24/10/2014

Assaltante Aloysio, o vice de Aécio


Cosmorama: Praça da Matriz


Era menino, oito anos de idade. Morava numa cidadezinha interiorana de São Paulo. O nome dela era imponente: Cosmorama, do grego, panorama do mundo.  Meu pai era vereador, presidente da Câmara, amicíssimo e incansável cabo eleitoral de um deputado federal rio-pretense.

Não há como esquecer essa amizade e ligação. É que eu a vivenciei, eu fui partícipe dessa lealdade. Lembro-me de que, encarapitado na minha Monark, com a lista de nomes na mão, saí a distribuir os bilhetes do velho contendo o nome e o número e o pedido de voto para o “nosso candidato”. Ainda que a cidade contasse com pouco mais de mil e 500 habitantes, haja pedalada!.

É que não só ali, mas também pelos pequenos sítios urbanos, onde costumava buscar leite tirado na hora (eu o tomava num copo com açúcar) ou comprar hortifrutigranjeiros. O mais próximo era o do Antônio do Prado, mais conhecido por Tonico Capa Preta. O mais distante era o do Sr. Domingos Baggio, onde havia frutas, verduras, legumes, tanques com variadas espécies de peixes etc. – eu preferia o canteiro de moranguinhos e a garapa de cana (eu gostava de montar no burro que fazia girar a moenda).

Retomando as pedaladas, o meu velho era cabo eleitoral do amigo e eu era o recruta encarregado de levar as mensagens aos votantes. Eu o fiz diligentemente. Missão cumprida, aguardamos as urnas e lá estava o nosso amigo reeleito.

Essa história me veio à lembrança no dia 27 de junho de 2012, quando eu depunha na CPMI, em Brasília. É que ali, a dois metros de mim, tachando-me de “moleque” e “vagabundo”, estava o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira Filho, para cujo pai, o saudoso Aloysio Nunes Ferreira, estas pernas aqui, cansadas e trôpegas, tanto pedalaram.  
Aloysio, o filho
Aloysio, o pai


No site oficial da candidatura, a biografia de Aloysio é sucinta. “Com 18 anos, entra no movimento estudantil e inicia sua militância política nos momentos que precederam o golpe de 64. Filia-se ao MDB em 1966, logo após sua fundação. Presidiu o Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, em 1967. É perseguido pelo governo militar e parte para o exílio na França, onde vive por 11 anos. Mesmo distante, denuncia as violações aos direitos humanos praticados contra os opositores da ditadura brasileira. Com a anistia, voltou ao Brasil e participou da fundação do PMDB”.

É uma microbiografia marota. A face de Aloysio que os aecistas gostam de ver é a do autor do projeto de lei pela redução da maioridade penal, a do sujeito que xinga ciclovias etc. A que não gostariam de ver, se a conhecessem melhor, é a que o aproxima da Dilma do fim dos anos 60, começo dos 70, devidamente renegada (o que, de resto, é de seu absoluto direito).

Aloysio militou na luta armada pela Ação Libertadora Nacional. Dilma era da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).

Ele conheceu seus companheiros quando presidiu o Centro Acadêmico XI de Agosto. Era filiado ao clandestino PCB.

A ALN era liderada por Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. “Ele [Marighella] tinha uma confiança muito grande no Aloysio. Era muito bem quisto por ele. Falava muito bem do senador, que já era muito culto”, disse a ex-militante Iara Xavier Pereira à Carta Capital.

“Mateus” — seu nome de guerra mais usado — era motorista do chefe. Em 1968, participou do assalto ao trem pagador da extinta estrada de ferro Santos-Jundiaí. Aloysio teria dirigido o carro da fuga, levando malotes de dinheiro. Também tomou parte do assalto ao carro-pagador da Massey-Ferguson na praça Benedito Calixto, em Pinheiros.

Foi mandado a Paris com um passaporte falso. Condenado pela Lei de Segurança Nacional, virou representante da ALN no exterior. Fez um acordo com a Argélia para treinar brasileiros na guerrilha.

