02/09/2014

Caso CELG: Marconi em areia movediça

Governistas, quanto mais mexem, mais afundam nesta tentativa de justificar a perda da sua mais importante companhia. Marconi está sem saída!



Quanto mais se debate, mais ela vai engolindo quem nela meteu os pés. É assim a areia movediça que, in casu, é a CELG. Quanto mais Marconi se agita mais afunda na vã tentativa de convencer os goianos de que não deu a empresa de graça para a Eletrobras. Pior que isso foi causar um rombo de R$ 12 bilhões 688 milhões, que detalharemos adiante.

O desespero do governador no "Caso Celg" cresce à medida em que os argumentos trazidos mais complicam do que colaboram na sua missão impossível de convencer Goiás. A crise se fez tão aguda, que o Conselho de Administração da Companhia Celg de Participações (CELGPAR), de quem a Celg Distribuidora (CELG D) é subsidiária, convocou para o mesmo dia e local, com uma hora de diferença, a 88ª e 89ª reunião de seus pares para a “engenharia” de um plano que, como se verá, deu curto circuito.

A ata da 89ª é uma coleção de autoelogios à produção da minuta da Promessa de Compra e Venda lavrada em 22 de agosto passado. Tal minuta traz o que já traziam (1) o Protocolo de Intenções firmado entre o Governo de Goiás e a Eletrobrás, em 15 de dezembro de 2011, e (2) o Acordo de Acionistas, celebrado em 24 de abril de 2012.

Na busca de salvação para o rei flagrado em traição aos interesses dos reinóis, lucubrou-se ali que a União teria colocado a “faca no pescoço” do governador: ou fecha com a Eletrobrás ou será declarada a caducidade da companhia. É muita irresponsabilidade.

Caducos estão os senhores da Corte. Transcrevo um trecho do voto do conselheiro José Fernando Navarrete Pena, que se revela mendaz, pois havia participado e assinado de todos os termos anteriores da negociação, cujos conteúdos são o oposto do que ousou proclamar em tal reunião.

Diz ele:  “É complexo afirmar qual seria o valor de mercado de 51% das ações, já que não há certeza sobre a prorrogação da concessão”.

É, de repente a Eletrobras vai comprar uma companhia que deverá fechar as portas no que vem. Give me a break!

Continuemos com o conselheiro em sua paupérrima desculpa: “A alienação do controle acionário  da CELG D para as Eletrobras dispensa até mesmo a realização de licitação – o que demonstra o nítido intuito do Poder Concedente (União) em privilegiar apenas e tão somente a Eletrobras [...]”.

Desculpa amarela

Do mesmo modo como Maguito culpou FHC, dizendo que este o obrigou a vender Cachoeira Dourada (e é verdade que FHC fez isso), Marconi usa os seus pajés para lucubrar a culpa de Dilma no caso da compra da CELG pela sua estatal.

É muita cara-de-pau. E ainda diz que lei federal autorizativa só permitia ser a Eletrobras a compradora. Dizer isso é falta de brio. Quando foi celebrado o  Protocolo de Intenções, em dezembro de 2011, se solicitou de imediato a autorização legislativa, mas a pauta estava trancada por 5 outras MPs da área tributária.

Só em março a MP da CELG foi editada e, se não havia o interesse do governo goiano no negócio que lhe estava sendo imposto, bastaria barrá-la. A MP 559 ficou todo o mês de março em discussão no Senado e na Câmara.

Será que terei que esfregar no nariz de carcamanos mendazes do governo a cópia do ofício de 09 de dezembro de 2010, em que Marconi pede à presidente da CEF o cancelamento do empréstimo de 3 bi 728 mi com que Alcides sanearia a CELG e o Estado continuaria sendo o dono absoluto dela, com 95% das ações?

O PREJUÍZO

Diz Marconi, em sua matemática de felicidade, que, com a renovação da concessão, a empresa passará a valer R$ 16 bilhões. Ora, se feita a coisa no molde do Alcides, seríamoso donos de 95% das acões e a nossa CELG valeris R$ 15 bilhões e 200 milhões. Mas, Marconi cancelou tudo. Pegou 3 bi 520 mi emprestasdos e ficamos com 49% das ações, no valor de R$ 7 bilhões 840 milhões e mais um empréstimo de R$ 1 bi e 900 mi. 

Além dos 3 bilhões e 520 milhões e mais 1 bi e 900 tomados emprestados para sanear a CELG e depois vendê-la por R$ 59,5 milhões, computemos na matemática da felicidade do rei outros 7 bilhões e 368 milhões de prejuízo – este valor é a diferença entre o que valeria a CELG (15 bi e 200 mi) na negociação feita por Alcides e o que ela vale agora na negociação fechada por Marconi (7 bi 840 mi).

Resultado. Perdemos essa diferença de 7 bi 368 mi, mais os 5 bi 320 mi (soma dos empréstimos), o que nos deixa um saldo funéreo de R$ 12 bilhões 688 milhões.


E Marconi ainda diz que "tivemos um ganho extraordinário para a CELG". É muita desfaçatez.

24/08/2014

Não quer problemas com a polícia? Compre o comando

O Relatório da CPMI foi “detonado” pelo consórcio dos temerosos porque constatou graves indícios a comprometer altas autoridades goianas, dentre elas o governador do Estado. Sr. Marconi Perillo.
O público, principalmente a população de Goiás, não pode ficar alheio ao conteúdo de tal documento. Afinal, se desespero causou a um governante e à cúpula nacional do seu partido, com certeza, há neste relatório muito mais coisas do que vimos na difusão superficial das provas colhidas pelas operações Vegas e Monte Carlo.
Este capítulo vai ser destinado às peripécias de Carlos Cachoeira de molde a ter no bolso, sob seu controle, o aparelho policial do Estado.

