22/08/2014

OPERAÇÃO TAPA-MENTIRAS: Lorotas derrapantes no Túnel do Tempo

"Fomos investigados até  medula e não encontraram nada. Você não imagina como isso é gratificante". 
A frase festiva e eufórica de Jayme Eduardo Rincón é falsa. Ele e Marconi têm por hábito dizer que a coisa é assim e pronto. Mas a coisa não é assim. É assim, como conta o relatório da CPMI. O texto não subiu, mas as provas foram todas entregues ao Procurador Geral da República, que tem uma equipe de procuradores auxiliares investigando ponto por ponto e as coisas prometem ser trágicas, nada "rincômicas". 


O texto abaixo, resgatado pelo Túnel do Tempo, é transcrito ipsis litteris do Relatório Final da CPMI. 



A organização criminosa e os
Secretários de Estado de Goiás



No palco dos fatos desnudados pela CPMI está o presidente da Agência Goiana de Obras e Transporte – AGETOP,



Jayme Eduardo Rincón


Cláudio Abreu, da Delta, todo esbaforido, liga para Carlinhos



CLÁUDIO: Está com paciência de falar? Estou saindo de reunião agora com Rossine. Ele vai pra Goiânia e amanhã ele vai pra Brasília. É aquela história. O feeling da gente não erra. Posso falar?

CACHOEIRA: Pode. E aí?

CLÁUDIO: Não sei se você lembra-se de tal de Carlos Silva, da Hidrobombas Sanefer? Cara, Carlos Silva, do governo do Cidinho, mamou pra caralho, fez todas as obras, ganhou dinheiro pra caralho. Ele chamou o Rossine, que está me contando aqui, pra levar ele pra apresentar pro Jaime Rincón. O cara abriu que ele e o Jayme Rincón são sócios. E numa arrogância! Falou que já comprou um avião tal, também um King Air, só pra deixar à disposição dos políticos. Agora comprou um Esquilo e que não sei o quê. Entrou no assunto de uma obra de Gurupi, que eu e o Rossine bancamos a obra, aí o cara diz 50% é da Delta, 50% é meu e eu não tenho medo da Delta. Bom, enfim...

CACHOEIRA: É, sabia. Mas acontece. Temos que ver isso aí. Vamos falar sobre isso.  [...] Meu sangue não cruzou com o do menino de jeito nenhum. E os caras são sócios, esse Carlos Silva... Quer dizer, o cara que mamou no governo Cidinho agora tá no governo do Marconi, sócio do Rincón... Rossine falou? Aquele Rincón não gosta do Marconi nem a pau. Ele tá ali para ganhar dinheiro e fazer rolo, só isso. Por incrível que pareça. Foda, né?

CLÁUDIO: Como é que é?

CACHOEIRA: Vamos arrumar para por uma nota sobre isso aí.

CLÁUDIO: Tem que botar uma nota e fazer um dossiê. A verdade é essa: um dossiê contra esse filho duma puta.

CACHOEIRA: Exatamente. Pode deixar. Vamos ver. A gente fala aí.

CLÁUDIO: Como é?

(ENCERRADA)


Carlos Silva
Apenas para situar o leitor: Carlos Silva foi deputado estadual, era suplente no período do governo de Alcides Rodrigues. Era o presidente da  CELG por quando da negociação dos problemas da empresa com o governo federal. Negócio que o Sr. Perillo desfez para fazer um pior.

O diálogo acima transcrito é elucidativo bastante para demonstrar que JAYME EDUARDO RINCÓN, Presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (AGETOP), ao menos na visão dos líderes da Organização Criminosa (ORGCRIM), foi nomeado para o cargo não para defender o interesse público de Goiás, mas para auferir benefício pessoal à custa do Erário.  

Jayme Rincón, CPF 093.721.801-49, tem 56 anos. É natural de Pires do Rio (GO) e assumiu em janeiro de 2011 a presidência da AGETOP, órgão encarregado de praticamente todas as obras de responsabilidade do Estado de Goiás.