Em 1979, assinada a Anistia, voltou ao Brasil. Desfiliou-se do PCB e entrou no MDB e depois no PMDB, onde começou uma carreira bem sucedida. Foi deputado estadual de 1983 a 1991 em SP, e vice-governador na gestão de Luiz Antônio Fleury Filho.

Em 1997, filiou-se ao PSDB. No governo FHC, foi ministro da Justiça e secretário geral da presidência. Quando Serra era governador, Aloysio ocupou o cargo de chefe da Casa Civil. Em 2010, elegeu-se senador com o recorde de 11 milhões de votos.

Aloysio é natural de São José do Rio Preto, interior do estado. Há uma estrada com nome do Aloysio pai na cidade (SJR-419). Ele é dono de uma fazenda na vizinha Pontalinda. Em maio de 2009, a polícia militar encontrou um tambor de leite com 19 quilos de pasta base de cocaína, 515 gramas de crack e 13 cartuchos para pistola numa área isolada da propriedade.

“O doutor Aloysio é vítima”, disse o delegado Antônio Mestre Júnior, chefe da Polícia Civil na área de São José do Rio Preto, à Folha. “Os criminosos escolheram a propriedade pela sua localização geográfica e facilidade de esconderam a droga ali”. 

No “Diário”, publicação de Rio Preto e arredores, a assessoria do então secretário de Serra declarou que “foi o namorado da filha de seu caseiro, um policial militar, que suspeitou da movimentação e acionou a polícia”. A droga, incinerada de acordo com o delegado Mestrinho, valia 800 mil reais. A história morreu aí.

Mas a fama dele, não. É tido como mau pagador. As collheitadeiras só funcionam porque o operador tem crédito no posto, onde o dono não é bem vindo. Compra e não paga. 

Conta vantagem em relação a Dilma, quando compara os seus dotes "subversivos" com os dela. “Fui mais longe do que ela [Dilma]. Mas isso não me impede de hoje ter uma visão absolutamente crítica, não só da tática, mas da concepção desses movimentos”, diz ele sobre seu passado. “Atacávamos a ditadura por uma via que não era democrática”.



Alô, Goiás. Acorde antes que não sobre mais nada!

