18/06/2013

O justo protesto candango: fora do Plano, uma cidade fora dos planos

Uma dessas por mês e semanalmente, a partir de janeiro . Sonho


Falo de onde estou. A bronca dos brasilienses em suas manifestações têm razão de ser. A cidade é uma das mais violentas do Pais, seja pelas armas ou pelo trânsito. A mobilidade urbana  é a de uma Goiânia piorada. Até o transporte urbano da capital dos goianos é melhor do que o daqui. Não se fala em concluir o metrô e as obras do VLT  estão paralisadas. 

Fora do Plano Piloto, ninguém tem escrituras definitivas de suas casas. Fervilham condomínios irregulares com a omissão tácita do governo. Há áreas com mais de três donos, mas todos impedidos de quaisquer atos por conta de conflitos documentais. 

O Distrito Federal, projetado para ter Brasília e mais as cidades satélites do Gama, Sobradinho, Taguatinga, Guará, Cruzeiro, Núcleo dos Bandeirantes, acabou tendo a sua estrutura original modificada. As cidades satélites passaram a ser regiões administrativas - hoje são, ao todo, 19.  

Especulação imobiliária é sinônimo de problemas urbanos. A maioria das terras está com problemas escriturais e os moradores ainda não são, "estão" donos dos seus "pedaços". 

Tal aí tal aqui

O governador do DF não é muito diferente do de Goiás. O dos goianos viaja mesmo, pega a mala, o passaporte, a família, um ou dois bobos da Corte e anda pelo mundo. O do DF viaja sem sair daqui. Vive no mundo da lua. Desconfia-se de que ele ainda não sabe que foi eleito governador. Pior: esqueceram de avisá-lo.  

Com tantos problemas, com a alegação padrão de que inexistem recursos, a população aproveitou a festança futebolística para protestar. Para pão e circo não falta nada.

 
Estádio Mané Garrincha: campo de futebol de luxo

Lindo, maravilhoso o Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília. Aliás, a exemplo do Serra Doureada, em Goiânia, o "Manezão" é mais um campo de futebol de luxo.
Lembro-me de quando o "Serra" estava em obras e eu alertei para esse aspecto. "Tarde demais"- respondeu o engenheiro-chefe da obra, Lamartine Reginaldo da Silva Júnior. As arquibancadas estavam em fase de conclusão e já se trabalhava a área do gramado nas dimensões que aí estão. Ou seja: sem chance alguma  de construção de pistas de atletismo, caixas para saltos, arremessos etc..




Goiânia, ao menos, tem futebol, tem clubes respeitados nacionalmente. Brasília pode ter time de tudo: time de político corrupto, de deputado malandro, de senador idem, mas time de futebol, enfiando um no outro, não dá pro gasto nem contra o Laranjinha Futebol Clube, da Vila Abajá.  Brasília, sem futebol que preste, tem um estádio que custou 1 bi e a cidade com problemas se avolumando e as soluções longe de aparecer.

Olhem bem para essas fotos tiradas pelo Luiz Henrique, o Grillo, meu genro-filho. Coisa linda de campo de futebol e que será mais palco de shows musicais do que de espetáculos com os nossos pernas de pau da Candangolândia. Já se anuncia Rolling Stones tocando ali este ano. 

Como eu dizia, a cidade precisa de muitas obras importantes para a qualidade de vida dos cidadãos. Brasília  por exemplo, só tem esgoto tratado no Plano Piloto. Fora daí, só fossas sépticas. Há a necessidade urgente de um grande hospital, de se ampliar e melhorar os serviços públicos de saúde. Com R$ 1 bi se faria coisa demais. Faria!




Jogou-se aqui a abertura da Copa das Confederações. Casa cheia, Dilma vaiada. Seleção aplaudida. Nem sei quanto tempo ela ficou em Goiânia. Soube que foram gastos 2 milhões e meio para dar uma geral na Serrinha, para receber os artistas do Felipão. Não sei como a coisa vai ser contabilizada lá. 