A polícia
a serviço
do bandido

Pode parecer fábula, mas é verdade. Além de cooptar o próprio governador do Estado de Goiás para resguardar os seus interesses, a organização criminosa comandada por Carlinhos Cachoeira também teria trazido para suas asas diversas outras autoridades governamentais, notadamente aquelas que tinham a missão de zelar pelo patrimônio público e pelo interesse social do povo goiano. Colocando no linguajar popular, o “bandido” teria “comprado” a polícia. Os fatos apurados pela Polícia Federal não deixam dúvidas quanto a isso.

Uma rápida viagem ao passado

De acordo com o Relatório da CPMI, a gênese do império de Cachoeira tem dia, mês e ano: 09 de junho de 2000, em que o governador Marconi Perillo sancionou a Lei Estadual nº 13.639. Foi ditada em um momento histórico em que crescia, no plano nacional, a convicção de que as loterias, em todas as suas modalidades, eram serviço público a ser explorado exclusivamente pela União.

A lei goiana originou-se do projeto de lei nº 4.072/2000, de autoria do então governador Marconi Perillo. Remetido à Assembleia Legislativa de Goiás em 17 de maio de 2000, o projeto foi discutido e aprovado em menos de um mês.


A rapidez na tramitação tem uma explicação: a Medida Provisória 2.011-9, de 2000, havia sido editada e, durante as sua tramitação no Congresso Nacional, crescia o entendimento de que todas as modalidades de loterias estaduais deveriam ser vedadas.

A aprovação da lei estadual proposta por Marconi foi uma maneira que o estado encontrou para seguir explorando as várias modalidades de loterias. Sabia-se que o tema seria resolvido pelo Poder Judiciário, mas isso demandaria anos de luta processual. Nesse interregno, o Estado seguia explorando os jogos.

Importante aduzir que, já em 1996, num decreto inconstitucional do governador Maguito Vilela, a exploração de caça-níqueis já constava como modalidade de concurso de prognósticos da Loteria do Estado de Goiás, a LEG.

Ruídos da apelidada
“Lei Cachoeira”

O Ministério Público se insurgiu contra a aprovação da Lei Estadual 13.639/2000. Foram ajuizadas duas ações perante o STF: a Ação Cível Originária (ACO) nº 767, julgada de forma definitiva em 12/02/2012, e a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 3060, julgada em 03/05/2007. 

Antes disso, porém, o pretenso arcabouço de legalidade cairia por terra com o acolhimento, em 31 de março de 2004, pelo juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual, da Comarca de Goiânia, de Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público, postulando a decretação de nulidade da prorrogação contratual ajustada em 1998, da qual, naturalmente, Carlos Cachoeira recorreu, conferindo à decisão efeito suspensivo.  O tema somente foi resolvido com o julgamento das ações propostas perante o STF.

Da entrada em vigor da lei, em 09 de junho de 2000, ao julgamento da ADI 3060 transcorreram-se sete anos, período em que o Estado e o concessionário do serviço seguiram lucrando com a exploração do serviço de loterias inconstitucionalmente instituído em Goiás.

Ao dispor sobre a exploração do serviço de loteria e congênere no Estado de Goiás, a Lei Estadual nº 13.639/2000 autorizou o Poder Executivo “a explorar o serviço de loteria e congênere, de qualquer modalidade, no território goiano”.

Carlos Cachoeira foi o maior interessado na aprovação desta lei, já que a empresa por ele controlada, a Gerplan – Gerenciamento e Planejamento Ltda. detinha a concessão para exploração das loterias naquele Estado. A Gerplan passou também a controlar as demais modalidades, inclusive a mais rentável delas: os caça-níqueis.

Cardápio variado

Na redação conferida pela Lei nº 13.762/2000, o §2º do art. 1º da Lei conceituava o serviço de loteria e congênere nos seguintes termos:

§ 2º O serviço de loteria e congênere, que corresponde ao sorteio de números, palavras, símbolos ou figuras com resultados aleatórios obtidos por processo manual, mecânico, eletromecânico, eletrônico ou com recursos de informática e que possibilite a distribuição de prêmios em moeda corrente, bens ou serviços, é operado nas seguintes modalidades, sem prejuízo de outras [...].

Com tal lei e por tal dispositivo, Marconi assegurava a Cachoeira o direito de operar, controlar, usufruir da venda da (1) loteria convencional ou tradicional, que consiste em bilhetes ou frações de bilhete, (2) loteria instantânea ou “raspadinha”, (3) loteria de concurso (quina), (4) loto (tipo bingo), (5) loteria de terminal ou videoloteria – nada mais do que o famoso caça-níquel – e (6) loteria combinada ou mista, que consiste em bilhete ou cartão que reúnam características de mais de uma modalidade de loteria.

Note-se que a lei goiana ampliou consideravelmente o conceito de loterias, inserindo aí modalidades que nada tinham ou têm a ver com os concursos convencionais. Porque atendida diretamente aos interesses do “dono” da Gerplan, apelidou-se o dispositivo de “Lei Cachoeira”.

“Il padrino”

Acolhido no governo Maguito e com o manto protetor ampliado no governo Marconi, com tal padrinho os negócios prosperaram. Ante a decisão do Supremo, remetendo tais jogos à ilegalidade, recorreu o contraventor àquele de quem se servira para que os olhos da fiscalização fossem fechados em relação às suas apostas.

