14 de nov. de 2015

PEDRO LUDOVICO: O TERROR CONTRA JORNALISTAS EM GOIÁS! (II)


Sol escaldante. São 11 horas e 30 minutos do dia 8 de agosto de 1953. Estamos a três quadras do Palácio das Esmeraldas, próximos do cruzamento da Goiás com a Anhanguera. Pedro Arantes, diretor da empresa estatal de energia elétrica, interpela o jornalista Haroldo Gurgel sobre a manchete estampada no semanário O Momento, “O homem voltou e deu a luz”. Estava irado.

Gurgel sorriu. E que Arantes, no dia anterior, havia ido ao dentista, para uma radiografia. Como estava faltando energia, ele mandou religá-la, bateu-se a chapa e a cidade foi novamente devolvida à “falta de luz”

Quando Pedro Arantes abordou o jornalista, do mesmo carro oficial descem, também, Pernambuco (José de Sá Novais), um sobrinho dele, cujo nome nunca se soube, Neném Calango (Antônio Batista de Oliveira), Domingos Borrely e José Serapião de Sá.

Desceram atirando, mandando as balas contra o indefeso Gurgel e, de quebra, ferindo os irmãos João e Antônio Carneiro Vaz, donos do jornal. O indefeso jornalista tombou morto. João chegou a atirar um tijolo contra os assassinos, que fugiram no mesmo carro do Estado (era um veículo da COAP, Comissão de Abastecimento e Preços).

Um cidadão que por ali passava improvisa um pincel e o molha no sangue que escorria, escrevendo na parede do Lord Hotel uma frase-manifesto: “Aqui tombou um moço defendendo a liberdade de imprensa”.

Goiânia ainda era pequena nos anos 50 e logo a população inteira tomara conhecimento do crime. Antônio Vaz, de 20 anos, havia levado oito tiros e João, de 18 anos, outros cinco, foram internados num hospital.

O corpo de Haroldo Gurgel foi transformado num símbolo de revolta, velado por políticos, pela massa indignada. Não houve cortejo fúnebre. O povo, que lota a Praça Cívica, leva o caixão nas costas e o deposita na entrada do Palácio das Esmeraldas.

Pedro Ludovico, o governador, irritado, temendo que o poviléu invadisse o seu reduto, passou a mão no revólver. Do lado de fora, Alfredo Nasser usa a arma que tem: coragem e texto. Edita a nota “Ao Povo Goiano”, que tem como alvo o truculento governador.

No tal manifesto, o jornalista denuncia “os sistemáticos e repetidos atentados a homens de imprensa [...] que se juntam às ladroeiras ostensivas de lotes e terras devolutas, às negociatas, ao assalto despudorado aos cofres públicos, ao nepotismo, às cenas do mais torpe vandalismo, que rebaixam Goiás à condição de senzala e reduzem os foros de cultura do seu povo a uma simples expressão de banditismo”.

O Jornal do Povo vai na jugular do poder: um dos assassinos fora visto no Palácio das Esmeraldas, onde se refugiara. Neném Calango, atingido pela tijolada de João Vaz, foi levado por policiais ao Hospital Santa Luzia, de onde saiu livre, leve e solto, depois de receber alguns curativos.

Na investigação policial, Pedro Arantes depõe, alegando ter abordado o repórter e este o teria desacatado. Ele é desmentido por João Carneiro Vaz, testemunha ocular e auditiva e vítima – levou cinco tiros: uma bala no pescoço, duas num braço, uma no outro e uma na virilha. Ainda assim, Pedro Arantes conseguiu sair incólume do tribunal do júri, a exemplo do copartícipe Abade do Carmo, um revólver a serviço de Pedro.

Registrado no Cartório do 2º Ofício Criminal, sob os números 37 e 786, o processo do assassinato de Haroldo Gurgel resultou na condenação de Neném Calango (14 anos), do José Serapião de Sá (27 anos, pena reduzida para 16), José de Sá Novais (18), que fugiu da penitenciaria e nunca mais se soube dele. Domingos Borrely sumiu antes do julgamento, só voltando a Goiânia depois que da prescrição do processo.