O que chama a atenção é o fato de que, das 380 obras que anunciamos durante a campanha no rádio, em 2010, nenhuma foi feita. Exemplo: os jovens estão morrendo por contra do crack e o CREDEQ - Centro de Recuperação de Dependentes Químicos não sai do papel. Não tem dinheiro. 

Custo do CREDEQ: 500 mil. Cinco X 500 mil = R$ 2 mi e meio. Os dois mi e meio gastos no Goiás dariam cinco unidades do CREDEQ. Ou seja, o Rei Bob não tem para combater crack, mas tem para treinar craques.

Pesquisa do blog: Na sua opinião, qual a droga que mais mal tem feito aos goianos: a coca, a maconha, a heroína, o crack ou o governo.  

P. S. - Goianos, não queiram que Goiás morra por overdose. Se não quiserem parar de usar droga, pelo menos mudem, experimentem outra, nova e, provavelmente, mais pura. 



Acorda, Brasil! Somos filhos da Pátria e não filhos da puta!


Brasília, 17 de junho de 2013


A pátria não é um, são todos. Um por todos, todos por um - eis a pátria de todos.

Todos, pronome indefinido, não admite  outra leitura. São os nativos, os adotados vindos de ouras plagas ou do estrangeiro. São os filhos da Mãe Gentil a despertar o gigante do seu berço esplêndido: Acorda, Brasil.  

Acorda que o tempo é agora. Já aprendemos que quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Já vimos que quem espera nunca alcança, que é de esperarmos por eles, que nada fazem, que nos morre a esperança. 

Acorda, Brasil. como exortava Cazuza, mostra a sua cara, a sua, a verdadeira, que é a nossa e não as dos safados que o exploram, o roubam, o subtraem. A cara do Brasil que amamos.


Pátria amada, o salve salve é apelo, é o salve da salvação, não o da saudação. É salvar a saúde, o emprego, o transporte popular, a habitação, a segurança, as escolas, a educação. 


Acorda, Brasil. Acorda e vamos à luta. Saiam da frente os corruptos, os ímpios e os impostores. Somos filhos da moral impoluta. Somos filhos da Pátria e não filhos da puta. 

Acorda, Brasil. Acordem, brasileiros. Ouçam todos a mensagem sobre o porquê dessa mobilização. Ouça, principalmente você que acha que todas essas manifestações são baderna - seja porque você realmente acha ou porque a mídia quer que assim você ache, assim você pense.

O que temos nas ruas é o sentimento do povo, da alma do povo, sem cores partidárias, só com as cores do Brasil. 



17/06/2013

Rei, sem saída, foge ao dever e não apura "VecciLeaks"




Vecci mede a pressão do Estado todos os dias. Fala em contágio

O Rei não apura e não vai mandar apurar o que o Secretário Nº 1 do Governo declarou ao principal jornal de Goiás: há bandidos na Corte e há setores contaminados pela corrupção. Ao invés de agir, Sua Majestade preferiu minimizar os efeitos tentando anular, via nota oficial, as palavras do injuriado Giuseppe Vecci, da Secretaria de Gestão e Planejamento. 
O apa$$ivamento da mídia, ao contrário do que pensam os áulicos, não "esfriou a chapa" e o assunto navega pelas redes sociais. O "VecciLeaks" só está começando. Os "bandidos" aos quais se refere fariam jus ao adjetivo: continuam a provocá-lo. 

"VecciLeaks"

Dia 25 de maio de 2013, jornal O Popular. Manchete política: “Estou sendo execrado por ser sério”, desabafa Vecci.

A maioria das coisas que prestam no governo, em todos os mandatos do fulaninho, é da cabeça de Giuseppe Vecci. Ele teve que voltar atrás das declarações dadas ao jornal, quando ainda no Chile, mas o que disse foi um trilhão mas profundo e impactante do que a minha entrevista sobre os depósitos de Cachoeira pagando o que ainda me era devido da campanha de 2010.