Fecha-se o pacto. Na legalidade ou na ilegalidade. Tudo começou na lei e agora continua fora dela. Do governador teve a lei autorizativa e, agora, a burla à impeditiva.

A relação de Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira começara havia anos, quando o senador era secretário de Segurança em Goiás, durante o primeiro mandato do governador Marconi Perillo (PSDB). Isso ocorreu antes de o contraventor aparecer como pivô do primeiro escândalo do governo Lula, a partir da divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, então subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, subordinado ao então ministro José Dirceu, foi flagrado negociando propina com o contraventor no processo de legalização dos jogos.

“Policiais bandidos”

As investigações mostram que Carlinhos Cachoeira mantinha esquema de contatos políticos e com agentes da área de segurança, para garantir prosperidade aos seus negócios. Demóstenes Torres transitou nos dois grupos. Do esquema do contraventor também fariam parte seis delegados da Polícia Civil e 30 policiais militares.

Major Uziel, ao centro, na CPInacabada
Preso na operação Monte Carlo, o comandante da Polícia Militar de Luziânia (GO), major Uziel Nunes dos Reis, foi um dos que prestaram serviço a Cachoeira. Em agosto do ano passado, o major teria contribuído para evitar o fechamento de bingos clandestinos pela Força Nacional de Segurança. Uziel Nunes dos Reis disse ter recebido ordens da atual Secretaria de Segurança Pública de Goiás para não atuar no combate à contravenção no Entorno do Distrito Federal, onde estava lotado.


O amigo e parceiro
Corregedor da PC

Para ter o Estado tutelando de forma camuflada, os seus interesses, Carlinhos ajustou a máquina policial à sua organização. Passou a mudar delegados, a derrubar chefes de polícia, afinando a banda da polícia à sinfonia do seu império.

Aredes Pires
Foi ele quem arquitetou a derrubada do Delegado Geral de Polícia Civil de Goiás, Edemundo Dias. O chefe da PC estava incomodando muito mais por não fazer nada ante a violência que tomava conta do Estado, que até Cachoeira chegou a se preocupar. Para derrubá-lo Cachoeira teve como aliado o Corregedor da Polícia Civil, Aredes Pires, a quem incumbiu de monitorá-lo.

Edemundo Dias

O assunto estava no telefonema entre ambos, no dia 14 de junho de 2011. Eram 08h50min59s da manhã. Falam da dança de delegados, sobre quem vai para onde. Resolvem questões ligadas à organização criminosa (caso do novo delegado de Anápolis.


DIÁLOGO:
CARLINHOS: Uai, quem vai pra ANÁPOLIS?
AREDES: O Teixeira.
CARLINHOS: Aquele lá de CATALÃO?
AREDES: É. Aquele que foi regional em CATALÃO aquela época e por último agora estava na CPP e por último mesmo ele tava na DOT. É ele que vai pra lá. Ele que na época foi até cotado pra ser Delegado Geral, o JOÃO CAMPOS indicou o nome dele lá naquela época.
CARLINHOS: Eu sei. Ele é bom né?
AREDES: É gente boa, cara bacana bom colega, firme duro, mas bacana, bom, trabalhador, de acordo o que precisa. Agora bom mesmo foi o da PM rapaz, até que em fim vai salvar a PM viu?
CARLINHOS: Quem que é? O Japonês voltou?
AREDES: É. O KATAGRAMA vai voltar rapaz. Foram lá em Rio Verde e buscaram ele. Até que enfim o seu amigo NONATO deu uma dentro aí, por que ele tava caminhando pro brejo, com a cordinha no pescoço. Agora com o KATAIAMA vai melhorar bastante. É perigoso até ele motivar a tropa, rapaz. O povo gosta dele, os Policiais gostam dele, então acaba motivando, vai acabar salvando a administração do NONATO aqui.
CARLINHOS: É verdade.
AREDES: Eu vou falar pra você, vocês são bonzinho demais, o homem tá de férias em SÃO LUIS DO MARANHÃO, o mundo tá pegando fogo, cinquenta e três homicídios no mês, quatro furtos de veículo num dia, os Delegados sendo mudados a torto e a direito, o cara tá de férias lá em SÃO LUIS DO MARANHÃO, quinze dias de férias depois de cinco meses de serviço, ninguém fala nada. Vocês num tão com nada não, vocês são devagar demais, tá doido.
CARLINHOS: Não, uai. Terça-feira ele foi no avião do LEREIA fazer um culto evangélico lá em MINAÇU. Num foi terça feira passada? Aí depois disso ele saiu de férias?
AREDES: Ele chegou; no outro dia ele não trabalhou; no outro, ele estava preparando a mala; no outro dia ele saiu de férias pra SÃO LUIS DO MARANHÃO, meu amigo. Depois de cinco meses desgastantes, ele está de férias em SÃO LUIS DO MARANHÃO, rapaz. O mundo aqui tá pegando fogo, tá caindo a cabeça de todo mundo, segurança pública tá indo para o lixo, rapaz. Eu fiquei até injuriado porque, na época do ERNESTO, o ERNESTO foi no Encontro Nacional de Secretários de Segurança e vocês batiam nele aí pra valer, dizendo que ele estava no encontro Nacional e estava tendo vinte homicídios por mês em GOIÂNIA. Agora tem cinquenta e três, rapaz, e vocês aí: não, tá tudo bem, tá tudo certo. Ah, tá protegendo o homem? Ele deve... Tá bom.
CARLINHOS: Ah num sabia disso não. Tem que falar, poxa! Essas coisas tem que falar [...].
AREDES: Ele esta desde a semana passada viajando. Ele foi sexta ou quinta, não sei. Ele foi pra SÃO LUIS, ele e a mulher. Estão lá de férias, porque, depois de cinco meses assim trabalhando, já ter esgotado! Tá fodido esse país nosso. Vamos ver se sai alguma vírgula aí.
CARLINHOS: Tem que chamar o WLADMIR aí e apresentar o TEIXEIRA pra ele pode ser?
AREDES: Não... o TEIXEIRA eu administro. Não precisa nem apresentar, não. Eu converso com ele, tá. Tranquilo.
CARLINHOS: Tá. O WLADMIR vai aí. Um abraço. Tchau, obrigado.
AREDES: Um abraço.