Jayme Eduardo Rincón, presidente da AGETOP

Foi coordenador do Comitê Financeiro da Campanha Eleitoral de Marconi Perillo ao Governo no ano de 2010. Era sócio da Hertz em Goiânia (GO), uma das maiores locadoras de veículos com representação no Brasil. Foi Presidente da Associação Brasileira de Franqueados Hertz (CNPJ 03.679.885/0001-95) e é sócio da empresa Rental Frota Distribuição e Logística Ltda., CNPJ nº 97.415.681/0001-90, da qual possui 33% ações.

Cobra relevo destacar desde logo que Jayme Rincón também é sócio de sete empresas, conforme lista com respectivos CNPJ e posição em que figura no quadro societário:

CNPJ
Razão Social
Qualificação
97.415.681/0001-90
Rental Frota Dist. e Logística Ltda.
Sócio
02.085.223/0001-24
Repral Assessoria, Consultoria e Rep. Ltda.
Sócio
08.578.206/0001-05
RBR Part. e Empreendimentos Ltda.
Sócio Adm.
11.613.112/0001-34
Rincon e Godoi Part. e investimentos Ltda.
Sócio Adm.
06.987.517/0001-00
Central de Feiras e Exposições Ltda.
Sócio Adm.
07.570.802/0001-86
Rental Comércio de Veículos Ltda. - ME
Sócio Adm.
08.756.238/0001-53
Rentcentro Locadora de Veículos Ltda.
Adm.

Duelo de “tubarões”

Entende-se a razão manifestada por Cláudio Abreu em conversas anteriores com Carlos Cachoeira sobre a proposta do parceiro Edivaldo Cardoso: o rompimento do grupo com o Secretário de Segurança, João Furtado: “Você não vai brigar com um, mas com muitos. É uma gangue. Beto Rassi, o cara lá da AGETOP...” – disse Cláudio, sabedor das coisas.

Cláudio Abreu: feeling
A sociedade de Carlos Silva com Rincón é um adendo a confirmar a existência da “turma do JR”, da qual Beto Rassi e o staff da Warre fariam parte. Também passa a fazer sentido um registro feito por Cachoeira na conversa com Cláudio: “Aquele Rincón não gosta do Marconi nem a pau. Ele tá ali para ganhar dinheiro e fazer rolo, só isso. Por incrível que pareça”.

Resta saber quem não está. Duelo de “tubarões”, sem regras nem limites. Carlinhos et alii, quando se somaram a Marconi, almejavam obter considerável fatia do bolo de obras para a Delta e a sua maior coligada – A CRT, Construtora Rio Tocantins, cujo dono é o próprio chefe do bando. A AGETOP era o mapa da mina para todos, mas, para Carlinhos ela era algo mais.

A “menina dos olhos”

A Agência Goiana de Transporte e Obras – AGETOP era um dos principais focos de ataque da Organização Criminosa chefiada por Carlos Cachoeira e seu braço empresarial, na medida em que concentrava o poder e a decisão sobre os grandes investimentos realizados pelo Governo de Goiás. É função dela a construção e reparos de rodovias e de construção e reformas de unidades escolares da Rede Estadual de Educação.

Cachoeira: desencanto
Em função disso é que o órgão chefiado por Jayme Rincón se apresentava como extremamente estratégico para os objetivos econômicos que divisava auferir o grupo mafioso. Afinal, com um dos maiores orçamentos do Estado goiano para investimentos, na AGETOP é que estavam as grandes obras que poderiam ser direcionadas para a Delta e demais empresas do grupo Cachoeira.

Naturalmente, a AGETOP era a “menina dos olhos” do grupo comandado por Cachoeira e foi por isso que ele investiu desde o início do Governo Marconi Perillo, na busca de espaços junto à direção da Agência ocupada por Jayme Rincón.