The King and The Queen se uniram a grandes empreiteiros e compraram uma área de 1 milhão de metros quadrados, em Pirenópolis. Ali existe até heliponto registrado na ANAC em nome da Soberana. O empreendimento é colocado no status de ecoturismo, mas seria área pronta para abrigar, se aprovada a volta do jogo no Brasil, um dos mais modernos cassinos do mundo, ao estilo de Las Vegas.
Estão lembrados de como a maioria dos nossos parlamentares defendia a legalização do jogo no Congresso, principalmente os ligados a Cachoeira?
Pois bem. Algumas dessas empreiteiras sócias do casal real nesse terrenão em "Piri", também fazem doações para a campanha do Soberano. Por falta de tempo - ando ocupado apreciando derrières das novaiorquinas - não olhei o quanto a Construtora Central do Brasil e a Fuad Rassi doaram pro sócio tentar ganhar mais um quatriênio de obras e aditivos.
Pelo que apurei nos contratos de ambas com as AGETOP, coisa assim por cima, a CCB abocanhou, de 2011 até julho de 2014, 570 milhões. A FR, uns 79 milhões mais a construção da nova sede do TCE, que, segundo soube, vai ser batizada com o nome de Henrique Santillo, que é médico e odiava esse negócio de botar nome de gente em prédios e logradouros públicos.
No meio, o bochincho que ainda se ouve é o de que a segunda casa habitada pela dinastia dos Perillo no Alphaville não teria sido alugada. De propriedade da Construtora Centro Leste, a tal mansão seria um "regallo" de gratidão à Sua Majestade, pois a AGETOP teria repassado para a CCL um contrato de quase 150 milhões que pertencia à ENGESA.
Nesse meio empresarial, as conversas fluem tanto ou até mais do que nos salões de beleza. Algumas são boatos, outras são verdadeiras. Os tucanos, por exemplo, injustamente, falam que Íris trouxe a Delta para cá. Ora, os viadutos foram licitados e qualquer empresa nacional pode participar. A Delta veio e venceu os certames.
O Rei e os seus jacás de pinga ficaram a cobrar de Paulo Garcia o rompimento de contrato com a empreiteira, tal como o Estado havia feito. Fez para inglês ver. A AGETOP pediu que mudassem apenas o representante da empresa junto a ela (saiu o Wladimir Garcez, entrou o Edivaldo Cardoso, sócio do Cachoeira) e que outros diretores assinassem os contratos. A Delta faturou quase 100 milhões em obras contratadas durante o escândalo. Para quem não sabe, os carros do batalhão rodoviário estadual são alugados à Delta.
Cachoeira, dizem, continua mandando. A Trade, empreiteira dele lá de Anápolis, faturou uns 50 milhões. Não mais porque teria gorado o esquema das escolas Padrão Século XXI.
O que se ouve no Império do Rei Mandão é isso: sócios e amigos do rei nadam de braçada nos milhões em obras. Já imaginaram mais quatro anos de dolce vita? Tá explicado o desespero pela vitória. Lembra o Blitz: Estou a dois passos/do paraíso... E de repente.... tchan tchan tchan tchan.
DÊ UM BASTA NA TRANQUIBÉRNIA DOS FAUSTOSOS, ou seja, vamos botar um fim nessa farra dos coxinhas abastados. Quem ama esta terra, tem amor pela família e quer o bem-estar geral, vota 15, o VOTO MORAL.

23/10/2014

Há crimes nessa minha entrevista?

Amigos, por aquela entrevista ao Estadão e por esta aqui à CBN, o juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 7ª Vara Cível, me condenou a pagar 200 pilas ao Imperador do Cerrado. Vejam se cometi, realmente, algum crime contra a honra de Vossa Majestade.  

Eis o conteúdo da minha fala ao "Papo Político", com Fabiana Pulcineli de Bruno Nascimento, em 2012. 


Bruno Nascimento: Quais provas o Sr. pretende reunir a respeito desse assunto que envolve o seu nome?

Bordoni: As provas necessárias para mostrar que, realmente, o que eu disse é verdade. Primeiro, vamos colocar bem as coisas. Eu não sabia que tinha recebido qualquer dinheiro de Alberto & Pantoja coisa nenhuma. Para mim, eu tinha recebido o dinheiro do Sr. Lúcio Gouthier Fiúza, que ligou pedindo o número da conta. Como eu vivo viajando, eu dei o número da conta de Bruna, que é quem resolve os meus problemas. Ele pegou o número da conta e ficou de fazer o depósito. Para mim, o depósito teria sido feito por ele. Mais tarde, no segundo pagamento, para completar os 90 mil, apareceu um depósito em nome de Adécio & Rafael, que eu nunca ouvi falar na vida, pagando os 45 mil restantes, completando os 90 mil que eles estão negando que estavam devendo. Disseram que eu só recebi 33 mil reais. Trinta e três mil reais? Só para falar bom dia eu cobraria isso. A verdade é que o dinheiro foi depositado por Alberto & Pantoja e nem sei como foi aparecer isso. O Sr. Lúcio Gouthier Fiúza foi quem ligou para mim e como encarregado do pagamento, ele é quem deve explicações a respeito disso.

Fabiana: Luiz Carlos, o governo anunciou que hoje vai processá-lo por conta dessas declarações. O que o Sr. acha disso?