O período de violências políticas no Estado, culminando com os acontecimentos de 1952/1953, dentre eles o fuzilamento do jornalista Haroldo Gurgel, provocou tremendo desgaste de Goiás lá fora, tal como se dá hoje com o envolvimento de nossos mais importantes políticos com um contraventor e a serviço dele.

“Será focalizada na ONU a falta de liberdade de imprensa em Goiás” – dizia, à época, a manchete do Jornal do Povo, que registrou a repercussão da censura ludoviquista também no Exterior O assunto estava no Time, de Nova Iorque, no Saturday Post, de Washington, no Herald Tribune, de Chicago; no La Nación e no La Prensa, de Buenos Aires; no Times e na BBC de Londres; no Paris Soir, de Paris, e no Le Figaro, da França et alii.

Pedro Ludovico não tentou contratar jornalistas ou agência lá fora para tentar melhorar a imagem do Estado, mas deplorou a divulgação de fatos que deprimem Goiás. A resposta que lhe foi dada serve muito bem para os dias de hoje:

– Impeça os fatos e não haverá notícia.

***


Março de 1945, dia 21. Os poetas José Décio Filho e José Godoy Garcia vão lançar um jornal de apenas quatro páginas, o Goiaz Livre. Nenhuma tipografia quis imprimi-lo e eles conseguiram fazê-lo numa gráfica improvisada. O DEIP, de Pedro Ludovico, filhote do DIP de Getúlio e comandado por Castro Costa, apreende os exemplares e prende os editores, liberando-os após tomar-lhes depoimentos. O jornal morria antes de nascer.

PEDRO LUDOVICO: O TERROR CONTRA JORNALISTAS EM GOIÁS! (I)

Hoje, mudados foram os meios (parece que nem tanto - vide as ameaças ao Kajuru), mas o terror continua o mesmo.
 
Assasinato de Gurgel: matadores se esconderam no Palácio das Esmeraldas


Repete-se, hoje, comigo e com o Kajuru, o terror que Pedro Ludovico usava contra os que ousavam criticá-lo durante a sua ditadura estadual. Saibam um pouco dessa violência lendo “VOTO DE FOGO, ROSA E TANGO”, do jornalista José Asmar, a quem peço licença para publicar alguns excertos da sua importante obra.

***

“Ano de 1951, setembro, dia 24. O  diretor da Folha de Goiaz e Rádio Clube, dos Associados, Theomar Jones, é agarrado na Avenida Anhanguera e conduzido numa caminhonete à Vila Morais e, aí, é espancado sem dó nem piedade. Física e moralmente extenuado, muda-se de Goiânia.

Dezembro, 29, num bar próximo ao Marmo Hotel, cinco policiais prendem, após busca inútil e gratuita, o redator do JORNAL DO POVO, Leonam Curado, e mantêm-no incomunicável durante duas horas. Coincidência ou não, o chefe da façanha é João Vaca Brava (um delegado acobertador dos delitos do mandante – adendo meu).

A onda invade 1953, quando, em 24 de março, é o jornalista Américo Fernandes de Souza Neto a vítima de agressão física por gente do governo. Cobris ele a Câmara Municipal e reproduzira expressões impublicáveis do líder pessedista.

E agosto estarrece todo mundo. Dia 8, às 11h30min, em pleno Centro, esquina das Avenidas Goiás e Anhanguera, auxiliares do governo trucidam o repórter Haroldo Gurgel e ferem os irmãos Antônio e João Carneiro Vaz, do semanário O MOMENTO.

[...}

O bloco de violências políticas em Goiás, amontoado em 1952-1953, com o hediondo trucidamento do repórter Haroldo Gurgel e ferimentos nos irmãos Antônio e João Carneiro Vaz, constrangeu culpados e inocentes a melhorarem a imagem do Estado. Quintal já não era. Novas gerações e novos habitantes apareciam, sem fios de transmissão de mágoas e brigas.

Por escândalo ou urro de acuado, o JORNAL DO POVO mancheteia, então:

- Será focalizada na ONU a fata de liberdade de imprensa em Goiás.