E as investigações realizadas pela Polícia Federal, aprofundadas por esta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), indicam que essa investida foi frutífera, de modo que a Organização Criminosa conseguiu, efetivamente, infiltrar-se no seio da Agência Goiana de Transporte e Obras, de onde logrou conseguir benefícios.

Com efeito, muito embora o Presidente Jayme Rincón venha afirmando em entrevistas a veículos de comunicação que não tem, ou teve, qualquer vinculação com Carlos Cachoeira e demais integrantes da Organização Criminosa, o que as provas revelam é uma bem articulada e promissora parceria entre Jayme Rincón  Carlos Cachoeira, Cláudio Abreu, Wladimir Garcez e outros, de modo que os interesses da quadrilha tinham espaço privilegiado para atendimento na AGETOP.

Na verdade, diferentemente do que vem declarando Jayme Rincón (que afirma ter se encontrado com Wladimir e Cachoeira "umas duas vezes"), eram frequentes seus encontros com os integrantes do grupo criminoso, de forma que as necessidades e os desideratos da ORGCRIM pudessem ser atendidos. Assim como procedia em relação ao Governador Marconi Perillo, era Wladimir Garcez quem fazia a interlocução periódica entre os objetivos da Organização Criminosa (previamente definidos por Carlos Cachoeira) e as ações públicas que deveriam ser conduzidas na seara da Agência de Obras.

E, como não poderia deixar de ser, essa parceria, que também vigorava em outras Secretarias e Órgãos do Governo de Goiás, inclusive com o próprio Governador de Estado, como se demonstra de forma inequívoca neste Relatório, era benéfica para ambos, de modo que todos lucravam, em detrimento da sociedade goiana e brasileira!

Cachoeira e Rincón: aparências

Tudo prometia ser fácil e farto. Nas reuniões, nos entendimentos, nos jantares em público ou às escondidas (estes com o governador), desenhou-se um futuro de muitas obras e de grande faturamento para as empreiteiras. O tempo cuidou de mostrar que não seria bem assim.

Apesar dos esforços de Cachoeira e dos milhões que teria gasto na campanha, a contrapartida foi parcimoniosa. Bem mais tarde ele irá perceber que havia lobos mais famintos do que ele, com a vantagem pró-concorrência: o oponente era do governo, era o próprio gestor dos contratos e, para poder participar, teria que dividir.  Ele teria que “engolir” a vontade de Rincón, quando pretendia engoli-lo. Havia outro governo paralelo este já estava botando as mangas pra fora. 

Assim, ainda que em convivência amistosa, Carlinhos Cachoeira e Jayme Rincón eram dois bicudos, não se beijavam. Eram inimigos cordiais. Naquele mundo hipócrita, estavam se comportando pelas regras pertinentes. Ocorre que no universo fora da lei não pode caber um titular de cargo público e Rincón era e é ocupante desse cargo. Assim a sua convivência harmoniosa – ainda que de fachada – com o líder e demais membros de uma organização criminosa já seria motivo para a sua demissão sumária.  O problema é que aquele que tem o dever de demiti-lo também seria “assim” com a mesma quadrilha.

Carlinhos se utiliza da relação com o presidente da AGETOP para engatilhar outros negócios, buscando, inclusive, parcerias com concorrentes. Uma das parcerias tentadas foi com o empresário Luiz Alberto Rassi o Beto Rassi, dono da Fued Rassi Engenharia. Com a bênção de Rincón, iriam disputar o contrato de serviços de inspeção veicular do DETRAN.

Rassi teria aceitado o consórcio, ficando a depender da palavra final da Delta. Quando se ajustavam os detalhes finais, chega a bomba: o governador teria enfiado, ilegalmente, a POLITEC goela abaixo do DETRAN, frustrando os planos de Cachoeira.