Bordoni: O governo pode me processar, uai! Processe e busque o caminho que quiser buscar. Eu tenho a certeza absoluta de que eu estou com asverdade. Eu não preciso de subterfúgios, eu não preciso de nada. Que interesse teria eu em fazer isso, gente? Eu só entrei nessa história porque o nome da minha filha apareceu nessa confusão toda, naquela inquirição do Demóstenes Torres. Agora, jogar lama no nome de minha filha e no meu ninguém vai jogar, não. Por conta de Caixa 2 de política – SE FOR CAIXA 2 – por conta de Cachoeira. Jamais, isso jamais. Não vou permitir nunca. Afinal de contas, honra, moral, não tem preço, não.

Fabiana: O governo divulgou uma nova nota, dizendo que de fato o Sr. conversou com o Lúcio, mas que foi para tratar de indicações de sua filha e da sua esposa para cargos no governo.

Bordoni: Vê como eles são mentirosos, não é. Para começar, eu não tenho esposa. A minha ex-mulher, que está trabalhando no governo, ela conseguiu o cargo dela por outros meios, nunca por mim. Eu e ela estamos divorciados há tanto tempo, há tanto tempo, que eu não sei o por que dessa ilação. E outra: para que filha eu pedi emprego aí? Afinal de contas, eu nunca conversei com o Sr. Lúcio a respeito de emprego. O Sr. Lúcio não manda nada, não decide nada. Eu falaria com quem não manda para resolver essas questões?  Não. O Sr. Lúcio só resolve questões de campanha. E já que estão insistindo tanto, mais coisas vão aparecer. Eu estou chegando aí. Eu estou na Bahia, estou há mil e 300 quilômetros daí de Goiânia. Eu devo chegar hoje à noite e, a partir de amanhã, vou colocar as coisas nos devidos lugares, levantando os documentos e trabalhando, também, a minha defesa nesse sentido. Eu não temo nada, eu não temo ninguém, não. Não adianta querer me intimidar , querer me desconstruir moralmente, como estão fazendo, num baixo nível, numa falta de compostura, principalmente por parte de autoridades do Estado de Goiás. Agora, se eles querem jogar assim, problema deles. Eu não temo nada, porque eu estou com a verdade, eu estou com a verdade.   

Bruno: O governo alega que o Sr. não tem provas. O Sr. tem contrato de prestação de serviços?  

Bordoni: Como vou ter contrato de prestação de serviços se eu combinei com um amigo meu? Pessoalmente com ele, no escritório político dele, na Ricardo Paranhos, sentado frente a frente? Eu pedi 200 mil e ele escreveu num papel 120 mais 50 de bônus, em caso de vitória. Eu vou pedir contrato pra quem eu acreditei em 98, na vitória contras Íris Rezende Machado, aquela vitória retumbante, acreditando nesse jovem impetuoso, manga arregaçada, camisa azul, bradando “vamos ganhar, vamos vencer” e vencemos.

Fabiana: Outra coisa dita na nota é a de que o governador Marconi nunca tratou de pagamento ou acertou valores com nenhum prestador de serviço dessa campanha.

Bordoni: O governador está faltando com a verdade. Ele está faltando com a verdade. Eu tenho um ditado. Há um ditado que diz: “Homem é homem, gato é um bicho”. Eu, quando assumo as coisas, eu as cumpro até o final. Eu não corro das coisas que assumo, não.

Fabiana: Qual foi o valor total, então, Luiz Carlos, que foi acertado para o pagamento da campanha inteira?

Bordoni: 120 mil, mais 50 de bônus. São 170.  

Fabiana: E aí faltaram quase 90 mil do ano passado?

Bordoni: Eu recebi 40 mil. Depois, uma nota que foi entregue ao comitê do PSDB, de 33 mil, descontando os impostos da nota, são 30 mil líquidos, e mais 10 mil, que eu recebi do Sr. Jayme Rincón.

Fabiana: Mas, aí o Sr. assinou a nota apenas dos 33 mil?

Bordoni: Eu dei a nota de 33 mil. Por quê?

Fabiana: Não, porque o Sr. disse que recebeu, também, 40 mil e depois mais 10 mil e o Sr. assinou só a nota acima.