Na entrevista anterior dada ao mesmo jornal, antes de viajar, o secretario de Gestão e Planejamento do Governo admitiu uma situação veementemente negada pelo chefe dele, o governador. Na conversa com Bruno Rocha Lima e Fabiana Pulcineli, Vecci disse, textualmente, que “nós tivemos um percalço político complicadíssimo no segundo ano, que foi a Operação Monte Carlo. O Estado é um ente político e foi contaminado pela operação. Com certeza um conjunto de questões administrativas ficou paralisado ou num ritmo menor em função de tudo que ocorreu. Mas agora acho que estamos organizados e preparados, até porque não ficamos parados. Alguns setores podem ter sido mais contaminados com a Monte Carlo, mas certamente hoje estamos aptos para responder a isso. [...]”.

Ele deixou claro que a operação promovida pela Polícia Federal contaminou o Estado, antítese aos que insistem em negar, aos que asseguram que o Estado saiu incólume do episódio.

“Hemograma verbal”

Contaminou o Estado. “O Estado é um ente político e foi contaminado pela operação”. Palavras de Vecci, uma das raras credibilidades do atual governo.

Contaminado - diz-se daquilo que sofreu contaminação.

Contaminação – 1. Ato ou efeito de contaminar. 2. Contágio.

Contaminar – 1. Contagiar. 2. Transmitir um mal ou vicio.

Contagiar – 1. (Patologia) propagar por meio de contágio (doença); (figurado) provocar corrupção;

Contagiar (pronominal) – adquirir uma doença através de contágio.

Vecci parlando: “Alguns setores podem ter sido mais contaminados com a Monte Carlo...”.

Quais os setores? Não lhe foi perguntado, mas há setores contaminados com a “coisa”. Setores que reagiram e irritaram o secretario, que, inclusive, estava fora do país (Chile) a convite do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), quando foi ouvido pelo O Popular. As suas frases foram curtas e duras e reveladoras.

01. “Estou sendo execrado por ser sério, porque não coaduno com esquemas que não sejam do interesse público na administração”.

02. “Não aceito que bandidos falem mal do meu trabalho. Ninguém sério do governo falou de mim. Só tem bandido falando. Estou virando a Geni de Goiás”.

03. “Estou saindo do Palácio de La Moneda (sede da Presidência do Chile), onde fomos referenciados, por conta do processo da meritocracia, e em Goiás tentam me reduzir a pó de traque. Estou calado todo o tempo porque sou um homem de governo. Mas tudo tem limite. De repente virei alvo porque tenho postura, seriedade, espírito público e uma história que não foi construída há um mês”.

04. “Eu ajudei a mudar o Estado nos cargos que ocupei em quatro governos – três de Marconi e um de Henrique Santillo. Eu não estou no nível dessas pessoas que reclamam de mim. Eles nunca trabalharam, não estudam e não têm moral”.

05. “Estão loucos para me ver fora da política. Porque eu não aceito jogo sujo, de licitação, de Operação Monte Carlo, de rolo, de esquemas, de fisiologismo, de clientelismo.”

Por la Madre de Acheropita. Nitroglicerina pura. Na verdade, cinco potentíssimos petardos detonadores, mas o juiz da 7ª Cível ainda acha que a culpa do sofrimento, do desgaste da imagem do “síndico” de Goiás é exclusivamente minha.

Fosse da alçada, faria súmula vinculante, mas pode conseguir  firmar aí jurisprudência de que tudo o que eu disser e que se refira, negativamente, ao Brederodes e seu governo seja considerado crime.

Uma verdade e duas sentenças

Neste império, onde quem não pode obedece e manda quem tem juiz, há mais coisas entre o público e o privado do que imagina a Polícia Federal.

Estou sendo linchado porque fiz uma pergunta. Richelieu também o está por ser sério. Nem ele e nem eu coadunamos com esquemas espúrios. Eu disse que não aceitaria malandros mentirosos jogando dinheiro sujo no meu trabalho limpo. Pepe disse que não aceita que bandidos falem mal do seu trabalho.

Ninguém sério do governo falou de mim e nem dele. Só bandidos falaram e falam. De nós dois. A diferença é que sou processado, Vecci não. Até publicaram uma nota dizendo que ele disse não ter dito (esse governo peca pela nota, literalmente). Esquecem-se os da Corte de que os gravadores digitais são tão high tech, que não há nem como dizer que a gravação ficou ˜ininteligível”. 