Carlinhos ligou para Edivaldo, parceiro e presidente do Departamento Estadual de Trânsito para dar-lhe a bronca. “Foi ordem do governador, uai. Vou fazer o quê?” – foi sua resposta. “Fazer o quê, se ele (Marconi) é memória de grilo?”, acrescentou Edivaldo, dando a entender que o Sr. Perillo sabia do plano de Carlinhos de assumir o tal contrato e que só teria incluído o Rassi nos planos porque sabia que ele era sócio do governador.

Quem teria contado tudo a Marconi: Rassi ou Rincón? Ou ambos? Os grampos da Polícia Federal indicam claramente que Rassi é amigo e, também, sócio do governador em um terreno adquirido em 2008. Mais: que ele seria o agente de Rincón para negociar com o grupo Cachoeira as divisões de lotes de licitações e até esmo a formação de parcerias para disputar contratos. Ele nega. Confessar, querer quem há de.

Abreu tinha razão

Ligações interceptadas em maio de 2011 já apontam para a suspeição levantada por Cláudio Abreu: Rincón tem um grupo forte e Beto Rassi faz parte dele. Em agosto, a certeza praticamente se materializa, quando a liberação de lotes para a Delta estava no finalmente e que “o martelo” estava praticamente batido, “com a garantia de Rassi e Rincón”, informava Wladimir ao chefe.

E quase sempre em parcerias seriam liberados lotes para a Delta. Um deles em agosto de 2011, para a duplicação de uma rodovia estadual. Outros dois lotes seriam tocados pela Warre e por Beto Rassi.

Rassi diz que nunca negociou qualquer coisa com Cachoeira. Admitiu ter recebido o convite para participar de um consórcio, mas que não teria se interessado. Quanto às citações de sei nome, ele as considera “absurdas”.  

A Polícia Federal, no entanto, discorda e mantém o nome do empresário como ligado aos interesses do Sr. Rincón e também, pelo que se depreende dos acontecimentos, do próprio governador. Este nada sabe e nada comenta, mas três dos oito sócios do Senhor Perillo na compra daquele terreno de um milhão de metros quadrados, lá em Pirenópolis, receberam e continuam recebendo milhões do governo estadual. 

Na lista dos “parceiros” beneficiados em 2012 estão as empreiteiras FR Engenharia e CCB – Construtora Brasil Central, e José Augusto D’Alcântara Costa, empresário e sócio do governador em um parque de ecoturismo.  

“Tubarão” voraz

Rincón atende o que lhe pede Carlinhos na medida em que não só o contraventor ganhe. E o que tem saído é tão pouco que as reclamações do Comando Delta são cada vez maiores – se gasta muito com gentes do governo, mas onde estão as obras da Delta?

Até o único contrato considerável que fez, de aluguel de carros às polícias civil e militar foi ameaçado de ruptura por pressão de grupos interessados – cabe lembrar que Rincón e dono de empresas que prestam o mesmo serviço contratado à empresa de quem Cachoeira é consultor (palavras dele).  

Nessa disputa envolvendo polpudos contratos, desentendimentos passaram a ocorrer entre aliados e até mesmo entre integrantes de um mesmo grupo. Um desses descontroles (grupo de Rincón) chegou ao conhecimento de Cachoeira no dia 27/02/2012, às 15h54min51. É o assunto entre ele e o senador Demóstenes, por telefone. 

RESUMO
CARLINHOS conta a DEMÓSTENES sobre fatos ocorridos na casa de JAYME (RINCÓN). CARLINHOS diz que está preparando uma notinha para a (revista) VEJA.


DIÁLOGO

DEMÓSTENES: Fala PROFESSOR.

CARLINHOS: Deixa eu te contar um bafo. Pode falar?

DEMÓSTENES: Pode ué. Conta aí.

CARLINHOS: A casa do JAIME, sábado à tarde, ficou sabendo, quase foram ás vias de fato, lá?

DEMÓSTENES: Não. Me conta isso ai uai.