Bordoni: Eu dei a notas ao comitê, que ia me fazer aquele pagamento. Eu recebia do candidato. Agora, quem paga a campanha, quem paga a campanha? Você não pergunta de onde vem o dinheiro, não. Você recebe pelo trabalho prestado. 

Bruno: Bordoni, até pouco tempo o Sr. participou de um programa, juntamente com o Paulo Beringhs, na TV Brasil Central, que é uma estatal. O Sr. deixou o programa, recentemente. Houve algum desentendimento?

Bordoni: Não, não. Eu estou com 65 anos de idade. Trabalhar até
a meia-noite, depois ter que acordar cedo no dia seguinte, acaba não aguentando não. Se eu tivesse aí essa juventude de vocês, se eu fosse esbelto como você, se eu tivesse os quilinhos que tem a querida Fabiana Pulcineli, estaria tranquilo. Acontece que eu estou pesando 105 quilos, 65 anos. Aí é barra. Eu não estava aguentando mais o tranco. Eu tive que pedir água. Aí não tem jeito, né!

Fabiana: O Sr. disse que as suas ex-mulher e uma de suas filhas trabalham atualmente no governo. Nenhuma dos dois casos foi indicação sua?

Bordoni: Não, não. A Tatiana, que trabalha no Procon, conseguiu o trabalho dela por luta pessoal. Ela é da Assembleia de Deus, é missionária e tem a turma dela dentro do governo e que apoia o Marconi. Enfim, está lá por luta e mérito dela. Agora, com relação à minha ex-mulher, não sei como ela conseguiu o emprego dela. Sinceramente, não sei. Agora, buscar essa justificativa tão pobre para... Gente, por que não buscar o fato como deve ser esclarecido? Por que vocês não pegam o Lúcio Gouthier Fiúza e não fazem ele assumir isso?

Fabiana: Porque ele não quis dar entrevista. O Sr. vai propor uma acareação, também, se for convocado para ir à CPMI?

Bordoni: Eu não temo nada. Eu não temo nada. Eu quero olhar é olho no olho. Eu quero olhar é olho no olho. Eu não temo nada, eu não tenho nada a temer, meus amigos. Eu não temo nada e não tenho nada contra ninguém. De repente, o Bordoni, que ontem era o ótimo, o bom, o porreta, o criador, o tal, o não sei quem, de repente virou um bandido, louco, irresponsável, o mentiroso, isso da noite pro dia. Quer dizer que, ontem, eu não era nada disso, quando pedia votos para ele...

Bruno: o Sr. se ofendeu com essa declaração do governo?

Bordoni: ... porque a campanha dele fez coisas errada? Eu não tenho nada com isso, não, uai!

Bruno: o Sr. se ofendeu com essa declaração?

Bordoni: Claro que eu me ofendi. É claro. Eu pensei que eles fossem buscar apurar a verdade dos fatos e punir quem fez as coisa errada. Mas, não. Ao tomar essa posição aí todo mundo assumiu a paternidade do erro. Agora, eles que se expliquem. Eu não tenho que explicar nada, não. Eles que vão ter que explicar por que é que esse dinheiro foi parar na minhas conta. Eu não dei a conta bancária pra ninguém de Alberto e Pantoja e muito menos pra Adécio e não sei das quantas. Eu dei pro Sr. Lúcio Gouthier Fiúza.

Bruno: Bordoni, obrigado por participar aqui do Papo Político...


Este o conteúdo da entrevista sobre o qual o AUTOR sustenta a sua denúncia de que o RÉU “informa que realmente houve o depósito da Alberto Pantoja no valor de R$ 90.000,00, que o  governador usa subterfúgios, que existe Caixa 2 na campanha política do governador, e o chama de mentiroso, de fazer ilações e afirmar, ainda, que o governador está faltando com a verdade e o chama de lixo. [...] Porém, o próprio afirma que não tem contrato de prestação de serviços e, ainda, que os empregos da filha e da ex-mulher no governo são devidos a mérito próprio”.