Vecci disse bem dito o “não dito” e ficou por isso mesmo. O governador quer me ver na cadeia, há uma ação penal interposta. Posso ir preso, mas me rebaixar a tal figura? Jamais.

Não é fácil superar esse misto de decepção com indignação. Com Santillo e nem com os que se educaram politicamente pelas regras éticas do velho mestre este moço aprendeu isso. Talvez em algum curso vago por aí. 

Depois de 15 anos ombro a ombro, um por todos e todos por um, em batalhas cada vez mais difíceis, eis a minha paga: um punhal cravado nas costas. O meu herói era uma farsa. Ficou pior.  

A frase final de Vecci não deixa dúvidas de que – como se dizia antanho – tem bigato na goiaba:

“Estão loucos para me ver fora da política. Porque eu não aceito jogo sujo, de licitação, de Operação Monte Carlo, de rolo, de esquemas, de fisiologismo, de clientelismo.”

Coisas do reino de Bob Esponja.



15/06/2013

Nanismo moral abala a Corte. Só os defuntos acreditam no Rei




Deixei de ser jornalista em 1998. Fui trabalhar no marketing político. Sacrifiquei uma carreira da qual tenho muito orgulho. E orgulho e saudade tenho dos lugares onde trabalhei e das amizades que construí. O maior sonho mesmo,  acalentado desde a adolescência, eu já o havia realizado: trabalhar na Folha de S. Paulo. Assim, no jornalismo, eu nada mais almejava. O máximo que eu curtiria seria um programa  musical numa das nossas FMs.

Carlos Maranhão
Estávamos em 1998, no apagar das luzes das convenções partidárias, quando o velho e grande amigo Carlos Maranhão, do alto dos seus 1 metro e 60 (nós baixinhos, crescemos para os lados), pergunta se toparia um desafio dos brabos.

– Muito brabo?

– Mil vezes mais do que em 86 – disse ele.


1986, campanha do Santillo. O comando da campanha havia contratado uma produtora de peso nacional, a Diana. Era uma época em que estávamos na transição do U-Matic para o NTSC. Os caras chegaram com uma parafernália de coisas ultramodernas, mesas de edição de Primeiro Mundo etc. Tinham o Star Wars do George Lucas nas mãos, mas não souberam usá-lo. Fizeram tantos contra planos que, depois, não conseguiam achar nem os contra e nem os planos.

Henrique Santillo
O primeiro programa foi um desastre. O de Mauro havia estreado maravilhosamente com um texto do Carlos Alberto Santa Cruz e a narração impecável de Íris Mendes. Eles fizeram tudo em U-Matic. A Diana tinha que transcodificar de NTSC para U-Matic e a coisa não funcionou.

Passamos a noite resolvendo o problema. O Wilmar Guimarães Júnior, o Guima, marcou uma reunião na Makro. Corre-corre, desespero. Uma saída  de emergência tinha que ser buscada. Foi o Euclides Néri, dono da produtora, quem nos deu a tábua de salvação. 

Eles haviam editado um programa chamado “PMDB  no coração”, com texto, produção e edição do Washington Novaes. Começava com uma catira maravilhosa que acabou sendo a nossa trilha.


Euclides e Maranhão ficaram extraindo dali um programa e eu fui cuidar do que iríamos levar ao ar. Além dos factuais, fiz um revival mostrando acontecimentos importantes que tínhamos vivido em todas as áreas e nos últimos tempos. Até os 4 a 4 de Goiás e Santos, lá, nós mostramos.

Não ficou ruim, mas não tinha nada a ver, não era um programa de campanha eleitoral. Foi um tempo necessário para respirarmos e começar do zero. Salvos pelo Euclides. Bye bye, Diana. Ganhamos as eleição.

  Santillo e Marconi
Voltemos à nossa história. Maranhão me chamando pra um desafio, dizendo “mil vezes pior do que em 86”.

– Em quem agora nós vamos bater? – perguntei.

Ele sorriu e disse bem baixinho:

– Íris Rezende Machado.