Alinha repercussão no Exterior:

- Time, de Nova York; Saturday Post, de Washington; Herald Tribune, de Chicago; Paris Soir, Paris; Match e Lettres Français, idem; Le Figaro, também; Times e BBC, Londres; Setimo Giorno e Giornali D`Italia, Roma; Osservatore Romano, Vaticano (que até ao Papa foram queixar-se); La Nación e La Prensa, Buenos Aires.

O governador Pedro Ludovico Teixeira deplora a divulgação wue deprime Goiás. Retrucam-lhe:

- Impeça os fatos e não haverá notícia.

O excerto do jornal VOZ OPERÁRIA, do Rio (a daqui, como sempre, controlada pelos governantes), logo abaixo, responde bem a essa questão.



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No próximo capítulo, a morte de Gurgel e a impunidade do mandante e dos matadores.

24 de jun. de 2015

Rita ali. Eu e Jamil fomos lá

A Rita que conheci, em 1966
A Rita, no final dos anos 70
Final  da década de 70. Rita Lee veio a Goiânia para mais um de seus inesquecíveis shows. Fui vê-la antes. Na verdade, foi um reencontro. Eu a havia conhecido 10 anos antes, na Record/SP, quando ela, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias  eram componentes de Os Bruxos. “Mutantes” foi nome dado, em 1966, por Ronnie Von, momentos antes de o trio estrear na TV, justamente no programa dele.
Os Bruxos que viraram Mutantes
Hospedada no Samambaia Hotel, ela nos aguardava para uma entrevista – eu repórter da TV Brasil Central e estreava, no momento, câmera acoplada a um mini gravador de imagens. Só nós dispúnhamos da nova tecnologia. As demais usavam filmes. sonoros. A operacionalizar o breguete estava o saudoso amigo Jamil Merjane, companheiro de longas e memoráveis jornadas.

Rita vestia calça colante branca, blusa e sapatos vermelhos – tipo sapatilha, sem saltos. Afundou no sofá, quase que deitando-se e colocando as pernas cruzadas em  plano mais elevado, tal como na foto dela abaixo.
Parece ser hábito dela sentar-se assim
A bronca do Jamil foi imediata:

- Mocinha, queira sentar direito. Você vai ser vista na TV, mas não descomposta como está. Sente-se como fazem as pessoas normais.

Sorrindo, Rita olhou para mim e perguntou:

- Isso é de verdade? É real?

Eu lhe disse que sim. E que ele não estava brincando. Ela o atendeu prontamente. Gravamos e, no papo pós, ambos pareciam dois velhos amigos. Jamil lhe mostrava a entrevista, adiantava, voltava, e os recursos técnicos da câmera. Até dividiu com ela o cigarrinho de palha de que tanto gostava.


Jamil Merjane, um dos que escreveram, com letras maiúsculas, as boas páginas de história da TBC. 

Rita? Continua firme e forte. Já escreveu e continua escrevendo a trajetória da menina que se fez estrela. Uma estrela que eu vi nascer.

Pra mim sempre houve Rita Lee, na sua mais completa tradução... 

22 de jun. de 2015

As lições prestáveis do imprestável Polônio

O teatro estudantil despertou em mim, precocemente,  avidez pela leitura dos textos de Shakespeare.  Eu já o lia e relia aos 12 anos. A primeira vez por conta de sugestão feita pela minha mãe, tendo em mãos Hamlet,  marcador de página no primeiro ato, cena três. Polônio, camareiro do Rei Cláudio da Dinamarca, ao se despedir do filho Laertes,  que está de volta a Paris,  o aconselha sobre  os cuidados a ter no campo das relações humanas.

Polônio não é nenhum poço de virtudes, mas transborda sabedoria nas recomendações que faz. Coisa de Shakespeare e a sua mania de dar certo brilho aos canalhas.

Sirvam-se das palavras de Polônio, tão úteis a mim e, com certeza, aos que a delas fizerem uso. 