O RÉU desafia a quem interesse tiver que prove haver no conteúdo de suas entrevista qualquer dessas afirmações apontadas como suas.

Falou-se em 90 mil e em Alberto & Pantoja e Adécio & Rafael. Na referência a “Caixa 2”, o RECLAMADO foi enfático na afirmação,  de molde a não pairar dúvidas: “jogar lama no nome de minha filha e no meu ninguém vai jogar, não. Por conta de Caixa 2 de política – SE FOR CAIXA 2 – por conta de Cachoeira, jamais, isso jamais. Não vou permitir nunca”.

Ele também não afirmou que o governador usa de subterfúgios. Disse que ele, LUIZ CARLOS BORDONI, não usa de subterfúgios, sem ter culpa, também, pelo grau de elasticidade de interpretação por parte do ACUSADOR.

Disse o ACUSADO que a filha buscou o emprego ela própria, mas que nada sabe de como a ex-mulher teria conseguido o dela. Em momento algum da sua fala diz que o governador é mentiroso e muito menos o chamou de lixo.  Quanto ao governador ter faltado com a verdade, dizê-la ou não é questão de livre arbítrio. Poderia tê-la dito, mas optou por calar.


In suma, onde estão as acusações levianas causadoras de danos morais irreparáveis ao ilustre RECLAMANTE?

Os meus amigos leitores enxergam aí algum crime contra honra que me faz merecedor da pena de indenizaer ao "pobrezinho" Rei Mandão em 200 mil reais corrigidos? 

As causas de Bordoni x Marconi: a quem interessar possa!

Há leitores que questionam a minha postura crítica em relação a Marconi Perillo. De aliado passei a algoz. Senti que volta e meia será preciso repetir o episódio causal da nossa briga, para que todos entendam o meu comportamento.

Fui dos primeiros a me ombrear com ele, em 1998. Ao fazer opção, o fiz pela amizade e por crer que ali realmente estava se abrindo um novo caminho para a prática política em Goiás. Esse mesmo sentimento que teve Itamar Correa, autor da trilha sonora da primeira campanha vitoriosa, inaugurando o que acreditávamos ser verdadeiramente o tempo novo. 

Entrei na guerra de corpo e alma. E assinei a minha entrada. Fui o único a colocar no ar, no programa de rádio, a minha vinheta com o meu nome, me identificando com o candidato e com os propósitos dele. 

Acreditei no candidato

Nerso, a arma devastadora de 98
Ano de 1998. Foi gravando o programa do candidato a senador Fernando Cunha, ao comentar sobre a composição da chapa peemedebista – Íris para o governo, Maguito para o Senado e Dona Íris suplente de Maguito –,  que criei a figura da “turma da panelinha”, que o Renato Monteiro e o Leo, da Verbo, materializaram na TV com o talento do Nerso da Capitinga.  Íris tinha 72%, Marconi 4. Viramos e ganhamos a eleição.

A tal panelinha foi a arma decisiva. Ela traduziu para o popular a ambição do adversário. Ela simbolizava o controle da política nas mãos de poucos.  Íris já havia sinalizado para esse pecado quando ele próprio disputou o Senado, colocando o irmão Otoniel na suplência. Não queriam dividir o comando com ninguém.

Vencemos em 98, fomos bi em 2002. Eu não convivia com o governador. Não trabalhei no seu primeiro governo. No segundo, escrevia discursos para ele. Foi por pouco tempo. Depois disso eu só o via na época a das campanhas. Eu vivia mais por conta de me defender dos processos que havia conseguido contra mim, por comprar brigas dele,  que nunca perguntou se eu precisava de advogado ou de ajuda para pagar algum.

Na primeira campanha, o meu pega havia sido contra Francisco Agra, o Lilo, ex-prefeito de Itapaci, que havia acusado Marconi de ter desviado verbas da Educação destinada à cidade dele. Se tornaram inimigos mortais. Ma non tropo. Nessa última vitória, Marconi recebeu Lilo e o pai, prefeito atual de Itapaci, com sorrisos e muitas fotos em palácio.