Perguntei: Combinaram isso com ele? O cara está com 74% no Serpes! E quem do lado de cá? Quem seremos nós?

– Marconi Perillo.

– E ele topou a briga? Corajoso esse menino, Mas só coragem não basta. Enquanto a oposição não entender que só unida ele vence...

Aí o Maraca me contou como foi amarrada a candidatura, como foi construída a aliança. Foi um pacto selado em torno do nome do candidato.

Mergulhamos no projeto. De corpo e alma.




1998: Davi versus Golias

O novo contra o velho, hora de tempo novo. Davi contra Golias – lembrei eu. E era mesmo um menino contra o gigante. E aí entra Itamar Corrêa com a trilha completa, a partir da folia. Leo e Renatinho, da Verbo, cuidando do programa de TV. O rádio era comigo e com o Petrúcio. Com um detalhe: nada escrito, tudo no gogó.

Eu cri, nós cremos, vencemos. Um conjunto de fatores contribuiu, da unidade da oposição aos erros da situação, um deles  aproveitado por mim para a criação da Turma da Panelinha, que, levada por Leo e Renato para a TV, se constituiu num dos fenômenos midiáticos do final do século (destaque para o texto da dupla) personificados pelo Pedro Bismarck, o Nerso da Capitinga.

Foi uma vitória fantástica sobre o maior político do Estado de Goiás. Havia muita riqueza de talentos naquela campanha. O Itamarzinho se superou na trilha. As letras tinham conteúdo, tinham mensagem, tinham pensamento  político forte. Grande Itamar. 

Yes, nós tínhamos um líder. Cremos nele e vencemos com ele. Cremos e vencemos em 2002,em 2006, em 2010. Estas última foi parada dura. Tinha Dilma e Lula no palanque do lado de lá.

Cai o pano.





12 de junho de 2013, 15 anos depois No rádio, a notícia. “O governador Marconi Perillo pediu e o juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 7ª Vara Cível, concedeu  medida liminar para que seja determinada a restrição do uso de redes sociais pelo jornalista Luiz Carlos Bordoni, de modo que ele seja proibido de manifestar “comentários injuriosos, difamatórios e caluniosos” contra o requerente, bem como a exclusão das postagens já publicadas em seu blog”.

Pelo que entendi, se os comentários não forem injuriosos, difamatórios e caluniosos, poderão ser feitos. Difícil vai ser o leitor acreditar quando eu disser algo dele que se assemelhe a virtude.

Marconi Perillo. É muita audácia desse cidadão pedir que se restrinja o uso de redes sociais por mim. Logo contra mim, que usei de todos os espaços de que dispunha, para apoiá-lo e à sua causa. 

Este é o grande problema do Perillo. Faltam a ele os atributos da hombridade. Não basta apenas ser do sexo masculino para ser homem. Falta a ele a noção de medida. Por que é governador se sente soberano sobre ele os homens e sobre tudo e parte sobre mim como se seu pior inimigo fosse.

Não abusando do poder, como você faz (até porque não tenho nenhum), mas cá do alto dos meus quase 70 anos, publicamente quero lhe dizer que apiedo-me da sua pequenez - tardiamente, descobri que você é pequeno em todos os sentidos -  e que me causa um dó profundo o seu pauperismo moral.

Diga-me com quem andas... Flagrado em escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, você optou por criar um fato para justificar as suas dificuldades perante a opinião pública.  Escolheu a mim como sua porta de saída. Aproveitou o imbróglio dos depósitos mal explicados por você e assessores e montou a sua estratégia; efetivar o Bordoni como culpado.

Na sua matreirice, nesse processo  em que você quer me tomar 200 mil, o seu advogado-espião requereu a oitiva de testemunhas “a fim de comprovar que o Requerido possui rixa política e pessoal contra o requerente, bem como demonstrar a repercussão das ofensas à imagem do Requerente na cidade e região”.

Fui ver quem eram as tais “vozes do além” (porque só vozes de quem já morreu podem falar bem de você). Eis que ali estão dois dos meus detratores, ambos com processos contra mim:  Jayme Eduardo Rincón, presidente da AGETOP, e Lúcio Fiúza, que seria o seu Banco Probel.

