Deixei de ser jornalista em 1998. Fui trabalhar no marketing político. Sacrifiquei uma carreira da qual tenho muito orgulho. E orgulho e saudade tenho
dos lugares onde trabalhei e das amizades que construí. O maior sonho
mesmo, acalentado desde a adolescência,
eu já o havia realizado: trabalhar na Folha de S. Paulo. Assim, no jornalismo, eu
nada mais almejava. O máximo que eu curtiria seria um programa musical numa das nossas FMs.
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| Carlos Maranhão |
Estávamos em 1998, no apagar das
luzes das convenções partidárias, quando o velho e grande amigo Carlos
Maranhão, do alto dos seus 1 metro e 60 (nós baixinhos, crescemos para os
lados), pergunta se toparia um desafio dos brabos.
– Muito brabo?
– Mil vezes
mais do que em 86 – disse ele.
1986,
campanha do Santillo. O comando da campanha havia contratado uma produtora de
peso nacional, a Diana. Era uma época em que estávamos na transição do U-Matic
para o NTSC. Os caras chegaram com uma parafernália de coisas ultramodernas,
mesas de edição de Primeiro Mundo etc. Tinham o Star Wars do George Lucas nas mãos,
mas não souberam usá-lo. Fizeram tantos contra planos que, depois, não
conseguiam achar nem os contra e nem os planos.
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| Henrique Santillo |
O primeiro
programa foi um desastre. O de Mauro havia estreado maravilhosamente com um
texto do Carlos Alberto Santa Cruz e a narração impecável de Íris Mendes. Eles
fizeram tudo em U-Matic. A Diana tinha que transcodificar de NTSC para U-Matic
e a coisa não funcionou.
Passamos a
noite resolvendo o problema. O Wilmar Guimarães Júnior, o Guima, marcou uma
reunião na Makro. Corre-corre, desespero. Uma saída de emergência tinha que ser buscada. Foi o
Euclides Néri, dono da produtora, quem nos deu a tábua de salvação.
Eles haviam
editado um programa chamado “PMDB no
coração”, com texto, produção e edição do Washington Novaes. Começava com uma
catira maravilhosa que acabou sendo a nossa trilha.
Euclides e
Maranhão ficaram extraindo dali um programa e eu fui cuidar do que iríamos
levar ao ar. Além dos factuais, fiz um revival
mostrando acontecimentos importantes que tínhamos vivido em todas as áreas e
nos últimos tempos. Até os 4 a 4 de Goiás e Santos, lá, nós mostramos.
Não ficou
ruim, mas não tinha nada a ver, não era um programa de campanha eleitoral. Foi um tempo necessário
para respirarmos e começar do zero. Salvos pelo Euclides. Bye bye, Diana.
Ganhamos as eleição.
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| Santillo e Marconi |
Voltemos à
nossa história. Maranhão me chamando pra um desafio, dizendo “mil vezes pior do
que em 86”.
– Em quem
agora nós vamos bater? – perguntei.
Ele sorriu
e disse bem baixinho:
– Íris
Rezende Machado.
Perguntei: Combinaram isso com ele?
O cara está com 74% no Serpes! E quem do lado de cá? Quem seremos nós?
– Marconi Perillo.
– E ele
topou a briga? Corajoso esse menino, Mas só coragem não basta. Enquanto a
oposição não entender que só unida ele vence...
Aí o Maraca
me contou como foi amarrada a candidatura, como foi construída a aliança. Foi
um pacto selado em torno do nome do candidato.
Mergulhamos
no projeto. De corpo e alma.
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| 1998: Davi versus Golias |
O novo contra o velho, hora de tempo
novo. Davi contra Golias – lembrei eu. E era mesmo um menino contra o gigante. E
aí entra Itamar Corrêa com a trilha completa, a partir da folia. Leo e
Renatinho, da Verbo, cuidando do programa de TV. O rádio era comigo e com o
Petrúcio. Com um detalhe: nada escrito, tudo no gogó.
Eu cri, nós cremos, vencemos. Um
conjunto de fatores contribuiu, da unidade da oposição aos erros da situação,
um deles aproveitado por mim para a criação
da Turma da Panelinha, que, levada por Leo e Renato para a TV, se constituiu
num dos fenômenos midiáticos do final do século (destaque para o texto da
dupla) personificados pelo Pedro Bismarck, o Nerso da Capitinga.
Foi uma vitória fantástica sobre o
maior político do Estado de Goiás. Havia muita riqueza de talentos naquela campanha.
O Itamarzinho se superou na trilha. As letras tinham conteúdo, tinham mensagem,
tinham pensamento político forte. Grande
Itamar.
Yes, nós tínhamos um líder. Cremos
nele e vencemos com ele. Cremos e vencemos em 2002,em 2006, em 2010. Estas
última foi parada dura. Tinha Dilma e Lula no palanque do lado de lá.