A “roubada”
do Furtado

Não só o Corregedor-Geral da Polícia Civil mantinha harmoniosa convivência com o contraventor e sua organização. Também no rol dos obséquios, ao que parece com “olho bem gordo”, estava o Secretário de Segurança Pública, João Furtado.

Detalhe: ele teria achacado o rei do achaque, o que poderia ser resumido numa só frase:

“Primeiro, o meu. O do chefe, depois”.

Goiânia, 13 de julho de 2011. São 12h49min15s. Cláudio Abreu, diretor do sistema Delta no Centro-Oeste, liga para Carlos Cachoeira e informa que João Furtado, Secretário de Segurança Pública do Estado, havia travado o pagamento do aluguel dos veículos contratados à sua empresa para uso das polícias civil e militar.

João Furtado

Segundo Cláudio, o secretário havia afirmado a ele que não renovaria o contrato de aluguel no final do ano, se a Delta não voltasse a lhe repassar os pagamentos que recebia, em vez de continuar a contemplar com pagamentos somente o Governador.

Repetindo, para que não pairem dúvidas: Furtado não mais renovaria, no final do ano (2011), o contrato de aluguel de viaturas, caso a Delta não voltasse a lhe repassar os pagamentos que recebia, em vez de continuar a contemplar com pagamentos somente o Governador.


DIÁLOGO
CLAUDIO: Você está aonde agora?

CARLINHOS: Aqui na churrascaria Anápolis, Caiçara.

CLAUDIO: Éééé... Aquela suspensão do cara (JOÃO FURTADO) e passar para o “Número Um” (MARCONI PERILLO), o babaca do JOÃO FURTADO, declarou guerra para nós, viu? Travou todo o meu, o meu procedimento da Nota Fiscal ir para o financeiro para me pagar e está metendo os cravos em mim, viu? Só pra você ficar com  mais raiva.

CARLINHOS: Como é que é? Do começo, fala abertamente. Como é que é?

CLAUDIO: O João Furtado tem uma pessoa, botou uma pessoa lá no meio do percurso das notas fiscais, tudo a ver com a suspensão de pagamento. A gente passou a fazer com o “Número Um” (pagamento p/ Governador) e a suspender o dele (pagamento). Ele travou nossas coisas lá. Travou tudo.

CARLINHO: Tá. E aí?

CLAUDIO: Tá e aí? Mandou recado, meu amigo. Se eu não voltar a cumprir com ele, vai ficar tudo travado. E ameaçou chegar no final do ano e não renovar o contrato(contrato da DELTA com a SSP para aluguel de carros) e licitar tudo de novo.

CARLINHOS: Caba de morrendo de tudo duma vez e atropela Ele. Vagabundo não é?

CLAUDIO: Filho da puta né?

CARLINHOS: É acho, porque que ele, porque que ele não tomou conta antes? Porque que ele não pagou antes?

CLAUDIO: É um filho da puta, né?

Conversa ao fundo de CARLINHOS com outras pessoas.

CARLINHOS: Então, tá bom. Eu vou, então tá, vou abrir o ???? Tá indo agora no advogado.

CLAUDIO: Cê não lembra? Ele não comentou lá que ia segurar prá fazer aquele negócio lá?

CARLINHOS: Eu sei. Você está vindo pra Anápolis?

CLAUDIO: Vou. Às 2 horas eu tô aí com o Prefeito.

CARLINHOS: Conversa com ele novamente sobre aquele trem que eu te falei. Da conta lá. Hoje dá, dá um ultimato. Se não for fazer, fala que você vai devolver então.

CLAUDIO: Tá bom. Deixa que eu vou resolver isso aí.

Carlinhos liga em seguida para Edivaldo Cardoso, diretor do DETRAN. Quer saber o que deu a conversa entre ele e Marconi, que, no dia anterior, havia feito críticas à Delta, durante evento na Saneago.

Edivaldo diz que acabara de sair do encontro, que o governador disse que houve um mal entendido, que não foi da forma como andaram falando e que quer falar com ele, Carlinhos.

Carlinhos conta a Edivaldo que João Furtado travou os pagamentos da Delta, porque o DETRAN estava repassando o dinheiro para o pagamento de aluguel de carros pela SSP via Tesouro, o que impedia o secretário de descontar o seu “mimo”.

Palavras de Carlinhos Cachoeira: “O secretário travou tudo lá porque você está pagando via tesouro. Ele travou o negócio da Delta, falou que se não acertar com ele tal, tal, tal, travará tudo – emissão de nota, tudo, tudo. Falou que vai foder a Delta no final do ano”.