- Não dá voz ao que pensares, nem transforma em ação um pensamento tolo.
- Sejas amistoso, sim, jamais vulgar.
- Os amigos que tenhas, já postos à prova, prende-os na tua alma com grampos de aço, mas não caleja a mão festejando qualquer galinho implume mal saído do ovo. 

- Procura não entrar em nenhuma briga, mas, entrando, encurrala o medo no inimigo.
- Presta ouvido a muitos, tua voz a poucos.
- Acolhe a opinião de todos – mas você decide.
- Usa roupas tão caras quanto tua bolsa permitir, mas nada de extravagâncias – ricas, mas não pomposas.
- O hábito revela o homem, e, na França, as pessoas de poder ou posição se mostram distintas e generosas pelas roupas que vestem.
- Não empreste nem peça emprestado. Quem empresta perde o amigo e o dinheiro.
- Quem pede emprestado já perdeu o controle de sua economia.
- Sê fiel a ti mesmo e jamais serás falso pra ninguém 


Interessante. Minha mãe doou todos os milhares de livros de sua biblioteca, mas guardou duas coleções para si: as obras completas de Shakespeare e de Machado de Assis. Sábia mulher.

23 de mai. de 2015

Governador do Rio usa arma biológica contra índios

Este é o Lago Frei Leandro que, em 1575, fazia parte do reduto
dos tamoios. A foto é de Marc Ferrez (1890)

Um pouquinho de coisas da História. Voltemos ao passado, a 1575, ano em que Antônio Salema assumiu o governo da Capitania do Rio de Janeiro e parte sul do Brasil. Português natural de Alcácer do Sal, tal Salema era um jurista formado em Coimbra e se destacava pela arrogância, prepotência e pelo ódio mortal que nutria pelos nossos indígenas.  

Tão logo assumiu, tomando ciência das leis então vigentes, eis que descobre uma editada pela Metrópole e que lhe deu meios para consolidar as suas ambições. A referida lei isentava de impostos, por dez anos, quem erguesse engenhos de cana de açúcar no Brasil. 

Ali no Rio só havia um, construído em 1573, de propriedade do  governador antecessor, Cristóvão de Barros, o dono de Magé e, à época, Provedor da Fazenda Real. Um só engenho fazia do dono o poderoso maior, o que aumentou ainda mais as suas ambições. 

Só que havia um porém: as terras boas, com água em abundância (Lagoa, Leblon, Jardim Botânico) estavam ocupadas pelos tamoios, já incomodados pela agitação e desejosos de atacar as cariocas (em tupi, carioca = casa do homem branco). Pensavam em “jantar” os brancos, mas, na verdade, acabaram sendo “almoçados” por eles. 

Salema, simplesmente, decidiu extingui-los do mapa para erguer, no lugar de suas aldeias, o seu engenho (cuja história posterior é uma novela). Como o governo não dispunha de numeroso exército, os coronéis fizeram anunciar a Salema as suas deficiências em armas e gente. O governador os dispensou. Disse não precisar de seus jagunços para desocupar a área.  
Astuta e criminosamente, o tal senhor mandou que se recolhesse as roupas das pessoas doentes de varíola e que fossem jogadas nas matas adjacentes. Os índios as pegaram, as vestiram, contraíram a doença e morreram.  

Era o Brasil, nos idos de 1575, já vivendo experiências com armas bacteriológicas. Obra de um português, Antônio Salema, que de burro não tinha nada. Apenas o seu (mau) caráter era moldado por uma das “regras de ouro” da maioria dos maus políticos: o fim justifica os meios. 

22 de mai. de 2015

A revolta da vacina


Deixa eu voltar ao papo sobre o Oswaldo Cruz. A última batalha dele foi contra a varíola. Ela assolava a velha cidade do Rio. Doença muito contagiosa, matava ou deixava cicatrizes. Por conta disso, o nosso médico sanitarista decidiu que a vacina teria que ser obrigatória. Questão de vida ou morte. 

Assim, candidatos a cargos ou funções públicas, pessoas que pretendiam se casar, viajar e até se matricular em escolas, só o conseguiriam com o atestado de vacina. Os militares também foram obrigados. Idem todas as crianças com menos de seis meses. 