12 de junho de 2013, 15 anos depois No
rádio, a notícia. “O governador Marconi
Perillo pediu e o juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 7ª Vara Cível, concedeu medida liminar para que seja determinada a
restrição do uso de redes sociais pelo jornalista Luiz Carlos Bordoni, de modo
que ele seja proibido de manifestar “comentários injuriosos, difamatórios e caluniosos”
contra o requerente, bem como a exclusão das postagens já publicadas em seu
blog”.
Pelo que entendi, se os comentários
não forem injuriosos, difamatórios e caluniosos, poderão ser feitos. Difícil
vai ser o leitor acreditar quando eu disser algo dele que se assemelhe a
virtude.
Marconi Perillo. É muita
audácia desse cidadão pedir que se restrinja o uso de redes sociais por mim.
Logo contra mim, que usei de todos os espaços de que dispunha, para apoiá-lo e
à sua causa.
Este é o
grande problema do Perillo. Faltam a ele os atributos da hombridade. Não basta apenas ser do sexo masculino para ser homem. Falta a ele a noção de medida. Por que é governador
se sente soberano sobre ele os homens e sobre tudo e parte sobre mim como se
seu pior inimigo fosse.
Não abusando do poder, como você
faz (até porque não tenho nenhum), mas cá do alto dos meus quase 70 anos, publicamente quero lhe dizer que apiedo-me
da sua pequenez - tardiamente, descobri que você é pequeno em todos os sentidos - e que me causa um dó profundo o seu pauperismo moral.
Diga-me com quem andas... Flagrado
em escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, você optou por criar um
fato para justificar as suas dificuldades perante a opinião pública. Escolheu a mim como sua porta de saída.
Aproveitou o imbróglio dos depósitos mal explicados por você e assessores e
montou a sua estratégia; efetivar o Bordoni como culpado.
Na sua matreirice, nesse
processo em que você quer me tomar 200
mil, o seu advogado-espião requereu a oitiva de testemunhas “a fim de comprovar que o Requerido possui
rixa política e pessoal contra o requerente, bem como demonstrar a repercussão
das ofensas à imagem do Requerente na cidade e região”.
Fui ver quem eram as tais “vozes do
além” (porque só vozes de quem já morreu podem falar bem de você). Eis que ali
estão dois dos meus detratores, ambos com processos contra mim: Jayme Eduardo Rincón, presidente da AGETOP, e
Lúcio Fiúza, que seria o seu Banco Probel.
No caso do primeiro, ainda não li
nenhum texto legal sobre a validade ou não de depoimentos dados por semoventes.
Lúcio eu o conheço de velhos carnavais. Desde 1998 que acertamos saldos de
campanhas, não é mesmo, caro Lúcio. Não poucas vezes fui à casa dele, na Rua
14, Edifício João XXIII, Setor Oeste para pegar o que faltava. Nós, “os da
casa”, sempre ficávamos por último
In suma, dois dos meus detratores
depondo contra mim e sobre uma farsa: rixa política e pessoal entre as partes
litigantes.
O meu currículo prova a quem tenho
servido fielmente, como amigo e companheiro, desde 1998, quando da primeira
campanha do então deputado federal e candidato ao governo, Marconi Perillo.
Lúcio e Rincón escalados para dizer que eu e
você, Perillo, “possuímos rixa política e pessoal”. Não soube de rixa, mas
apenas da sua canalhice em relação ao que move o contencioso que temos na
justiça.
Rixa política e pessoal. Eu e você?
Tenho coisas mais importantes a fazer. Só pode ser coisa de moleque. Sobram
moleques bem safados nesta orquestração. E aí soa alto o crocito do corvo, a
ave de mau agouro a proclamar o seu libelo em prol do Führer:
“Concedo a medida cautelar, pois o perigo de dano irreparável ou de
difícil reparação está claro, visto os prejuízos sociais, patrimoniais e outros
conflitos que poderão advir caso permitida a continuidade das postagens de
comentários ofensivos, haja vista ser
o requerente Governador do Estado de Goiás, escolhido pelo povo como
representante de seus interesses, fato que aumenta demasiadamente a necessidade
de se manter uma reputação ilibada, enquanto pendente a discussão judicial
sobre a publicação de opiniões, que tratem de uma suposta participação
do requerente em atividades criminosas, diga-se de passagem, sem notícia de
qualquer ação ou sentença penal condenatória transitada em julgado”.
Completa a sua lavra determinando que
“o requerido retire de seu blog as
publicações ofensivas feitas em face do autor, bem como se abstenha de inserir
outras desta natureza, sob pena de multa diária que fixo em R$1.000,00 (mil
reais) por dia de descumprimento da presente ordem, devendo cumprir o disposto
no prazo de 48(quarenta e oito) horas e comunicando a este juízo, sob pena de
incidir na multa fixada”.
Como se lê, as coisas saem como você
quer, como você manda. Afinal, você é realmente o Führer e ai de quem discordar
da sua vontade. Com o seu juiz portátil à disposição, então, saiam da frente.