Resposta de Edivaldo: “Que canseira, hein!?”.

Em seguida, Carlinhos recebe ligação de Wladimir. O governador quer falar com ele. Carlinhos vai ao Palácio, mas antes informa aos parceiros.  

São 19h32min21.  Cláudio liga para Carlinhos. Pergunta como foi a conversa com o “Número Um”. Carlinhos diz que havia muita gente junto e que MARCONI quer falar com ele pessoalmente, tanto que marcou um encontro na quarta-feira à noite na casa dele. Pede para que vá sozinho, mas Carlinhos diz que vai com um arsenal. Talvez para acertar em definitivo as pendências entre ambos. Cláudio pergunta se não tem jeito do Edivaldo ir para o lugar do João Furtado, na SSP.

Nesse momento, Edivaldo está com Carlinhos, ambos no viva-voz. Carlinhos pede a Cláudio que repita o recado de Furtado. Cláudio diz que o secretário de Segurança travou tudo nos contratos da Delta e que só iria andar conforme o humor dele. E que quer receber o atrasado, abril e maio.

Carlinhos diz que, pelo Edivaldo, o grupo tinha que ir para a briga e derrubar o secretário. A resposta de Cláudio mostra que há conflitos de interesses entre grupos dentro do próprio governo. Diz que a “briga” não é só com o Furtado, pois tem várias pessoas envolvidas.

CLÁUDIO: Só o que acontece é que a gangue é maior. Na gangue está ele, o Beto Rassi, tá o cara da AGETOP (Jayme Rincón). Todos eles estão trabalhando por baixo para cancelar e para fazer um novo processo. Isso é que é sacanagem, né? Então, você não vai brigar com um só, vai brigar com o grupo.

E tem gente negando ter conhecido Cachoeira, antes do escândalo.

22/08/2014

OPERAÇÃO TAPA-MENTIRAS: Lorotas derrapantes no Túnel do Tempo

"Fomos investigados até  medula e não encontraram nada. Você não imagina como isso é gratificante". 
A frase festiva e eufórica de Jayme Eduardo Rincón é falsa. Ele e Marconi têm por hábito dizer que a coisa é assim e pronto. Mas a coisa não é assim. É assim, como conta o relatório da CPMI. O texto não subiu, mas as provas foram todas entregues ao Procurador Geral da República, que tem uma equipe de procuradores auxiliares investigando ponto por ponto e as coisas prometem ser trágicas, nada "rincômicas". 


O texto abaixo, resgatado pelo Túnel do Tempo, é transcrito ipsis litteris do Relatório Final da CPMI. 



A organização criminosa e os
Secretários de Estado de Goiás



No palco dos fatos desnudados pela CPMI está o presidente da Agência Goiana de Obras e Transporte – AGETOP,



Jayme Eduardo Rincón


Cláudio Abreu, da Delta, todo esbaforido, liga para Carlinhos



CLÁUDIO: Está com paciência de falar? Estou saindo de reunião agora com Rossine. Ele vai pra Goiânia e amanhã ele vai pra Brasília. É aquela história. O feeling da gente não erra. Posso falar?

CACHOEIRA: Pode. E aí?

CLÁUDIO: Não sei se você lembra-se de tal de Carlos Silva, da Hidrobombas Sanefer? Cara, Carlos Silva, do governo do Cidinho, mamou pra caralho, fez todas as obras, ganhou dinheiro pra caralho. Ele chamou o Rossine, que está me contando aqui, pra levar ele pra apresentar pro Jaime Rincón. O cara abriu que ele e o Jayme Rincón são sócios. E numa arrogância! Falou que já comprou um avião tal, também um King Air, só pra deixar à disposição dos políticos. Agora comprou um Esquilo e que não sei o quê. Entrou no assunto de uma obra de Gurupi, que eu e o Rossine bancamos a obra, aí o cara diz 50% é da Delta, 50% é meu e eu não tenho medo da Delta. Bom, enfim...

CACHOEIRA: É, sabia. Mas acontece. Temos que ver isso aí. Vamos falar sobre isso.  [...] Meu sangue não cruzou com o do menino de jeito nenhum. E os caras são sócios, esse Carlos Silva... Quer dizer, o cara que mamou no governo Cidinho agora tá no governo do Marconi, sócio do Rincón... Rossine falou? Aquele Rincón não gosta do Marconi nem a pau. Ele tá ali para ganhar dinheiro e fazer rolo, só isso. Por incrível que pareça. Foda, né?

CLÁUDIO: Como é que é?

CACHOEIRA: Vamos arrumar para por uma nota sobre isso aí.

CLÁUDIO: Tem que botar uma nota e fazer um dossiê. A verdade é essa: um dossiê contra esse filho duma puta.

CACHOEIRA: Exatamente. Pode deixar. Vamos ver. A gente fala aí.

CLÁUDIO: Como é?

(ENCERRADA)


Carlos Silva
Apenas para situar o leitor: Carlos Silva foi deputado estadual, era suplente no período do governo de Alcides Rodrigues. Era o presidente da  CELG por quando da negociação dos problemas da empresa com o governo federal. Negócio que o Sr. Perillo desfez para fazer um pior.

O diálogo acima transcrito é elucidativo bastante para demonstrar que JAYME EDUARDO RINCÓN, Presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (AGETOP), ao menos na visão dos líderes da Organização Criminosa (ORGCRIM), foi nomeado para o cargo não para defender o interesse público de Goiás, mas para auferir benefício pessoal à custa do Erário.  

