27 de mar. de 2014

Glória não é Glorinha


Glória Brito Miranda Ribeiro. Esta Glória aí não é Glória Edwiges Miranda Coelho, a Glorinha, secretária particular do governador Perillo. São xarás, são parentes, são do Tocantins. E só. Glorinha, muito discreta, não tem fotos na mídia. É muito na dela. A ela peço desculpas, pois a quase homonímia me levou a erro, pelo qual me penitencio e renovo, como renovarei sempre, as minhas escusas    

Parecia que os homonímicos preponderavam no Palácio das Esmeraldas, o que permitiu à minha "fonte" armar duas situações difíceis para mim.  Me fez errar em relação à Glória e, também, no caso das "duas Elianes", quando se tratava da mesma Eliane Gonçalves Pinheiro, amiga de Cachoeira. Era a que tinha o famoso radinho e assessorava o governador. Foi chamada a depor na CPMI, mas optou pelo silêncio. 

Esta é a Eliane que assessorava Marconi


Pois bem. Esta Eliane aí da foto, ao lado do advogado dela, o Luiz  (grande profissional) - especula-se que será candidata a deputado -  tem a ver, sim, com a sorridente Eliane Pinheiro (foto abaixo), que mostrei como sendo outra, mas que, na verdade, se tratava da mesma. 


Eliane II é a mesma Eliane I
Já a Glória Brito Miranda Ribeiro é homônima da Glorinha, secretária particular do governador Marconi Perillo.  A diferença é que esta tem a mais no nome o Edwiges, que ela não usa e nem gosta. São parentes, também aparentadas de Marcelo Miranda, ex-governador do Tocantins.


Fica esclarecida a pergunta que fiz ao governador. O dinheiro da outra Glória é problema da outra Glória. Mui humildemente, me penitencio, pedindo milhões de escusas à Glorinha pelo dissabor da confusão. 

8 de out. de 2013

Barbarella, futebol e memórias. Ripa na xulipa!

Jane Fonda, em Barbarella

Rádio esportivo goiano. Saudade dos bons e velhos tempos. Idos de 1969.  Jane Fonda era a musa do cinema. Acabava de estrelar Barbarella. O filme começa com ela, flutuando em ambiente de gravidade zero, se despindo do traje de astronauta, restando quase desnuda. (VEJA AQUI)

O Campeonato Goiano começava quente. Introduzi o termo “Goianão”, mania nossa de São Paulo  de colocar as coisas no superlativo. Criei, também, Verdão/ Verdinho, Tigrão/Tigrinho and others. No noticiário dos clubes, adotei o uso dos hinos de cada um. O Goiás não tinha o dele – só mais tarde, no início da era do Serra Dourada, é que o presidente Iberê Monteiro o encomendou a Marcos e Paulo Sérgio Valle, compositores de primeiro time nacional – são os autores da maravilhosa “Viola Enluarada”.

Salve a Sant`Anna das Antas


Anápolis: desfile dos novos modelos Chevrolet  ano 70

A cidade de Anápolis veio com tudo – eram os tempos de Paulo Choco, do Ipiranga, e de Nelson Parrilla, do Galo (Anápolis). Parrilla que foi o artilheiro do campeonato em 65 e 66 – e lembremos que o Anápolis foi o campeão goiano de 1965. Completando a força da Manchester na disputa, eis a rubra Anapolina, também  chamada de “Xata” com “X”, mas nada a ver com a embarcação homônima.

Soube, pelo autor da denominação, que a tal nasceu da marca de tampa de vaso sanitário. A Anapolina ia jogar em Ceres. Numa das paradas, usando o banheiro, Jamil Caixe, que era diretor do time, gravou a curiosa marca do assento do vaso: Xacta. E saiu de lá dizendo que a Rubra ia ser “Xacta”, aprontando contra o Ceres, lá no Vale do São Patrício.

Se materializou o vaticínio, não sei. Mas Xacta logo virou “Xata”, porque os jornais começaram a escrever ”Chata” com “ch”, desvirtuando o cognome, e Jamil mandou corrigir: “O nosso `Xata `é com x``”. Alegaram que estava errado, que “Xata” era embarcação fluvial etc.. O beduíno, meu amigo, simplesmente respondeu: “É Xata com x`. Até nisso ela é chata”.

Recuerdos de la Cataluña


Catalão/GO

Mas a sensação da época era o CRAC, de Catalão. Pedrinho Goulart, diretor de futebol. Nelson Gama, o goleiro. Tinha tal de Toninho Índio (que foi o artilheiro daquele ano, com 14 gols) e um centroavante chamado Cláudio, que só não faziam chover.