Nessa campanha fui processado por dois procuradores da República. Eu fui hostil na lida com eles. Foi a ambos que pedi desculpas quando fui à CPMI.

Em 2006, terceira vitória, com Marconi para o Senado e Alcides Rodrigues governador. A quarta foi em 2010. Terminada esta campanha, Marconi ainda me devia 90 mil reais. Incumbiu o seu “faz tudo” Lúcio Gouthier de resolver a pendência. 

Causas do rompimento


Em abril de 2011, ele me telefona e pede o número da conta bancária. Passei o da minha filha, que cuidava de pagar as minhas contas. Eu já não dirigia mais por contado Parkinson e ela tomava conta da minha vida. Fui pago em duas parcelas de 45 mil. Depósito feito e o Lúcio ligava informando que estava na conta. Nunca tivemos a preocupação de conferir no extrato geral a autoria do depósito. Se Lúcio ligou informando é porque ele os fez.

Só ficamos sabendo que os depósitos haviam sido feitos por Alberto & Pantoja e Adécio & Rafael (45 mil cada) quando estourou o Cachoeiragate. Eu estava na Bahia, no Polígono das Secas, fazendo uma reportagem, quando minha filha me ligas contando que fora citada nacionalmente como beneficiária do esquema Cachoeira.

Eu estava em Poções, na Bahia, quando fui localizado por um repórter do Estadão. Ele queria saber sobre os pagamentos. Havia ligado para a minha filha e ela lhe disse que só eu poderia explicá-los.

Contei que havia feito a campanha do PSDB, que aquele dinheiro se referia ao que me era devido e que jamais havia ouvido falar nos tais depositantes, pois era ao Lúcio que o número da conta havia sido passado e que achava ter sido ele o autor dos pagamentos..

Não havia falado em nome de Marconi, mas em campanha do PSDB. O repórter liga no Palácio. Se era campanha do PSDB, era a campanha do Marconi. O assessor que o atendeu, ao invés de responder que assuntos de campanha são com o partido, que se ligasse para o PSDB, preferiu emitir uma nota oficial refutando afirmações que eu não tinha feito e chamando-me de irresponsável, leviano e mentiroso. E o que é o pior: eles mesmos colocaram o governador na dança. Eu não havia falado em Marconi, mas em PSDB. O jornal havia falado no governador, não eu.

A jornalista Fabiana Pulcineli me localizou em Vitória das Conquista, Bahia, e me contou detalhes da nota, aos quais respondi, através do programa que ela tem na CBN. Eu disse que os extratos telefônicos comprovariam as ligações feitas por ele mim.  

O palácio emitiu outra nota, se enrolando mais na história: disse que eu havia ligado para o Lúcio e pedido empregos para as minhas filhas. Oras, se eu era amigo do governador, falava com ele a hora que queria, porque iria pedir a um subalterno par pedir empregos.    

O extrato comprova as ligações feitas por Lúcio a mim.  As gravações da polícia federal mostram  Cachoeira falando do depósito feito em meu nome, o Wladimir Garcez(assessor de Cachoeira) falando em pegar número com Lúcio.
Usando certos jornais, os canalhas do Palácio tentaram me destruir moral e socialmente. Nenhum jornalista desses veículos me ligou para ouvir o meu lado.

Falso e farsante

Marconi foi à CPMI e disse ser eu pessoa controversa, que havia pagado 33 mil, conforme nota anexa, blablablá. Mentiu. Na tal nota nem meu nome consta. Fui eu à CPMI e o desmenti, desafiei a todos que viessem cara a cara, mas correram. No ínterim da perlenga, fui tomando conhecimento de coisas feitas por Marconi e das quais eu não sabia.

Ele me processou, mas não ao SERPES, que também havia sido pago por Alberto & Pantoja.  Foi por conta disso que brigamos. Fiz trabalho limpo e fui pago com dinheiro sujo. Ele mentiu, traiu, foi desleal.