No caso do primeiro, ainda não li nenhum texto legal sobre a validade ou não de depoimentos dados por semoventes. Lúcio eu o conheço de velhos carnavais. Desde 1998 que acertamos saldos de campanhas, não é mesmo, caro Lúcio. Não poucas vezes fui à casa dele, na Rua 14, Edifício João XXIII, Setor Oeste para pegar o que faltava. Nós, “os da casa”, sempre ficávamos por último  

In suma, dois dos meus detratores depondo contra mim e sobre uma farsa: rixa política e pessoal entre as partes litigantes. 

O meu currículo prova a quem tenho servido fielmente, como amigo e companheiro, desde 1998, quando da primeira campanha do então deputado federal e candidato ao governo, Marconi Perillo.

Lúcio e Rincón escalados para dizer que eu e você, Perillo, “possuímos rixa política e pessoal”. Não soube de rixa, mas apenas da sua canalhice em relação ao que move o contencioso que temos na justiça.

Rixa política e pessoal. Eu e você? Tenho coisas mais importantes a fazer. Só pode ser coisa de moleque. Sobram moleques bem safados nesta orquestração. E aí soa alto o crocito do corvo, a ave de mau agouro a proclamar o seu libelo em prol do Führer:




“Concedo a medida cautelar, pois o perigo de dano irreparável ou de difícil reparação está claro, visto os prejuízos sociais, patrimoniais e outros conflitos que poderão advir caso permitida a continuidade das postagens de comentários ofensivos, haja vista ser o requerente Governador do Estado de Goiás, escolhido pelo povo como representante de seus interesses, fato que aumenta demasiadamente a necessidade de se manter uma reputação ilibada, enquanto pendente a discussão judicial sobre a publicação de opiniões, que tratem de uma suposta participação do requerente em atividades criminosas, diga-se de passagem, sem notícia de qualquer ação ou sentença penal condenatória transitada em julgado”.

Completa a sua lavra determinando que “o requerido retire de seu blog as publicações ofensivas feitas em face do autor, bem como se abstenha de inserir outras desta natureza, sob pena de multa diária que fixo em R$1.000,00 (mil reais) por dia de descumprimento da presente ordem, devendo cumprir o disposto no prazo de 48(quarenta e oito) horas e comunicando a este juízo, sob pena de incidir na multa fixada”.

Como se lê, as coisas saem como você quer, como você manda. Afinal, você é realmente o Führer e ai de quem discordar da sua vontade. Com o seu juiz portátil à disposição, então, saiam da frente.

Aberratio ictus

No julgamento do processo em que você quer me tomar 200 mil, o seu mordomo judicial decidiu que eu sou o culpado por todo o seu sofrimento, de março do ano passado aos dias de hoje. Diz que os atos praticados por mim formaram a condição essencial e adequada para que você, Perilampo, fosse prejudicado em sua imagem perante a sociedade civil organizada.

Segundo ele, nesse ínterim, o fato desdobrou-se dando causa a chamado do Governador do Estado de Goiás à Brasília, perante o Congresso Nacional, para dar explicações, inclusive com ameaça de quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal”.

Viram bem aí? Está claro que, para o juiz: segundo o Juiz, por conta da minha entrevista aso estadão, o desdobramento do fato provocou o chamado do governador ao Congresso para dar explicações. Ou seja, por minha culpa o Führer teve que ir à CPMI.

Vão quebrar a cara patinando na própria mentira. Primeiro, que o governador se ofereceu para ir à CPMI. Segundo, que ele chegou a ir lá e se oferecer para depor. Terceiro, que no dia seguirte à sua ida, ele foi covocado. 



O próprio governador Perillo, no dia 14 de maio, durante entrevista na sede do PSDB, em Brasília, se ofereceu para ir depor.


www.psdb.org.br › Imprensa › Degravações
14/ 05/ 2012 às 14:13. Marconi Perillo se coloca à disposição para CPI do Cachoeira. Brasília – O governador de Goiás, ... 