CARLINHOS: Marconi, Jayme, Marcelo, Zé Augusto e Beto Rassi. O Beto chegou lá bufando em cima do Zé Augusto. Os dois quase vão à via de fato. E gritavam na frente do Marconi e o Marconi calado. Tiveram que levantar e apartar um com outro.

DEMÓSTENES: O que é isso, rapaz! Mas sábado à tarde o MARCONI saiu daqui umas quatro horas da tarde e já tinha tomado todas.

CARLINHOS: Então, e foi pra lá. Foi pra lá. Quem apartou foi o MARCELO. Fiquei sabendo através do MARCELO tá? E eu tô preparando uma notinha pra VEJA, viu?

DEMÓSTENES: Isso é bom demais. Mete o pau nisso aí. Mete o pau nisso. Desmoraliza isso. Tem que fazer, porque senão o povo não respeita, né?

CARLINHOS: E afasta ele deles. Isso que é importante, viu? Eu vô pô. O único que vou citar o nome é do Beto. Na casa dum secretário e na frente do Governador o empreiteiro BETO RASSI partiu pra cima do melhor amigo do GOVERNADOR, entendeu?

DEMÓSTENES: Faz muito bem. Detona aí. Detona que é até bom porque ele vai achar que é o JAIME ou o outro que fez isso.

CARLINHOS: Mas não comenta não, por que eles depois vão pensar que foi a gente que fez isso. Você só escuta, à noite a gente se fala. Oito horas aqui. tá?

DEMÓSTENES: Falou PROFESSOR. Um abração.

(ENCERRADO)


Logo em seguida, Carlinhos volta a falar com Demóstenes sobre o “affaire”, mas indignado com o governador.


DIÁLOGO

CARLINHOS: Oi.

DEMÓSTENES: Fala professor.

CARLINHOS: Só para completar. Você acredita que o Senador Ciro Miranda foi falar com ele (Marconi) como é que ele deixa acontecer isso. Você sabe como ele falou pro Ciro? “Ciro, é bom porque eles agora se fortalecem em grupo, sabe. Fortalecer em grupo. entendeu?”. Olha só ele dando guarida pra esse ...

DEMÓSTENES: Isso tá refém de tudo, rapaz. Esse homem não vai ser candidato a nada não, viu?

CARLINHOS: Vai nada, vai nada, isso na frente dele. Ele não falou nada, não levantou da mesa e um partiu pra cima do outro. Pegaram cadeira, um rolo danado.

DEMÓSTENES: Que é isso, rapaz. Essa foi boa, viu?

CARLINHOS: Falei com o Hugo Marques, se me soltar antes lá no Lauro, mas Veja interessou demais. Eu falo com Policarpo também. O Dadá falou com o Hugo Marques.

DEMÓSTENES: Bom demais. Ó, isso é bom. Bom disso aí, em vez de sair on-line, é sair na revista, né?

CARLINHOS: É, vou tentar amanhã, amanhã eu vou lá pra Brasília. Policarpo tá doidinho pra saber o trem do João. João viajou no do ... com o avião do governo, né. Eu não quis nem falar foi três vezes lá. Daqui a pouco ... toda hora ele manda mensagem pra mim.

DEMÓSTENES: Exatamente. Ele falou lá pra todo mundo que foi três vezes, né?

CARLINHOS: É, fala demais. Então falou, doutor. Um abraço.

DEMÓSTENES: Um abraço, tchau.

Cachoeira indigna-se com Perillo: “Foi bom porque agora eles se fortalecem como grupo”. Talvez mais próximo de gangue tal como o havia classificado Cláudio Abreu. Talvez mais do governador do que de Rincón, desconfiam os cachoeiristas. 