Jogar na Catalunha goiana era o mesmo que pegar touro a unha, como diz a marchinha de Carnaval. Primeiro, porque o estádio era (e ainda é) uma arapuca. A galera em cima do campo e em permanente ebulição. Aplausos para o CRAC, vaias para o adversário, elogios à mãe do juiz e à mãe do comentarista que disse estar certa a marcação da arbitragem. Na época, a cidade ainda tinha fama de Trezoitão.

Chatanooga Choo Choo

Lembro-me da primeira vez que lá estive, em 69, para transmitir Vila Nova e CRAC. O Draulas  Vaz, chefe da Equipe 1.320 (hoje, 730) iria de carro no domingo, pela manhã, juntamente com o Jadir Santos, ótimo narrador, irmão do Jurandir. 
 
A estação de Catalão

Fui no sábado, de trem. Eu e o saudoso Nunes Macedo, da Rádio Brasil Central. Vivi em trens, em São Paulo, quando os havia. Lá, a bitola era larga, o trem balançava menos. O daqui, bitola estreita. No vagão restaurante, as mesas tinham  locais para que copos e garrafas fossem colocados, sem que derramassem ao sacolejar.

Para comer, era uma ginástica só. Passamos a noite jogando baralho. Ninguém conseguia dormir. Não havia vagão-dormitório, só o de poltronas-leito. Sei que saímos de Goiânia por volta de nove da noite e chegamos a Catalão já na aurora dominical.


Trem de ferro. Os carcamanos que administraram este país acabaram com ele. No Brasil inteiro. Catalão tem, ainda, o patrimônio histórico dos velhos tempos: a sua estação. E também as têm as demais cidades à margem da ferrovia.

Trens de carga passam por ali. Já não mais existem gentes nas janelas dos vagões, parecendo um desfilar de retratos  de pessoas, numa composição em que a vida imita a arte. Já não há sorrisos em chegadas e nem lágrimas em despedidas. E nem beijos fugazes. Os descalabros dos governos “mataram” as pessoas nos trens. Mataram as nossas ferrovias. Alguém foi preso?

Tempinho bom



Voltemos ao pé-na-bola. CRAC  e Vila, Estádio Genervino da Fonseca. Estávamos no dia 8 de março de 1969, um domingo. Placar final: 1 a 1. A coisa era por pontos corridos.

Voltaram a jogar e a repetir o placar no dia 3 de agosto, no Estádio Olímpico. decidindo o campeonato. 1 a 1. Vila Campeão. Somou 26 pontos, contra 25 do Leão do Sudeste. A Anapolina ficou na lanterna.

Ano de 1969, 10 clubes disputavam o Goianão. E eu me fiz torcedor do Goiânia, que tinha Chico, Silvinho e Tuíra e foi o campeão de 1968. Nei Fernandes, depois comentarista com quem tive a satisfação de trabalhar, era o seu treinador. 
Que saudade daquele tempo, quando Goiânia tinha 300 mil habitantes e ótima qualidade de vida. Quando era grande cidade e não esta cidade grande habitada mais por carros do que por pessoas.

P. S. - Assassinatos das ferrovias. Governantes que fazem isto só podem merecer cadeia, prisão perpétua. 













29 de dez. de 2012

Memórias: como nasceram a Vila e o Vila Nova


Ano de 1934. A cidade em construção. O ditador regional, Pedro Ludovico Teixeira, cumpria ao pé da letra o propósito do ditador nacional, Getúlio Vargas: erguer nas terras doadas por Andrelino José de Moraes, o último prefeito da Campininha, a nova Capital do Estado e marco inicial da Marcha Para o Oeste – a primeira ação de Estado pela interiorização do desenvolvimento.

Getúlio e Pedro Ludovico, em 1940
 Nenhum tostão seria gasto não tivesse Pedro as suas rusgas com o bispo de Silvânia, respeitável liderança eclesiástica e em gozo de invejável influência política no Estado. Já estava certo de que ali seria a nova Capital goiana. Seria.

Contam que, em dezembro de 1932, portanto há 80 anos, Pedro baixara decreto constituindo uma comissão que, sob a presidência do então bispo de Goiás, Dom Emanuel Gomes de Oliveira, iria escolher o local onde seria edificada a nova cidade-sede do governo. Os trabalhos foram iniciados em 03 de janeiro de 33. Por sugestão de um de seus membros, o Coronel Antônio Pireneus de Souza, alguns técnicos foram designados para promover os levantamentos topográficos, climáticos e hidrológicos nas regiões de Bonfim, hoje Silvânia, Pires do Rio e Campinas, hoje bairro goianiense.  