Jayme Rincón, CPF 093.721.801-49, tem 56 anos. É natural de Pires do Rio (GO) e assumiu em janeiro de 2011 a presidência da AGETOP, órgão encarregado de praticamente todas as obras de responsabilidade do Estado de Goiás.

Jayme Eduardo Rincón, presidente da AGETOP

Foi coordenador do Comitê Financeiro da Campanha Eleitoral de Marconi Perillo ao Governo no ano de 2010. Era sócio da Hertz em Goiânia (GO), uma das maiores locadoras de veículos com representação no Brasil. Foi Presidente da Associação Brasileira de Franqueados Hertz (CNPJ 03.679.885/0001-95) e é sócio da empresa Rental Frota Distribuição e Logística Ltda., CNPJ nº 97.415.681/0001-90, da qual possui 33% ações.

Cobra relevo destacar desde logo que Jayme Rincón também é sócio de sete empresas, conforme lista com respectivos CNPJ e posição em que figura no quadro societário:

CNPJ
Razão Social
Qualificação
97.415.681/0001-90
Rental Frota Dist. e Logística Ltda.
Sócio
02.085.223/0001-24
Repral Assessoria, Consultoria e Rep. Ltda.
Sócio
08.578.206/0001-05
RBR Part. e Empreendimentos Ltda.
Sócio Adm.
11.613.112/0001-34
Rincon e Godoi Part. e investimentos Ltda.
Sócio Adm.
06.987.517/0001-00
Central de Feiras e Exposições Ltda.
Sócio Adm.
07.570.802/0001-86
Rental Comércio de Veículos Ltda. - ME
Sócio Adm.
08.756.238/0001-53
Rentcentro Locadora de Veículos Ltda.
Adm.

Duelo de “tubarões”

Entende-se a razão manifestada por Cláudio Abreu em conversas anteriores com Carlos Cachoeira sobre a proposta do parceiro Edivaldo Cardoso: o rompimento do grupo com o Secretário de Segurança, João Furtado: “Você não vai brigar com um, mas com muitos. É uma gangue. Beto Rassi, o cara lá da AGETOP...” – disse Cláudio, sabedor das coisas.

Cláudio Abreu: feeling
A sociedade de Carlos Silva com Rincón é um adendo a confirmar a existência da “turma do JR”, da qual Beto Rassi e o staff da Warre fariam parte. Também passa a fazer sentido um registro feito por Cachoeira na conversa com Cláudio: “Aquele Rincón não gosta do Marconi nem a pau. Ele tá ali para ganhar dinheiro e fazer rolo, só isso. Por incrível que pareça”.

Resta saber quem não está. Duelo de “tubarões”, sem regras nem limites. Carlinhos et alii, quando se somaram a Marconi, almejavam obter considerável fatia do bolo de obras para a Delta e a sua maior coligada – A CRT, Construtora Rio Tocantins, cujo dono é o próprio chefe do bando. A AGETOP era o mapa da mina para todos, mas, para Carlinhos ela era algo mais.

A “menina dos olhos”

A Agência Goiana de Transporte e Obras – AGETOP era um dos principais focos de ataque da Organização Criminosa chefiada por Carlos Cachoeira e seu braço empresarial, na medida em que concentrava o poder e a decisão sobre os grandes investimentos realizados pelo Governo de Goiás. É função dela a construção e reparos de rodovias e de construção e reformas de unidades escolares da Rede Estadual de Educação.

Cachoeira: desencanto
Em função disso é que o órgão chefiado por Jayme Rincón se apresentava como extremamente estratégico para os objetivos econômicos que divisava auferir o grupo mafioso. Afinal, com um dos maiores orçamentos do Estado goiano para investimentos, na AGETOP é que estavam as grandes obras que poderiam ser direcionadas para a Delta e demais empresas do grupo Cachoeira.

Naturalmente, a AGETOP era a “menina dos olhos” do grupo comandado por Cachoeira e foi por isso que ele investiu desde o início do Governo Marconi Perillo, na busca de espaços junto à direção da Agência ocupada por Jayme Rincón.

E as investigações realizadas pela Polícia Federal, aprofundadas por esta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), indicam que essa investida foi frutífera, de modo que a Organização Criminosa conseguiu, efetivamente, infiltrar-se no seio da Agência Goiana de Transporte e Obras, de onde logrou conseguir benefícios.

Com efeito, muito embora o Presidente Jayme Rincón venha afirmando em entrevistas a veículos de comunicação que não tem, ou teve, qualquer vinculação com Carlos Cachoeira e demais integrantes da Organização Criminosa, o que as provas revelam é uma bem articulada e promissora parceria entre Jayme Rincón  Carlos Cachoeira, Cláudio Abreu, Wladimir Garcez e outros, de modo que os interesses da quadrilha tinham espaço privilegiado para atendimento na AGETOP.

Na verdade, diferentemente do que vem declarando Jayme Rincón (que afirma ter se encontrado com Wladimir e Cachoeira "umas duas vezes"), eram frequentes seus encontros com os integrantes do grupo criminoso, de forma que as necessidades e os desideratos da ORGCRIM pudessem ser atendidos. Assim como procedia em relação ao Governador Marconi Perillo, era Wladimir Garcez quem fazia a interlocução periódica entre os objetivos da Organização Criminosa (previamente definidos por Carlos Cachoeira) e as ações públicas que deveriam ser conduzidas na seara da Agência de Obras.