No dia 29, chega de surpresa. Quer falar ali, naquele momento, aos membros da CPMI. Foi destaque nos jornais.



29/05/12 | 18:29

Perillo se oferece para depor, mas é dispensado por congressistas em CPI




No dia seguinte, 30 de maio, a sua convocação foi aprovada pelos membros da CPMI. Ou seja, tal se deu dois dias antes da entrevista do APELANTE.


bomdiamatogrosso.com/.../cpi-do-cachoeira-convoca-governadores-agn...
CPI do Cachoeira convoca governadores Agnelo Queiroz e Marconi Perillo. Publicado em 30 de maio de 2012 por admin. Governadores Agnelo ...



Estranhamente, o Ilustre Prolator aponta o desdobramento das entrevistas do APELANTE como causa para o chamamento do governador ao Congresso para dar explicações, inclusive com ameaça de quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal.

Culpar a minha entrevista como causa da convocação do falso democrata a Brasília é, mais que piada de mau gosto, coisa de moleques, de "grafiteiros jurídicos". Isso não pode e não vai ficar assim.

Sei que vão me tirar do circuito, mas o mundo é grande e onde houver um terminal haverá uma mensagem minha. Se o Führer pensa que vai me calar, que tire o cavalo da chuva. Eu não o temo. E nem aos que o cercam. Entrem com as ações que quiserem. Eu confio no Judiciário. 

O seu lema "Obedece quem não pode, manda quem tem juiz" nós iremos aposentá-lo. Juntamente com você. Ano que vem. 

 P. S. - Lembra daquela gravação que fiz sobre a riqueza do Íris? Claro que lembra, os seus blogueiros vivem a publicá-la. Já imaginou você sendo o artista principal? Sei que você vai buscar na Justiça medida que impeça isso. Não nos preocupa o veto. Depois da web, era uma vez o controle da informação e sobre a informação. 

BORDONADAS

Pra concluir. Aquela ali do juz doeu: “multa diária de R$ 1 mil por dia”. Não, diária por mês!

Aliás, já perceberam o quanto o tal juiz adora o Führer. “Haja vista ser o requerente Governador do Estado de Goiás, escolhido pelo povo como representante de seus interesses (Maluf, Collor, Pitta, Jader Barbalho, Renan, Sarney também foram), fato que aumenta demasiadamente a necessidade de se manter uma reputação ilibada, enquanto pendente a discussão judicial sobre a publicação de opiniões, que tratem de uma suposta participação do requerente em atividades criminosas, diga-se de passagem, sem notícia de qualquer ação ou sentença penal condenatória transitada em julgado”.

Essa do final pegou mal: está certo quando diz “suposta participação do requerente em atividades criminosas”, não há nada provado, mas falta com a verdade quando diz não haver notícia de qualquer ação. Além da Operação Monte Carlo, há o lance dos frigoríficos. Confira aí, M. Meritíssimo Juiz.
««http://transparencia.folha.com.br/a-engrenagem-da-impunidade/politico/marconi-perillo

Semana passada, multa de 500/dia se mantivesse no blog os  artigos falando do honestidade do Führer.  Hoje, mil pilas por conta do treco treco. 

Outra coisa: Só mantém a reputação ilibada quem dela cuida. No lico leco aí, o problema é do gajo. Até por que se a Débora Kerr que o Gregory Peck, o que é que a Helena Rubinstein com isso? 



O amigo Joanilson Humberto Ferreira nos mandou estas lindas imagens da rodovia entre Paraúna e Firminópolis. 
Quando foram para a Suíça, 10 dias atrás, o governador e o presidente da Agetop, claro, não passaram por aqui. 

(CLIQUE AQUI)

13/06/2013

Juiz decide que Marconi é assunto proibido neste blog (só vou fazer a assepsia quando for notificado da sentença)

Amigos, leiam a sentença. Mais tarde vou comentar a decisão do Juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 7ª Vara Cível, que proíbe a mim de escrever "a" sobre a ínclito, probo, honesto, incorruptível, inatacável Governador de Goiás. Parece que só o que falo é que faz mal a ele, à imagem dele. 