Bonfim possuía os dois maiores internatos católicos, para meninos e meninas. Dom Emanuel havia transferido o seu bispado de Goiás para lá e, com a sua influência, obtivera a obra transformadora da região: a inclusão do município no traçado da Ferrovia Centro-Leste. Nova sede da diocese, centro produtor de grãos beneficiado com a ferrovia conseguida pelo religioso e principal núcleo educacional do Estado também graças à Igreja, quando soube que a comissão técnica presidida pelo bispo havia optado pela escolha de Bonfim, Pedro “empinou” o velho pangaré.

Dizem que o caudilho teria chamado os engenheiros João Argenta e Jerônimo Fleury Curado e também o médico Laudelino Gomes de Almeida, exigindo deles a aprovação da Campininha. O bispo que fosse reclamar com o Papa. Com tais pareceres, Pedro teria arranchado no Catete, na tentativa de convencer Getúlio a apoiar a escolha. De acordo com os relatórios dos técnicos, tanto em Campinas quanto em Silvânia seriam necessários gastos dispendiosos para adequar uma delas à função que lhe caberia. O ditador optou por uma solução bem mais adequada ao seu propósito: ao invés de gastar muito para preparar uma das duas cidades, melhor construir uma nova, ao lado da Campininha, não magoando ao bispo e nem ao amigo e companheiro.

Getúlio lhe teria dado os 40 mil contos de réis e Pedro, pelo Decreto nº 3.359, de 18 de maio de 1933, determinou que a região às margens do Córrego Botafogo, compreendida pelas fazendas denominadas “Criméia”, “Vaca Brava” e “Botafogo”, no então Município de Campinas, fosse escolhida para nela ser edificada a Nova Capital do Estado. Entre outras medidas, enumerava o ato que a transferência se operasse no prazo máximo de dois anos.

5 de junho de 1942, a inauguração

Os trabalhos de preparo do terreno foram iniciados em 27 de maio de 33 e, no dia 24 de outubro do mesmo ano, se deu o lançamento da pedra fundamental, onde hoje se situa o Palácio das Esmeraldas.  Pedro escolheu o 24 de outubro por ter sido nesta data, em 1930, que Getúlio consolidou o golpe que derrubou o presidente Washington Luís, sagrando-se vitoriosa a revolução. Nesta data Pedro, preso, estava sendo levado de Rio Verde para a Cidade de Goiás, quando os revoltosos dominaram as forças legalistas, colocando em liberdade todos os companheiros detidos.

Esta a razão da escolha da data para o lançamento da pedra fundamental e que, depois, se oficializou como a de fundação da cidade, que, na verdade, seria dia 5 de junho de 1942, dia do seu batismo cultural (inauguração).

A bronca do “velho”

Lavrei este enorme preâmbulo só para contar que, durante a construção da cidade, Getúlio aqui esteve para ver de perto o andamento das obras. Gostou de tudo o que viu, menos quando desceu até a região onde hoje se situa o Parque Mutirama. Bem às margens do Botafogo estavam erguidas dezenas de choças de palha, locais onde residiam os trabalhadores trazidos para a empreitada. Eram pedreiros, serventes, carpinteiros, eletricistas, encanadores etc., que ali habitavam com suas mulheres e filhos.

Ranchos de palha para os peões
 Getúlio ficou muito bravo – o próprio Pedro mo disse – exigindo que o interventor providenciasse com a máxima urgência moradias que respeitassem a dignidade de todos. Foi assim que, do outro lado do córrego, surgiu o primeiro conjunto habitacional da cidade. Aos seus moradores, quando alguém lhes perguntava onde viviam, a resposta que davam era a mesma: “Moramos na vila nova”.

Quando os operários calçaram chuteiras para as peladas futebolísticas, logo um dos adversários passou a ser o pessoal lá da vila nova. De referência a vila nova se tornou bairro da Vila Nova e o elenco de operários peladeiros resultou no Operário da Vila Nova e, em 1943, passou a ser somente Vila Nova Futebol Clube, por obra e arte do Coronel Frazão (vide militar fardado na foto histórica do time).


Da bronca de Getúlio nasceram o bairro e o time, mas ninguém faz reverência ao velho ditador, nem mesmo pela ideia de mandar fazer a cidade. Não se declamam loas a ditadores e nem se entoam hinos em louvor.

São fatos e memórias do meu arquivo implacável.