Aí entra em cena aquele povinho que gosta de agitar e tumultuar as coisas. Logo estava de boca em boca que a tal vacina ou matava ou aleijava. Ou seja, os males causados pele varíola eram atribuídos ao remédio. O mínimo de mal que a vacina causaria era deixar a pessoa com “cara de bezerro”. 

Congressistas usavam a tribuna para atacar o médico, para inventar coisas. Chegou-se ao absurdo de dizer que a vacina era feita com o sangue dos ratos comprados. 

Fizeram um inferno e o pau quebrou. A maioria da população não aceitava a exigência e se rebelou. Foi a chamada Revolta da Vacina. Oswaldo Cruz não cedeu. Aguentou firme. Enfrentou e endureceu o jogo. Como os que eram vacinados não apresentaram as reações alardeadas, aos poucos os revoltosos foram cedendo, até que se entregaram de vez.

Hoje, a preocupação é a de que a varíola, a exemplo do que já se dá com o dengue e a febre amarela, volte a nos atormentar.  O culpado do que aí está todo mundo sabe: o tal do Fernando Collor, que acabou com a SUCAM.    


P. S. - Na época da revolta, a febre amarela matou um goiano ilustre. Trata-se de Antônio Amaro da Silva Canedo, o Senador Canedo, que representou o Estado de Goiás na Primeira República, a chamada República Velha. 

Prendam Collor, o "pai" da nova febre amarela



Ano de 1903, Rio de Janeiro, a Capital da República. De maravilhosa, ainda, a cidade não tinha nada. Era fedida, pestilenta. Chamavam-na, isto sim, de túmulo de estrangeiros, tantas eram as doenças contagiosas que ali proliferavam, castigando os seus habitantes e quem a visitava.   

Tal imagem não era nada boa para a nossa cidade sede do Governo, centro de negócios e alvo das atenções dos investidores estrangeiros. Era preciso dar um jeito urgente naquela tétrica situação. Foi quando o presidente Rodrigues Alves convidou o sanitarista Oswaldo Cruz para comandar o que seria hoje o nosso Ministério de Saúde. 

Formado aqui, mas graduado no Exterior, o nosso doutor arregaçou as mangas e, em menos de uma semana, já tinha um plano de combate ao inimigo imediato: a febre amarela. Esta é uma doença causada por um vírus que ataca o fígado e é transmitida ao homem por mosquitos, como o aedes aegypti. Amarela porque deixa as pessoas amareladas.

O nosso herói começou por identificar os doentes e acabar com os focos da doença. Para isso, estruturou a campanha em moldes militares, dividindo a cidade em 10 distritos sanitários, cada qual chefiado por um delegado de saúde. Além da polícia sanitária, formou brigadas de mata-mosquitos que, uniformizadas, tinham o poder de entrar nas casas. Foi uma verdadeira operação de guerra.

Em tal época não tínhamos, ainda, emissoras de rádio e TV. Os jornais, ao invés de auxiliá-lo, pelo contrário, preferiram atacar a sua reputação com duras críticas e maliciosas gozações. Pasmem, amigos. Na própria faculdade de medicina os nossos “sábios doutores” achavam uma maluquice de Osvaldo Cruz atribuir a um mosquito a transmissão da febre amarela. Acreditava-se que a maioria das doenças era provocada pelo contato com roupas, suor, sangue e outras secreções dos doentes. 

Todo mundo quebrou a cara. A campanha surtiu efeito e os casos foram diminuindo, até desaparecerem. Cruz pediu ao presidente que mantivesse nos quadros da saúde todo o pessoal dos distritos e das brigadas sanitárias, com a missão de inspecionar a existência de fontes causadoras de focos. 

Dessas brigadas resultou a nossa SUCAM, infelizmente extinta pelo inconsequente presidente Fernando Collor, que transferiu a responsabilidade para os municípios, mas não os recursos e nem os funcionários já qualificados para a tarefa.

É preciso descobrir uma saída jurídica de molde a processar tal irresponsável e botá-lo na cadeia. A febre amarela, a exemplo do dengue, está de volta e matando. Prendam este filaucioso. A culpa é dele.