E, como não poderia deixar de ser, essa parceria, que também vigorava em outras Secretarias e Órgãos do Governo de Goiás, inclusive com o próprio Governador de Estado, como se demonstra de forma inequívoca neste Relatório, era benéfica para ambos, de modo que todos lucravam, em detrimento da sociedade goiana e brasileira!

Cachoeira e Rincón: aparências

Tudo prometia ser fácil e farto. Nas reuniões, nos entendimentos, nos jantares em público ou às escondidas (estes com o governador), desenhou-se um futuro de muitas obras e de grande faturamento para as empreiteiras. O tempo cuidou de mostrar que não seria bem assim.

Apesar dos esforços de Cachoeira e dos milhões que teria gasto na campanha, a contrapartida foi parcimoniosa. Bem mais tarde ele irá perceber que havia lobos mais famintos do que ele, com a vantagem pró-concorrência: o oponente era do governo, era o próprio gestor dos contratos e, para poder participar, teria que dividir.  Ele teria que “engolir” a vontade de Rincón, quando pretendia engoli-lo. Havia outro governo paralelo este já estava botando as mangas pra fora. 

Assim, ainda que em convivência amistosa, Carlinhos Cachoeira e Jayme Rincón eram dois bicudos, não se beijavam. Eram inimigos cordiais. Naquele mundo hipócrita, estavam se comportando pelas regras pertinentes. Ocorre que no universo fora da lei não pode caber um titular de cargo público e Rincón era e é ocupante desse cargo. Assim a sua convivência harmoniosa – ainda que de fachada – com o líder e demais membros de uma organização criminosa já seria motivo para a sua demissão sumária.  O problema é que aquele que tem o dever de demiti-lo também seria “assim” com a mesma quadrilha.

Carlinhos se utiliza da relação com o presidente da AGETOP para engatilhar outros negócios, buscando, inclusive, parcerias com concorrentes. Uma das parcerias tentadas foi com o empresário Luiz Alberto Rassi o Beto Rassi, dono da Fued Rassi Engenharia. Com a bênção de Rincón, iriam disputar o contrato de serviços de inspeção veicular do DETRAN.

Rassi teria aceitado o consórcio, ficando a depender da palavra final da Delta. Quando se ajustavam os detalhes finais, chega a bomba: o governador teria enfiado, ilegalmente, a POLITEC goela abaixo do DETRAN, frustrando os planos de Cachoeira.

Carlinhos ligou para Edivaldo, parceiro e presidente do Departamento Estadual de Trânsito para dar-lhe a bronca. “Foi ordem do governador, uai. Vou fazer o quê?” – foi sua resposta. “Fazer o quê, se ele (Marconi) é memória de grilo?”, acrescentou Edivaldo, dando a entender que o Sr. Perillo sabia do plano de Carlinhos de assumir o tal contrato e que só teria incluído o Rassi nos planos porque sabia que ele era sócio do governador.

Quem teria contado tudo a Marconi: Rassi ou Rincón? Ou ambos? Os grampos da Polícia Federal indicam claramente que Rassi é amigo e, também, sócio do governador em um terreno adquirido em 2008. Mais: que ele seria o agente de Rincón para negociar com o grupo Cachoeira as divisões de lotes de licitações e até esmo a formação de parcerias para disputar contratos. Ele nega. Confessar, querer quem há de.

Abreu tinha razão

Ligações interceptadas em maio de 2011 já apontam para a suspeição levantada por Cláudio Abreu: Rincón tem um grupo forte e Beto Rassi faz parte dele. Em agosto, a certeza praticamente se materializa, quando a liberação de lotes para a Delta estava no finalmente e que “o martelo” estava praticamente batido, “com a garantia de Rassi e Rincón”, informava Wladimir ao chefe.

E quase sempre em parcerias seriam liberados lotes para a Delta. Um deles em agosto de 2011, para a duplicação de uma rodovia estadual. Outros dois lotes seriam tocados pela Warre e por Beto Rassi.

Rassi diz que nunca negociou qualquer coisa com Cachoeira. Admitiu ter recebido o convite para participar de um consórcio, mas que não teria se interessado. Quanto às citações de sei nome, ele as considera “absurdas”.  

A Polícia Federal, no entanto, discorda e mantém o nome do empresário como ligado aos interesses do Sr. Rincón e também, pelo que se depreende dos acontecimentos, do próprio governador. Este nada sabe e nada comenta, mas três dos oito sócios do Senhor Perillo na compra daquele terreno de um milhão de metros quadrados, lá em Pirenópolis, receberam e continuam recebendo milhões do governo estadual. 

Na lista dos “parceiros” beneficiados em 2012 estão as empreiteiras FR Engenharia e CCB – Construtora Brasil Central, e José Augusto D’Alcântara Costa, empresário e sócio do governador em um parque de ecoturismo.  

“Tubarão” voraz

Rincón atende o que lhe pede Carlinhos na medida em que não só o contraventor ganhe. E o que tem saído é tão pouco que as reclamações do Comando Delta são cada vez maiores – se gasta muito com gentes do governo, mas onde estão as obras da Delta?

Até o único contrato considerável que fez, de aluguel de carros às polícias civil e militar foi ameaçado de ruptura por pressão de grupos interessados – cabe lembrar que Rincón e dono de empresas que prestam o mesmo serviço contratado à empresa de quem Cachoeira é consultor (palavras dele).  

Nessa disputa envolvendo polpudos contratos, desentendimentos passaram a ocorrer entre aliados e até mesmo entre integrantes de um mesmo grupo. Um desses descontroles (grupo de Rincón) chegou ao conhecimento de Cachoeira no dia 27/02/2012, às 15h54min51. É o assunto entre ele e o senador Demóstenes, por telefone. 