Vou ali "abater"um balde de sorvete. Volto logo.

"JUIZ FAZ GOL DE MÃO. PELA 2º VEZ".


Protocolo : 201300862593
Natureza : Indenização
Requerente : Marconi Ferreira Perillo Júnior
Requerido : Luiz Carlos Bordoni


Vistos etc.

O autor Marconi Ferreira Perillo Júnior pede a concessão de medida liminar, alegando que teve seu nome envolvido em várias acusações através do uso imoderado e irrestrito de redes sociais pelo requerido Luiz Carlos Bordoni, ferindo sua honra subjetiva e objetiva protegidas pelos arts.5º, X, CF e arts. 138 a 140 do CP.

Pede que seja determinada a restrição do uso de redes sociais pelo requerido, de modo que este seja proibido de manifestar comentários injuriosos, difamatórios e caluniosos contra o requerente, bem como a exclusão das postagens já publicadas em seu blog.

Decido.

O art. 798 do Código de Processo Civil permite que o juiz determine medidas provisórias que entenda adequadas, quando verificado o risco de lesão grave ou de difícil reparação a uma das partes antes do julgamento da lide.

Trata-se de medida inerente ao poder geral de cautela do juiz, cabendo a este averiguar a conveniência da concessão de medidas de natureza cautelar.

Sobre esse assunto, eis entendimento do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Goiás:

AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. AUSÊNCIA DEO MONOCRÁTICA CONSENTÂNEA COM A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO TJGO E DO STJ. ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA. ANÁLISE DOS REQUISITOS LEGAIS. PODER DISCRICIONÁRIO DO MAGISTRADO. INEXISTÊNCIA DE ILE ARGUMENTAÇÃO NOVA E CONTUNDENTE E ABUSO DE PODER. ALIMENTOS. IRREPETÍVEIS. PERIGO DE IRREVERSIBILIDADE DA MEDIDA. DECISÃO MANTIDA. 1. Caso os recorrentes, no agravo regimental, não tragam argumentos novos suficientes para acarretar a modificação da decisão monocrática, o desprovimento do recurso à medida que se impõe, especialmente porque proferida com espeque na jurisprudência dominante desta Corte e do Superior Tribunal de Justiça. 2. A decisão que nega ou concede a antecipação dos efeitos da tutela só deve ser reformada quando for patente sua teratologia, flagrante ilegalidade ou abuso de poder, em virtude do livre convencimento do juiz e de seu poder geral de cautela. 3. Diante do caráter irrepetível da obrigação alimentar, impõe-se o indeferimento da tutela antecipada, nos moldes do artigo 273, 2, do Código de Processo Civil. 4. AGRAVO REGIMENTAL CONHECIDO E DESPROVIDO.1

No caso em exame, o perigo de dano irreparável ou de difícil reparação está claro, visto os prejuízos sociais, patrimoniais e outros conflitos que poderão advir caso permitida a continuidade das postagens de comentários ofensivos, haja vista ser o requerente Governador do Estado de Goiás, escolhido pelo povo como representante de seus interesses, fato que aumenta demasiadamente a necessidade de se manter uma reputação ilibada, enquanto pendente a discussão judicial sobre a publicação de opiniões, que tratem de uma suposta participação do requerente em atividades criminosas, diga-se de passagem, sem notícia de qualquer ação ou sentença penal condenatória transitada em julgado.

Disponho.

Ante o exposto, DEFIRO a liminar pedida na inicial.

DETERMINO que o requerido retire de seu blog as publicações ofensivas feitas em face do autor, bem como se abstenha de inserir outras desta natureza, sob pena de multa diária que fixo em R$1.000,00 (mil reais) por dia de descumprimento da presente ordem, devendo cumprir o disposto no prazo de 48(quarenta e oito) horas e comunicando a este juízo, sob pena de incidir na multa fixada.

CITE-SE a parte requerida para, querendo, apresentar resposta às alegações da parte autora, no prazo legal, com as advertências do art.285 e 319 do CPC.

P.R.I.

Goiânia, 17 de abril de 2013.2


Ricardo Teixeira Lemos

Juiz de Direito.