Autofagia. Beto Rassi brigou com o sócio dele e de Perillo no Ecotur de Pirenópolis. O Zé Augusto do episódio é, na verdade, José Augusto D’Alcântara Costa. Desde janeiro de 2011 ele pertence ao Conselho Fiscal da Saneago. Costa é proprietário de cartório em Trindade, cidade vizinha a Goiânia, onde o governador passou a escritura da famosa casa do Condomínio Alphaville.

Ele também aparece como responsável pela Augustus Eventos. Em 2006, a sua empresa recebeu 770 mil. Saiu Marconi, entrou Alcides e o faturamento foi minguando aos poucos: R$ 164 mil em 2007; nihil em 2008, R$128 mil em 2009 e R$ 37 mil em 2011. Nos seis primeiros meses de 2012, a Augustus Eventos faturou R$ 3,3 milhões.

Quem tem amigo tem tudo. Quando o amigo, além de sócio, é o rei, então... Diferente a situação de Cachoeira, que deu tudo ("Nós pusemos o cara lá") e passaram a lhe negar tudo. Mas a história não para por aqui.

Voltaremos. 


21/08/2014

Vale a pena ver de novo: Como Cachoeira teria levado 500 mil a Marconi


Ao político não basta ser honesto. Também é preciso parecer honesto. Quando conduta e parecença não se completam, a questão moral se instala.

Geovani, o tesoureiro de Carlinhos Cachoeira, é tido por todos os demais companheiros e pelo próprio gang leader como uma pessoa honesta. Nunca pegou um tostão do caixa, jamais cometeu algo que o desabonasse. 

Perguntem ao chefe do bando e ele confirmará quão correto é o homem que cuidava das suas finanças.

Entre nós, que não o conhecemos, por mais honesto que seja no seu trabalho, parecerá como tal aos olhos do mundo, assim que se revelar ser ele um dos quadrilheiros do rei da jogatina proibida, do bicheiro Carlinhos Cachoeira?

Com certeza, não. O próprio “patrão” dele tem a consciência disso, a ponto de, em grande desespero, mandar destruir o contrato particular de compra e venda da casa do governador Perillo, para que ninguém jamais o identificasse como pessoa da relação de um contraventor.

Falharam todas as tentativas para impedir que viesse ao lume tal relacionamento. Jantares aconteceram, negócios foram feitos, dinheiros teriam sido repassados, propinas teriam sido pagas, licitações teriam sido fraudadas. Isso a Operação Monte Carlo levantou e com as respectivas provas, todas juntadas ao inquérito instaurado para apurar as responsabilidades do governador de Goiás.  

Aprovando ou não a Assembleia (Vegetativa) goiana o provável pedido futuro, ficará difícil ao tal senhor a questão da parecença. Ele não tem que provar que é honesto. O ônus de provar possível ação ímproba por parte dele será de quem o acusar. Difícil será parecer probo com a fartura de informações que o envolvem com não recomendáveis pessoas.

Das mazelas apontadas, uma delas chama a atenção pelo zelo com que Cachoeira cuidou de fazer chegar ao Sr. Perillo a importância de 500 mil reais. Este dinheiro seria uma parcela dos dois milhões que, segundo Cachoeira, o governador teria pedido para “abrir o governo” aos planos da Delta.

Fomos acompanhar a chamada operação “Paga Marconi” desde o começo. Para não ficarmos apenas na transcrição dos diálogos, buscamos no Relatório da CPMI o mapeamento das conversas, identificando a localização geográfica dos interlocutores pelas antenas de telefonia existentes no traçado percorrido pelo dinheiro a ser entregue.

O pagamento passo a passo




















































REPETINDO

Cachoeira e Perillo


Fica difícil sustentar o argumento de que a Polícia Federal teria feito montagens, teria editado diálogos. O dinheiro saiu de Anápolis e foi parar em Pirenópolis. O rastreamento foi de ponta a ponta. Faltou apenas a foto da entrega, para que se soubesse quem teria recebido os R$ 500 mil: se o suposto beneficiário ou alguém de sua confiança.