RESUMO
CARLINHOS conta a DEMÓSTENES sobre fatos ocorridos na casa de JAYME (RINCÓN). CARLINHOS diz que está preparando uma notinha para a (revista) VEJA.


DIÁLOGO

DEMÓSTENES: Fala PROFESSOR.

CARLINHOS: Deixa eu te contar um bafo. Pode falar?

DEMÓSTENES: Pode ué. Conta aí.

CARLINHOS: A casa do JAIME, sábado à tarde, ficou sabendo, quase foram ás vias de fato, lá?

DEMÓSTENES: Não. Me conta isso ai uai.

CARLINHOS: Marconi, Jayme, Marcelo, Zé Augusto e Beto Rassi. O Beto chegou lá bufando em cima do Zé Augusto. Os dois quase vão à via de fato. E gritavam na frente do Marconi e o Marconi calado. Tiveram que levantar e apartar um com outro.

DEMÓSTENES: O que é isso, rapaz! Mas sábado à tarde o MARCONI saiu daqui umas quatro horas da tarde e já tinha tomado todas.

CARLINHOS: Então, e foi pra lá. Foi pra lá. Quem apartou foi o MARCELO. Fiquei sabendo através do MARCELO tá? E eu tô preparando uma notinha pra VEJA, viu?

DEMÓSTENES: Isso é bom demais. Mete o pau nisso aí. Mete o pau nisso. Desmoraliza isso. Tem que fazer, porque senão o povo não respeita, né?

CARLINHOS: E afasta ele deles. Isso que é importante, viu? Eu vô pô. O único que vou citar o nome é do Beto. Na casa dum secretário e na frente do Governador o empreiteiro BETO RASSI partiu pra cima do melhor amigo do GOVERNADOR, entendeu?

DEMÓSTENES: Faz muito bem. Detona aí. Detona que é até bom porque ele vai achar que é o JAIME ou o outro que fez isso.

CARLINHOS: Mas não comenta não, por que eles depois vão pensar que foi a gente que fez isso. Você só escuta, à noite a gente se fala. Oito horas aqui. tá?

DEMÓSTENES: Falou PROFESSOR. Um abração.

(ENCERRADO)


Logo em seguida, Carlinhos volta a falar com Demóstenes sobre o “affaire”, mas indignado com o governador.


DIÁLOGO

CARLINHOS: Oi.

DEMÓSTENES: Fala professor.

CARLINHOS: Só para completar. Você acredita que o Senador Ciro Miranda foi falar com ele (Marconi) como é que ele deixa acontecer isso. Você sabe como ele falou pro Ciro? “Ciro, é bom porque eles agora se fortalecem em grupo, sabe. Fortalecer em grupo. entendeu?”. Olha só ele dando guarida pra esse ...

DEMÓSTENES: Isso tá refém de tudo, rapaz. Esse homem não vai ser candidato a nada não, viu?

CARLINHOS: Vai nada, vai nada, isso na frente dele. Ele não falou nada, não levantou da mesa e um partiu pra cima do outro. Pegaram cadeira, um rolo danado.

DEMÓSTENES: Que é isso, rapaz. Essa foi boa, viu?

CARLINHOS: Falei com o Hugo Marques, se me soltar antes lá no Lauro, mas Veja interessou demais. Eu falo com Policarpo também. O Dadá falou com o Hugo Marques.

DEMÓSTENES: Bom demais. Ó, isso é bom. Bom disso aí, em vez de sair on-line, é sair na revista, né?

CARLINHOS: É, vou tentar amanhã, amanhã eu vou lá pra Brasília. Policarpo tá doidinho pra saber o trem do João. João viajou no do ... com o avião do governo, né. Eu não quis nem falar foi três vezes lá. Daqui a pouco ... toda hora ele manda mensagem pra mim.

DEMÓSTENES: Exatamente. Ele falou lá pra todo mundo que foi três vezes, né?

CARLINHOS: É, fala demais. Então falou, doutor. Um abraço.

DEMÓSTENES: Um abraço, tchau.

Cachoeira indigna-se com Perillo: “Foi bom porque agora eles se fortalecem como grupo”. Talvez mais próximo de gangue tal como o havia classificado Cláudio Abreu. Talvez mais do governador do que de Rincón, desconfiam os cachoeiristas. 

Autofagia. Beto Rassi brigou com o sócio dele e de Perillo no Ecotur de Pirenópolis. O Zé Augusto do episódio é, na verdade, José Augusto D’Alcântara Costa. Desde janeiro de 2011 ele pertence ao Conselho Fiscal da Saneago. Costa é proprietário de cartório em Trindade, cidade vizinha a Goiânia, onde o governador passou a escritura da famosa casa do Condomínio Alphaville.

Ele também aparece como responsável pela Augustus Eventos. Em 2006, a sua empresa recebeu 770 mil. Saiu Marconi, entrou Alcides e o faturamento foi minguando aos poucos: R$ 164 mil em 2007; nihil em 2008, R$128 mil em 2009 e R$ 37 mil em 2011. Nos seis primeiros meses de 2012, a Augustus Eventos faturou R$ 3,3 milhões.

Quem tem amigo tem tudo. Quando o amigo, além de sócio, é o rei, então... Diferente a situação de Cachoeira, que deu tudo ("Nós pusemos o cara lá") e passaram a lhe negar tudo. Mas a história não para por aqui.

Voltaremos.