Aberratio ictus
No julgamento do processo em que
você quer me tomar 200 mil, o seu mordomo judicial decidiu que eu sou o culpado
por todo o seu sofrimento, de março do ano passado aos dias de hoje. Diz que os
atos praticados por mim formaram a condição essencial e adequada para que você,
Perilampo, fosse prejudicado em sua imagem perante a sociedade civil
organizada.
Segundo ele, “nesse ínterim, o fato
desdobrou-se dando causa a chamado do Governador do Estado de Goiás à Brasília,
perante o Congresso Nacional, para dar explicações, inclusive com ameaça de
quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal”.
Viram bem aí? Está claro que, para o juiz: segundo o Juiz, por
conta da minha entrevista aso estadão, o desdobramento do fato provocou o
chamado do governador ao Congresso para dar explicações. Ou seja, por minha
culpa o Führer teve que ir à CPMI.
Vão quebrar a cara patinando na própria mentira. Primeiro, que o governador se ofereceu para ir à CPMI. Segundo, que ele chegou a ir lá e se oferecer para depor. Terceiro, que no dia seguirte à sua ida, ele foi covocado.
O próprio governador Perillo, no dia
14 de maio, durante entrevista na sede do PSDB, em Brasília, se ofereceu para
ir depor.
14/ 05/ 2012 às 14:13. Marconi Perillo
se coloca à disposição para CPI do Cachoeira. Brasília – O
governador de Goiás, ...
No dia 29, chega de
surpresa. Quer falar ali, naquele momento, aos membros da CPMI. Foi destaque
nos jornais.
29/05/12 | 18:29
Perillo
se oferece para depor, mas é dispensado por congressistas em CPI
No dia seguinte, 30 de maio, a sua
convocação foi aprovada pelos membros da CPMI. Ou seja, tal se deu dois dias
antes da entrevista do APELANTE.
bomdiamatogrosso.com/.../cpi-do-cachoeira-convoca-governadores-agn...
CPI do Cachoeira convoca
governadores Agnelo Queiroz e Marconi Perillo. Publicado em 30
de maio de 2012 por admin. Governadores Agnelo ...
Estranhamente, o Ilustre Prolator
aponta o desdobramento das entrevistas do APELANTE
como causa para o chamamento do governador ao Congresso para dar explicações,
inclusive com ameaça de quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal.
Culpar a minha entrevista como causa da convocação do falso
democrata a Brasília é, mais que piada de mau gosto, coisa de moleques,
de "grafiteiros jurídicos". Isso não pode e não vai ficar assim.
Sei que vão me tirar do circuito, mas o mundo é grande e
onde houver um terminal haverá uma mensagem minha. Se o Führer pensa que
vai me calar, que tire o cavalo da chuva. Eu não o temo. E nem aos que o cercam. Entrem com as ações que
quiserem. Eu confio no Judiciário.
O seu lema "Obedece quem não pode, manda quem tem juiz" nós iremos aposentá-lo. Juntamente com você. Ano que vem.
P. S. - Lembra daquela gravação que fiz sobre a riqueza do Íris? Claro que lembra, os seus blogueiros vivem a publicá-la. Já imaginou você sendo o artista principal? Sei que você vai buscar na Justiça medida que impeça isso. Não nos preocupa o veto. Depois da web, era uma vez o controle da informação e sobre a informação.
BORDONADAS
Pra concluir. Aquela ali do juz doeu: “multa
diária de R$ 1 mil por dia”. Não, diária por mês!
Aliás, já perceberam o quanto o tal juiz adora o
Führer. “Haja vista ser o requerente
Governador do Estado de Goiás, escolhido pelo povo como representante de seus
interesses (Maluf, Collor, Pitta, Jader Barbalho, Renan, Sarney também foram), fato que aumenta demasiadamente a necessidade de se manter uma
reputação ilibada, enquanto pendente a discussão judicial sobre a publicação de
opiniões, que tratem de uma suposta participação do requerente em atividades
criminosas, diga-se de passagem, sem notícia de qualquer ação ou sentença penal
condenatória transitada em julgado”.
Essa do final pegou mal: está certo
quando diz “suposta participação do requerente em atividades criminosas”, não
há nada provado, mas falta com a verdade quando diz não haver notícia de
qualquer ação. Além da Operação Monte Carlo, há o lance dos frigoríficos. Confira aí, M. Meritíssimo Juiz.
««http://transparencia.folha.com.br/a-engrenagem-da-impunidade/politico/marconi-perillo
Semana passada, multa de 500/dia se
mantivesse no blog os artigos falando do
honestidade do Führer. Hoje, mil pilas por conta do treco treco.
Outra coisa: Só mantém a reputação
ilibada quem dela cuida. No lico leco aí, o problema é do gajo. Até por que se
a Débora Kerr que o Gregory Peck, o que é que a Helena Rubinstein com isso?
O amigo Joanilson Humberto Ferreira nos mandou estas lindas imagens da rodovia entre Paraúna e Firminópolis.
Quando foram para a Suíça, 10 dias atrás, o governador e o presidente da Agetop, claro, não passaram por aqui.
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