Usa jagunçosnet para me atacar com os seus blogs, quando não recorre a bêbados e tão suspeitos quanto ele para me caluniar. De 1998 a 2010, eu era “o cara”, o bom, o melhor do rádio. Agora, não valho nada, não tenho credibilidade, sou leviano, mentiroso. Nem jornalista sou, sou locutor metido a jornalista. Ah, e que eu vendo opiniões.

As pessoas de bem e do bem me conhecem. Sabem quem sou. A mim não importa o que dizem os lambe bolas do Suspeito Nº Um. Eles não têm moral para falar “a” de quem quer que seja. Acham que as demais pessoas não têm berço e nem honra. Medem o próximo por si.

Nada me afeta do que dizem tais rufiões. Sou jornalista, radialista (locutor com muito orgulho), bacharel em Direito e com especialização em Ciência Política. Sou Cidadão Goiano e Goianiense (talvez por “minhas histórias deprimentes na imprensa”, como disse um dos bêbados (e investigados) da Corte). Sou, também, titular da Academia Goianiense de Letras, cadeira 33.

Nunca fui chamado de ladrão, de corrupto, suspeito de “mamar” em aditivos, e nem estou sendo investigado por conta de cobrar propinas, por formar Caixa 2, por tomar dinheiro da Delta, por tomar dinheiro de dono de cartório, por ligações com jogos ilegais e jogo do bicho etc.  Não vou perder o meu tempo com eles, até porque não sou da polícia e nem do Ministério Público.

Perdão, Goiás

Peço desculpa aos goianos que consegui convencer, de 1998 a 2010, a votar no tal senhor. Eu não sabia, pela alma de minha adorada mãe, de que dessas coisas tal cidadão seria capaz.

Não se trata aqui de meu ódio contra o tal gang leader e sicários, mas do dever e da responsabilidade que tenho de reparar o dano que ajudei a causar a Goiás e aos goianos.

Mil perdões vos peço.  


EIS A VERDADE DOS FATOS

Incluamos no roteiro da reportagem o dado confirmado pelo extrato:

No dia 12 de abril de 2011, Carlos Cachoeira liga para Vladmir Garcez pedindo os números de contas bancárias, para que fossem feitos alguns depósitos.

Wladmir diz a Cachoeira que vai pegar os números com o Lúcio e que depois repassa para ele. 

Wladmir liga para o Lúcio, pedindo os números das contas onde queria que fossem feitos depósitos. Lúcio lhe disse que era a mim que deveria pagar, mas que não tinha o número de minha conta bancária. Foi quando ele ligou da casa dele (3215-xxxx) para o meu celular (8421-xxxx) perguntando em que conta deveria ser feito o depósito. Eu lhe disse que na de minha filha Bruna, e lhe passei o banco, a agência e a conta.

Dois dias depois, Cachoeira liga para o Wladmir informando que "o do Bordoni já foi feito. Agora precisa me passar os demais".

O extrato telefônico mostra as quatro vezes em que Lúcio tentou falar comigo no dia 12/04/2011, só conseguindo na última chamada. Destacados em amarelo aparecem o nome e o telefone dele (3215-9714), a data, o meu nome e o número do meu telefone (8421-7045).  Era o documento que faltava e eu havia pedido à CPMI para que o obtivesse, dada a demora pela via  judicial.  


A reportagem do SBT já havia antecipado a confirmação da origem do depósito. Vale repeti-la mais uma vez.   

 

CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA SOBRE O PAGAMENTO.

DETALHE: O juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 7ª Vara Cível, desentranhou do processo essas duas provas aque eu tinha: o extrato telefônico comprovando sas 04 ligações de Lúcio para mim e o DVD com a reportagem do SBT mostrando como Cachoeira depositou o dinheiro em minha conta. Optou por ficar com a versão de que o governador e seu assessor Lúcio Fiúza não tiveram nada com isso.