas pela Globo. Mas trouxe as mais recentes, à frente das imagens que nós estávamos exibindo.

Resultado: o homem chegou à Lua, primeiro, na TV Anhanguera, do que na TV Goiânia.
Toca o telefone. Atendo. Era Carlos Alberto Sáfadi (nosso comentarista esportivo) perguntando a que horas Neil Armstrong pisaria o solo lunar. E emendou:
- Bom vocês apressarem aí, pois, lá no Canal 2, o Neil Armstrong deles chegou primeiro que o de vocês.
Viramos chacota. 

14 de nov. de 2015

Memória: Índio Artiaga, o prefeito do futuro

Índio do Brasil Artiaga Lima (foto) governou Goiânia de1979 a 1982. Em apenas quatro anos de mandato, ele fica na história como um dos melhores prefeitos que a cidade já teve. Sabem por quê? Administrou olhando lá na frente, projetando obras que seriam indispensáveis e fundamentais no futuro.

Coisa que se faz hoje aqui, ali, em São Paulo, Rio, Brasília etc., Índio construiu a ciclovia, que ia da Praça do Botafogo à Vila Redenção. Criou o Plano Cicloviário de Goiânia, com a construção de pistas para ciclistas em todas as marginais.
Em 1980, a ciclovia foi ocupada pela invasão dos sem-teto, o que impossibilitou a instalação de equipamentos e melhor infraestrutura.  Aos poucos, ela foi sendo descaracterizada, até desaparecer. Ainda há trechos remanescentes.

Índio é o “pai” da Marginal Botafogo. Foi ele quem planejou todas as demais marginais que temos. Nion Albernaz teve o cuidado de construí-las. Detalhe: fez questão de ressaltar que eram obras planejadas por Índio, aplaudindo a sua visão futurista da cidade.

Faço esse registro aqui por questão de justiça, pois, em Goiânia, a depender da mídia e de certos historiadores, tudo é obra de Pedro Ludovico, o que não é verdade. Até por que foi Getúlio Vargas quem construiu Goiânia, Pedro foi o capataz.